Internacionais – CNA Central Nacional de Astrologia | Hub > Conteúdo > Pesquisa > Estudos https://cnastrologia.org.br Unindo céus e terras e compartilhando saberes Thu, 27 Jan 2011 16:09:23 +0000 pt-BR hourly 1 https://cnastrologia.org.br/wp-content/uploads/2024/11/cropped-favi-32x32.jpg Internacionais – CNA Central Nacional de Astrologia | Hub > Conteúdo > Pesquisa > Estudos https://cnastrologia.org.br 32 32 Um pequeno ponto azul https://cnastrologia.org.br/um-pequeno-ponto-azul/ Thu, 27 Jan 2011 16:09:23 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1091 Quando a nave Pioneer ultrapassava Netuno, fez uma foto do planeta Terra como um pequeno ponto azul no espaço. O astrônomo Carl Sagan, conhecido por sua dedicação à busca de vida extraterrestre, escreveu então o texto narrado em vídeo, com legenda espanhol que pode ser assistido clicando aqui.

]]>
Eclipse, "as andorinhas" e Círculos Ingleses – Cosmo e Cultura nos Campos de Trigo https://cnastrologia.org.br/eclipse-as-andorinhas-e-circulos-ingleses-cosmo-e-cultura-nos-campos-de-trigo/ Thu, 27 Jan 2011 14:52:29 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1076 Todo verão, o sudoeste da Inglaterra é inundado por um fenômeno mágico e maravilhoso conhecido como os “círculos ingleses” ou “círculos de plantações”. Documentados desde o século XVII, desde então esses círculos desafiam os pesquisadores. Considerados pela maioria como embustes, o fato é que, enquanto alguns podem muito bem ter sido feitos com cordas e pranchas, outros são tão grandes, tão perfeitos e misteriosos em sua geometria e surgem tão rapidamente que deixam os observadores menos preconceituosos admirados e surpresos.

Independentemente da natureza de seus criadores, esses círculos são um elemento cultural do verão inglês. Eles mudam de ano para ano, mas neste verão em particular surgiu uma coleção de círculos astronômicos indicativa da atual temporada de eclipses [1].

Figura 1. Formação (esquerda) em Winterbourne Bassett, Inglaterra, em 18 de junho, provavelmente representando um eclipse, solar ou lunar. Formação (direita) em East Kennett, Inglaterra, em 7 de julho, parece reproduzir a hora certa do eclipse lunar que ocorrerá em 16 de agosto de 2008.

O primeiro destes círculos [2] surgiu em Winterbourne Bassett, Inglaterra, em 18 de junho (figura 1). Era tosco, o que sugeria não ter sido feito por “artistas de círculos”, e parecia mostrar a imagem de um eclipse. Se considerarmos que o círculo maior pode ser o Sol com o círculo luminoso ao seu redor, isso pode ser o eclipse solar total do dia 1º. de agosto de 2008. Se o círculo maior for a sombra da Terra e o menor, a Lua passando pela sombra, então poderia ser o eclipse lunar que ocorrerá em 16 de agosto de 2008. Com uma diferença de poucas semanas do surgimento desses círculos de plantações, o tema eclipse começou a crescer, sendo que o melhor exemplo foi uma formação em East Kennet, Inglaterra, em 7de julho, que mostra “40 dias ou dois meses maias” até o eclipse quase total da Lua em 16 de agosto de 2008 [3].

Possivelmente para reforçar a mensagem maia desse círculo, em 15 de julho, em Avebury Manor, Wiltshire, os “artistas de círculos” fizeram então o que é praticamente a assinatura padrão dos Maias – um círculo que seria um planetário na plantação de trigo, mostrando a orientação do sistema solar para a data de 21 de dezembro de 2012 (figura 2).

 Um círculo simbolizando o planetário de 21 de dezembro de 2012 parece uma referência às crescentes preocupações com relação a esse ano de 2012. Na raiz dessas preocupações está o fim de grande ciclo, de acordo com o calendário maia. Esse calendário inclui o grande ciclo de precessão em que o pólo norte celestial faz lentamente uma rotação completa através da elipse – o que leva 26 mil anos. Em 2012, a estrela polar Polaris estará em sua maior proximidade com o ponto exato do pólo norte celestial. As estrelas polares são raras – a última delas, Thuban na constelação de Draco, foi aproximadamente em 2790 a.C. Aparentemente, este alinhamento do pólo com a estrela Polaris marcaria, para os Maias, início e fim de seu grande ciclo.

