Vertentes Astrológicas – CNA Central Nacional de Astrologia | Hub > Conteúdo > Pesquisa > Estudos https://cnastrologia.org.br Unindo céus e terras e compartilhando saberes Wed, 12 Jan 2011 16:50:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://cnastrologia.org.br/wp-content/uploads/2024/11/cropped-favi-32x32.jpg Vertentes Astrológicas – CNA Central Nacional de Astrologia | Hub > Conteúdo > Pesquisa > Estudos https://cnastrologia.org.br 32 32 As Bases da Astrologia Védica https://cnastrologia.org.br/as-bases-da-astrologia-vedica/ Wed, 12 Jan 2011 16:50:47 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=838 por Evêncio Mendes

A Astrologia Védica é um sistema que integra outras ciências como o Ayurveda, Yoga e religião, ou seja, um mapa astrológico védico tanto oferece indicações sobre o destino, bem como a constituição física, preferências, vocação, caminho a seguir e maturidade espiritual e também práticas aconselháveis para correção de desarmonias que possam levar a um grande sofrimento.

O principal foco da Astrologia Védica é corrigir ou remediar situações, e para isso se utiliza toda uma serie de correlações entre planetas com metais, pedras preciosas, cores, plantas, oferendas a divindades e mantras.

Como a diversidade cultural dentro da própria Índia é muito grande, a forma de lidar com a Astrologia apresenta grandes diferenças. Por exemplo, em se tratando de uma pessoa nascida em uma familia que consulte Astrologia Védica, seus pais já em sua infância podem aplicar medidas preventivas e harmonizar tendências negativas. Pode ser difícil ou estranho para os ocidentais a idéia de que rituais de oferendas (Pujas), que são os equivalentes a missas religiosas da religião ocidental, possam ser realizados por um monge em um templo, com o objetivo de contrabalançar um desvio da inteligência do nativo por algum aspecto tenso de Mercúrio.

É importante salientar que a inteligência interpretada pelo horóscopo ocidental vai ser vista de modo completamente diferente na Astrologia Védica. Nela, um desvio de inteligência indica a tendência a querer se aproveitar maliciosamente de oportunidades, levando a escolhas errôneas — e automaticamente ao sofrimento. O astrólogo védico pouco vai se importar em descrever traços sagitarianos, virginianos ou geminianos para interpretar o problema; desde que ele tenha sido identificado, o que importa a seguir é corrigir ou remediar.

Neste ponto cabe salientar que normalmente as interpretações de mapas védicos não são acompanhadas de longa interpretação astro-psicológica como pode acontecer no Ocidente. Na verdade, o formato de uma interpretação védica é muito diferente da ocidental. Alguns astrólogos ocidentais que praticam também a Astrologia Védica usam o mapa ocidental para interpretar a personalidade e o mapa védico para prever acontecimentos.

As origens históricas da Astrologia Védica se perdem no tempo. Um exemplo disso é que uma obra muito antiga da literatura hindu, que remonta a mais de 5 mil anos, o Ramayana, onde o tema principal é o registro histórico da vida de Rama , descrevendo o seu horóscopo. Outra obra igualmente importante, que é rica em registros astronômicos e astrológicos é o Mahabharata, que descreve a historia de Krishna. Estima-se que Krishna tenha vivido por volta dos anos 750 AC. Parasara, um dos personagens do Mahabharata, é um sábio misterioso com poderes igualmente misteriosos, é também o autor da obra mais importante da Astrologia Védica. Acredita-se que ele tenha vivido por volta do ano 850 a.C. Ou seja, sua obra remonta a mais de 2.850 anos.

Características de um mapa astrológico hindu

Uma característica na Astrologia Védica de hoje é o da correção da precessão dos equinócios, chamada Ayanamsha, que é uma correção que desloca todos os planetas do mapa ocidental em cerca de 23 graus no sentido contrário, ou seja retrogradando. Existem varias correntes que sustentam diferentes arcos de correção de precessão, variando entre 21 graus a 25 graus para as posições dos astros no ano 2000. Não cabe neste artigo descrever e argumentar sobre esse tema.

As Casas correspondem sempre a um signo inteiro. A Casa inicial é determinada pelo Ascendente, não importa em que grau este se encontre e sempre a Primeira Casa incluirá o Signo inteiro e as casas seguintes serão definidas pela seqüência dos signos.

Os aspectos são medidos por signos e não por graus como na Astrologia ocidental, e não contêm em si uma natureza positiva ou negativa. Isso será determinado pela natureza dos planetas envolvidos, e conforme as Casas são regidas e ocupadas pelos astros.

Quando um planeta forma aspecto com outro, o aspecto é identificado pelo número de Casas que um planeta dista do outro. E este é o conceito mais difícil de um astrólogo ocidental substituir, ao estudar Astrologia Védica.

Além dos 12 Signos que são divisões solares, na Astrologia Védica temos a divisão do Zodíaco em 27 partes, que correspondem ao Zodiaco Lunar. Esses 27 setores são chamados de Nakshatras ou simplesmente estrelas, porque cada Nakshatra tem uma estrela fixa como referência simbólica para marcar seu inicio. Os 27 Nakshatras são divididos em 9 regências planetárias, incluindo os 7 planetas básicos e os Nodos, na seguinte ordem: Nodo Sul, Vênus, Sol, Lua, Marte, Nodo Norte, Júpiter, Saturno e Mercúrio.

Bases espirituais

Para muitos na Índia, a Astrologia não é apenas um estudo ou uma profissão, mas também um caminho espiritual, com iniciação e prática diária de meditação. Algumas pessoas se encaixam tão bem neste modelo de vida que, ouvindo seus conselhos diante de um mapa, percebemos que são verdadeiros sacerdotes-astrólogos e que, com a prática, acabam conhecendo uma variedade de detalhes sobre divindades, mantras e preparações de remédios astrológicos.

Alguns textos antigos nos sugerem que, para estudar e trabalhar com Astrologia Védica, devemos ter certas qualidades e virtudes, ou seja, não deveriamos repassar este conhecimento para quem não tenha os pré-requisitos. Isso demonstra que há muito tempo os sábios da Índia já tinham um código de ética bem exigente. Em outras palavras, devemos ter uma moral elevada para ser aceitos em uma Escola de Astrologia; e uma pessoa de moral elevada é uma pessoa de estatura espiritual em qualquer cultura em que ela se encontre, mesmo que não tenha interesses religiosos. Cabe aqui lembrar que B.V. Raman, um dos grandes nomes da Astrologia Védica, dizia que para aprendê-la deveríamos meditar, conforme ele mesmo praticava. O astrólogo K. N. Rao, famoso até hoje por várias previsões acertadas de terremotos, também teve seu Guru de mantras. E o astrólogo Sanjay Rath foi um sábio e erudito nas Escrituras, além de fundador de uma escola que inclui ensinamentos espirituais e meditação.

Até hoje algumas linhagens da Astrologia Védica se preservam da vista pública, repassando o conhecimento de mestre a discípulo, e só temos conhecimento desses ramos devido ao depoimento de alguns raros que tiveram contato com eles. B. V. Raman comenta que, ao peregrinar por cidades sagradas, encontrou uma pessoa que interpretou seu mapa maravilhosamente, confirmando eventos do seu passado e deixando previsões do futuro. K. N. Rao também descreve alguns incidentes raros de contato com pessoas portadoras de conhecimento incomum.

Escolas de Astrologia Védica

Parasara é a maior autoridade de Astrologia Védica até hoje. A data de sua existência física e a produção de sua obra perdeu-se no tempo. Mas com certeza é anterior a sri Krishna, o que pode indicar que ele viveu há mais de 2.850 anos de nossos dias. Alguns afirmam que a obra de Parasara teve contribuições ao longo do tempo, devido à mudança de estilo de escrita em certas partes da obra. Os pontos principais dos ensinamentos de Parasara são os seguintes:

Mapas Divisionais

Parasara ensina uma forma de dividir o mapa em partes, dando origem a 15 novos mapas, chamados de mapas divisionais. Esses mapas divisionais foram a fonte de inspiração dos mapas chamados harmônicos, porém alguns mapas divisionais têm regras de construção diferentes dos mapas harmônicos. Por exemplo, no mapa divisional de fator 9, cada signo é dividido em 9 partes de 3 graus e 20 minutos de arco, sendo que cada uma destas partes corresponde a um “microsigno”. Se um planeta está em Áries, porém em um grau que corresponde a outro signo Navamsha, este planeta é transportado para outro mapa naquele útimo signo. Depois de transportados todos os demais planetas, forma-se o Mapa D-9 ou Navamsha, onde são deduzidas informações de ordem espiritual e sobre o casamento.

