CNA Central Nacional de Astrologia | Hub > Conteúdo > Pesquisa > Estudos https://cnastrologia.org.br Unindo céus e terras e compartilhando saberes Wed, 03 Jun 2026 14:54:53 +0000 pt-BR hourly 1 https://cnastrologia.org.br/wp-content/uploads/2024/11/cropped-favi-32x32.jpg CNA Central Nacional de Astrologia | Hub > Conteúdo > Pesquisa > Estudos https://cnastrologia.org.br 32 32 Astrocartografia e o poder de girar o mapa astral para a sua versão favorita – Por Carol Pereira https://cnastrologia.org.br/astrocartografia-e-o-poder-de-girar-o-mapa-astral-para-a-sua-versao-favorita-por-carol-pereira/ https://cnastrologia.org.br/astrocartografia-e-o-poder-de-girar-o-mapa-astral-para-a-sua-versao-favorita-por-carol-pereira/#comments Wed, 03 Jun 2026 14:53:15 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11150 Todo astrólogo já viveu isso. Uma cliente com trígonos bonitos, Júpiter bem aspectado por trânsitos, Vênus no signo de sua dignidade e ainda assim uma vida que parece se mover em câmera lenta. Uma cliente ansiando por mudanças de vida, transição de carreira, engravidar ou se separar. As promessas do mapa natal existem, mas não se realizam plenamente, e nossa cliente procura respostas. Há algo que a pessoa quer ativar, ainda que o mapa informe aquela potência. 

Na Astrocartografia, a mira e a ferramenta de ativação são a localização. Achar o lugar no mundo é achar quem se quer ser naquele momento da vida. A Astrocartografia, ou ACG para os íntimos, parte de uma premissa que uma vez compreendida, reorganiza completamente a forma como lemos um mapa: o mapa natal como potencial e mutável. A geografia é o ativador, já que nos movendo pelo mundo, mexemos no nosso ponto de vista sob o céu. E a astrocartografia é a liberdade de escolher isso. O que não está angular no nascimento pode ganhar toda a sua força em outro ponto do planeta para o bem e para desafiar. Muitas vezes trazendo respostas sobre aquele destino que suas expectativas eram super altas e foi um perrengue enorme ou o contrário. Uma viagem para um lugar que ninguém amaria e para aquela pessoa o lugar parece ser o destino em que a alma daquela pessoa se encaixa. 

Esta não é uma técnica de atendimento rápido. É uma das ferramentas mais complexas, refinadas e reveladoras que a astrologia oferece. Até para quem não tem possibilidade de viajar naquele momento, ou já voltou de uma viagem e quer entendê-la. Dar a liberdade para se ser quem se é é como fazer a profundíssima pergunta: Quem você quer ser, já que pode escolher? 

A Origem da Técnica: De Jim Lewis aos Softwares

A técnica foi desenvolvida e patenteada pelo astrólogo norte-americano Jim Lewis (1941–1995) a partir dos anos 1960, sob influência direta dos astrólogos sideralistas Cyril Fagin e Donald Bradley que já cartografavam linhas planetárias para fins de astrologia mundana, mostrando onde os planetas nasciam, culminavam e se punham sobre o globo. Jim idealizou e transpôs esse sistema para um software, formalizando o método adaptado a cartografia computadorizada e as linhas de forma que é possível ver num mapa mundi aberto a localização onde essas linhas ficam angularizadas no mapa astral. Isso tornou esse sistema bastante palatável visualmente fazendo os atendimentos aos poucos se tornarem bastante atraentes, gerando muita curiosidade principalmente em quem já ama viajar e tudo que quer é um motivo. Existe motivação melhor do que virar uma versão melhor de você mesma? 

A vida de Lewis acabou virando um estudo de caso e possível aplicabilidade da técnica, já que na década de 1990 foi atropelado em Sydney, na Austrália, exatamente onde Marte cruzava seu ascendente no mapa astrocartográfico. Não como metáfora. Como informação que corrobora que uma linha marciana nos conecta com uma maior vulnerabilidade para acidentes. Não sendo isso obviamente uma regra ou uma sentença escrita, mas uma informação para quem a conhece, se colocar no menor risco possível nessa localização. Ao mesmo tempo é uma linha de muita disposição física, sendo muitas vezes indicada para atletas, pessoas que estão passando por momentos mais melancólicos ou que precisam recuperar a vitalidade por alguma razão. Não existe linha boa ou ruim. Existem linhas que se adequam aquela pessoa, naquele momento de vida e tendo aquele mapa natal que ela tem. 

Como funciona na prática:  

O que o mapa astrocartográfico faz, visualmente, é pegar o seu mapa natal e projetá-lo sobre o planisfério. O resultado são linhas, algumas verticais, outras em curvas, que percorrem o globo de ponta a ponta, cada uma identificada com um planeta e um ângulo. E é aí que a mágica e a responsabilidade da leitura se encontram. Isso traz uma espécie de sensação de cardápio no atendimento e é visível como as pessoas ficam deslumbradas ao ver o globo terrestre literalmente como um mundo de possibilidades. 

Cada planeta pode cruzar quatro tipos de linha: Ascendente (ASC), Descendente (DC), Meio do Céu (MC) e Fundo do Céu (FC). E o ângulo onde ele cai muda completamente a forma como aquela energia vai se expressar na vida da pessoa naquele lugar. 

  • No Ascendente, o planeta age de dentro para fora. Ele entra na sua identidade, na forma como você aparece e é percebida. Uma cliente com Vênus numa casa cadente no natal discreta, nem sempre reconhecida pela sua beleza ou afeto pode chegar em Lisboa, onde teria essa Vênus no ascendente, e simplesmente florir. O ambiente conspira a seu favor. Ela se torna magnética sem fazer esforço. A linha ASC ativa o que o mapa natal guardava porque o planeta não tem tanta ênfase. 
  • No Meio do Céu, a expressão é pública e pode ser institucional. O planeta se impõe através do ambiente, das regras do lugar, da cultura local. Saturno no MC exige protocolo e quem ignora os costumes locais paga um preço reputacional que não pagaria em outro lugar. Júpiter no MC abre portas com uma facilidade que parece absurda quando a pessoa nunca teve essa sensação: reconhecimento, visibilidade, o lugar te recebe com generosidade. 
  • No Descendente, o planeta é ativado pela ação do outro. Ele não é sobre você. Ele chega até você e te afeta. Pessoas, situações e circunstâncias que carregam aquela natureza planetária aparecem. Vênus no DC é o afeto que se apresenta sem ser chamado, além de todo mundo daquele lugar lhe parecer lindo e atraente. Aqui a frase “São seus olhos”é literal. Saturno no DC são os parceiros exigentes, os contratos sérios, as relações que cobram comprometimento. 
  • No Fundo do Céu, o planeta ativa um sentimento de ninho. É a linha do pertencimento, da segurança visceral, do que parece familiar mesmo sendo novo. Lua no FC e a pessoa se sente em casa antes mesmo de desempacotar a mala. É o lugar que a alma reconhece. E normalmente esses sentimentos já começam na organização da viagem. 

 

Cruzamentos de Linhas e a Ciclocartografia

A  complexidade aumenta e a leitura fica mais rica quando duas linhas de planetas diferentes se cruzam num mesmo ponto do mapa. Esses cruzamentos têm uma linguagem própria, que segue a mesma lógica dos aspectos que conhecemos no natal, mas na Astrocartografia se denominam parans. Sol e Júpiter cruzados são territórios de expansão, prosperidade e visibilidade. Um lugar para lançamentos, para ser visto, para atrair figuras de influência. Sol e Saturno são mais austeros: pedem esforço real, mas entregam reconhecimento genuíno diferente do aspecto natal, onde muitas vezes o esforço existe e ninguém enxerga. No cruzamento astrocartográfico, o comprometimento é visto e respeitado. Vênus e Netuno em tensão cruzados num ângulo criam uma atmosfera encantadora e potencialmente ilusória. É o lugar das relações que parecem um sonho e às vezes são. Não é onde se assina contrato ou se compra imóvel. Marte e Plutão juntos sinalizam regiões de maior vulnerabilidade a conflito, violência ou situações de risco, a informação não é para paralisar, é para respeitar. 

A Ciclocartografia na prática reforça argumentos sobre ser um momento ideal ou não para aquela viagem com aquela intenção acontecer. Ela também traz um maior senso de exclusividade para cada viagem para pessoas que por algum motivo viajem repetidamente para o mesmo destino a trabalho ou por motivos pessoais. Não precisamos viajar para ativar! E aqui fica um dos pontos que mais surpreende quem conhece a técnica pela primeira vez: você não precisa necessariamente embarcar para sentir a influência de uma linha. Estudar o idioma daquele país, frequentar a culinária, fazer negócios com pessoas daquela cultura, se aprofundar na arte ou na música que vem dali! Tudo isso começa a ativar a energia da linha de onde você está. O contato é o portal. A geografia não exige passagem aérea! Exige intenção e aproximação. E o nome disso é ativação remota

Existem hoje inclusive muitas ferramentas e apps que facilitam muito a nossa vida ao ajudar os clientes com dicas de conexão a uma cultura local desde Google Earth a Pinterest para ter imagens como fundo de tela. Muitas ferramentas hoje fazem fotos suas no lugar, mas a melhor que conheço hoje (2026) é o Gemini, mas talvez existam outras melhores ainda.

O que a ACG não faz:

Por fim, o que talvez seja o mais importante de dizer: a Astrocartografia não reescreve o mapa natal. Ela expande as possibilidades de um mapa que já existe e é imutável e soberano. Uma linha de Vênus AC não apaga tensões natais não resolvidas, até porque como eu sempre falo, o mapa viaja junto, o que significa que: ainda que o mapa gire porque nós estamos girando pelo mundo, nossos aspectos vão sempre juntos com a gente. O que podemos fazer é acender ou apagar a luz sobre esses aspectos dependendo da vontade e oportunidade. Por isso a leitura precisa sempre do mapa natal como fundamento. 

A ACG sem a interpretação do mapa natal é tirar o protagonismo da pessoa que vai viajar! Simplesmente não vai ser efetiva e nem ajudar de fato. A pergunta que a Astrocartografia responde não é “Quem sou eu?”. É “onde eu sou mais plenamente eu?”. Às vezes revela inclusive, quem você ainda não sabia que poderia ser. E isso é emocionante de assistir!  

 

Carol Pereira é astrocartógrafa desde 2021 formada pela Continuum Foundation – Fundação sem fins lucrativos vinculada ao Astro*Carto*Graphy Living Trust , que preserva o legado de Jim Lewis e cataloga mais de 20 títulos relacionados à sua obra, além de formar profissionais por todo o globo terrestre

 

 

As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião ou o posicionamento oficial da CNA (Central Nacional de Astrologia) e de sua Diretoria. O conteúdo visa estimular o debate e a difusão do conhecimento astrológico sob a perspectiva individual de cada colunista.