Muitas pessoas acreditam que isso pode ser apocalíptico, mas deve-se lembrar que, como ocorre com todos os ciclos, eles não têm margens precisas – tendem a se formar lentamente a cada nova etapa. Dessa maneira, o chamado término pode levar milhares de anos para se manifestar.

Aqui, o artista de círculos apreende o interesse cultural da data – um fenômeno universal e cultural nos campos perto de Avebury, no Reino Unido, e provavelmente uma sugestão de que o círculo de eclipse é realmente baseado no sistema do calendário maia.

Figura 2. Formação em Avebury, Reino Unido, em 15 de julho, mostra o sistema solar em 21 de dezembro de 2012.

E quais são os eclipses deste período que alguém parece querer reproduzir nas plantações?

Os eclipses de agosto de 2008

O período de julho e agosto de 2008 produziu um eclipse solar a 100 de Leão em 1º. de agosto. Ele é da série Saros 10 Sul, que começou em 10 de março de 1179 e não terminará antes de 13 de abril de 2423. Esta série, baseada no mapa “natal”, aparece em “Predictive Astrology, the Eagle and the Lark” assim:

Esta série Saros está relacionada com o rompimento de uma situação muito negativa, em que não há esperança à vista, para um espaço mais positivo com muitas opções à disposição. Uma preocupação que pode estar afetando uma pessoa subitamente desaparece. [4]

Este tema já começa a aparecer com o ex-líder sérvio, Radovan Karadzic, que viveu escondido durante os últimos 13 anos, sendo descoberto e levado a julgamento. Em um nível mais pessoal, muitos clientes relataram que velhos problemas, grandes e pequenos, estão reaparecendo, mas com clareza e soluções. No entanto, este não é o tema dos campos de trigo do Oeste da Inglaterra.

O eclipse lunar de 16 de agosto de 2008

O eclipse lunar de 16 de agosto será a 240 de Aquário e pertence à série Saros lunar classificada com o número Van Den Berg 138. Esta série começou em 5 de outubro de 1503. [5]

O primeiro eclipse, em 1503, ocorreu com a Lua localizada na constelação babilônia das “Andorinhas”, que agora conhecemos como os peixes da constelação do mesmo nome.

Figura 3. A série de eclipses lunares começa (5 de outubro de 1503) com um nas estrelas de Peixes, conhecidas como “The Swallows”, ou “As Andorinhas” (esquerda). Em 10 de julho, em Alton Priors, Wiltshire, surgiu uma formação com seis pássaros – andorinhas – que se expandiu em 22 de julho para um grupo de doze andorinhas.

Em 10 de julho de 2008, um belo círculo apareceu nas montanhas ao redor de Alton Priors, no Reino Unido, e foi chamada pelos colecionadores de imagens de “As Andorinhas”. Há nele seis andorinhas. Em 22 de julho, no entanto, o círculo tinha crescido e já continha doze andorinhas. Essa formação tinha mais de 100 metros de largura por 150 de comprimento e levou ônibus cheios de turistas estrangeiros atrás de sua beleza. Eu visitei o local e tive a felicidade de ver andorinhas mergulhando para um vôo baixo sobre os “rios” de trigo achatado.

Vários sites sugeriram que essa enorme formação tem ligação com os eclipses de agosto. Esta conexão tríplice, no entanto, entre eclipse, sua origem com “as andorinhas” no céu em 5 de agosto de 1503 e a formação do círculo da plantação é provavelmente mais sincronia do que planejamento. Levou-me, no entanto, a uma jornada de pesquisas sobre a série lunar Saros. Para mim, quem está “falando” é o espírito da época.