  • Yogas ou combinações planetárias – O estudo das combinações planetárias é o estudo mais longo que um astrólogo védico tem, pois são incontáveis yogas: um yoga pode ser um planeta em um signo ou um aspecto entre planetas, ou um conjunto de posições e aspectos planetários. Por exemplo ensina 32 Nabhasa yogas mas adverte que na verdade exitem 1800 do mesmo tipo, nabhasa yoga é uma combinação de formação como planetas em signos cardeais ou fixos, etc..
  • Ascendentes especiais: Parasara sugere muitos outros ascendentes complementares à interpretação e previsão. Por exemplo, o Ascendente horário ou Hora Lagna irá indicar a fonte de entrada de dinheiro do nativo.
  • Dashas ou sistemas de previsões: Existem dois métodos de previsões, um por períodos planetários e outro de signos. Parasara ensina em sua obra mais de 44 sistemas, sendo que um deles se destacou como o mais eficiente de todos: o Vimshotari. Este é um método planetário, onde a Lua, de acodo com a constelação ou Nakshatra que ocupa no momento do nascimento, vai determinar em que parte de um grande ciclo uma pessoa nasceu. Se a Lua se encontra no inicio de um Nakshatra, então em seus primeiros anos de vida ocorrerão eventos relacionados ao planeta regente do Nakshatra da Lua do nascimento. Este grande ciclo é desmembrado em 9 subciclos também planetários, de forma que cada evento da vida de uma pessoa pode ter até 5 planetas diferentes atuando nas características e intensidade do evento. Cada um dos nove planetas corresponde a um grande ciclo de 6 a 20 anos, na seguinte ordem: Nodo-Sul 7 anos, Vênus 20 anos, Sol 6 anos, Lua 10 anos, Marte 7 anos, Nodo-Norte 18 anos, Júpiter 16 anos, Saturno 19 anos, Mercuri 17 anos.
  • Ashtakavarga: É um sistema que funciona conforme as relações interplanetárias alcançam uma pontuação positiva ou negativa para cada planeta nas Casas. Esta pontuação oscila de de 0 a 8 pontos e é a base para previsões quanto às realizacões que uma pessoa pode esperar em determinados assuntos da vida, de acordo com as Casas que têm mais pontuação ou menos. Este é um sistema ainda muito enigmático, embora Parasara mencione que, devido à sua simplicidade, é o mais adequado e fácil nos tempos atuais.
  • Gochara ou Transitos: Quase nada é dito na obra de Parasara sobre trânsitos. Em outras obras temos algumas indicações, porém de forma extremamente resumida. Recentemente alguns pesquisadores acrescentaram teorias mais sólidas de como usar os trânsitos, baseando-se no mapa natal, Navamsha e um outro mapa divisional que corresponda ao assunto em questão. Os planetas que correspondam ao período atual ( Dashas ) e subperíodos devem ser analisados no mapa natal para encontrar tamto as correspondências de atuação, quanto quais as Casas envolvidas e outros planetas. Uma vez definido no mapa natal o campo de atuação, o mesmo deve ser feito no mapa Navamsha e no mapa divisional em questão. O segundo passo é verificar os trânsitos de Júpiter e Saturno nos três mapas acima. Depois, os planetas dos períodos atuais em trânsito devem ser transportados para o mapa natal e para o mapa divisional em questão. A conclusão desta análise vai mostrar a intensidade e abrangência dos trânsitos.
  • Longevidade: Alguns Dashas mencionados acima são específicos para determinação da longevidade ou o período de morte física. Existem técnicas especificas para determinar a duração da vida.

Evêncio Mendes é astrólogo védico e profissional da área de informática.

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ONE SHOT! – A ARTE DA CONSULTA ASTROLÓGICA https://cnastrologia.org.br/one-shot-a-arte-da-consulta-astrologica/ Wed, 12 Jan 2011 16:50:01 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=836 Muito já foi dito no meio astrológico a respeito das contribuições que a ciência sagrada dos astros pode proporcionar à sua irmãzinha mais jovem (bem mais jovem…): a Psicologia. Jung chegou a afirmar que “a Astrologia é depositária de todo o conhecimento psicológico da Antigüidade.

Esse é um assunto traumático (pelo menos aqui no Brasil) para todos nós que atuamos na fronteira entre essas duas formas de olhar o ser humano. Para os que, assim como eu, são psicólogos e astrólogos, não é preciso lembrar a peleja que temos que enfrentar nos conselhos de Psicologia. Tais quais os antigos tribunais do Santo Ofício, que lutavam para salvaguardar a pureza de algo que já havia sido perdidamente “contaminado” pela implacabilidade do tempo, esses pacatos e mal informados cidadãos, ainda se debatem na defesa do dogma decadente da sub-era da sombra virginiana de Peixes, segundo o qual, a palavra ciência é aplicável apenas ao que pode ser pesado, medido, cheirado e lambido.

Sim, é verdade que sob esse dogma, a própria Psicologia, naquilo que ela tem de mais psicológico, ficaria de fora. Mas isso é uma longa discussão que pessoas bem mais talentosas do que eu, como os fundadores da Psicologia da Gestalt, o pessoal da Fenomenologia e o próprio C.G. Jung já discorreram longamente.

Meu objetivo aqui, com esse texto, é discutir um pouco as contribuições que ela, a Psicologia, tem para nos oferecer. Em geral, nós astrólogos trabalhamos com aquilo que eu chamo: consulta “one shot”. O que vem a ser isso? Certa vez, vi no programa do Jô, um senhor alemão que era soldado na segunda guerra e viveu o cerco a Monte Castelo. De um lado, o exército americano, e do outro, nossos bravos pracinhas. – Como vocês sabiam quem estava atacando, perguntou o Jô? Ele respondeu: – Ahhh, fácil…os americanos vinham fazendo varredura de bombas, até que uma atingia a posição defendida por nós. Os brasileiros não. Era ONE SHOT! Um único tiro, se pagasse, pegou…

Pois é, nós astrólogos, na maioria das vezes, trabalhamos assim também: ONE SHOT! Temos uma única consulta, um único encontro com o nosso consulente, pelo menos até o ano que vem. Ao contrário dos nossos colegas, os psicólogos, que têm em geral, alguns encontros semanais por períodos que, às vezes, ultrapassam a cifra dos anos. É claro que nós temos a grande vantagem do mapa. Temos a planta-baixa do prédio, coisa que eles, às vezes, levam anos para descobrir, se é que chegam a descobrir, pelo menos da maneira que nós temos o direito de ver: desenhada pela mão do projetista, o Arquiteto Universal.

Para mim, a principal transformação ocorrida em meu trabalho como astrólogo, depois que iniciei minha formação em Psicologia, está no formato da consulta. Continuo atendendo ONE SHOT! Mas agora, minha maneira de fazer a consulta mudou.

Já atendo como astrólogo profissional há mais de dez anos. Durante um bom tempo, fui praticante do que chamo de “consulta enciclopédica”, aquela da Lua- não-sei-aonde quer dizer não-sei-o-quê. Esse tipo de coisas, que na maioria das vezes produz um: – Ahhh, que interessante, de parte do cliente maravilhado com a nossa sapiência…

Com o tempo e com a minha própria formação (que é coisa bem diferente de in-formação), vim percebendo que estava desperdiçando tempo e munição terapêutica.

Com a simplicidade que só sabem ter os gênios, Jung afirmou: “só podemos chegar com os nossos clientes, até onde fomos com nós mesmos.” Parece óbvio e é. Mas, é coisa bem mais fácil de dizer do que fazer. Até onde fomos com nós mesmos? Será que sabemos mesmo? Estamos nos trabalhando enquanto pessoas? Ou estamos protegidos pela nossa persona-mago, que nos garante que os outros terapeutas não têm nada a dizer a seres tão especiais e auto-conscientes como nós?

Enfim, minha consulta ONE SHOT mudou muito depois que tirei minha máscara de sábio e comecei a cutucar minhas feridas narcísicas (será que tirei mesmo?). Passei a entender um pouco o que a palavra presença quer dizer, e o potencial que ela traz para a consulta.

O que mudou? Posso dizer que a qualidade do encontro não é mais a mesma. Antes, estava lá eu de um lado, despejando toneladas de informações na fita K7, diante de um cliente pasmo e calado. Agora, na uma hora e meia que dura a minha consulta, a primeira meia hora é do cliente. Onde ele está? O que está acontecendo realmente em sua vida? O quanto ele vai poder levar desse encontro? Que língua existencial ele fala? Em que plano de consciência está vivendo? Qual é o foco aqui-e-agora, que é o que realmente vai fazer sentido para ele?

Como é que eu faço isso? Mês que vem, nessa coluna, a gente continua…

Carlos Maltz é astrólogo, músico, fundador e primeiro baterista do grupo Engenheiros do Hawai. Foi palestrante do I Circuito Nacional de Astrologia no evento da regional DF.

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Astrologia e Psicologia Analítica https://cnastrologia.org.br/astrologia-e-psicologia-analitica-2/ Wed, 12 Jan 2011 16:49:33 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=834 por Tereza Kawall

A aproximação entre a Psicologia Analítica de Carl G. Jung e a Astrologia teve início em 1936, a partir da publicação do livro “ A Astrologia da Personalidade”, de autoria de Dane Rudhyar, músico, astrólogo e poeta francês, em Nova York.