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Trânsitos de Júpiter e Mercúrio Retrógrado nas Copas por Guilherme Salviano https://cnastrologia.org.br/ransitos-de-jupiter-e-mercurio-retrogrado-nas-copas-por-guilherme-salviano/ https://cnastrologia.org.br/ransitos-de-jupiter-e-mercurio-retrogrado-nas-copas-por-guilherme-salviano/#respond Wed, 27 May 2026 14:20:31 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11130 Quase todas as copas ocorreram com Júpiter ou em Câncer, Libra, Escorpião e Peixes. Uma exceção foi 2010 quando Júpiter estava em Áries e tivemos uma campeã inédita, a Espanha. A outra será esta, de 2026, em sua reta final. Teremos a reincidência da Copa iniciando com Júpiter em Câncer, mas com Júpiter em Leão já após a primeira fase.

Com Júpiter em Câncer, as copas foram em 1930, 1954, 1966, 1978, 1990, 2002 e 2014. Quem mais venceu e chegou a finais nesses anos foi a Alemanha — que em cinco finais ganhou três —, seguida da Argentina, em quatro finais, que ganhou uma, em 1978. Além de ter sido a única copa da Inglaterra, a última ganha pelo Brasil em 2002 e a primeira do Uruguai.

Aliás, duas copas com Júpiter em Câncer tiveram Alemanha e Argentina na final, em 1990 e 2014. Ambas vencidas pela Alemanha. 

 

Argentina e Alemanha

 

Das campeãs reincidentes com Júpiter em Câncer, considero a Argentina uma favorita por apresentar melhor futebol atualmente do que Brasil, Inglaterra, Alemanha e Uruguai. Vale ressaltar que no contexto atual de 2026, a Alemanha não apresenta futebol para favoritismo como em outros anos, mas há indício astrológico para surpreender, embora o astrólogo não acredite.

Portugal e Holanda

Sobre a final com Júpiter em Leão, será um trânsito inédito e que pode favorecer seleção potencial para conquista inédita como Portugal e Holanda. Em 2010, na única vez que uma copa variou a posição dos quatro signos mais comuns, foi quando ingressou em Áries e a Espanha foi campeã. 

França e sua conquista com Júpiter em Leão

Apesar de não ter se tratado de uma Copa do Mundo, a única grande competição de futebol masculino com Júpiter em Leão na história recente foi a Copa das Confederações da FIFA em 2003, onde as seleções campeãs de continentes se enfrentavam, vencida pela França, que é minha principal favorita — não apenas por isso, mas pela fase e o contexto de seu grande momento nos últimos 8 anos em finais.

Espanha

A Espanha é minha segunda favorita. Se vencer, não será inédita (ganhou a Copa em 2010). Atribui pela imensa gama de jovens talentos individuais e quatro deles com Sol em Câncer: Merino, Rodri, Victor Munoz, Nico Williams e o candidato a craque da copa Lamine Yamal. Os três últimos com Júpiter em trânsito ao Sol em parte da copa. 

O Brasil de Ancelotti

O Brasil é a única seleção campeã em quase todos os ciclos de Júpiter de copas (com ele em Câncer, Libra, Escorpião e Peixes), menos o de Áries, que só houve em 2010. Nossa última copa ganha foi com Júpiter em Câncer, mas todos os principais vexames também foram, como 1966 na primeira fase, 1990 quando caiu na segunda fase e o 7 a 1 diante da Alemanha em 2014.

Quanto a Carlo Ancelotti, no primeiro dos títulos da Champions League europeia do técnico italiano, Júpiter estava em Leão quando foi campeão pelo Milan em 2003, signo que tem stellium. Em 2014, pelo Real Madrid, novamente com Júpiter em Câncer em sua casa 10 — o primeiro dos três que venceu pela equipe espanhola.

Com tudo isso, este astrólogo não considera o Brasil favorito.

Mercúrio retrógrado nas Finais

Em 2026 a final da copa será com Mercúrio retrógrado, fato ocorrido em 1954, 1962, 1966, 1974 e 2006. Em todas ocorreram viradas e duas empatadas – 1966 e 2006 –, com prorrogação e pênaltis na de 2006, onde Inglaterra (em 1966) e Itália (2006) que começaram perdendo foram campeãs.  

 

Por Guilherme Salviano, astrólogo desde 1993,com atendimentos pessoais, aulas e mentoria, formado pela Escola GEA.

 

As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião ou o posicionamento oficial da CNA (Central Nacional de Astrologia) e de sua Diretoria. O conteúdo visa estimular o debate e a difusão do conhecimento astrológico sob a perspectiva individual de cada colunista.

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Astrologia e constelações sistêmicas – por Elizabeth Nakata https://cnastrologia.org.br/astrologia-e-constelacoes-sistemicas-por-elizabeth-nakata/ https://cnastrologia.org.br/astrologia-e-constelacoes-sistemicas-por-elizabeth-nakata/#comments Wed, 20 May 2026 09:00:05 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11116 A terapia denominada Constelações Sistêmicas foi criada por Bert Hellinger a partir de sua observação do  trabalho de Virginia Satir, na década de 70, e que encontra uma explicação também na física e biologia  descrita por Rupert Sheldrake como campos morfogenéticos. Nascemos no seio de uma família que é um  sistema. Todo e qualquer sistema pede o equilíbrio para sua existência. Quando ocorre algum evento que  afeta um dos membros do sistema familiar gera um “nó ou emaranhamento”, desequilibrando-o e criando  consequências. Tais consequências manifestam-se na vida de um dos membros desse sistema no corpo físico  (doenças, transtornos ou outros sintomas), no desenvolvimento profissional, afetivo-relacional ou financeiro.  A terapia irá investigar a causa e buscar a cura. Para o “campo” das constelações não existe julgamento de  valores, pois cada pessoa age a partir de razões que, para ela, sempre são justas e corretas. As Constelações – inicialmente denominadas apenas de constelações familiares – estão ancoradas em três ordens denominadas  “ordens do amor”, que são: 

Pertencimento: cada um de nós tem um lugar em seu sistema familiar. 

Precedência: quem nasceu primeiro no sistema tem precedência sobre quem nasceu depois. – Equilíbrio entre dar e receber: os relacionamentos dos componentes do sistema são regulados pela troca  equitativa. 

 Vamos exemplificar cada um desses pilares e seus respectivos emaranhamentos começando pelo  Pertencimento. Cada ser humano tem seu primeiro lugar como filho(a). Suponhamos que essa pessoa tenha  infringido as regras dessa família e por isso tenha sido banida do convívio. Essa exclusão gera um  emaranhamento e outro integrante desse clã, mesmo que gerações à frente, irá se vincular a essa exclusão  gerando dificuldades para si em alguma área de sua vida. Uma das exclusões mais comuns é vista através dos  abortos. Vale ressaltar que para o sistema familiar não há distinção entre aborto espontâneo ou provocado. Havendo um primeiro aborto e nascendo um filho depois, esse que nasceu tem seu lugar de pertencimento  como segundo filho, pois o primeiro filho foi o aborto, ou o natimorto. 

 A Precedência também pode ser explicada pela hierarquia. Quem nasceu antes de nós chegou primeiro  e, portanto, deve ter nosso respeito como tal. Desse ponto de vista são considerados “maiores” e nós somos  “menores”. Quando um(a) filho(a) se considera melhor ou mais maduro que um dos pais está se colocando em  posição igual ou superior a esse progenitor, infringindo dois pilares das constelações, o do pertencimento pois  está saindo de seu lugar de filho(a) para o de pai ou mãe do progenitor, e a precedência, pois se coloca como  tendo chegado antes dos pais na vida. 

 O Equilíbrio entre Dar e Receber está na troca equilibrada em qualquer tipo de relacionamento. Há  apenas um momento em que é natural haver desequilíbrio: quando nascemos, pois somos incapazes de  sobreviver sem que alguém supra nossas necessidades com alimentação e demais cuidados. Nessa etapa da  vida apenas recebemos mas, à medida que crescemos e amadurecemos, vamos aos poucos podendo tomar  menos de nossos pais ou responsáveis e retribuir. Quando temos filhos ou criamos empresas podemos  definitivamente restabelecer o equilíbrio, pois vamos inicialmente dar muito mais a eles do que recebemos.  Qualquer relacionamento entre dois adultos onde um dá mais que o outro gera emaranhamento e, mais cedo  ou mais tarde, está fadado à ruptura. 

 A partir desses conceitos é possível olhar para um Mapa Natal com essa visão sistêmica, fazendo  abordagens de diagnóstico dos emaranhamentos e procurando a cura. A postura do astrólogo diante do  cliente deve ser sempre a de não julgamento, exatamente como as constelações preconizam. Aspectos, 

planetas e signos não são bons ou maus, eles mostram possibilidades de uma realidade que se concretizará,  ou não, a partir das escolhas pessoais.  

Exclusões podem ser vistas nos planetas sem aspectos maiores, nos que são muito aspectados ou nos  que são “alça do balde”. O não pertencimento pode ser visto principalmente na Casa 4, que são as origens, a  base familiar e a ancestralidade. No Mapa abaixo temos Plutão regente da Casa 12 sem aspecto na Casa 8, e  Sol regente da Casa 9 na Casa 12. Esse homem abusava sexualmente dos filhos, tendo ele mesmo sofrido  abusos sexuais na infância. Perdeu o pai precocemente. A falta de vínculo através do masculino pode ser visto  com o posicionamento do Sol regente da Casa 9 na Casa 12, e Plutão regente da 12 na Casa 8. A constelação  mostrou a falta de vínculo com o masculino por parte de pai, proveniente de uma exclusão do avô paterno no  sistema familiar do país de origem. 

O Mapa seguinte é de um homem identificado com a falta de vínculo feminino por parte da mãe. Sua  constelação mostrou que estava identificado com a avó materna que não fez vínculo com sua mãe (a bisavó do  constelado), e que por esse motivo também não fez vínculo com a filha (mãe do constelado). Mercúrio – dispositor da Lua – faz um aspecto menor de quincunce com Júpiter, e um trígono para o MC, mostrando que  também há um emaranhamento pelo lado paterno, pois os dois planetas regentes das Casas 4 e 10 também  estão em aspecto de tensão. Uma constelação para esse tema “pai” ajudará no desenvolvimento da vida  profissional. Para Bert Hellinger a prosperidade tem a face da mãe, e a força vem do pai. É necessário tomar a  vida de quem nos dá – nossos pais – aceitando-os como são.