A série lunar Saros no. 138

A série, como a dos eclipses solares, produzirá um novo eclipse lunar a cada 18 anos, 9 ou 12 dias (dependendo do número de anos bissextos que ocorrerem nesse tempo). Cada eclipse ocorrerá em 11 ou 12 graus ao longo dos graus zodiacais. No início da série, os eclipses lunares (a posição da Lua cheia) ocorrem em frente ao Nodo em trânsito (a maior longitude zodiacal), mas, a cada ocorrência, a órbita diminui em cerca de meio grau. Assim, os eclipses lunares lentamente se tornam totais e depois se movem até parciais até completar, ao final, fazendo com que a série se estenda por um período de 1481 anos.

Datas das séries lunares Saros *(Van Den Berg no.138).

1503- 5 out
1521-15 out
1539-27 out
1557-6 nov
1575-18 nov
1593-8 dez
1611-19 dez
1629-30 dez
1648-10 jan
1666-20 jan
1684-1 fev
1702-12 fev
1720-23 fev
1738-6 mar
1756-16 mar
1774-27 mar
1792-7 abril
1810-19 abril
1828-29 abril
1846-11 maio
1864-21 maio
1882-1 jun
1900-13 jun
1918-24 jun
1936-4 jul
1954-16 jul
1972-26 jul
1990-6 agos
2008-16 agos
2026-28 agos
2044-7 set
2062-18 set
2080-29 set
2098-10 out
2116-21 out
2134-2 nov
2152-12 nov
2170-23 nov
2188-4 dez
2206-16 dez
2224-26 dez
2243-7 jan
2261-17 jan
2279-28 jan
2297-8 fev
2315-20 fev
2333-2 mar
2351-13 mar
2369-24 mar
2387-4 abril
2405-14 abril
2423-26 abril
2441-6 maio
2459-17 maio
2477-28 maio
2495-8 jun
2513-19 jun
2531-30 jun
2549-11 jul
2567-22 jul
2585-1 agos
2603-13 agos
2621-24 agos
2639-4 set
2657-14 set
2675-26 set
2693-6 out
2711-18 out
2729-28 out
2747-9 nov
2765-19 nov
2783-30 nov
2801-11 dez
2819-22 dez
2838-1 jan
2856-13 jan
2874-23 jan
2892-3 fev
2910-15 fev
2928-26 fev
FINAL

Venenos, papas e poder – o primeiro eclipse

Outubro de 1503 foi uma época de intrigas no Vaticano. O papa Alexandre VI morreu, provavelmente envenenado, e o recém-escolhido papa Pio III morreu dez dias depois de sua sagração. Nessa época de revoltas, o cardeal Della Rovere, sedento de poder, conseguiu através de hábil diplomacia enganar o fragilizado colégio de cardeais e conquistou seu apoio.

Figura 4 – mapa original de 5 de outubro de 1503, segundo a Série lunar no.138.

Della Rovere foi eleito para a dignidade papal com o voto quase unânime dos cardeais. Ele se tornou o papa Júlio II e seu papado foi marcado por uma política externa agressiva, ambiciosos projetos arquitetônicos e apoio às artes e à literatura. Em 1506, ele colocou a pedra inaugural da nova Basílica de São Pedro em Roma e Michelangelo pintou, a seu pedido, o teto da Capela Sistina.

O primeiro eclipse lunar da série revela uma grande cruz cardinal com um quadrado partir ou exato entre Netuno e o eclipse e uma combinação Marte-Júpiter-Saturno.

Assuntos ligados a venenos, arte, poder militar-religioso e intrigas no Vaticano ou entre as paredes do poder todos parecem se encaixar confortavelmente no mapa. Por ser o mapa do “nascimento” de uma série de eclipses, no entanto, creio que passa a permear toda a série.

Podemos seguir o tema através da história ao observar eventos em épocas de outras ocorrências de eclipses da série. Aqui estão alguns exemplos interessantes:

Junho de 1900 – A Revolução Boxer na China – a China em conflito com os ocidentais

13 de junho de 1900 – Esta foi a época da Revolução Boxer na China, quando tropas da Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Império Austro-Húngaro, Espanha, Bélgica, Holanda, Estados Unidos, Rússia e Japão ficaram cercadas em uma área perto da Cidade Proibida, em Pequim, e os governos provincianos chineses declararam guerra a todos os ocidentais e cristãos da cidade.