Diz ele:

“Só me familiarizei completamente com as idéias de Jung no verão de 1933, enquanto estava no rancho do Novo México, onde li todas as suas obras até então traduzidas. Imediatamente me ocorreu que poderia desenvolver uma serie de conexões entre os conceitos de Jung e um tipo reformulado de Astrologia.” (1)

Rudhyar, dono de uma cultura e sensibilidade extraordinárias, foi o precursor da chamada Astrologia Humanista, que em essência significa ser mais centrada na pessoa, pois transfere a ênfase do mundo exterior (eventos) para o mundo interior da experiência e do crescimento pessoal. Seu foco está mais na relação que o indivíduo estabelece com o que lhe acontece, e com o significado da vida. A mandala zodiacal é um complexo símbolo cósmico de totalidade e, como tal, representando a potencialidade da estrutura da personalidade humana.

O presente artigo pretende analisar este rico entrelaçamento teórico a partir de dois constructos teóricos da psicologia junguiana e da Astrologia, que vêm a ser respectivamente:

1- A analogia entre a teoria dos quatro tipos psicológicos e as quatro funções da consciência, que são: intuição, sensação, pensamento, sentimento; e os quatros elementos, que são: fogo, terra, ar e água.

2- O conceito de individuação é o cerne da teoria de Jung e o objetivo de sua prática psicoterapêutica. Esse processo é um impulso natural do desenvolvimento do homem, e representa a possibilidade de integração de forças opostas da natureza, através do qual acontece uma gradual conscientização do homem em direção ao “ Si-mesmo”, uma árdua tarefa que perdura até o final da vida.

Os ciclos astrológicos mostram a estrutura da personalidade (presente na carta astrológica) em movimento, já a partir do nascimento, e irão revelar as inúmeras etapas de crescimento e transformação a serem percorridas durante a vida.

Os quatro tipos psicológicos e os quatro elementos

Na visão da Psicologia Analítica, a psique tem alguns modos básicos de funcionamento. Os conceitos junguianos de extroversão e introversão baseiam-se no movimento da libido em relação ao objeto. Na atitude extrovertida ela flui em direção ao objeto, e no caso da introversão, ela recua frente ao objeto. Nesse modo estrutural em que se percebe uma dualidade direcional psíquica, há também uma estrutura quaternária: as quatro funções da consciência, que mostram como a energia psíquica opera. São elas:

1. função sensação, que registra conscientemente fatos exteriores,

2. função intuição, que indica a apreensão de potencialidades futuras,

3. função pensamento, por meio da qual o nosso ego estabelece uma ordem lógica racional entre os objetos,

4. função sentimento, que seleciona hierarquias de valor para o mundo, de afeição ou rejeição pelo objeto.

A Astrologia de base junguiana pensou e relacionou os quatro tipos psicológicos e as quatro funções com a sua teoria dos quatro elementos.

Uma das premissas astrológicas é que tudo no Universo deriva de duas forças opostas e complementares, dois princípios universais, que podem ser chamados de masculino e feminino, ativo e passivo, ou yin e yang, como na milenar concepção chinesa de equilíbrio dos opostos.

Os doze signos do Zodíaco produzem seis pares de eixos opostos entre si, que são os chamados signos masculinos e femininos, dispostos de forma alternada no diagrama zodiacal.

Os primeiros associam-se à idéia de ação, extroversão, dinamismo, e sua energia é centrífuga por excelência. Os signos femininos, ao contrário associam-se à energia da receptividade, suavidade, imobilidade, e sua expressão básica é centrípeta ou introvertida.

Neste modelo energético e psíquico, há também outra subdivisão que, de forma semelhante à concepção junguiana, indica quatro formas psicológicas distintas, de apreensão da e adaptação à realidade, chamados os quatros elementos: fogo, ar, terra e água.

A associação feita em termos psicológicos, ou seja, características funcionais, ou mais típicas em cada indivíduo é que o fogo está relacionado ao tipo intuição; a terra ao tipo sensação, o ar ao tipo pensamento, a água ao tipo sentimento.

As características mais marcantes dos quatro elementos são:

Fogo: vitalidade, energia, alegria, auto-afirmação, aspirações, agilidade, orgulho, desejo de auto- reconhecimento, calor, entusiasmo, excessos.

Terra: controle, cautela, determinação, lentidão, retenção, mundo físico, resistência, persistência, cinco sentidos.

Ar: pensamento, comunicação, idéias, movimento, leveza, sociabilidade, imparcialidade, curiosidade, flexibilidade, mundo abstrato.

Água: sentimento, subjetividade, intimidade, fantasia, imaginação, reserva, auto-proteção, profundidade, vulnerabilidade, empatia.

Individuação e Ciclos de Desenvolvimento

A individuação, como vimos, é um processo de reflexão que possibilita um criativo diálogo entre o inconsciente e a consciência, podendo se manifestar como mais autonomia e a expressão da nossa individualidade única e singular. Esse caminho de emancipação e de integração da personalidade subentende uma maior liberdade em relação às forças do Inconsciente Coletivo e o fim da submissão inconsciente ou compulsiva aos valores sociais, aos complexos parentais, culturais ou religiosos da sociedade. É o emergir da essência em detrimento da aparência, a integração de aspectos contraditórios e obscuros da psique, ir além das limitações do nosso intelecto, as experiências transcendentes ou de cunho religioso junto à apreensão do sentido ou significado para a vida.

Cito Irene Gad:

“Tornar-se o ser desejado não representa o processo de tornar-se perfeito; ao contrário, significa tornar-se ciente dos próprios ângulos e arestas, do movimento próximo ao desconhecido e do nosso potencial”. (2)

De forma análoga, tanto as imagens alquímicas estudadas por Jung refletem a “opus” individual, quanto os símbolos astrológicos e seus ciclos de desenvolvimento são a mesma representação do processo de individuação, nas diferentes etapas de crescimento em direção à maturidade psicológica. Na Astrologia e, mais especificamente no mapa natal, essa individualidade ou a “impressão celestial” , única e intransferível, existe em estado latente em todo ser que nasce.

O mapa astrológico, como uma estrutura de espaço e tempo, pode indicar, através das técnicas preditivas (trânsitos e progressões planetárias), como e quando o seu potencial estará mais em evidência, indicando a realização das várias fases desta “ intenção original”.

Dito de outra maneira, os ciclos astrológicos podem mostrar de forma individualizada a manifestação ou constelação de certos arquétipos que num dado momento estão dialogando entre si, e esta configuração tem um significado a ser apreendido.

Portanto, neste contexto, estamos falando do tempo qualitativo, e dos eventos sincronísticos, entendendo que a sincronicidade é uma coincidência significativa de dois ou vários eventos, sem relação causal, mas com o mesmo conteúdo significativo.

A necessidade de conhecer e decifrar o mundo nos acompanha desde sempre e portanto ela é arquetípica ou comum a toda a humanidade.

Cito Gad novamente:

“O símbolo é, a princípio, algo comum que aponta, para além da sua realidade concreta, para uma base cujo significado mal podemos apreender de início. Freqüentemente os símbolos são encontrados em situações existenciais que eles podem ajudar a esclarecer; o significado e a importância da situação é assim revelado”. (3)

Finalizo com citação de Maroni:

Todo esse percurso psicológico sugere-me um refletir sobre si mesmo, um curvar-se, uma dobra. É dessa dobra que emerge o homem espiritual para Jung: um homem capaz de apreender em grande parte o seu padrão (energético) imagético, poético, arquetípico… Este estado lhe garante liberdade, flexibilidade, variabilidade, imprevisibilidade e, em especial, espiritualidade”. (4)

Notas:

1- RUDHYAR, Dane. Da Astrologia Humanista à Astrologia Transpessoal, Rio de Janeiro, Antares, 1985. Pág 12.

2 – GAD, Irene. Tarot e Individuação: correspondências com a cabala e alquimia, São Paulo, Mandarim, 1996. Pág 135.

3- GAD, Irene. Pág 136.

4- MARONI, Amnéris. Figuras da Imaginação – Buscando compreender a psique.

São Paulo, Summus, 2001. Pág 141.

Tereza Kawall é paulista, iniciou seus estudos de Astrologia no Rio de Janeiro com Antonio Carlos Bola Harres, em 1977. Colaboradora das revistas Bons Fluídos e Planeta, é co-autora do Livro: ” Astrologia, doze portais mágicos”, lançado em 2001. É psicóloga clínica com orientação junguiana, com pós graduação em Psicossomática.

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Ser Astrólogo Novos Tempos, Novos Desafios https://cnastrologia.org.br/ser-astrologo-novos-tempos-novos-desafios/ Wed, 12 Jan 2011 16:49:06 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=832 por Isabel Mueller

Temos em nossas mãos um divino instrumento, ancestral sabedoria que nos conecta com a ordem do Universo.