 

A precedência transgredida pode ser vista claramente no Mapa abaixo de um rapaz que assumiu o  sustento da família colocando-se no lugar do pai quando o mesmo ainda estava vivo. O pai morre quando ele  está com 28 anos vivendo o primeiro retorno de Saturno, reforçando sua responsabilidade como arrimo de família (mãe e irmãos mais novos). A constelação mostrou que ele estava maior que o pai, com  emaranhamento na precedência e no pertencimento pois estava se colocando no lugar de pai do próprio pai.  Ele veio constelar uma questão profissional, pois não conseguia manter o êxito nos negócios que empreendia. O “lugar do pai” no Mapa é visto ou na Casa 4 ou na Casa 10. Temos Saturno angular na Casa 4.

 O Equilíbrio entre Dar e Receber é visto nos eixos, notadamente Casas 1 e 7, mas também pode ser visto  por concentração de planetas no primeiro e quarto quadrantes, ou no segundo e terceiro quadrantes. O Mapa  a seguir é de uma mulher extremamente generosa, que está sempre disposta a cuidar dos mais necessitados,  carentes e enfermos da família. Desenvolveu várias doenças psicossomáticas e mantém um relacionamento de  total subserviência ao companheiro.

 O caso a seguir é de uma criança cujo pai sofreu um acidente dias antes de seu nascimento, vindo a  falecer assim que ele nasceu. A queixa da mãe era de que ele se colocava em situações de risco físico, além de  severos sintomas sem origem conhecida, apesar de investigação médica. Plutão na Casa 4 em quadratura a  Lua-Urano. Mercúrio regente do ASC e da Casa 10 em quadratura com Netuno, sextil Vênus na Casa 1. Sol  regente da Casa 12 em conjunção com Saturno e quincunce com Lua conjunção Urano na Casa 7. A  constelação mostrou o vínculo forte com o pai, e falta de vínculo com a mãe. Outras mortes precoces e  trágicas na família paterna também foram relatadas. 

 Os trânsitos, progressões e lunações no Mapa Natal também são importantes, pois apontam áreas e  temas onde o cliente está mais receptivo, mais aberto a mudanças de padrões. Retornos planetários também  têm um peso grande pois reativam os emaranhamentos existentes possibilitando soluções. No exemplo abaixo  a moça sofreu abuso sexual paterno na tenra infância. Durante algum tempo isso ficou esquecido, mas na  adolescência ela foi aos poucos se lembrando. Já casada e com dificuldade para engravidar fiz um atendimento  unindo astrologia e constelação, exatamente quando Júpiter fez um trígono exato para Vênus do Mapa Natal,  com Marte transitando na Casa 8 e Saturno na Casa 5 em conjunção com Júpiter. O resultado foi uma gravidez  ocorrendo poucos meses após, culminando com o nascimento de seu primeiro filho. Vênus é regente da Casa  10 (pai) e está sem aspecto no Mapa Natal.

 Esses são alguns poucos exemplos de como o Mapa Natal auxilia o constelador a encontrar rapidamente  o foco para a constelação, bem como o diagnóstico sistêmico-astrológico pode indicar que uma constelação  seja feita, terapeuticamente atuando e curando as dificuldades do cliente. Sendo o astrólogo também  constelador ele pode, durante o atendimento astrológico, usar as frases de cura da constelação, ou fazer um  exercício sistêmico objetivando resolução de conflitos. 

 Há vários outros fatores presentes no Mapa Natal que podem ter essa leitura sistêmica, inclusive com os  planetas “ganhando voz” e interpretando suas posições terrestres através de representantes. Com a prática e  a experiência que dela advém é possível sermos mais assertivos em nossa tarefa de ajudar a quem nos  procura. No início, Bert Hellinger denominava de Constelação Familiar, mas foi descobrindo que para onde  formos levamos nossos campos e sistemas familiares, portanto no trabalho, na escola, na vida em sociedade  estamos sempre interagindo conforme o que levamos de nossos antepassados. Por isso Hellinger passou a  usar o termo Constelação Sistêmica, com suas subdivisões pois temos hoje o Direito Sistêmico e a Pedagogia  Sistêmica. Alunos com dificuldades podem ser olhados sob a ótica das constelações, e conflitos jurídicos  também podem se beneficiar das intervenções sistêmicas. Onde houver um ser humano e sua complexidade  vivencial haverá uma solução e, de um lugar de neutralidade e não-julgamento a astrologia e as constelações  poderão ser parte dessa solução. 

Artigo publicado originalmente em inglês na revista eletrônica The Career Astrology da OPA (The Organization  for Professional Astrology) e também no site www.astro.com

por Elizabeth Nakata,  Astróloga e Terapeuta Sistêmica @elizabethnakata.consultoria 

As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião ou o posicionamento oficial da CNA (Central Nacional de Astrologia) e de sua Diretoria. O conteúdo visa estimular o debate e a difusão do conhecimento astrológico sob a perspectiva individual de cada colunista.

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Era Jung Astrólogo? – por Deborah Jean Worthington https://cnastrologia.org.br/era-jung-astrologo-por-deborah-jean-worthington/ https://cnastrologia.org.br/era-jung-astrologo-por-deborah-jean-worthington/#respond Wed, 13 May 2026 17:17:04 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11112 Em seus textos Jung faz várias alusões à Astrologia e muito se tem perguntado qual era seu envolvimento com esse saber. Como parte do trabalho de desenvolvimento de minha dissertação para a pós-graduação em Psicologia Junguiana pelo IJEP, desenvolvi pesquisa levantando textos que pudessem indicar não só o início de seu envolvimento com a Astrologia, como também o domínio de seu conteúdo e profundidade; tratando-se aqui de uma revisão bibliográfica.

Afinal, era Jung Astrólogo? A primeira alusão que identifiquei foi uma carta de Jung a Freud em maio de 1911:

No momento incursiono pela Astrologia, que se revela indispensável para a perfeita compreensão da mitologia. Há coisas realmente maravilhosas e estranhas nesses domínios obscuros. As plagas são infinitas, mas não se preocupe, por favor, com minhas erráticas explorações. Hei de, em meu regresso, trazer um rico despojo para o conhecimento da alma humana. Por longo tempo ainda tenho de me intoxicar de perfumes mágicos a fim de perscrutar os segredos que se ocultam nas profundezas do inconsciente.

Ao que Freud respondeu:

Sei que é uma legitima inclinação interior que o leva ao estudo do oculto e não duvido que, em seu regresso, o senhor venha coberto de riquezas. Contra isso não há nada a fazer, pois quem obedece à concatenação dos próprios impulsos sempre acerta. A fama já criada por seu Dementia há de mantê-lo por algum tempo impune à pecha de ‘místico’. É bom, porém, que não se demore nas colônias tropicais, pois o senhor tem de governar a casa.

(Correspondência completa de Sigmund Freud e Carl G. Jung – Rio de Janeiro; Imago Edit. 1993). Em 12 de Junho do mesmo ano, em extensa correspondência, em certo trecho escreve: Prezado Professor Freud,

… minhas noites são, em grande parte, tomadas pela Astrologia. Faço cálculos, com horóscopos a fim de encontrar pistas que me conduzam ao âmago da verdade psicológica. Há coisas notáveis que certamente não lhe parecerão dignas de crédito. O cálculo da posição dos astros, no caso de uma senhora, indicou um quadro caracterológico perfeitamente definido, com numerosos detalhes biográficos que, todavia, não se aplicavam a ela, mas à mãe dela, a quem as características assetavam como uma luva. E a senhora em questão, sofre de um extraordinário complexo de mãe” … “Atrevo-me a dizer que a Astrologia se poderá ainda descobrir um dia uma boa parcela de conhecimento que foi intuitivamente projetada nos céus. Há indícios, por exemplo, de que os signos do zodíaco são imagens caracterológicas ou, em outras palavras, símbolos libidinais que representam as qualidades da libido num determinado momento … Cordialmente, Jung.

Evidências da pesquisa desenvolvida por Liz Greene no arquivo particular de seus descendentes e apresentado em parte no Seminário: ASTROLOGIA DE JUNG E A JORNADA PLANETÁRIA DO LIVRO VERMELHO, pode indicar o que se deu antes, e que ele tomou aulas por correspondência com Max Hendel, (ex-participante da Sociedade Teosófica, conterrâneo de Rudolf Steiner (criador do movimento Antropósófico) e fundador nos USA de um dos braços do movimento Rosacruz). Isso pode também explicar a desenvoltura de Jung com esses temas. “Obviamente, a Astrologia oferece muito para a Psicologia, mas aquilo que esta última pode oferecer à sua irmã mais velha é menos óbvio” Comentário de Carl Gustav Jung em The Secret of the Golden Flower.

…Pessoas, cuja instrução deixa a desejar, acharam que poderiam até hoje, zombar da Astrologia, considerando-a uma pseudociência, há tempos liquidada. A Astrologia vem, ressurgindo das profundezas da alma popular, e apresenta-se hoje, às portas de nossas universidades, que ela deixou há três séculos.

Carl Gustav Jung in “Seelenprobleme der Gegenwart” (“Problemas contemporâneos da Alma”), pg. 241 Em carta de dezembro de 1928, JUNG escreve, para L. Oswald, que assistiu sua palestra em Zurique em novembro:

… você está certíssimo em supor que considero a Astrologia entre aqueles movimentos que, como a Teosofia, procura aplacar uma sede irracional de conhecimento, mas, na verdade, leva-nos a um desvio. A astrologia está batendo nas portas de nossas universidades: um professor de Tübigen desenvolve um curso de Astrologia que foi dado na Universidade de Cardiff no ano passado. Astrologia não é mera superstição e contém alguns fatos psicológicos (como a teosofia), que é de importância considerável. Em verdade, a astrologia realmente não tem a ver apenas com as estrelas, mas é a psicologia de mais de 5000 anos, da antigüidade e da idade média. Infelizmente não posso explicar ou provar isso em uma carta…

(JUNG, C.G. – Letters vol 1 1906 – 1950; USA Princeton University Press – 1973). Para o eminente Astrólogo André Barbault, Jung escreve:

Existem muitos exemplos de notáveis analogias entre constelações astrológicas e eventos psicológicos ou entre o horóscopo e a disposição geral do caráter. É até mesmo possível prever até certo ponto, o efeito físico de um trânsito astrológico. Podemos esperar, com considerável certeza, que uma determinada situação psicológica bem definida seja acompanhada por uma configuração astrológica análoga. A astrologia consiste de configurações simbólicas do inconsciente coletivo, que é o assunto principal da psicologia; os planetas são deuses, símbolos dos poderes do inconsciente.