Figura 4 – (esquerda) Um revolucionário da Revolução Boxer (1900) com a bandeira do exército imperial em guerra com TODOS os estrangeiros; e (direita) um chinês membro da organização da Olimpíada com a bandeira dos jogos.

Esta mesma série ligada à Revolução Boxer, quando os chineses declararam Guerra a todas as nações ocidentais, está agora de volta. Com os chineses comandando os Jogos Olímpicos, equipes de atletas de todos os países do mundo “invadem” a China que, mesmo sendo a anfitriã, está abertamente em “conflito” com eles para ganhar medalhas.

A divisão do Vietnã e sua reunificação, em 1972

A série também ocorreu no meio de julho de 1954 e foi nesse momento que a Conferência de Genebra dividiu o Vietnã em dois países, um ao Norte e um ao Sul. Essa divisão se manteve até a ocorrência seguinte na série, em 26 de julho de 1972, quando os últimos soldados dos Estados Unidos deixaram o Vietnã no dia 25 de julho de 1972.

A Guerra do Golfo – a última ocorrência da série de eclipses

A última ocorrência desta série foi em 6 de agosto de 1990, data em que o Iraque invadiu o Kuwait, o que levou à primeira guerra no Golfo e deu início a um conflito ainda não encerrado no Iraque. Um momento de confronto militar agravado pela cobiça pelo petróleo que arrastou muitos países para o conflito.

Ao mesmo tempo – e um tanto ignorado pela imprensa mundial, ocupada com a guerra no Golfo -, houve o anúncio feito pelos alemães de que as Alemanhas Oriental e Ocidental seriam reunificadas para voltar a ser um país.

O próximo eclipse lunar

Há muitas outras ocorrências em eclipses que não incluem morte de papas, divisão ou reunificação de nações ou grande ênfase em arte e literatura. Se considerarmos, no entanto, os círculos das plantações (não importa sua origem) como uma expressão de um assunto ou idéia do coletivo, do espírito da época atual, isso sugere um foco nessa expressão em particular. Há ainda outro aspecto interessante neste eclipse. Se olharmos os mapas do céu durante o eclipse original de 1503 e compararmos com o céu no momento do próximo eclipse – 16 de agosto de 2008 -, perceberemos algumas semelhanças interessantes. Ambos eclipses têm Netuno e Urano no mesmo ponto entre estrelas. (ver figura 5).

Figura 5 – Acima – o mapa do céu no primeiro eclipse lunar desta série, com Netuno se aproximando das estrelas de Capricórnio e Urano entre as estrelas de Aquário. Abaixo – o mapa do céu no próximo eclipse lunar de 16 de agosto de 2008, mostrando posições semelhantes de Netuno e Urano.

Intriga em meio ao poder

Os Jogos Olímpicos da China vão – acredito eu – acolher a natureza conflituosa deste eclipse, em particular a ligação com a Revolução Boxer. É possível, no entanto, que neste verão (no Hemisfério Norte) possamos ver o retorno de algum tipo de intriga papal, algum mistério no Vaticano ou alguma intriga entre outros círculos de poder.

Neste momento, o papel de primeiro-ministro britânico repousa desajeitadamente sobre os ombros de Gordon Brown. Além disso, podemos apenas imaginar temas ligados ao poder na dinâmica do sistema político americano, com um presidente de saída e dois pretendentes ao cargo. Ou será que o retorno de um eclipse das “Andorinhas” poderá trazer uma nova divisão ou reunificação de nações? Afinal, as “Andorinhas” em todas as suas versões são tradicionalmente dois animais – sejam pássaros ou peixes – se movimentando em direções contrárias, mas mantidos juntos pela estrela Al Rescha.

Os círculos de plantações talvez nem saibam, mas podem ser símbolos válidos de coisas que vão ocorrer – vamos esperar para ver o que trará o eclipse lunar das Andorinhas.

1. Círculos de plantações também foram documentados na Coréia – com ênfase astronômica e lunar.

2. As imagens dos círculos ingleses vieram do site www.cropcircleconnector.com, acessado em 30 de julho de 2008.

3. www.cropcircleconnector.com/2008/eastkennett/eastkennett2008a.html acessado em 30 de julho de 2008

4. Brady, Bernadette (1992, 98). Predictive Astrology, the Eagle and the Lark. Samuel Weiser; Maine, USA. pg 323. Toda a série solar Saros foi astrologicamente representada neste texto.