Uma história tão antiga, e ao mesmo tempo nova, em seus atuais propósitos.

O antigo/Saturno é o respeito pelos conhecimentos da tradição astrológica, que nos torna possível utilizá-la visando a conscientização, o despertar para o autoconhecimento, pois somos apenas facilitadores desse processo aos que nos procuram.

Muitos buscam-nos hoje não como espectadores passivos de sua história, mas com a consciência da própria responsabilidade na construção do seu destino.

A Astrologia evoluiu. Os astrólogos evoluíram.

Porém, há aqueles que tentam encontrar na Astrologia respostas a tolas perguntas. E há quem as diz ter…

Mas, cada vez mais, percebe-se que o propósito dos que a praticam, e dos que a buscam é a consciência. Com ciência e com arte, a Astrologia no século 21.

Este novo tempo, nova Astrologia. Nós a reconhecemos, a praticamos, estamos juntos reescrevendo essa história das estrelas.

Uma Astrologia que nos desperte do oceano da inconsciência. Urano quer singrar esse mares. Urano em Peixes, a Astrologia e seus vínculos com as artes da emoção, auxiliando a despertar o curador que há em cada um.

Não dar o peixe, nem tampouco ensinar a pescar.

Simplesmente estar ali, o coração receptivo, ao outro que quer saber de si.

Interessa-nos revelar profundezas e mergulhos, os mares de cada um, auxiliar nas travessias.

OS DESAFIOS DA VIAGEM PLANETÁRIA

SOL – ILUMINAR

Símbolos são jeitos perfeitos
na geometria que há
que apenas a olhos atentos
são dados revelar

O Sol é o centro do mapa astrológico, e o nosso papel pode ser o de iluminar, integrar, aproximar da essência a trajetória do vir-a-ser.

Para que na sociedade haja seres mais conscientes. Cada qual com sua luz própria.

Afinar-se com a estada na Terra, seus desafios e belezas.

Trazer à luz. Facilitar o reconhecimento do que há de luminoso.

A função solar de um astrólogo pode ser a de proporcionar a visão de um centro, simbolizada na mandala do Mapa.

A majestade de cada um, que deseja se manifestar.

Luminar: espalhar luz.

LUA – EMOCIONAR

Lembra do sonho
do gesto gestação
do carinho do não
da vereda desconhecida.
Lembra do agora
e esquece a hora
que não foi contada
ou vivida

Desde os primórdios, os humanos observavam os mistérios do céu, e nessa contemplação reverenciavam seus deuses, estabelecendo a conexão com as forças da natureza.

Dessa contemplação, tal como os contadores de história, nós astrólogos temos uma história para contar. Uma história que pertence a cada ser que nos procura.

A moral dessa história é particular; não somos donos da história, apenas a contamos.

Nossa função lunar é acolher. Nossa Astrologia não deve ser descrição de características, mas emocionar.

Formamos uma grande família, e o laço que nos une é o amor pelo céu. Família, emoções, fundo-do-céu, raízes e bases, no arquétipo da grande mãe, nos olhares curiosos da infância.

Nosso desafio: voltar para a casa interior, o lugar mais dentro de cada um, onde se sinta à vontade, porque si mesmo.

Transmitir a qualidade nutridora de cada ser, o que representa alimento para cada um, e como doar esse alimento a um mundo tão faminto.

MERCÚRIO – COMUNICAR

Mercúrio-mensageiro
tudo a dizer
sua lança verbo
de asas e sentidos

Mensageiro dos mundos, da relação entre gentes, movimentos e pensamentos.

Nossa tarefa mercuriana é compreender que há muitos modos de dizer a Astrologia.

E um de nossos grandes desafios é saber comunicá-la, mensagem que realmente chegue a quem busca esse conhecimento.

Comunicar na linguagem do outro. Tantos são os modos e os meios de comunicação…

É preciso saber distinguir (lição virginiana de Mercúrio) o que é de fato útil e importante a quem quer conhecer o céu de si.

Muitas são as linguagens. Nossa voz deve ser diálogo e não monólogo.

Observação e contemplação são nossos instrumentos, se queremos levar a mensagem aos quatro ventos.

VÊNUS – AMAR

Somos tão iguais nas buscas
mas ninguém se atreve à simplicidade
busca-se sofisticação
e vira treva a solidão.
Um abraço pode bem mais
um sorriso cura
a alma em desaviso.

A Astrologia é nossa escolha, valor que a ela damos, amor que por ela manifestamos.

Nosso gosto pelo alto e pelas gentes revela o céu de dentro, espelho do céu acima.

Nos miramos Afrodite nessa beleza. Honramos a musa ao fazer nosso trabalho com arte.

E daí vem o nosso provento, de trabalhadores das estrelas. Relação trabalhista e sustento inusitados…

Nossa tarefa venusiana, nesses novos tempos de Astrologia, é facilitar encontros, do ser consigo, do indivíduo com outros indivíduos, e com o Cosmos.

MARTE – MOBILIZAR

Vai mais longe que a alma grita
vai mais fundo que o mergulho insista
vai onde nunca tentaste
é lá o teu lugar

Na jornada do herói, cada ser com suas motivações e desejos.

Nossa estada em Marte é mobilizar à ação, pois não basta conhecer de si, se não resultar em atitude.

É desafiante motivar, quando a inércia e a estagnação são a realidade social.

É preciso lutar, armas nobres, pelo que acreditamos e sabemos.

Somos pioneiros, cada qual na conquista do seu espaço.

A Astrologia é nossa amante, sedenta de paixão e de ação.

SATURNO – RESPONSABILIZAR

Sê tua autoridade
autoriza a tua idade
autoriza-te a sem tempo
seres um rio que corre
sabedor do seu destino

Estruturar, consolidar, construir nas teias do tempo.

Se a cabeça está nas estrelas, nossos pés e obras devem estar no chão.

Nosso dever (lei de Saturno) é mostrar que Astrologia não é fatalidade.

Destino também é construção de livre-arbítrio, e quanto mais conscientes, mais estimulamos essa responsabilidade em cada ser que nos procura.

Cronos revela as nuances do tempo, dos ciclos, das idades, suas conquistas e desafios.

O tempo que nos ensina novos níveis de conhecimento e de prática, amadurecimento.

Respeitemos essa anciã Astrologia. Uma senhora de sábias rugas, que não ficou parada no tempo…

JÚPITER – EXPANDIR

No centauro dos dias
o cavalo alado recriou fantasias
e percebeu-se que a solidez matéria
é criação da mente.
Se soubéssemos da maestria
arbítrio generoso…
Mas os deuses
de amnésia proveram o homem
para que norte e vida descobrissem

Disseminar conhecimentos, amplidão de horizontes.

Seminários, cursos, publicar, divulgar, para que chegue longe essa imensidão.

Questionar sobre o sentido de nosso trabalho.

A meta/seta, os alvos a que destinamos nosso ofício.

Cuidar com as crenças verdades, não sejamos dogmáticos.

Há sempre um distante, um novo horizonte, esperando pelo nosso vôo.

URANO – DESPERTAR

Urano, o céu
e Gaia, a terra
celebram-se
elétrica tempestade
que sacode pensamentos
no caminho do novo
raios de luz
seduzem almas da vanguarda

Ler o céu… A função uraniana é a de sermos os arautos da vanguarda, acesso à mente universal.

Sabedoria que desperte da letargia.

Podemos ser instrumentos desse despertar, canais a revelar a singularidade de cada ser, onde se é mais livre, único.

Devemos estimular a diferença, a Astrologia não pode acomodar, ela não serve a nenhum senhor. Seu reino é dos raios que riscam o céu, e clareiam.

Intuir, sintetizar as inúmeras informações, visão estelar.

O humano e sua ligação com a humanidade.

A modernidade e seus instrumentos, sintonizar e transmitir, ondas que se propagam, redes, conhecimentos que revolucionam. Não queremos explicar, nosso desafio é despertar.

Amigos que procuram respeitar as diferenças individuais, grupos.

Nossa mensagem traz a semente do amanhã.

NETUNO – TORNAR SAGRADO

É sacro o ofício
da vida
do céu
e de nós
mortais acordando

Somos devotados à ordem maior revelada no céu. Ela é nossa fonte de inspiração.

Para transmitir o que sabemos, precisamos amar o que vemos. Compreender o divino na geometria dos ângulos, planetas, signos.

Dissipar os véus de maya, sem perder o contato com a magia, e com as sincronicidades que chegam ao coração.

Deixar revelar-se a dimensão transcendente do afeto que nos une, onde queremos fusão, onde somos multidão.

Empatia para com as pessoas que nos procuram. É preciso muito amor para ser astrólogo!

Muito a contemplar, nosso ver é através do sentir.

PLUTÃO – TRANSMUTAR

Muito mais que cérebro somos carne de emoção somos pele de vulcão

Aceitar os mistérios, o que está muito além de nosso entendimento, mortes/renascimentos, tabus, sombras, consciente e inconsciente, Sol e Plutão, tão distantes e tão próximos.