Quanto a B.V.Raman, Astrólogo que introduziu a Astrologia Védica no ocidente, ocorre algo curioso. B.V. Raman além de viajar intensamente dando cursos e palestras, publicava um newsletter que era comercializado. Sem saber que Jung era um de seus assinantes, envia um exemplar e pergunta qual a sua opinião sobre astrologia, ao que Jung responde:

Se você quer saber minha opinião sobre astrologia, eu posso te dizer que tenho me interessado por esta atividade especial da mente humana há mais de 30 anos. Como eu sou um psicólogo, me interesso principalmente pela luz especial que o horóscopo lança em certas complicações do caráter. Em casos de difícil diagnóstico psicológico, eu normalmente obtenho um horóscopo para ter uma perspectiva mais profunda, de um ângulo totalmente diferente. Devo dizer que, muito frequentemente, descobri que os dados astrológicos elucidaram certos pontos que eu, de outra forma, teria sido incapaz de compreender. De tais experiências formei a opinião de que a astrologia é de particular interesse para o psicólogo, uma vez que contém um tipo de experiência psicológica que chamamos projetadas – isso significa que encontramos os fatos psicológicos como se estivessem nas constelações.

Trecho de uma carta que Carl G. Jung escreveu para o astrólogo hindu, B.V. Raman.

Ao estudar astrologia, apliquei isso em casos concretos muitas vezes. … O experimento é mais sugestivo para uma mente versátil, pouco confiável nas mãos do pouco imaginativo e perigoso nas mãos de um tolo, como sempre são esses métodos intuitivos. Se usado de forma inteligente, a experiência é útil nos casos em que é uma questão de estrutura opaca. Muitas vezes, fornece informações surpreendentes. O limite mais definido do experimento é a falta de inteligência e literalidade do observador. … Sem dúvida, a astrologia hoje está florescendo como nunca antes no passado, mas ainda é explorada de forma insatisfatória apesar do uso muito frequente. É uma ferramenta apropriada somente quando usada de forma inteligente. Não é de todo infeliz e, quando usado por uma mente racional e estreita, é um incômodo definitivo.
C. G. Jung: Cartas, volume 2, 1951-1961, páginas 463-464, carta a Robert L. Kroon, 15 de novembro de 1958.

Anos depois, James Hillman registrou o seguinte depoimento:

Seu poder emocionalmente atraente me atingiu há cerca de 45 anos em Zurique quando elaborei meu primeiro mapa, embora eu já tivesse aprendido os símbolos e glifos sozinho antes disso. Tal convicção veio com aquela primeira leitura astrológica. Este interesse permanente, esse fascínio, esse amor, nunca me deixou … A astrologia forma uma de minhas linguagens básicas para a reflexão psicológica.

Jung declara em certo momento:

A verdade é que a astrologia floresce como nunca antes. Existe uma biblioteca regular de livros e revistas astrológicas que vendem muito melhor do que os melhores trabalhos científicos. Os europeus e os americanos têm horóscopos lançados para eles que podem ser contados não pelos cem mil, mas pelo milhão. A astrologia é uma indústria florescente. … se uma percentagem tão grande da população tem uma necessidade insaciável, podemos ter certeza de que a psique coletiva em cada indivíduo tem esse requisito psicológico em grau igualmente alto. Um certo tipo de ceticismo e crítica ‘científica’ em nosso tempo, não é mais que uma compensação equivocada dos poderosos e profundos impulsos supersticiosos da psique coletiva.
CG. Jung, Dois ensaios sobre psicologia analítica.

De acordo com a biografia desenvolvida por Deirdre Bair sobre Jung, foram as palestras de W. Pauli de 1948 no Clube de Psicologia de Zurique – “A Influência das Idéias Arquetípicas sobre as Teorias Científicas de Kepler” – que levaram Jung a escrever seu trabalho Synchronicity An Acausal Connecting Principle que incluíram as experiências astrológicas de Jung. As palestras de Pauli e o ensaio de Jung foram originalmente publicados juntos como um livro em 1952 : “The Interpretation of Nature and the Psyche”. No prefácio de seu livro “Sincronicidade”, lemos:

ao realizar este meu trabalho, tive o interesse e o apoio decidido de uma série de personalidades que são mencionadas no decorrer do texto. Aqui gostaria de expressar meu particular agradecimento à Dra. L. Frey-Rohn, pela dedicação com que providenciou o material astrológico.

Agosto de 1950. C.G. JUNG. É também interessante notar que sua filha Bret Baumann-Jung foi proeminente Astróloga na Suíça, tendo colaborado estreitamente com seu pai não só em seu trabalho Sincronicidade, mas também elaborando a partir de certa idade, os mapas dos clientes. Outro aspecto importante é o desenvolvimento do conceito de arquétipo, aplicado pelo antropólogo Joseph Campbell e compartilhado com Jung. Em recente palestra proferida por Bob Walter, presidente da Joseph Campbell Foundation, perguntei como se deu o contato entre os dois. Segundo Bob, Joseph Campbell ficou interessado e compareceu ao Círculo de Eranos. O Círculo de Eranos é um marco na história do pensamento humano no que tange a produção científica de textos fenomenológicos e antropológicos. Este seleto grupo de eméritos pesquisadores das áreas da ciência da religião, psicologia, história da religião, mitologia e fenomenologia, se reunia no Lago Maggiore, em Ascona, Suíça. Este círculo de pensadores que se reuniram a partir de 1933, visavam tratar dos estudos promovidos por suas áreas da ciência acerca do tema espiritualidade, um verdadeiro banquete intelectual que reuniu diversas personalidades, dentre elas Carl Gustav Jung, representantes das chamadas Escolas de Psicologia Profunda, História Comparada e da Religião, Epistemologia, Folclore, entre outros. O círculo também tinha como meta a aproximação epistemológica dos vários ramos do estudo do sagrado. Joseph Campbell compareceu incógnito como ouvinte, mas logo foi identificado por Emma, esposa de Jung que o convidou para um chá da tarde em sua residência. Jung chega em casa e é apresentado à Joseph e Emma sugere que seria fenomenal uma palestra, contribuição de Joseph Campbell no encontro de Eranos no próximo ano, ao qual Joseph Campbell compareceu então como convidado. Nessas duas oportunidades Campbell e Jung conversaram longamente sobre o que se tornou um dos pilares da psicologia Junguiana A seguir a título de exemplo, alguns trechos de trabalhos de Jung que empregam diretamente Astrologia. Em Sincronicidade, lemos:

Desde a Antiguidade a correspondência mitológica, astrológica e alquímica tradicional neste sentido é a coniunctio solis et Lunae, a relação amorosa entre Marte ( E ) e Vênus ( D ), assim como as relações desses astros com o Ascendente e com o Descendente. Esta relação deve ter sido introduzida na tradição, porque o eixo do ascendente foi considerado, desde tempos imemoriais, como tendo uma influência particularmente importante no caráter da personalidade. Por isso seria preciso investigar se há um número maior dos aspectos coincidentes A – B ou E – D nos horóscopos das pessoas casadas do que em relação àqueles não casados.

Em outro trabalho, Jung escreve:

Desde o Timeu, de Platão, tem sido costume lembrar que a alma é elemento redondo. Como Anima Mundi, ela gira conjuntamente com a roda do mundo, cujo cubo é o polo. É por isso que aí se acha o coração de Mercúrio, que é, com efeito, a Anima Mundi. À roda do Universo estrelado corresponde o horóscopo, o thema tès genesis, isto é, a divisão do céu em doze casas, divisão esta que é orientada, juntamente com a primeira casa, para ascendente o momento preciso do nascimento. […] O sentido fundamental do horóscopo consiste em que ele traça, antes de tudo, um quadro da constituição psíquica, e depois, também, da constituição física do indivíduo, sob a forma das posições dos planetas e suas relações (aspectos), bem como da repartição dos zódia pelos diversos pontos cardeais. O horóscopo representa, portanto, sobretudo um sistema de qualidades originais e fundamentais do caráter e, por isso, deve ser tido como o equivalente da psique individual.
JUNG, 1934-2013, p. 163-4, § 212.

Em seu tratado Aion, seu objetivo é iluminar “A mudança da situação psíquica dentro do “eon cristão”. O simbolismo zodiacal apoia a sua pesquisa, pois o “eon cristão” e a Era dos Peixes são sinônimos. Em um ponto Jung faz uma declaração abrangente:

O curso da nossa história religiosa, bem como uma parte essencial do desenvolvimento de nosso psiquismo poderia ter sido previsto de forma mais ou menos precisa, tanto em termos de tempo como de conteúdo, desde a precessão dos equinócios até a constelação de Peixes.

A “precessão dos equinócios através da constelação de peixes”, faz uso analítico de uma técnica astrológica baseada no simbolismo dos equinócios no pano de fundo do zodíaco, que descreve as grandes idades ou eon da história humana. Jung inspirou a inteligência da astrologia para mexer com sua imaginação e aprofundar sua visão, mas, ao fazê-lo, também valida a arte antiga. A Astróloga Maggie Hyde resumiu bem:

O pensamento de Jung sobre a Era dos Peixes foi seminal para os astrólogos. O trabalho é influente porque revela o simbolismo astrológico em grande escala, trabalhando em uma fronteira entre fatos astronômicos e imaginação subjetiva. A reverência de Jung pelos antigos mistérios trouxe vida aos mitos, permitindo-lhes entusiasmar e hipnotizar. Mas imagens míticas também foram símbolos e metáforas de padrões arquetípicos da experiência humana. Através da articulação de Jung desses padrões, os astrólogos puderam recuperar e comunicar uma expressão mais ampla e profunda de seu próprio trabalho.

Portanto, a Astrologia foi incorporada ao trabalho de Carl Gustav Jung desde muito cedo e os textos acima sugerem que seu conteúdo eminentemente simbólico, foi importante na compreensão, articulação da abordagem e prática junguiana. Os conteúdos astrológicos permeiam vários de seus textos e ele conseguiu propor uma ampliação da compreensão do conteúdo e do papel da Astrologia como a mais antiga ferramenta de análise e compreensão da psique e indispensável para todo aquele que se propõe a estudar e compreender a alma humana.

