Arqueoastrologia – O Zodíaco nos primórdios da civilização

11 de Janeiro de 2011 Artigos, Diversos: a partir de janeiro/2010 Comentários desativados em Arqueoastrologia – O Zodíaco nos primórdios da civilização

A Astrologia através da observação dos astros previa o destino, porém os astros eram definidos como deuses e deusas que habitavam por toda parte. Na época primeva podiam ser contados pela região do crescente fértil mais de mil deuses. Praticada por todos os povos, encontrou crítica pela sociedade romana, que via na Astrologia a retirada da responsabilidade civil do indivíduo.

Hathor, Ísis e As Sete Hathors

Esses astrólogos adivinhos viviam em sociedades politicamente ritualizadas, com reis sacerdotes e rainhas sacerdotisas, cercados por deuses, deusas e fenômenos da Natureza, que determinavam o destino dos primeiros humanos. As únicas certezas eram a vida, a morte e entre estas duas coisas o destino. A vida e a morte eram concedidas para os humanos através das mulheres e logo elas foram consideradas as deusas, senhoras do destino. Apontam pesquisas dos estudiosos que os primeiros humanos seguiram este raciocínio simples assim. E, no fim do neolítico, apareceram as sete hathors, senhoras do destino, rainhas, sacerdotisas ou possivelmente mães anciãs. O nome hat – hor, vem de het-her e tem diversos significados, dentre eles, o mais conhecido é: a “casa (no sentido de útero) de horus”, e também “montanha”. É provável que tenha sido um clã com traços matriarcais, que migrou das montanhas para o a região do rio Nilo, logo nas primeiras dinastias. Também a deusa Hathor é conhecida como senhora da turquesa (nas montanhas próximas ao Egito ainda existem as antigas minas de turquesa, onde vivem os beduínos), senhora do sicômoro, da música, da alegria, senhora dos céus na forma de Nut, a vaca celestial que sustenta com suas patas o céu, senhora dourada.

O Faraó, antes de subir ao trono, precisava provar que era ‘o touro’ e o Harém era uma das designações do local onde ficavam as harinis, cortesãs – esposas, mulheres que serviriam ao sexo sagrado (erroneamente denominado prostituição sagrada) e ofereceriam o útero para provar que o faraó era fértil. Ramsés II teve centenas de mulheres e filhos. A mais antiga representação de Hathor encontra-se na tábua que registra a presença do rei faraó, a paleta de Narmer (3.000 a C).

Quando uma criança nascia, as sete hathors, as sete senhoras do destino, profetizavam o destino da criança, observando sua alma. Não por acaso as filhas do Sol são citadas como os olhos de Rá, as que tudo vêem.

O templo e o zodíaco

É sob a proteção dessa deusa que o zodíaco de Denderah está guardado, representado dentro da sala de Osíris, o deus da ressurreição, o deus dos mortos, o deus da fertilidade. Na entrada do templo, Hathor anuncia através de imensas cabeças pilares que ali é sua morada mais famosa (porque existem outras por todo o Egito em homenagem á ela). Ela é representada nos tetos de diversas tumbas e no teto de Denderah como Hathor – Ísis, e os deuses astros navegam ao lado dela nas barcas. Isto se deve à grande influência do comércio marítimo no mundo antigo. Das atividades comerciais entre os povos do crescente fértil e as atividades marítimas com os outros povos, a Astrologia foi disseminada pelo mundo antigo. Sempre nos voltamos para os gregos quando estudamos Astrologia, porém precisamos lembrar que os gregos, além de trocarem informações, eles receberam destes povos durante centenas de anos muitas das informações que iriam ajudar a formar o pensamento grego e do mundo ocidental, incluindo os fundamentos e concepções sobre a Astrologia. Nesse templo construído pelos Ptolomeus, mais exatamente por Cleópatra VII, os gregos celebravam a união das culturas = egípcios ensinavam e gregos aprendiam e registravam tudo. Os egípcios concebiam os deuses como entidades reais e presentes com eles, em tudo existiam os deuses. Já os gregos concebiam os deuses como entidades reais, porém não viviam ali com eles, permaneciam no Olimpo. Incorporaram vários deuses, dentre eles Ísis e Osíris e seus mistérios.

O templo tem uma forma similar ao de Horus em Edfu, templo também construído pelos Ptolomeus. Os templos no Egito foram construídos e reconstruídos desde a antiguidade. Temos acesso á sala do zodíaco através de uma escada para um pavimento superior a céu aberto, no meio deste pátio há uma sala sem teto para Hathor receber a luz solar. Desta forma, era recriada a famosa lenda em que Hathor mostra seu sexo, para que Rá se alegre. Este mito educava sexualmente o povo, numa época em que os deuses eram exemplo para tudo, e tudo determinavam. Ali fechada aos olhos humanos, mas aberta à vista de Rá, nessa sala Hathor se regenerava para mais um ciclo anual, enquanto Ísis chorava a morte de Osíris e o Nilo enchia, inundando a tudo, e então reviviam o mito do renascimento de Osíris com a fertilização do Nilo, e reviviam o mito do nascimento da humanidade. Afirma-se que 5 de junho é a data em que Hathor saía de seu templo para visitar seu esposo Horus, no templo em Edfu.