5. Informações sobre a série de eclipses lunares no site http://eclipse.gsfc.nasa.gov/LEsaros/LEsaros138.html accessed 30 July 2008.

* As séries Saros surgiram na Babilônia e possuem 70 eclipses cada. Começando em um dos pólos da Terra, seguindo até o outro. Os eclipses iniciam parciais e, à medida que se aproximam da linha do Equador, tornam-se totais. Quando aproximam-se do Pólo oposto, voltam a tornar-se parciais. No caso dos eclipses solares ainda existem os do tipo anulares. Eclipses da mesma série Saros ocorrem em média a cada 18 anos. (NT)

]]>
Vênus e as eleições presidenciais nos Estados Unidos https://cnastrologia.org.br/venus-e-as-eleicoes-presidenciais-nos-estados-unidos/ Thu, 27 Jan 2011 14:50:02 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1070 Nesta edição, apresentamos a tradução na íntegra do último número do informativo ‘Astrologia Visual’ , de autoria de uma das maiores estudiosas contemporâneas das estrelas: Bernadette Brady. Os que estiverem interessados em saber mais sobre a autora, sobre o programa para cálculos Starlight ou ainda em receber sua newsletter inteiramente grátis, cliquem aqui

Sob o brilho de Vênus – um panorama astrológico das eleições presidenciais dos EUA e sua auto-imposta ligação com Vênus

Bernadette Brady M.A.

Os sistemas políticos bipartidários modernos poderiam parecer estranhos aos olhos do sacerdote-astrólogo da Mesopotâmia. Eles não estranhavam, no entanto, a noção de rivais procurando derrubar o rei e, assim, poderiam considerar o sistema bipartidário como um reino dominado por duas famílias em guerra, cada uma reclamando diferentes níveis de poder em épocas diferentes. Mas nossos antigos antepassados da astrologia teriam esquentado essa luta política nos EUA porque, ao contrário de outros países, as eleições presidenciais americanas têm estado ligadas por lei involuntariamente ao sempre importante e poderoso ciclo de Vênus. Este é um conceito que eles teriam considerado bastante lógico, já que permite ao partido ou à facção que receba as bênçãos de Vênus para ganhar a regência do reino. Vênus era a única deidade feminina em sua visão de mundo, e o poder dela, que era considerável, era sua capacidade de conceder brilho a qualquer estrela ou planeta próximos. Se o rei recebesse essa bênção, ele estaria protegido e fortalecido. Se, no entanto, ela preferisse dar a bênção ao seu opositor, o rei seria derrubado.

A adoção do ciclo de Vênus nos EUA

Acontece que o mandato de presidente nos EUA foi fixado, pelos fundadores da nação, em quatro anos, de maneira que, a partir de 1792, as eleições presidenciais foram realizadas a cada quatro anos, ocorrendo sempre em um ano divisível por quatro. Na época, a data das eleições nos diferentes Estados podia variar, desde que ocorresse em um período máximo de 34 dias antes da primeira quarta-feira de dezembro [1]. À medida que o tempo foi passando, no entanto, e as comunicações entre os Estados aumentando, ficou claro que os candidatos tinham vantagem em alguns Estados por terem vencido, anteriormente, em outros. Foi em decorrência que, em 1845, foi decidido que as eleições presidenciais a cada quatro anos ocorreriam no mesmo dia em todo o país. A data marcada foi a primeira terça-feira de novembro, o que entrelaçou o evento ao interessante ciclo de Vênus [2].

A cada oito anos Vênus retorna ao mesmo ponto no céu. Veja os planetas na época do seu aniversário de oito anos e perceberá que Vênus está perto do mesmo grau do Zodíaco de quando você nasceu. O mesmo ocorre no seu 16º. aniversário, no 24º. e assim por diante. Este ciclo regular de Vênus, quando ligado às eleições presidenciais americanas a cada quatro anos, significa que a cada segunda eleição consecutiva Vênus estará no mesmo ponto do Zodíaco. Na verdade, de uma eleição para outra, Vênus simplesmente alterna dois pontos zodiacais, desde 1792. Estes dois pontos são os primeiros graus de Libra e os graus médios de Sagitário.