Referências:
BAIR, Deirdre – Jung uma biografia Volumes I e II – São Paulo; Globo, 
2006 CHEVALIER, Jean – Dicionário de Símbolos                                                                                GREENE, Liz – Seminário: JUNGS ASTROLOGY AND THE PLANETARY JOURNEY OF THE RED BOOK; Cornwall, May 2017 and co-hosted by The Faculty of Astrological Studies. FREUD, Sigmund – A correspondência completa de Sigmund Freud e Carl G. JUNG – William McGuire (organização) – Rio de Janeiro; Imago, 1993                                                            JUNG, C.G – Letters Volume I 1906- 1950. Volume II 1951 – 1961 USA; Princeton University – 1973.                                                                                                                                                                           JUNG, C.G. – Aion. Petrópolis, Vozes, 2012                                                                                                   JUNG, C.G. – Sincronicidade; Petrópolis. Vozes, 2012                                                                             JUNG, Carl Gustav. WILHELM, Richard. O segredo da for de ouro: um livro de vida chinês. Petrópolis: Vozes, 2012.                                                                                                                                      JUNG, Carl Gustav. O espírito na arte e na ciência. Petrópolis: Vozes, 2012.                                HYDE, Maggie – Jung and Astrology, The Aquarian Press; London: 1992

Texto publicado originalmente pelo site do IJEP, reproduzido parcialmente aqui, com a autorização da autora.  Junho 2018


Fontes de imagem:
C.G. Jung: Public Domain, via Wikimedia Commons

 

por Deborah Jean Worthington é astróloga, terapeuta junguiana, escritora e palestrante. Graduada em Comunicação Social, pós-graduada em Psicoterapia Junguiana pelo IJEP e especialização em Jungian and Post Jungian Clinical Concepts pelo Centre for Applied Junguian Studies. Representante do Centre of Junguian Studies no Brasil, responsável pela supervisão e aplicação de cursos online desta instituição. Membro da Sociedade Antroposófica. Ex-diretora do Banco Antroposofico Widar. Autora do livro, Jung na Contemporaneidade: a Astrologia no suporte ao processo terapêutico (2018). Co-autora do livro, O lugar epistemológico da Astrologia entre os saberes (2020) e Diálogos Horizontais entre ciência e esoterismo na psicologia analítica (2026).  
E-MAIL debbieworth@outlook.com 

 

As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião ou o posicionamento oficial da CNA (Central Nacional de Astrologia) e de sua Diretoria. O conteúdo visa estimular o debate e a difusão do conhecimento astrológico sob a perspectiva individual de cada colunista.

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Mapa Astral Infantil: um guia para compreender a essência da criança – por Alegria Almeida https://cnastrologia.org.br/mapa-astral-infantil-um-guia-para-compreender-a-essencia-da-crianca-por-alegria-almeida/ https://cnastrologia.org.br/mapa-astral-infantil-um-guia-para-compreender-a-essencia-da-crianca-por-alegria-almeida/#respond Wed, 06 May 2026 14:37:21 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11087 Que grande privilégio é ter o seu mapa astral interpretado e apresentado aos seus pais ainda na infância.

O mapa astral de uma criança é uma ferramenta poderosa para compreender sua natureza, suas necessidades emocionais e a forma como ela percebe o mundo. Diferente da astrologia voltada para adultos, que muitas vezes se concentra em carreira, relacionamentos e escolhas de vida, a astrologia infantil tem como objetivo principal apoiar o desenvolvimento saudável da criança, ajudando pais e educadores a compreender melhor sua personalidade e suas necessidades.

Quando interpretamos o mapa de um adulto, estamos falando de um mapa vivido. Independentemente da idade, o adulto costuma se reconhecer durante o atendimento.  É a “promessa natal” em movimento.

Já quando interpretamos o mapa de uma criança, estamos falando de uma relação, pois a interpretação é apresentada a uma terceira pessoa: os pais ou responsáveis. A criança ainda está em processo de formação. Muitas vezes dizemos que ela é como “uma página em branco”.

A astrologia não determina quem a criança será, mas oferece pistas importantes sobre como ela sente, aprende, reage e se desenvolve.

Por que olhar o mapa astral de uma criança?

Durante a infância, muitas características do mapa aparecem de forma bastante pura. A criança ainda não construiu tantas defesas ou adaptações sociais, então seus comportamentos refletem com mais clareza suas tendências naturais.

Compreender o mapa astral infantil pode ajudar os pais a entender o temperamento da criança, reconhecer suas necessidades emocionais, identificar talentos naturais, perceber possíveis desafios no desenvolvimento, ajustar a forma de educar e comunicar.

Por exemplo, algumas crianças precisam de mais autonomia, outras de mais segurança emocional. Algumas aprendem melhor através do movimento, outras através da observação ou da imaginação.O mapa astral ajuda a enxergar essas diferenças com mais clareza.

O Sol: a essência da criança

O Sol no mapa infantil representa a essência da criança, aquilo que ela veio expressar no mundo. Ele indica o tipo de energia vital que precisa ser nutrida para que a criança desenvolva autoestima e identidade.

A Lua: o mundo emocional

Se o Sol mostra quem a criança é, a Lua revela como ela sente. A Lua é um dos pontos mais importantes no mapa infantil, pois está diretamente ligada à segurança emocional, às necessidades de cuidado e à forma como a criança busca conforto.

Uma Lua em signos de água pode indicar uma criança muito sensível às emoções do ambiente. Já uma Lua em signos de ar pode precisar de diálogo e explicações para se sentir segura. A Lua é especialmente importante na primeira infância. No início da vida, podemos dizer que o bebê é quase inteiramente Lua.

A Lua leva cerca de 28 dias para dar uma volta completa no mapa, formando e desfazendo aspectos com todos os planetas do mapa natal. A cada dois dias e meio aproximadamente, ela muda de signo, ativando diferentes áreas do mapa da criança. Esses movimentos podem ser percebidos no cotidiano do bebê.

Por exemplo, a Lua em trânsito pode formar uma quadratura com Marte no mapa da criança e, durante algumas horas, o bebê pode ficar mais irritado, choroso ou com cólicas. Depois o aspecto passa e o estado emocional também muda.
Na infância, a criança é totalmente dependente de cuidados. Por isso, a Lua é soberana nessa fase da vida.
A memória de ser cuidado, consolado, alimentado, atendido e protegido fica profundamente registrada. Essa experiência emocional é simbolizada pela Lua de nascimento e pode marcar a pessoa ao longo de toda a vida.
Os cuidados recebidos nos primeiros anos formam uma espécie de matriz emocional do que significa, para aquela pessoa, ser amado, acolhido e protegido.

Isso está descrito no mapa natal através da posição da Lua: seu signo, casa e aspectos.

Lua por progressão

Outro ponto importante é observar a Lua por progressão. Nesse movimento simbólico, a Lua progride cerca de 1 grau por mês, mudando de signo aproximadamente a cada dois anos e meio.
Por exemplo, uma criança que nasceu com a Lua a 27 graus de Áries terá, cerca de três meses depois, uma Lua progredida em Touro. Esse novo signo poderá permanecer ativo por aproximadamente dois anos e meio.
Isso pode refletir mudanças perceptíveis no comportamento. Um bebê que inicialmente era muito agitado ou tinha dificuldade para dormir pode, depois de alguns meses, tornar-se mais tranquilo. Pode também acontecer o contrário: dificuldades iniciais de alimentação ou adaptação que depois se resolvem naturalmente.
Também podemos observar aspectos formados pela Lua progredida. Por exemplo, um aspecto desafiador entre Lua e Plutão pode marcar um período emocionalmente mais intenso.
Pode acontecer, por exemplo, de uma tentativa de adaptação ao berçário coincidir com uma quadratura de Lua e Plutão. Esse pode ser um momento mais sensível para a criança. Como os aspectos são temporários, muitas vezes vale observar o momento e, se possível, aguardar a passagem desse período para tentar novamente.
O mesmo pode ocorrer com momentos como o desmame ou outras transições importantes na vida da criança.

Mercúrio: a forma de aprender

Mercúrio está relacionado ao aprendizado, à comunicação e ao funcionamento da mente. No mapa de uma criança, ele pode revelar como ela aprende melhor. Algumas aprendem falando e perguntando, outras observando, outras através da imaginação, outras ainda através da prática e do movimento. Conhecer o Mercúrio da criança pode ajudar muito no processo de alfabetização e na adaptação escolar.

Vênus: afeto, vínculos e autoestima

Vênus também é um planeta importante quando observamos o mapa astral de uma criança. Ele está relacionado à forma como a criança vivencia o afeto, o prazer, os vínculos e a sensação de ser querida e valorizada. Também observamos aquilo que gera bem-estar, alegria e também sobre a forma como a criança começa a se relacionar com os outros.
Na infância, Vênus pode aparecer de diversas maneiras, no gosto por determinadas brincadeiras, no prazer em desenhar, cantar, dançar, criar ou simplesmente na forma como a criança busca carinho e proximidade.
Ela também está ligada ao desenvolvimento da autoestima. A maneira como a criança percebe que é amada, apreciada e aceita influencia profundamente a construção da sua autovalorização.
Observar Vênus no mapa de uma criança ajuda os pais a perceberem como nutrir o sentimento de valor pessoal daquela criança, respeitando sua forma particular de demonstrar e receber afeto.

Assim como os demais planetas, Vênus não define comportamentos fixos, mas indica caminhos através dos quais a criança pode experimentar prazer, beleza, conexão e harmonia em sua vida.

Marte: energia e iniciativa

Marte representa a forma como a criança age, reage e direciona sua energia. Algumas crianças têm Marte muito ativo e precisam de movimento constante. Outras podem ter uma energia mais sensível ou indireta. Compreender Marte ajuda a lidar melhor com temas como impulsividade, frustrações, competitividade e iniciativa.

Observar também o retorno de Marte, que acontece aproximadamente a cada dois anos, pode ajudar a compreender alguns ciclos de desenvolvimento e mudanças na forma como a criança expressa sua energia.

Casas astrológicas

Enquanto os planetas representam funções psicológicas e os signos mostram a forma como essa energia se expressa, as casas indicam os campos da vida onde essas energias se desenvolvem no cotidiano.
No mapa infantil, observar as casas ajuda a compreender onde a criança direciona naturalmente sua energia e quais experiências fazem mais parte do seu processo de crescimento.
Por exemplo, a casa 3 está associada ao início da vida escolar, ao processo de alfabetização, às primeiras trocas com colegas e professores e à adaptação ao ambiente de estudo.
Já na casa 6 observamos a rotina da criança. Essa casa fala sobre hábitos diários, organização da vida cotidiana, saúde e adaptação às atividades do dia a dia.
Outro ponto interessante é observar planetas próximos à cúspide da casa 1, ou seja, muito próximos ao Ascendente. Esses planetas tendem a se manifestar de forma bastante visível na personalidade da criança, influenciando sua forma de se apresentar ao mundo.

Por exemplo, uma criança com Marte próximo ao Ascendente pode demonstrar muita iniciativa, energia e impulsividade desde cedo. Já Vênus nessa posição pode indicar uma criança mais afetuosa, sociável e que naturalmente busca harmonia nas relações.

O papel dos pais no mapa infantil

Um ponto importante na astrologia infantil é lembrar que o mapa da criança não é um destino fixo, mas um conjunto de potenciais. O ambiente familiar, o acolhimento emocional e as experiências de vida influenciam profundamente como esses potenciais se manifestam. Quando os pais conhecem o mapa da criança, eles podem respeitar seu ritmo, evitar comparações com outras crianças, estimular talentos naturais, apoiar desafios com mais consciência

A astrologia, nesse sentido, torna-se uma ferramenta de escuta e compreensão, e não de rotulação.