Acessar o mais fundo, realizar as difíceis travessias, renascer fênix.

Facilitar a revelação do propósito cósmico de cada ser, agente transformador da sociedade, porque renasceu em si mesmo.

Transcender os temores mais escondidos.

Sermos detetives do universo. Transformadores, curadores.

Saber das luzes que se seguem às sombras…

Isabel Müller é astróloga e Conselheira Deliberativa da CNA.

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O astrólogo que escreve horóscopos. https://cnastrologia.org.br/o-astrologo-que-escreve-horoscopos/ Wed, 12 Jan 2011 16:47:29 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=828 por Oscar Quiroga

No mês de abril de 1986 levei um susto quando me convidaram para escrever a recém-criada coluna de horóscopo do jornal ‘O Estado de São Paulo’, e ao mesmo tempo me senti aliviado quando me informaram que a escreveria na qualidade de ‘ghost writer’. O susto derivou do fato de que ninguém nasce preparado para escrever colunas de horóscopo, e nem tampouco há cursos que preparem para este ofício. O alívio veio de que, nos meios astrológicos, pelo menos de então, ele era visto como de quinta categoria, um atentado contra a seriedade da Astrologia, pelo que, mascarado como escritor fantasma, me refugiei no anonimato, para não ser execrado nos meios astrológicos.

Entre sustos e alívios, e dado não ser possível se nascer sabendo como se escreve um horóscopo de jornal, fui logo lendo revistas e jornais do mundo inteiro, adotando a mesma linguagem para cumprir minha função, tipo: “Marte transita no âmbito familiar, previna-se contra discussões” — e blablablás deste tipo.

Depois de poucos meses, a pessoa para a qual eu escrevia na qualidade de “fantasma” passou por diversas transformações em sua vida pessoal, e não quis mais levar em frente esse ofício, o que provocou mais um susto, pois a partir de então eu teria de dar as caras, assinar o horóscopo com meu próprio nome (curioso, nem me passou pela cabeça inventar um pseudônimo, penso agora).

Superada esta fase, e não se confirmando nenhum vaticínio trágico ou de execração pública, o pior ainda estava por vir. Um ano depois, em abril de 1987, eu estava literalmente de saco cheio de escrever esta coluna, não achava graça nenhuma nesses textos, me parecia que informavam muito pouco. Grande crise! O que fazer agora? Simplesmente desistir? Ou, por acaso, aproveitar o ensejo e começar a escrever do jeito que a mim parecia que iria fazer algum sentido?

Escolhi a segunda opção, e iniciei uma nova fase deste ofício de escritor de horóscopos, partindo da hipótese de que os eventos cósmicos, que a Astrologia estuda, têm de, necessariamente, se disseminar em multidões de seres humanos para se manifestar. Ou por acaso não é que, a cada momento, nascem centenas de indivíduos humanos que, do ponto de vista astrológico, terão o mesmo mapa natal? Esta teoria se arraigou muito bem em minha consciência, — não feriu a intuição nem tampouco me parece um delírio, — porém, como transformá-la em palavras? Como escrever, em pouco espaço, algo que faça sentido a muitos? Como tornar um mesmo evento significativo para as diferentes e particulares individualidades, sem tirar de ninguém o direito a se considerar único e original? Eis que me deparei com o fato de que o ofício de escrever horóscopos sintetiza dois trabalhos num só: o de natureza técnica, que é astrológico, (o cálculo dos eventos e a noção de sua natureza), agregando-se a este o trabalho literário, que é o de encontrar a linguagem que comunique da melhor maneira possível estes eventos também ao maior numero possível de pessoas. Novo desafio, estudar literatura! E vem ao meu auxílio o Fernando Pessoa (graças ao Altíssimo ele existiu!), de quem mamei um pouco da arte da literatura subjetiva. Só subjetivamente se consegue ampliar o foco, sem por isso divagar ou cair no lugar comum. É mito afirmar que tudo que for subjetivo é, também, vago. Não há nada de vago, por exemplo, numa emoção, pois mesmo esta sendo absolutamente subjetiva, ninguém poderá confundir raiva com alegria. Auxiliaram-me, também, alguns gregos desconhecidos, versados na arte da epigrafia, a escrita de frases curtas e sintéticas. Da epigrafia provêm, por exemplo, os epitáfios e provérbios, sendo os primeiros aquelas frases escritas nas lápides para descrever como foi a vida de alguém. De alguma forma, os textos dos horóscopos lembram os epitáfios, já que também são destinados a descrever a experiência de vida em poucas palavras.

Enfim, explico tudo isto para manifestar a vocês a riqueza oculta por trás de um ofício que foi visto com maus olhos durante décadas, mas que atualmente começa a encontrar seu devido lugar, pois se a Astrologia tem algo verdadeiramente importante a dizer, sua mensagem é para nossa espécie humana como um todo, e não para cada um de nós em particular.

É por isso que me soa falsa essa afirmação muito comum que se faz, quando se tenta resgatar a seriedade da Astrologia, a de que o estudo seria verdadeiro ou representativo apenas quando feito através de uma leitura individual, pois as leituras genéricas, como as de horóscopo de jornal, seriam apenas isto, meramente genéricas. Ora, neste caso não me parece que possa haver alguma confusão de quem veio primeiro, se a espécie humana ou o indivíduo. Do ponto de vista universal somos, antes de mais nada, o grupo humano, que se perpetua através dos tempos em manifestações individuais. Por que a Astrologia não poderia importar-se mais com o grupo do que com o indivíduo? E no caso de importar-se mais com o grupo, assim como se estuda a Astrologia das Nações, se pode também estudar para sintetizar, dia a dia, numa mensagem genérica, aquilo que faça sentido aos indivíduos pois, evitando-se os detalhes, que são da alçada do que é particular em cada um de nós (e por isso livremente escolhido), a escrita do horóscopo se focaliza naquilo em que todos estivermos em comunhão.

O trabalho do Astrólogo que escreve horóscopos é digno de representar o que de mais sério haja nos meios astrológicos, principalmente de acordo com o espírito do tempo atual, pelo qual, finalmente, está caindo a ficha de que o grupo é mais importante do que o indivíduo.

Oscar Quiroga é astrólogo autodidata e psicólogo, nascido na Argentina e radicado no Brasil desde 1978. Quiroga mantém colunas de Astrologia horoscópica em alguns dos maiores jornais do país, o que lhe valeu em 2007 ter sido laureado pela Academia de Letras do Distrito Federal com o título de imortal ocupando a Cadeira Especial de Letras Astrológicas.

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Estrelas esquecidas: a redescoberta do "Astronômica" de Manilius https://cnastrologia.org.br/estrelas-esquecidas-a-redescoberta-do-astronomica-de-manilius/ Wed, 12 Jan 2011 16:46:32 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=826 niversidade de Colúmbia, Nova York, 24-25 de outubro de 2008

Organizado por Katharina Volk ( Columbia ) e Steven Green
( Leeds )

 Roda do zodíaco: mosaico de uma sinagoga do século VI, Beit Alpha, Israel

Uma grande conferência internacional sobre a “Astronômica”, de Manilius, a primeira no mundo de fala inglesa, será realizada na Universidade de Colúmbia entre 24 e 25 de outubro de 2008.

A “Astronômica”, de Manilius é um poema estóico didático sobre Astrologia em cinco volumes; acredita-se que tenha sido composto entre os anos de 9 e 16 d.C. sob Augusto e Tibério. O poema oferece grande oportunidade para um amplo estudo acadêmico em termos de estilo e intertextualidade (NT: um diálogo entre textos), de fundamento filosófico, intelectual e sócio-político. Ainda assim, com poucas e notáveis exceções, o poema foi solenemente ignorado, especialmente pelos acadêmicos de língua inglesa, cujo silêncio poderia sugerir submissão ao antigo ponto de vista de que a “Astronômica” é de difícil leitura e digestão e/ou cheia de contradições e omissões e erros astrológicos.

A conferência quer trazer de volta esse negligenciado poema ao centro acadêmico e reunirá um painel internacional de latinistas, historiadores da ciência e especialistas em recepção para mostrar o autor e sua obra a partir de vários ângulos diferentes.

O encontro será gratuito e aberto ao público. Com exceção dos palestrantes, os demais participantes terão que tomar sua próprias providências quanto às acomodações.

A conferência está sendo patrocinada pela generosidade de Marvin Deckoff.