Acrescente-se a isso o fato de que as eleições estão presas a um calendário: elas ocorrem entre os dias 2 e 8 de novembro – , e por isso o Sol, em todas elas, está nos graus médios de Escorpião. Quando se combina esses dois ciclos: as eleições a cada quatro anos e uma data a cada quatro anos -, Vênus, em qualquer eleição, terá apenas um entre dois aspectos com o Sol: ou estará em Sagitário, com uma boa distância do Sol, podendo ser vista como uma brilhante estrela vespertina; ou em Libra, também com uma boa distância do Sol, e então sendo vista como uma brilhante estrela matutina.

Eleições com estrela matutina ou eleições com estrela vespertina

Para o astrólogo/sacerdote da corte mesopotâmica essas eleições estabelecidas segundo um calendário de quatro anos foram feitas sob encomenda para Vênus. Com o alinhamento perfeito entre as duas, eles teriam considerado que a ligação era intencional e afortunada, e levaria Vênus a ser a deidade a escolher o vencedor, lançando seus raios sobre planetas vizinhos que representassem o rei ou seus inimigos. Quanto mais brilhante estivesse, maiores as boas graças que ela concederia e, com o sistema eleitoral americano, Vênus brilha em todas as eleições e poderá e irá conceder sua força e imprimatur (aprovação) ao rei ou ao seu rival na corte. Assim, o astrólogo/sacerdote, refletindo sobre essa disputa, gostaria de saber se Vênus era, antes de tudo, uma estrela matutina ou vespertina, pois isso muda a natureza de suas graças e, em segundo lugar, investigar a quem ela concedeu poderes com seus raios.

Classificação das eleições

A seguir, as datas das eleições foram divididas em Eleições de estrela matutina, com Vênus nos primeiros graus de Libra, ou Eleições de estrela vespertina, com Vênus nos graus médios de Sagitário.

Eleições de estrela matutina – os vencedores Vênus nos primeiros graus de Libra Eleições de estrela vespertina – os vencedores Vênus nos graus médios de Sagitário
Franklin Pierce 2 Nov 1852 Zachary Taylor 7 Nov 1848
Abraham Lincoln (1o. mandato) 6 Nov 1860 James Buchanan 4 Nov 1856
Ulysses Grant  (1o. mandato) 3 Nov 1868 Abraham Lincoln (2o. mandato) 8 Nov 1864
R. Hayes 7 Nov 1876 Ulysses Grant  (2o. mandato) 5 Nov 1872
Grover Cleveland (1o. mandato) 4 Nov 1884 James Garfield 2 Nov 1880
Grover Cleveland (2o mandato) 8 Nov 1892 Benjamin Harrison 6 Nov 1888
William McKinley (2o. mandato) 6 Nov 1900 William McKinley 3 Nov 1896
William Taft 3 Nov 1908 Theodore Roosevelt 8 Nov 1904
Woodrow Wilson (2o. mandato) 7 Nov 1916 Woodrow Wilson 5 Nov 1912
Calvin Coolidge 4 Nov 1924 Warren Harding 2 Nov 1920
Franklin D Roosevelt (1o. mandato) 8 Nov 1932 Herbert Hoover 6 Nov 1928
Franklin D Roosevelt (3o. mandato) 5 Nov 1940 Franklin D Roosevelt (2o. mandato) 3 Nov 1936
Harry Truman 1 Nov 1948 Franklin D Roosevelt (4o. mandato) 7 Nov 1944
Dwight Eisenhower (2o. mandato) 6 Nov 1956 Dwight Eisenhower 4 Nov 1952
Lyndon Johnson 3 Nov 1964 John F Kennedy 8 Nov 1960
Richard Nixon (2o. mandato) 7 Nov 1972 Richard Nixon 6 Nov 1968
Ronald Reagan (1o. mandato) 4 Nov 1980 Jimmy Carter 2 Nov 1976
George Bush 8 Nov 1988 Ronald Reagan (2o. mandato) 6 Nov 1984
Bill Clinton (2o. mandato) 4 Nov 1996 Bill Clinton 3 Nov 1992
George W Bush 2 Nov 2004 George W Bush 7 Nov 2000