A astrologia como linguagem de cuidado

Observar o mapa astral de uma criança é, acima de tudo, um convite para enxergá-la com mais sensibilidade. Cada criança chega ao mundo com um ritmo próprio, uma forma única de sentir, aprender e se expressar. O mapa astral ajuda a revelar essa linguagem interna.
Quando compreendida com responsabilidade, a astrologia infantil pode se tornar um instrumento valioso para fortalecer vínculos, respeitar a individualidade da criança e apoiar seu desenvolvimento emocional. Porque, no fundo, educar também é aprender a ver quem aquela criança realmente é.

Expectativas dos pais e a natureza da criança

Outro aspecto que frequentemente aparece quando observamos o mapa astral de uma criança diz respeito às expectativas familiares. É natural que os pais imaginem caminhos para os filhos. Muitas vezes desejam que a criança seja mais comunicativa, mais organizada, mais calma, mais disciplinada ou mais sociável. Essas expectativas fazem parte do processo de cuidado e do desejo de ver o filho prosperar. No entanto, nos atendimentos de mapa astral infantil, algo muito interessante costuma acontecer.

Quando o mapa da criança começa a ser apresentado, mostrando sua forma de sentir, agir, aprender e reagir ao mundo, muitos pais percebem que aquela criança possui uma natureza própria, que nem sempre corresponde àquilo que eles imaginavam.

Não é raro que, nesse momento, surja uma reflexão importante: algumas expectativas depositadas sobre a criança dizem muito mais sobre a história, os valores e as experiências dos próprios pais do que sobre quem aquela criança realmente é. O mapa astral não existe para encaixar a criança em um ideal. Pelo contrário, ele convida os adultos a reconhecerem e respeitarem a singularidade daquele ser que chegou à família.
Quando os pais conseguem enxergar o filho a partir de sua própria natureza, e não apenas a partir de expectativas, algo se transforma na relação.

A educação passa a ser menos um processo de moldar e mais um processo de acompanhar o desenvolvimento de uma essência única.

 

Por Alegria Almeida
Astróloga, mãe e produtora

 

As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião ou o posicionamento oficial da CNA (Central Nacional de Astrologia) e de sua Diretoria. O conteúdo visa estimular o debate e a difusão do conhecimento astrológico sob a perspectiva individual de cada colunista.

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CONVOCAÇÃO DE ASSEMBLEIA ORDINÁRIA – AGO https://cnastrologia.org.br/convocacao-de-assembleia-ordinaria-ago/ https://cnastrologia.org.br/convocacao-de-assembleia-ordinaria-ago/#respond Fri, 17 Apr 2026 15:33:15 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11082 CNA – CENTRAL NACIONAL DE ASTROLOGIA

CNPJ – MF 08.261.069º/0001-80

CONVOCAÇÃO DE ASSEMBLEIA ORDINÁRIA – AGO

 

Caro associado,

 

Em conformidade com o Estatuto em Vigor da CNA, ficam convocados todos os sócios da CNA – Central Nacional de Astrologia quites com a Tesouraria (ativos) a participarem da Assembleia Geral Ordinária – AGO, em primeira convocação às 13h00 e em segunda convocação às 13h30, no dia 18 de maio de 2026, ao vivo, via videoconferência, pelo link abaixo

AGO CNA – Prestação de Contas – 18-05-2026- 13h

Segunda-feira, 18 de maio · 13:00 – 15:00

Fuso horário: America/Sao_Paulo

Como participar do Google Meet

Link da videochamada: https://meet.google.com/nqh-dpwu-gim

Ou disque: ‪(BR) +55 11 4560-4336‬ PIN: ‪414 260 317‬#

Outros números de telefone: https://tel.meet/nqh-dpwu-gim?pin=2943323323535

Serão definidos presidente de mesa e secretário entre os presentes.

Serão tratados na Assembleia Geral Ordinária – AGO os assuntos abaixo:

  • Apresentação e aprovação das contas de 2025
  •  Assuntos gerais.

São Paulo, 17 de abril de 2025

Gil Stefani
Presidente da CNA
Gestão 2024-2027
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O céu nos Andes: astrologia cultural e cosmologia andina por Gabriela Luisa Gaieta Lunar – Astrologia Cultural e Decolonial https://cnastrologia.org.br/o-ceu-nos-andes-astrologia-cultural-e-cosmologia-andina-por-gabriela-luisa-gaieta-lunar-astrologia-cultural-e-decolonial/ https://cnastrologia.org.br/o-ceu-nos-andes-astrologia-cultural-e-cosmologia-andina-por-gabriela-luisa-gaieta-lunar-astrologia-cultural-e-decolonial/#respond Tue, 14 Apr 2026 17:36:45 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11069 A introdução da astrologia na vida da maioria dos astrólogos chega quase sempre através da mesma narrativa: a ideia de que o saber astrológico surgiu na Mesopotâmia e se desenvolveu na Grécia, ganhando contornos através das tradições europeias.

É verdade que a astrologia ocidental, como a conhecemos hoje, é fruto desse desenvolvimento. Porém, ela não é a única interpretação possível do céu.

Para entender esse conceito, precisamos dar um passo para trás na história:

Enquanto o saber astral começava a ser estruturado em símbolos por povos da Mesopotâmia, como os Caldeus, considerados durante muitos anos os “astrólogos” da região, o céu também ganhava significado como parte fundamental de outras civilizações e territórios, como no atual Peru.

Hoje, graças à arqueoastronomia e à arqueologia, sabemos que o saber astral também se desenvolveu quase que contemporaneamente à Mesopotâmia na América do Sul, em uma das primeiras civilizações do Peru, cujo sítio arqueológico, Caral, ainda pode ser visitado.

 

Caral é o sítio arqueológico mais antigo do Peru e reúne diversos símbolos celestes. Localizada em uma região desértica, foi essencial para o desenvolvimento de algumas das civilizações mais importantes da América do Sul, entre elas aquelas que mais tarde dariam origem a um dos maiores impérios do continente: os Incas.

Astrologia e Astronomia Inca

Muito antes do surgimento do Império Inca, civilizações andinas como Chavín, Nazca e Mochica já observavam o céu com atenção e construíam templos alinhados aos astros. Esse conhecimento acumulado ao longo de séculos formou a base da astronomia que mais tarde seria aprofundada pelos Incas.

Entre os séculos XV e XVI, os Incas formaram o maior império da América pré-colombiana ao longo da cordilheira dos Andes e organizavam sua vida social, agrícola e espiritual profundamente conectada ao céu.

Em Cusco, capital do império, é possível visitar Koricancha, o templo mais importante dessa civilização, dedicado ao Sol, à Lua, às estrelas e ao planeta Vênus.

Quem caminha pelo templo que não conseguiu ser destruído pelos invasores espanhóis, pode observar relógios solares, janelas alinhadas com os solstícios e também observatórios astronômicos de chão, conhecidos como espelhos d’água.

Vênus sempre foi, para muitas civilizações antigas da América do Sul, um astro importante, envolto em mistérios. No Peru, a cidade andina de Huaraz tem seu nome associado a esse planeta, que em quéchua pode ser traduzido como “estrela da manhã”, fazendo referência à sua aparição em determinadas fases do ano.

Além de Koricancha, diversos sítios arqueológicos preservam esse conhecimento. Um exemplo é Ollantaytambo, cidade que ainda guarda seu passado inca e abriga um complexo arqueológico impressionante, erguido no formato da constelação de Sagittarius.

 

Os Incas buscavam replicar o céu na Terra. Para isso, desenvolveram sistemas que alinhavam os famosos caminhos incas às direções de estrelas e constelações observadas a olho nu. Esse tipo de organização espacial lembra técnicas modernas da astrologia locacional, como o Local Space.

Além desses sistemas sofisticados, os Incas também atribuíam grande importância ao Cruzeiro do Sul, constelação visível apenas no hemisfério sul e representada simbolicamente pela Chakana, a cruz andina.

No centro da espiritualidade inca estava o deus Sol, Inti, figura fundamental tanto na organização religiosa quanto no calendário agrícola.

Inti continua sendo central até hoje na cosmovisão andina. Sua importância é celebrada em um dos maiores festivais culturais da América Latina, realizado em 24 de junho no solstício de inverno do hemisfério sul: o Inti Raymi, a grande festa do Sol.

Constelações escuras do céu andino

Além do Sol, das estrelas brilhantes e dos ciclos planetários, os povos andinos também observavam outro elemento fundamental do céu límpido da América do Sul: a Via Láctea.

Em sua cosmovisão, ela era conhecida como Mayu, o Rio Celeste, uma travessia realizada pelos antepassados em direção ao mundo superior.

Entre os Lican-Antays, povo originário do deserto do Atacama, no atual norte do Chile, o céu também ocupava um papel central na compreensão do mundo. Para eles, o cosmos não é um espaço distante, mas um território profundamente conectado à terra, às montanhas e aos ciclos naturais que sustentam a vida no deserto.

Para entender a importância do céu no Atacama, é preciso lembrar que, devido às condições extremas de aridez, altitude e estabilidade atmosférica, essa região possui um dos céus mais limpos do planeta. A ausência de umidade e de poluição luminosa permite observar o firmamento com impressionante nitidez.

Uma das características mais fascinantes dessa observação celeste está na forma como as constelações eram identificadas. Diferente da tradição greco-romana, que conecta estrelas brilhantes para formar figuras, muitos povos andinos identificavam formas nas partes escuras da Via Láctea, criadas pelas nuvens de poeira interestelar que bloqueiam a luz das estrelas.

Entre as mais importantes estão:

  • Yakana — a Lhama, associada à fertilidade, proteção e abundância.
  • Kuntur — o Condor, ave sagrada que simboliza a comunicação entre o mundo terrestre e o mundo espiritual.
  • Mach’acuay — a Serpente, ligada ao movimento da terra, à transformação e aos ciclos naturais.

Essas constelações reforçam uma característica central da cosmovisão andina: o céu não é separado da terra. Assim, observar o céu no deserto do Atacama é também acessar um conhecimento ancestral que atravessa gerações, lembrando que o firmamento sempre foi, para muitos povos da região, uma forma de orientação, memória e pertencimento.

Astrologia decolonial como alternativa para o presente

Mais do que revelar curiosidades sobre o passado, observar o céu a partir dessas tradições nos convida a ampliar nosso próprio olhar sobre a astrologia. Reconhecer que diferentes povos construíram formas legítimas de interpretar o firmamento nos lembra que o céu nunca foi um território exclusivo de uma única cultura.