Se tiver alguma pergunta sobre o encontro, por favor, envie um e-mail para os organizadores nos endereços:

Katharina Volk (kv2018@columbia.edu)
Steve Green (s.j.green@leeds.ac.uk)

Cosmo e império: as digressões de “Astronômica”

(1.758-804, 3.443-482 e 4. 585-805)

Todo acadêmico conhece a importância da digressão na poesia didática, mas, com exceção do epyllion (NT: curto poema épico narrativo) de Andromeda (5.538-618, sobre o qual existe extensa bibliografia) e, em menor escala, a Via Láctea (Landolfi:1990), a digressão dos primeiros quatro livros de “Astronômica” recebeu bem pouca atenção. O objetivo desta tese será propor uma nova interpretação de 1.758-804, 3.443-482 e 4.585-805 (Abry, 2000), primeiro questionando a possível relação com as três grandes realizações do Principado (Romano) de Augusto (o Forum Augustum, o Solarium Augusti, atualmente conhecido como Obelisco de Montecitório, e o mapa do mundo de Agripa, ou “Porticus ad Nationes“), depois argumentando que as digressões dos livros 1 e 4 são formuladas da mesma maneira, com um clímax paralelo entre a “família dos Júlios” e o destino de Roma. Esta análise mostra um grande comprometimento com o discurso de Augusto, ainda que Manilius, ao contrário de Ovídio, não faz menção alguma a esses monumentos. Serão propostas algumas razões para esse silêncio.

Digressões, intertextualidade e ideologia no poema didático: o exemplo de Manilius

Um traço característico do gênero didático é a inclusão de digressões como se fossem peças de um cenário, diferenciadas mais ou menos claramente do material expositivo adjacente. Junto com as passagens descritivas que freqüentemente aparecem no início e no fim de livros ou poemas, tais digressões têm sido normalmente consideradas pelos críticos como floreados ornamentais, feitos para alterar a textura poética do trabalho e para agir como uma espécie de marcador de pontuação, que dá ao leitor ou estudante uma pausa na lição didática. Este ensaio vai argumentar que tais digressões podem na verdade ser vistas como parte da essência ideológica do poema didático, servindo como uma espécie de local de intenso entrosamento intertextual com trabalhos mais antigos da mesma tradição.

Seguindo esta linha de interpretação que vê a intertextualidade como fundamental para a construção de um sentido e a formação e desenvolvimento do gênero, o ensaio vai explorar três passagens dos Livros 1 e 3 da “Astronômica” de Manilius, em relação a uma série de intertextos (textos literários já existentes em relação a outros textos) didáticos. O trabalho começa com uma breve história da civilização, localizada no prefácio ao Livro 1 (66–112). Alguns acadêmicos (como Lühr, 1969, Effe, Romano) observaram conexões literais tanto com “DRN” (“De Rerum Natura“), de Lucrécio, como com as “Geórgicas”, de Virgílio, mas estudos anteriores tinham tendência a considerá-las ecos de um único predecessor didático, interpretando-as como influência direta ou, no máximo, como oppositio in imitando (substituição de um termo original por outro de sentido oposto). Pode se argumentar que variações sobre o tema do “Mito das eras” são básicas e recorrentes no gênero, a partir de Hesíodo, e revelam uma forte tendência ao entrosamento mútuo em um nível ideológico, tanto que a variação de Manilius sobre o tema deve ser compreendida efetivamente como uma resposta a toda a tradição – não apenas aos predecessores imediatos romanos do poeta. Pode-se dizer que Manilius (e seu leitor) receberam o “Mito das eras” de Hesíodo como uma combinação complexa, modificada por camadas cumulativas de comentários adquiridas ao longo dos trabalhos de Empédocles, Aráteno, Lucrécio, Virgílio e Ovídio. Desta forma, a história da civilização serve como um meio para o poeta situar seu trabalho em relação à estrutura moral, filosófica e (num sentido mais amplo) política: a maestria de Manilius na tradição didática surge simultaneamente a e se apresenta implicitamente como análoga à superioridade do mundo físico, empregada pelo deus (estóico) e seus líderes ou chefes como contrapartida terrena.

Uma análise detalhada desta passagem será complementada por uma breve discussão de mais duas digressões. Goold observa, a propósito do último tópico do primeiro livro, cometas e meteoros, que sua “relevância astrológica é insignificante”, ainda que a noção de que cometas possam agir como presságios de desastres dê a Manilius outra oportunidade de um estreito entrosamento intertextual com seus predecessores, em especial com “A peste de Atenas”, de Lucrécio e a parte final das “Geórgicas 1” (Astr. 1.874–926; discussões existentes –Lühr 1973, Landolfi –tende a interpretar também esses ecos em termos tradicionais de influência/reação a modelos específicos). Descrições das estações são outra virtual sine qua non do gênero, representadas em “Astronômica” por uma curta série de vinhetas em 3.625–67: também aqui ecos intertextuais podem ser vistos com complexidade considerável e peso temático que parecem, à primeira vista, uma mera passagem decorativa. Em todos esses casos, a integração que Manilius promove das vozes díspares das tradições pode ser vista como um espelho, em um nível metapoético, refletindo a ordem e a interligação do cosmos descrito pelo poema.

A poética e a política da ausência horoscópica na “Astronômica” de Manilius

Este ensaio argumenta que a dificuldade para se compreender Manilius não é algo que deve nos deixar – a nós, acadêmicos modernos – embaraçados, nem deve ser vista como um obstáculo moderno a ser removido para que se possa descobrir as verdadeiras intenções e lições do trabalho de Manilius. Ao contrário, a dificuldade é essencial em “Astronômica”, ou pelo menos uma importante parte da obra: a inabilidade para compreender a lição está descrita claramente no poema quando ouvimos, pela primeira vez na poesia didática, o leitor/aluno interromper o professor para expressar sua patinação na obscuridade mental (4.387-9). Eu continuo com a argumentação de que essa dificuldade de compreensão é estratégia deliberada que acomoda tanto o desenvolvimento dinâmico do gênero didático como o contexto sócio-político da Astrologia nos primórdios do século I DC, na Roma Imperial.

[tirado de: http://www.solarnavigator.net/history/astrology/sagittarius.htm]

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Astrologia Polar Taoísta Zi Wei Dou Shú https://cnastrologia.org.br/astrologia-polar-taoista-zi-wei-dou-shu/ Wed, 12 Jan 2011 16:45:45 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=824 por Erica Poonam

Esta técnica foi desenvolvida e lançada pela primeira vez pelo Mestre Lu Yen, grande mestre e alquimista taoísta nascido em 798 D.C e também carinhosamente chamado pelos taoístas de Lu Tzu. Ele foi considerado um dos mestres mais importantes da história do Taoísmo. Seus conhecimentos sobre Astrologia estão registrados na coletânea oficial de milhares de obras e textos sagrados dessa tradição. Só os textos mais importantes conseguem estar nessa coletânea, que conta com a versão da Astrologia Polar (Zi Wei Dou Shú) escrita por ele.

Posteriormente esse mestre passou seus conhecimentos a quem é hoje considerado o patriarca desses ensinamentos: o mestre Chen Tuan, nascido no ano 871 – e que viveu pouco mais de cem anos (em 989). Logo após, um outro mestre de grande importância, chamado Bai Yu Chan, — de cuja data de nascimento não se tem notícia, e que viveu até 1229 — ajudou a desenvolver a técnica e a torná-la o que é hoje. Os taoístas conhecem Bai Yu Chan como o mais importante patriarca da tradição da linha da Alquimia do Sul, grande transmissor dos ensinamentos do Feng Shui da escola Chen Ko, e patriarca do “lori fa”, a magia do Trovão.

Essas são as três figuras fundamentais da Astrologia Polar Zi Wei Dou Shú, homens que transmitiram estes importantes ensinamentos herméticos via oral a seus discípulos praticantes taoístas, e que com isso contriburam para o desenvolvimento e chegada desse valioso conhecimento aos dias atuais.

Zi Wei significa Violeta sutil, é a estrela polar da constelação da Ursa Maior e no hemisfério norte ela aparece sempre no centro no céu, ou seja, é uma estrela fixa. A estrela Zi Wei é a referencia principal usada pelos antigos astrônomos chineses, e considerada o centro do Universo, a vibração máxima dessa Astrologia “das estrelas”. Dou significa medida e Shú signica constelações; em termos literais a tradução completa seria “a medida das constelações da violeta sutil”, pois Zi Wei se situa próxima ao pólo norte celestial e lidera as 157 estrelas integrantes deste segmento astrológico. A cor violeta era, e é ainda hoje, muito apreciada pelos mestres taoístas como simbolizando a “consciência mais elevada”.

Toda sua simbologia se baseia nos antigos complexos numerológicos do “I Ching: O Tratado das Mutações”, e contém toda a sabedoria e visão da antiga astronomia chinesa. Sua estrutura e mecânica estão vinculadas ao calendário chinês chamado Huang Li (calendário Amarelo). Seu criador, Huang Di (Imperador Amarelo), foi um dos Fundadores do Taoísmo e, assim como com relação ao calendário chinês, que até hoje é utilizado na agricultura chinesa, Huang Di contribuiu com outros importantes legados do pensamento chinês, dentre eles o “Gang Di Nei Jing” ou “O clássico de Medicina do imperador amarelo”, obra obrigatória para todos os estudantes de Medicina Chinesa.