Uns passos a mais e chegamos a sala do zodíaco, é uma sala pequena e o teto baixo, cabem poucas pessoas ali dentro. Na sala ao lado a deusa Hathor, na forma de Nut, decora o teto. Os antigos egípcios faziam camas de grãos na forma de Osíris. (fotos na página viagens para o Egito – link para civilizações antigas – no portal do museu do Louvre- site – www.nadiagreco.com )

Desta conversa sutil entre ser humano e símbolos nascia a Astrologia. Um antigo texto em hieróglifos sobre o céu dos antigos:

“…O Céu dourado, céu dourado, é Ísis a mãe dos deuses, senhora do mundo primordial onde nasceram os deuses, tem seu lugar em Denderah …

Os deuses estrelas são: Harsiasis, o deus da manhã, Sokar, a via Láctea,
Osíris, Horus, Sothis, a estrela visível…”

No antigo Egito a ciência e os conceitos mitológicos estavam intimamente ligados e toda a ordem e o caos no mundo dependia do que ocorria com os deuses. A deificação das estrelas decanas servia para explicar as horas da noite, explicar o simbolismo conectado do amanhecer do dia e a chegada do Sol.

Deuses e Deusas

As deusas, de acordo com uma das mitologias egípcias, são extensões do Sol, são as filhas de Rá, Sekhmet, Hathor, entre outras. Não por acaso, o Sol, na forma de Rá, o doador de vida, é o luminar, o “ponto astrológico” mais conhecido e reverenciado na antiguidade e nos dias atuais; basta observar as colunas de jornais e revistas e manuais de Astrologia = funciona como o ponto de partida para todo o mapa, e somente rivaliza com a Lua. Temos então a considerar a Terra, o céu e o submundo, os pontos cardeais, sendo que todos estes lugares eram povoados por deuses. Encontramos registros na tumba de Seth I de Júpiter , Saturno, Vênus , Mercúrio e Marte.

Nos mitos egípcios, Hathor, como a deusa vaca -lunar jorrava abundante água para o Nilo, através das montanhas da Etiópia. Porém, ela é tão antiga quanto Rá. Em outro mito, a deusa vaca coloca as patas sobre a terra – e tem princípio a vida na Terra, das águas do Nilo nasce uma ilha, onde toda a vida brota em abundância. E ela se torna a vaca-celeste, representada pela forma da deusa Nut.

O nascimento do mito dos deuses e deusas depende da região a que estão vinculados, seja Luxor, seja Denderah, cada região possuía seu mito particular. Atualmente, ao visitar o Egito e os templos, os guias egípcios dão grande ênfase a Amon, porque percebem nele correspondências com Allah, enfatizando para os turistas que ali também existia um deus único. Esquecem de afirmar que Amon estava vinculado a sua esposa Mut e a seu filho Konsu, formando com eles uma trindade muito conhecida e cultuada no mundo antigo, entre muitas outras trindades existentes. O deus solitário foi Atom, culto criado por Akhenaton. Aton, assim como Rá também ele um deus solar, era representado pelo disco solar e seus raios, e foi um culto rechaçado pelos sacerdotes egípcios, que apenas admitiam sobre o solo egípcio seus múltiplos deuses e deusas. O sinal trino, o triângulo, era a designação para o sexo feminino.

Porém, também houve a adaptação de deuses e deusas de outras terras, por exemplo, quando da época de Ramsés II adotaram a deusa de Qadesh, também pertencente a um culto da fertilidade. Também adotaram os cultos de Júpiter, Vênus e Ápis, deuses da época grega, já no fim do Império Egípcio, mas nem por isso foram cultos menos grandiosos. Antes de todos eles estava o culto da deusa cobra, a deusa serpente, Uadjet ou Uazit, um culto de mulheres tão firme e forte que acabou por incomodar os hebreus, indo até parar num livro muito famoso que todos conhecem (observe a paleta do rei serpente – 3.000 a.C. e as fotos do artigo). Esta deusa serpente aparece em todas as representações, seja nas coroas do faraó seja nas estátuas de Hathor representado que ela, a deusa abutre e Hathor são do mesmo período. Julgavam que todas as serpentes fossem fêmeas e, porque saíam do ventre da deusa Terra, detinham os segredos ocultos desta deusa. Ísis usa uma serpente para fazer magia com Rá. A Íbis que representa Thot se alimentava das cobras que apareciam pelo Nilo, depois das cheias, protegendo os agricultores – e dizia-se que, por causa disso, Thot absorvia a sabedoria oculta no submundo.

Foi também com esses povos do Oriente que os gregos aprenderam a fazer suas anotações astrológicas e criaram o horóscopo. Existem muitas conexões entre a sociedade minóica e os egípcios, que os viam como um povo culto e avançado, desde antes da XVIII dinastia. (1.500 a.C.). A divinação astrológica não tinha como objetivo adivinhar o futuro, mas orientar para o futuro – e era uma prática muito difundida por todo o mundo antigo. Uma arte que sobreviveu a milhares de anos e a muitos impérios e civilizações apresenta hoje o desafio de sobreviver em meio a um mundo tecnológico que segue insensível às próprias necessidades. Mas não tenho dúvidas de que, assim como houve no princípio no futuro também existirão astrólogos para nos orientar sobre nossa passagem na Terra – e nos lembrar que somos pequenos deuses, espelhos do macrocosmo.

Nadia Greco – fotos in loco sobre Denderah e Egito, e informações adicionais no site www.nadiagreco.com

Sobre o Autor

CNA (Central Nacional de Astrologia)