Nesse sentido, a astrologia cultural também se aproxima de uma perspectiva decolonial: quando ressaltamos cosmovisões como a andina, questionamos a ideia de que apenas as tradições europeias produziram leituras válidas do cosmos. 

Olhar para o céu dos Andes, portanto, é também um convite a reconhecer que assim como existem muitos céus, existem muitas maneiras de lê-los. 

 

por Gabriela Luisa Gaieta Lunar

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Marketing e Comunicação de um astrólogo: do mapa natal à marca pessoal por Iara Felix https://cnastrologia.org.br/marketing-e-comunicacao-de-um-astrologo-do-mapa-natal-a-marca-pessoal-por-iara-felix/ https://cnastrologia.org.br/marketing-e-comunicacao-de-um-astrologo-do-mapa-natal-a-marca-pessoal-por-iara-felix/#respond Wed, 11 Mar 2026 09:00:28 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11009 Muitos astrólogos têm conhecimento técnico profundo. Mergulhar em livros, palestras e discussões entre pares é um habitat natural. Só que, em tempos de redes sociais, aprender a navegar por essas plataformas e divulgar seu trabalho para clientes e alunos virou parte do trabalho. No Brasil, esse cenário ganha ainda mais peso: segundo a DataReportal, o país tinha 150 milhões de identidades de usuários de redes sociais em outubro de 2025. Já no comparativo global publicado pela mesma plataforma em 2024, o Brasil aparece em  segundo lugar em tempo diário de uso da internet, com média de 9h13 por dia, acima da média global de 6h40.

É preciso reconhecer que a presença digital passou a influenciar diretamente a forma como as pessoas descobrem profissionais, acompanham conteúdos, se informam, constroem confiança, criam e mantém conexões e decidem a quem recorrer.

Muitas vezes vemos o termo “fazendo marketing” sendo usado de forma pejorativa. Eu, como publicitária de formação tradicional, e pós graduada em comunicação integrada de marketing, sempre me incomodo com isso, principalmente porque geralmente não é uma crítica ao marketing em si, e sim a uma comunicação ruim, ou a práticas antiéticas.

Um dos erros mais comuns é achar que marketing é fazer publicidade no Instagram ou vender gato por lebre, ou seja, ludibriar o consumidor. Segundo Kotler e Keller (2012) marketing pode ser entendido como o processo de  identificar e atender necessidades humanas e sociais, de forma lucrativa.

O objetivo do marketing é entender tão bem o público que a oferta faça sentido na vida real: ela encaixa, resolve um problema, organiza um desejo, facilita uma escolha. Em alguns casos, o marketing também ajuda a revelar demandas que ainda não estavam claras para a própria pessoa. Isso não precisa ter nada a ver com manipulação, e pode ser simplesmente o ato de nomear uma dor, dar linguagem para uma necessidade, oferecer um caminho. Dá para trabalhar uma ferramenta com ética, mesmo que vejamos pessoas que a utilizam de maneira errada. E como astrólogos, sabemos que isso também acontece com a própria astrologia, não é?

A própria origem do termo marketing aponta para uma lógica de mercado (market = mercado em inglês). Fazer marketing é estudar o seu mercado: o que você oferece, para quem você oferece, quem mais oferece coisas semelhantes, quem oferece coisas distintas que interessam ao público a quem você oferece e quais os desafios e oportunidades para o seu mercado no cenário atual.  A comunicação entra como a ponte, ela traduz valor em mensagem, presença e consistência.

Quanto melhor conhecemos o outro, melhor conseguimos oferecer o que ele precisa. E, se estamos falando também de astrologia, não temos justamente um mapa e padrões simbólicos e comportamentais nas mãos?A questão, então, pode ser menos sobre vender, e mais sobre comunicar com clareza, responsabilidade e intenção.

A disputa por atenção online é enorme e podemos culpar “algoritmos” e ficar com receio das mudanças constantes (e que virão cada vez com mais aceleração), ou ter mais clareza do que pretendemos e quais ferramentas temos a nosso dispor para isso. 

Um astrólogo pode atuar como uma empresa, mas antes disso ele é uma pessoa. Com seu mapa próprio, e querendo ou não, ele é uma marca pessoal. E por marca pessoal o que quero dizer é: há um conjunto de características, valores e forma de trabalhar que te tornam reconhecível. É a sua reputação administrada com intenção. O que as pessoas falam sobre você quando você não está na sala. 

Isso significa também que mesmo quando você acha que está só “falando de astrologia“, está registrando sinais sobre quem você é, como você se cuida, o que é importante pra você e se você parece saber o que está fazendo.

 

Faça esse exercício breve. Tente completar essa frase, do ponto de vista de outra pessoa, pensando em você mesmo(a) como astrólogo(a):  “Esse é o fulano (insira seu nome), ele é aquele que _______”

Como as pessoas lembram de você? Ao que elas te associam? Qual parte do seu trabalho é mais externalizado? Muitas vezes, um astrólogo quer se destacar como referência em astrologia locacional, mas está constantemente trazendo conteúdos mais básicos ou voltados para personalidade. O contrário também acontece. 

Entender, primeiramente, o que é importante pra você: seus talentos, seus gostos, suas ferramentas pessoais. Depois, descobrir e entender como comunicá-los para resolver as questões das pessoas. E é aí que entram as ferramentas práticas: onde você vai estar (não adianta querer se conectar com a Geração Z e só se expressar no Facebook ou criar um TikTok para atingir o público 60+), como vai aparecer e com que frequência.

Buscar seguir a sua autenticidade — e o seu mapa natal — sem vestir um personagem. Mas fazer também escolhas intencionais de como essa mensagem vai chegar. 

Se permitir a vulnerabilidade de se questionar e investigar o próprio mapa. Mercúrio pode te oferecer pistas com sua forma de expressão e tradução da sua complexidade. Seu Meio do Céu te ajuda a perceber direcionamentos sobre essa imagem pública e reputação. O Sol pode apontar temas centrais para você. Vênus inspirar sua estética, valores e formas de criar desejo. O Ascendente pode apontar sua forma de se colocar no mundo. A Lua sobre forma de se nutrir emocionalmente ao lidar com o público. E assim por diante, porque o mapa natal é um ecossistema, não um checklist. 

Assim como ler o mapa não é uma fórmula de copia e cola, entender uma comunicação mais autêntica também não é. E ela não é fixa. Você pode e deve se desenvolver, testar e analisar. 

Se abrir para lapidar essa sua mensagem e não se prender a resistências pessoais. Em um estudo de 2007 da Universidade de Princeton, Susan T. Fiske encontrou que os melhores comunicadores exibem uma combinação única de dois traços: cordialidade e competência. Segundo esse estudo, uma boa parte da impressão que temos do outro vem desses dois critérios. O quanto um profissional é visto como simpático, amigável, confiável e social, e o quanto ele é competente, eficiente, inteligente e cheio de recursos. São conceitos que parecem subjetivos mas não são tanto assim. Essas percepções são formadas pela comunicação transmitida — seja ela intencional ou não. Sua aparência, suas frases, seus assuntos escolhidos, as pessoas com quem você associa, tudo compõe essa mensagem registrada pelo interlocutor.

Antes de criar um post, ou realizar uma live, ou lançar um curso, se questione:

“Quem eu quero que receba essa mensagem? O que essa mensagem pretende gerar no outro?”

Quanto mais detalhada for a sua resposta, maior a chance de criar uma comunicação clara. 

Referências:

DATAREPORTAL. Digital 2026: Brazil. Disponível em: https://datareportal.com/reports/digital-2026-brazil

DATAREPORTAL. Digital 2024: Global Overview Report. Disponível em: https://datareportal.com/reports/digital-2024-global-overview-report

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de Marketing. 14. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012.

FISKE, Susan T.; CUDDY, Amy J. C.; GLICK, Peter. Universal dimensions of social cognition: warmth and competence. Trends in Cognitive Sciences, 2007.

 

por Iara Felix

Astróloga há 7 anos, publicitária e especialista em Comunicação Integrada de Marketing.

 

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Astrologia Tradicional, uma Linguagem Antiga Para o Presente – por Henrique G. Wiederspahn https://cnastrologia.org.br/astrologia-tradicional-uma-linguagem-antiga-para-o-presente-por-henrique-g-wiederspahn/ https://cnastrologia.org.br/astrologia-tradicional-uma-linguagem-antiga-para-o-presente-por-henrique-g-wiederspahn/#respond Wed, 04 Mar 2026 09:00:14 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11004  

Eu tinha cerca de sete anos no final dos anos 60 e morávamos em Moema, um bairro residencial em São Paulo, à época, uma cidade com pouquíssimos edifícios. A iluminação das ruas à época permitia que se visse o céu. Frequentemente, meu pai me levava para a calçada para observar o céu e me ensinou a identificar várias constelações e suas estrelas.

Mais tarde, ingressei na Escola de Marinha Mercante e me formei Oficial de Náutica. O conhecimento adquirido na infância foi valioso numa época em que ainda não existia o GPS e a navegação era feita com o sextante, observando o Sol e as estrelas para obter a posição do navio. 

Trabalhei como piloto por dez anos, viajando por quase todo os mares, maravilhando-me diariamente com o espetáculo dos Astros no céu. Ainda recém-formado, comecei a estudar Astrologia, uma vez que esta se propõe a atribuir significado aos Astros e seus movimentos. Desta forma, combinei o conhecimento astronômico com o saber astrológico, constatando que de fato, a Astrologia é uma linguagem, que busca interpretar as mensagens que os deuses, representados principalmente pelos Luminares e planetas, procuram nos enviar simbolicamente.

Aprendi Astrologia Tradicional mesmo sem saber que existiam outras possibilidades de interpretação do céu. Aos poucos, fui aprendendo outras formas de ler e analisar o céu, porém, em razão de outros estudos que realizei em paralelo à Astrologia, contribuindo para a minha formação, mantiveram-me sempre no eixo da Astrologia Tradicional.

É Horst Oochmann, em “O Instinto Geométrico”, que afirma que embora a Astrologia tenha surgido na Suméria em cerca de 12.000 aec, é pouco provável que tenha se mantido incorruptível até 1.700 aec, quando Hamurabi mandou organizar o conhecimento Astrológico então existente. A base do conhecimento Astrológico hoje existente começou a ser estruturada na Grécia e no Egito entre os séculos III aec e I ec, acompanhando o desenvolvimento científico e tecnológico então alcançado. 

O período da Escola de Alexandria foi um cadinho de enorme importância para a Astrologia, na medida em que reuniu os saberes de vários astrônomos/astrólogos de diferentes formações. Este compartilhamento fez brotar a Cabala, que é um saber astrológico codificado, mas também possibilitou o desenvolvimento posterior da Astrologia entre os árabes graças à trigonometria. Foram os árabes que introduziram a Astrologia na Europa no início do século X. Os astrólogos europeus se debruçaram sobre uma vasta literatura astrológica árabe e grega, reinterpretando-a a partir da cultura do Ocidente e com uma visão cristã.