O calendário do imperador amarelo é composto pelos ciclos do Sol, Lua, planetas e das sucessões das estações, sendo um calendário complexo e ainda hoje dominado por poucos no mundo inteiro.

Todo o princípio e interpretação da Astrologia Zi Wei Dou Shú nasce da compreensão e da relação que o Taoísmo tem a respeito das relações do homem com tudo o que o cerca e da percepção de que somos filhos da união entre o Céu e a Terra, ou seja, somos o próprio caminho do meio.

Por este motivo o Horóscopo Zi Wei Dou Shú é formado pelos 12 ramos da terra (bichos chineses) e os 10 troncos do céu (as energias em constante mutação dos cinco elementos, nas versões Yin / Yang); desse casamento é formada a estrutura básica e a construção do horóscopo, que tem o formato quadrado e divisões setoriais chamadas de palácios.

Ao todo são 12 palácios e mais um décimo terceiro chamado de Corpo, que não tem morada independente nesse sistema e ocupa o mesmo lugar que um dos outros 12 palácios. Este palácio, o Corpo, é considerado o ponto do livre-arbítrio e da escolha consciente do individuo, e o local onde está posicionado na carta astrológica será o ambiente onde o individuo poderá se desenvolver através do exercício da vontade.

A posição e as estrelas do palácio do Corpo nos contarão como e onde obteremos o máximo de nossas capacidades e como transformar nosso destino.

Por não haver um lugar único para o Corpo entende-se que o palácio associado a ele será o local de total identificação e engajamento pessoal da pessoa.

Acredita-se na tradição taoísta que nossa vida é 50 % gerada pelas causas que nos antecedem — e neste caso usam o termo “Céu anterior” para expressar a idéia de Karma e passado; os outros 50 % estão ligados às vibrações que desenvolvemos a partir do processo gestacional, com a recepção do Chi ancestral pelo rim materno e o Chi que recebemos do planeta Terra após nosso nascimento, com nossa primeira respiração (quando oficialmente começamos gradualmente a reconstruir nossa história): para este ponto utilizam o termo “Céu posterior” . Os antigos mestres taoístas estudavam as potencialidades e possibilidades da vida de uma pessoa unindo o entendimento do “céu anterior” com o do “céu posterior”. O passado associa-se à semente do futuro, através do cultivo da consciência no “aqui e agora”.

O estudo do Horóscopo Polar Taoísta, assim como uma bússola, aponta o caminho e a direção a seguir, assim como pormenoriza, com seus 157 arquétipos, momento a momento, ciclo a ciclo, a linha de menor resistência que nossa alma poderá seguir para materializar sua intenção primordial.

Erica Poonam é astróloga polar taoísta e atua no Brasil e no exterior ministrando cursos e aconselhamentos. Mais informações acesse www.ericapoonam.com.br.

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A causa dos planetas https://cnastrologia.org.br/a-causa-dos-planetas/ Wed, 12 Jan 2011 16:44:55 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=822 por Rodolfo Veronese

Este é o meu primeiro texto para o site do CNA. Ele pretendia ser uma introdução ao pensamento astrológico medieval, mas percebi que seria muito mais interessante e proveitoso mostrar no que a Astrologia tradicional pode ajudar a prática moderna, sem que uma deturpe drasticamente a outra. De um texto histórico e filosófico, ele passou a ser essencialmente prático. Depois que o ler, você poderá aplicar esses conceitos em seus mapas e ter insights interessantes sobre a dinâmica de um mapa astrológico. Antes de introduzir o assunto, contudo, cabe aqui salientar uma diferença entre as duas astrologias.

Todos nós aprendemos que o mapa acontece todo ao mesmo tempo. Quando pensamos em termos de Psicologia, isso é verdade. Todos os dias sua Vênus em Aquário baixa na internet discos de bandas de rock alternativas; todos os dias, seu Marte em Libra fica pensando no que seria melhor para o outro antes de escolher para si; invariavelmente, na esfera psicológica os planetas “funcionam” non-stop. Como a Astrologia medieval lida com eventos externos (os famosos “acidentes do nativo”), não é sempre que seu Marte em Libra na Casa sete implicará em brigas com a namorada. Por isso o astrólogo medieval utilizava várias técnicas para saber quando a promessa de ação – representada pelos planetas no mapa natal – seria efetivada. Procuramos saber quando o Marte em Libra será ativado. Em se tratando de eventos, os planetas são como deuses que dormem, e são acordados em épocas específicas para representar o que eles prometem no mapa natal. Existe, contudo, uma maneira de estimar quando um evento se manifestará tardiamente ou não, ou qual é a causa dele. Esta técnica se baseia no conceito de regência, parte fundamental da Astrologia clássica. Vou postar aqui as regências tradicionais:

Câncer – Lua
Gêmeos – Mercúrio – Virgem
Touro – Vênus – Libra
Sol – Leão
Áries – Marte – Escorpião
Peixes – Jùpiter – Sagitário
Aquário – Saturno – Capricórnio

Quando você nota a presença de um planeta dentro de um signo, é comum pensar nas características daquele signo para classificar o modo de ação do planeta. Se eu tenho Marte em Leão, a ação leva tons dramáticos, imponentes, a pessoa é muito preocupada com “honra” na hora de agir, etc. Além disso, contudo, há um conceito muito importante da Astrologia antiga que pode ser usado e tem excelentes resultados. Ele tem sido discutido em maior ou menor grau desde o advento do importante Project Hindsight, uma instituição que visa traduzir textos do período clássico e medieval, a fim de reconstruir o conhecimento filosófico e astrológico da antiguidade. Falo do conceito de “matéria” e “forma”.

Seria óbvio demais somente comentar algo que é muito citado em artigos na comunidade astrológica. Neste artigo, vou mostrar no que consiste esse conceito, para em seguida mostrar sua aplicabilidade. Essa coluna de Astrologia clássica e medieval pretende ser essencialmente prática e fornecer insights para qualquer tipo de Astrologia, seja ela moderna ou não. Ou seja, você pode aplicar esses conceitos em qualquer mapa, para qualquer tipo de técnica.

Voltemos ao Marte em Leão. Marte está no signo regido pelo Sol. O astro rei dispõe do planeta vermelho. Isso significa que você pode estabelecer quatro tipos de relação entre Marte e o Sol nesse mapa:

* Causa Material: Marte é a matéria da qual o Sol é feito, sendo este a forma.
* Causa Eficiente: Marte se tornará aquilo que o Sol representa.
* Causa Formal: o Sol é a causa de Marte.
* Causa Final: Marte existe com os propósitos representados pelo Sol. Em outros termos, Marte existe para o Sol.

Essas expressões são derivadas da filosofia de Aristóteles. Para o filósofo, existem a matéria e a forma. A matéria gradativamente adquire uma forma. Matéria aqui não diz respeito somente a barro, tijolo, plástico etc. Para a nossa prática, a matéria pode ser qualquer coisa: uma situação, um contexto, uma idéia, uma pessoa etc. Essas coisas citadas com o tempo adquirem uma forma: o barro vira tijolo, o tijolo vira casa, a pessoa fica rica, a situação fica problemática, etc. A filosofia de Aristóteles, porém, foge do objetivo deste artigo: vamos portanto nos concentrar na aplicabilidade dos conceitos acima.

Continuando com nosso exemplo, Marte se encontra no signo de Leão. Vamos então posicionar o Sol e Marte em alguma Casa de um mapa hipotético, e assim teremos o exemplo que precisamos para entender os conceitos. Para o nosso exemplo, o Sol está na Casa IV e Marte está na Casa III.

Embora haja inúmeras manifestações desse Marte na Casa III, sejamos simples no exemplo. Tomemos esse planeta como “conflitos com o (um) irmão”. Quando eu expresso essa sentença, eu me sujeito ao desconhecido, pois esse Marte pode representar várias coisas além do irmão conflituoso. A pessoa pode dizer “ora, eu nunca briguei com meu irmão”. Em verdade, esse risco sempre ocorrerá na nossa prática, porém o próprio mapa pode nos auxiliar a estreitar um pouco as possibilidades. Para isso que serve o dispositor de um planeta, objetivo deste artigo.

Você já leu aqui que o Sol tem uma importante relação com Marte. Isso é mais simples do que parece. Simplesmente, as coisas que o Sol representa no mapa da pessoa especificarão aquilo que Marte representa no mesmo. Agora vamos confirmar se a pessoa briga com seu irmão ou não. Como o Sol está na Casa IV, os conflitos na Casa III dizem respeito ao ambiente familiar. Isso nos dá uma segurança maior em afirmar que Marte pode representar conflitos com o irmão, já que o Sol especifica Marte ao ambiente familiar.

Além de o Sol especificar o que Marte representa, ele é a causa marcial. Poderíamos dizer que o dono do mapa brigará com seu irmão devido a questões residenciais (Sol na Casa IV). Disputas de poder pela autoridade dentro da residência, representada pelo Sol, podem gerar conflitos entre irmãos.