Se tomarmos de uma forma crítica, o que denominamos atualmente por Astrologia Tradicional corresponde principalmente ao saber astrológico produzido entre os árabes entre os séculos V e VIII, antes de ingressar na Europa.

Mas o que é esta Astrologia Tradicional proveniente daqueles astrônomos/astrólogos árabes?

É preciso considerar que o povo árabe em geral é bastante religioso, razão pela qual encontramos em seus textos originais uma profunda reverência a Allah e agradecimentos pela inspiração concedida a cada capítulo ou tema tratado. Esta atitude vem ao encontro do impacto do maravilhamento que o céu nos proporciona, quando o compreendemos, mesmo que não inteiramente.

Estes mestres do passado nos legaram um sistema de interpretação simples e organizado ao estabelecer a relação entre os eventos no céu e aqueles da Terra. Mas também nos legaram um saber consistente que serve como caminho para nos reconectarmos com o Universo através da autoconsciência.

Este sistema tem como ponto de partida o Horizonte e o Zénite, referências do Espaço Local e consequentemente, atribui às Casas Astrológicas e especialmente ao Ascendente grande importância. 

Costumo dizer que o sistema de interpretação árabe é “casófilo”. Porém, os atores principais são os Astros. Utilizam-se apenas os sete Astros visíveis. O sistema de Dignidades Essenciais Maiores confere a estes Astros força e modo quanto à sua expressão e manifestação nas Casas Astrológicas. As Dignidades Menores conferem outros detalhes como cooperação e participação.

É preciso ressaltar que em Astrologia Tradicional, Astros, Signos e Casas Astrológicas tem papéis distintos e não tem significados intercambiáveis. Porém, muitos dos significados e atribuições dos Signos Astrológicos ocorrem também em decorrência dos Astros que os governam.

A combinação destas informações permite um nível de detalhamento bastante preciso sobre a qualidade e a intensidade dos acontecimentos prometidos no gráfico astrológico que está avaliado.

Os aspectos astrológicos tem a função de indicar se os acontecimentos acima preditos ocorrerão ou não e qual o seu desfecho, correspondendo a uma espécie de diálogos entre os Astros/deuses.

E por fim, as Dignidades Acidentais indicam o grau de importância das informações descritas até o momento.

Estas três etapas correspondem o que Morin de Villefranche, astrólogo francês do século XVI, menciona como as três etapas da interpretação de qualquer gráfico astrológico: avaliar, ponderar e julgar. 

Este astrólogo, em Astrologia Galica, Tomo XXI, reuniu todos estes passos como um sistema. Henry Selva, astrólogo judeu do início do século XX, organizou as informações que hoje conhecemos como “As 112 Determinações de Morin”. 

Em termos atuais, podemos afirmar que a Astrologia Tradicional, através das interpretações que realiza, busca fazer com que o indivíduo seja um(a) melhor gestor(a) de sua própria vida e para isso, dirige o olhar de sua interpretação tanto para o mundo dos acontecimentos cotidianos, como também, para as esferas de desenvolvimento da consciência através da relação com as Hierarquias Celestiais. Propõe-se a oferecer caminhos e soluções tanto na esfera dos acontecimentos mundanos, mas também, na esfera metafísica, independentemente de sua compreensão à respeito.

Hoje, o adulto olha para o céu com o mesmo maravilhamento da criança ao lado do pai, mas com a compreensão que todos aqueles pontinhos de luz representam, interrogando qual é a mensagem dos deuses para aquela ocasião.

 

por Henrique G. Wiederspahn

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Astrologia Psicológica: Uma Jornada de Autoconhecimento – por Márcia Ferreira https://cnastrologia.org.br/astrologia-psicologica-uma-jornada-de-autoconhecimento-por-marcia-ferreira/ https://cnastrologia.org.br/astrologia-psicologica-uma-jornada-de-autoconhecimento-por-marcia-ferreira/#respond Wed, 25 Feb 2026 13:11:38 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=10969 Introdução: Um Convite à Jornada Interior

 

Dentre as várias vertentes que existem na astrologia, a linha que apresentamos é a da Astrologia Psicológica, a qual se concentra na psicodinâmica interna do indivíduo na interpretação de um mapa. Visa ajudar as pessoas a compreenderem sua própria composição psicológica e como estas estão demonstradas pelo alinhamento entre o micro e o macro-cosmos. Somente quando integramos nossas diferentes partes é que nos tornamos “senhores em nossa própria casa”, ou seja, em nossas vidas.

A Astrologia Psicológica não é apenas um sistema de conhecimento, mas um convite à transformação. Ao embarcar nesta jornada, você não está apenas aprendendo sobre símbolos e técnicas, mas sim se engajando em um processo profundo de autoconhecimento e desenvolvimento, e de retorno à sua essência. É o que sempre repetimos por aqui: A astrologia nos ajuda a compreender quem podemos nos tornar”.

A Astrologia Psicológica não busca prioritariamente prever eventos externos ou determinar o destino, apesar de também utilizar previsões comumente. Ao invés disso, ela oferece um mapa simbólico da sua psique, uma ferramenta poderosa para compreender suas motivações profundas, potenciais inatos, desafios de desenvolvimento e de fases de vida.

Integramos o rigor da tradição e técnica astrológica com os insights profundos da psicologia junguiana e da psicanálise, criando uma abordagem que honra tanto a sabedoria ancestral quanto o conhecimento contemporâneo sobre a psique humana.

 

O Mapa e a Jornada

O mapa natal não é o território em si, mas uma representação simbólica que pode orientar sua exploração. Como qualquer mapa, ele mostra características do terreno, possíveis caminhos e pontos de referência, mas não determina como você escolherá navegar por ele.

Portanto, o mapa natal revela padrões psíquicos com os quais você nasceu, mas como você escolhe expressar e desenvolver essas energias permanece no reino do livre-arbítrio e da conscientização.

Como Jung observou: “Até tornarmos o inconsciente consciente, ele dirigirá nossas vidas e nós o chamaremos de destino.”

A Astrologia Psicológica oferece uma linguagem para tornar consciente o que antes era inconsciente, transformando “destino” em uma melhor escolha consciente.

Astrologia Psicológica – Breve Histórico

A Astrologia Psicológica nasceu da integração entre a tradição astrológica milenar e os avanços da psicologia profunda, particularmente os trabalhos de Dane Rudhyar e de Carl Gustav Jung, mas também estabelece interfaces com outras visões, como as da Psicanálise, Mitologia e de outros saberes.  Com essa inclinação psicológica, visa o auto-conhecimento e a obtenção de insights, e faz eco com a astrologia que foi praticada pessoalmente por Jung, um dos pioneiros da astrologia profunda.

Liz Greene é a maior referência na Astrologia Psicológica no mundo contemporâneo, e recentemente escreveu o livro “Jung, o Astrólogo”, com tradução para o português de Márcia Ferreira. Neste levantamento histórico, ela teve acesso aos arquivos pessoais de Jung, obtidos com a permissão dos descendentes de sua família. Nestes arquivos particulares fica comprovado o seu grande interesse por astrologia: foram encontrados declarações publicadas, cartas e materiais sobre astrologia, e também várias encomendas que ele próprio fez de mapas de várias pessoas para diversos astrólogos da época, assim como encomendas de seu próprio mapa, e de mapas que ele mesmo delineava, e isso tudo em diferentes épocas de sua vida. Greene nos mostra o quanto o comprometimento de Jung com a astrologia foi duradouro e o quanto contribuiu como base para a construção de sua própria teoria psicológica.

O resultado é uma disciplina que utiliza o mapa natal não como um oráculo para prever o futuro, mas como um mapa simbólico da psique, revelando potenciais, desafios e caminhos de desenvolvimento pessoal.

Por exemplo, não dizemos que “Marte causa agressividade” como um raio advindo do céu, ou que “Vênus determina como você ama”. Em vez disso, entendemos que esses planetas representam funções psicológicas e arquétipos universais que se manifestam de maneiras únicas em cada indivíduo, de acordo com sua posição no mapa natal e suas relações com outros elementos.

Jung descobriu que certos símbolos e padrões aparecem consistentemente nos sonhos, mitos e expressões artísticas de diferentes culturas ao redor do mundo. Chamou esses padrões de “arquétipos”, ou seja, imagens primordiais que habitam o que ele denominou de “inconsciente coletivo”, e reconheceu que os símbolos astrológicos representam esses mesmos arquétipos universais, como símbolos de tais processos arquetípicos originados no inconsciente coletivo. Segundo ele, o simbolismo dos signos, dos planetas e das constelações confunde-se com a própria origem da humanidade. Civilizações distintas, ao longo do tempo, sempre reconheceram esses padrões simbólicos e estabeleceram relações entre os movimentos celestes e os acontecimentos terrestres. Assim, essa linguagem arquetípica pode ser compreendida como um “pano de fundo” psíquico, que se manifesta de forma única em cada indivíduo, moldando o que ele denominou de Imagens Arquetípicas.

O Sol, a Lua, Vênus, Marte e outros corpos celestes não são apenas objetos físicos no espaço, mas também símbolos poderosos que ressoam com aspectos fundamentais da experiência humana.

Na Astrologia Psicológica, utilizamos a compreensão de que a astrologia não se trata de

influências planetárias, mas sim de afinidades, ou através do que Jung chamou de simpatia ou sumpatheia. Utilizamos esses símbolos, portanto, como uma linguagem para compreender a complexidade da psique.

E ainda, através de seus estudos mais tardios, Jung acrescentou o conceito de sincronicidade, onde existiria uma coincidência significativa entre os “eventos sincronísticos”, os quais não poderiam ser explicados pela lei da causalidade, pois esta não respeita as leis da probabilidade do acaso. Haveria portanto uma coerência arquetípica subjacente conectando os eventos, de outra forma desconectados, e essa concepção compunha a sua compreensão sobre o funcionamento da astrologia, isto é, a estrutura psíquica do indivíduo prestes a nascer estaria desta forma significantemente paralela às posições dos planetas no céu naquele momento. E é exatamente esta natureza dual do arquétipo que aparece no mapa astrológico fazendo a ponte entre o caráter interno e os eventos externos que refletem este caráter!

Finalizo então com as reflexões desses pensadores de diferentes épocas:

“O caráter do homem é o seu destino.” 

Heráclito

“Destino não é algo que acontece a nós, mas algo que se revela através da maneira como nos tornamos quem somos.”

Dane Rudhyar

 

Por Márcia Ferreira

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