Existe uma terceira e mais interessante relação entre o ocupante do signo e seu dispositor. O ocupante, pouco a pouco, se tornará aquilo que o regente representa. O regente da Casa é o vir-a-ser dos seus assuntos. Quem sabe o irmão do nativo morará com ele um dia? Com o passar do tempo, os conflitos com o irmão se tornarão disputas pela autoridade dentro de casa.

Com essa terceira causa, chegamos a uma importante conclusão: apesar de o mapa mostrar todos os planetas juntos, precisamos encontrar uma maneira de saber quando eles se manifestarão. Com tudo o que foi apresentado aqui, percebe-se que o regente de uma Casa sempre mostra o desfecho dos assuntos dessa Casa, enquanto o ocupante mostra o início. Esse conhecimento nos abre um caminho para respondermos à principal diferença entre a Astrologia horária e a Astrologia natal, objetivo do próximo artigo. Até o próximo!

Rodolfo Veronese é astrólogo especializado em Astrologia Medieval.

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Um planeta nunca é o mesmo https://cnastrologia.org.br/um-planeta-nunca-e-o-mesmo/ Wed, 12 Jan 2011 16:44:05 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=820 por Rodolfo Veronese

No artigo anterior, abordei as regências planetárias e o papel do dispositor de um planeta ou Casa na interpretação. Eu o finalizei prometendo explicar no nosso próximo encontro a diferença entre Astrologia Horária e Natal. Não parece, mas isso tem muito a ver com o assunto do texto anterior.

Não sei se você já teve contato com Astrologia Horária. Para saber melhor, leia o artigo de Patrícia Valente, neste mesmo site . Basta dizer que temos uma diferença simples entre Astrologia Natal e Horária: a priorização dos regentes. Se quero saber se uma mulher gosta de mim e se ficaremos juntos, não há coisa melhor do que um mapa horário pra descobrir isso. Monta-se um mapa horário para o momento em que o Astrólogo entende a pergunta. Eu seria representado pela Casa 1 e seu regente, enquanto a mulher pela Casa 7 e seu regente.

O que não foi dito até agora e que tem importância capital é que os resultados do mapa horário dependem basicamente do encontro dos regentes das Casas 1 e 7. Se um vai de encontro ao outro por aspecto, há a possibilidade de que o casal fique junto.

O que seria o regente? O grande responsável pelos assuntos de uma Casa. Como disse no artigo anterior, é o regente que diz o desfecho de um assunto. Planetas dentro da Casa investigada dizem sobre o assunto também, mas eles não têm autoridade para finalizar as coisas. Os regentes têm essa capacidade, eles dirão o fim das coisas, dentro da unidade de tempo que o cliente deseja.

A ênfase nos regentes é típica da Astrologia Horária. Na boa e velha Astrologia Natal, a ênfase é diferente, principalmente aqui no Ocidente. Certa vez, Morin de Villefranche, Astrólogo francês do século XVI, disse uma frase que define isso: “POSIÇÃO É MAIS IMPORTANTE QUE REGÊNCIA”.

Uma frase pequena como essa pode ser interpretada de várias formas, até como um Haikai Zen Budista, mas sejamos simples. Imagine que eu desejo ver assuntos matrimoniais no meu mapa natal. A primeira coisa que temos de analisar é a Casa 7. Segundo Morin, para descobrirmos os assuntos da Casa 7, é mais importante haver planetas dentro dessa Casa (posição) do que analisarmos o regente da Casa 7 (regência). O regente seria importante se a Casa estivesse vazia, mas a presença de planetas dentro dela aponta algo atávico: o planeta dentro da Casa sempre a influenciará!

Se você tem Saturno na casa VII, espere sempre por coisas, eventos e pessoas saturninas nas suas parcerias. Algumas pessoas acham que isso é muito fatalista, mas essa opinião revela um entendimento errado da Astrologia. Saturno não significa somente coisas ruins. Além disso, as interpretações do mapa natal são atualizadas anualmente pela Revolução Solar, um mapa calculado para o dia em que o Sol volta ao mesmo grau e minutos natais que ocupava no mapa natal. Ou seja, as coisas sempre mudam, mas sempre serão saturninas, porque você tem saturno na Casa VII. Parece um grande paradoxo, mas segundo a Astrologia tradicional você pode esperar coisas que sempre se repetirão na sua vida – mas de maneira diferente.

A pessoa com Saturno na Casa VII tem questões matrimoniais que serão sempre atualizadas de acordo com o estado cósmico de Saturno na Revolução do ano em que analiso. Se Saturno estiver em bom estado cósmico na Revolução, os relacionamentos fluem melhor. Isto porque ele está na Casa VII natal, e segundo Morin um planeta nunca se esquece da sua determinação local natal. Na minha experiência, aliás, ter Saturno em bom estado na Revolução é apenas uma das coisas que seriam esperadas num ano bom para relacionamentos. Existem muitas configurações que podem ajudar, não sendo necessário apenas um planeta tão lento como Saturno chegar nos seus domicílios para se expressar de um modo mais positivo. Se a Casa VII da Revolução estiver em bom estado, estaremos mais seguros em julgar que não haverá graves intercorrências nos relacionamentos.

O próximo artigo revelará um grande segredo que ajudará muito o leitor. Vamos descobrir um ritmo secreto contido no mapa natal – as profecções.que estamos Elas são fundamentais para avaliarmos qualquer área da vida no ano eventualmente estudando. Até mais!

Rodolfo Veronese é astrólogo especializado em Astrologia Medieval.

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Apresentando uma técnica antiga e útil https://cnastrologia.org.br/apresentando-uma-tecnica-antiga-e-util/ Wed, 12 Jan 2011 16:43:08 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=818 por Patrícia Valente

Algumas pessoas já ouviram falar em Astrologia Horária, outras ainda não tiveram essa oportunidade. Este artigo pretende apresentar uma visão geral de mais este tema da Astrologia.

A Astrologia Horária é parte integrante da Astrologia Tradicional, cujo principal enfoque é previsional. Esta última era bastante praticada até o início do séc. XX, apesar de sua atuação necessariamente discreta e clandestina.

A Astrologia foi para a clandestinidade por conta de correntes filosóficas surgidas em fins do séc. XVII como o Empirismo, o Racionalismo cartesiano e o Positivismo. Seu ressurgimento das sombras deu-se somente no final do séc. XIX.

A Astrologia Horária ficou bastante conhecida através de William Lilly (1602-1681), médico e Astrólogo inglês que em 1651 previu a Peste de 1665 e o grande incêndio de Londres de 1666. A cidade teve sua maior parte consumida pelas chamas em apenas quatro dias. Por conta da previsão do incêndio, ele foi considerado suspeito e levado aos tribunais para se explicar sendo absolvido no final.

William Lilly foi autor da obra “Astrologia Cristã”, de 1655 e é considerado o principal expoente da Astrologia Horária. Na década de 1980 a Astróloga inglesa Olívia Barclay descobriu na Biblioteca de Londres um original desse livro e resgatou a prática da Horária.

Segundo Nicholas Devore, a Astrologia Horária é a arte de interpretar a relação existente entre os fenômenos gerados pelos movimentos dos corpos celestes e uma situação, evento ou pensamento.

A Horária responde apenas a questões concretas, objetivas e definidas. Nesta técnica não cabem interpretações psicológicas ou julgamentos morais. Os fatos predominam. É indicada para responder perguntas como mudar ou não de residência, comprar ou não um imóvel, saber de objetos perdidos ou pessoas desaparecidas, entre outras.

Para gerar um Mapa Horário não é preciso saber o horário de nascimento do cliente, o que facilita muito a consulta. O mapa é gerado a partir do dia, mês, ano, hora e local em que surgiu a pergunta ou dúvida para o cliente. De posse desse mapa o Artista, nome dado ao Astrólogo que pratica essa técnica, faz a interpretação. Chamamos de Arte a própria Astrologia Horária.

As ferramentas da Astrologia Horária são praticamente as mesmas da Astrologia praticada modernamente: Casas, Planetas, Signos, Aspectos, Dignidades e Debilidades Planetárias e Estrelas Fixas.

Essa técnica possui inúmeras e peculiares regras, porém simples e de fácil compreensão. A ênfase da interpretação é dada à Casa I ou Ascendente e à Casa relacionada ao tema da pergunta. Fazem parte dessa análise seus regentes, sua condição celeste e os aspectos que fazem e recebem.

À medida que nos aprofundamos no estudo de técnicas como as da Astrologia Horária, mais agregamos ao conhecimento da Astrologia moderna praticada por nós, Astrólogos do séc. XXI.

O tema é vasto, rico e contém inúmeras informações que não foram mencionadas neste artigo. Assim, sugerimos que aquele que se interessar aprofunde-se no estudo e na pesquisa dessa fantástica ferramenta astrológica.

Patrícia Valente é astróloga credenciada da Astrobrasil, professora da Escola Régulus, pós graduada em Marketing Industrial e Comunicação Social.

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