Vênus como estrela matutina favorece aquele que detém a coroa

Vênus como estrela matutina era considerada mais independente, com desejo de trabalhar sozinha ou de conceder benefícios cheios de impulsividade, precipitação ou liberdade de pensamento. Geralmente isso não favorece um trabalho político em rede e acertos atrás das portas, necessários a um rival para chegar ao poder. Por isso, é raro que o rei ou o herdeiro escolhido pelo rei percam poder em uma eleição de estrela matutina. Houve no entanto duas datas desde 1900 quando isso aconteceu: na primeira eleição de Franklin D. Roosevelt, em 1933, quando ele tirou a Casa Branca das mãos dos republicanos (oponentes), e Ronald Reagan, em 1981, quando ele venceu os democratas. Todas as demais eleições, desde 1900, que tiveram Vênus como estrela matutina, resultaram em zero mudanças na “família” que ocupava a Casa Branca.

Os dois únicos desafios bem-sucedidos ao “trono” desde 1900 em eleições com estrela matutina

Franklin D Roosevelt, em 1933
Vênus iluminava Júpiter e Marte, com
a estrela-rainha Regulus.
Ronald Reagan, em 1981
Vênus iluminava a Lua, Saturno e Júpiter.

Vênus como estrela vespertina favorece aquele a quem ela ilumina

Este é o tipo de eleição que tem grande possibilidade de mudança de quem detém o poder na corte. A situação não garante a mudança, mas, como uma estrela vespertina, Vênus é muito mais ativa em termos de rede e cooperação em trabalho de equipe e, portanto, suas bênçãos estão mais de acordo com a natureza da política, concedendo potencialmente ao rival sorte e habilidades necessárias ao sucesso. O candidato simbolizado pelo planeta ou estrela que recebe a luz da brilhante estrela vespertina tende a alcançar a vitória.

Vênus favorece o rival: um olhar sobre outras eleições com estrela vespertina

 O acadêmico chega ao trono – Júpiter e Mercúrio

Em 1912 Woodrow Wilson concorreu à Casa Branca pelos democratas, numa eleição sob a estrela vespertina, enquanto Vênus iluminava Júpiter e Mercúrio (ver imagem à direita). Ele era um acadêmico que, dois anos antes, se tornara presidente da Universidade de Princeton. Aqui, Vênus favoreceu o estudioso, o erudito. O Sol, que sempre simboliza o rei ou, neste caso, o partido dominante, estava conjunto a Marte (no alto da constelação de Libra) e os republicanos (partido dominante) estavam sendo destroçados por um racha entre Roosevelt e Taft.

 O rei morre em um eclipse e o editor (Mercúrio) vence

Em 1920 Warren Harding recuperou a Casa Branca para os republicanos numa eleição sob a estrela vespertina. Vênus iluminava Mercúrio (ver imagem à direita) – Warren Harding era um editor em uma pequena cidade, um reflexo da associação Vênus/Mercúrio – enquanto, ao mesmo tempo, o rei (Sol) estava a 3 graus do eixo nodal; e era temporada de eclipses, o que significava um momento de ameaça mortal ao rei

Vitória do soldado (Marte) , enquanto o rei está machucado…

Em 1952 Dwight Eisenhower, o bem-sucedido general da Segunda Grande Guerra, recuperou a Casa Branca para os republicanos, numa eleição sob a estrela vespertina, quando Vênus iluminava Marte e Mercúrio (ver imagem abaixo), enquanto Saturno (outro indicador do rei) estava em conjunção com Netuno (Saturno e Netuno estão um pouco acima de Spica), uma combinação que refletiu a aposentadoria do presidente democrata Harry S. Truman e sua decisão de não concorrer a um segundo mandato.

O herdeiro do trono assume o trono (Júpiter), enquanto o rei está confuso.

Em 1960 ocorreu a eleição seguinte sob a estrela vespertina, quando John F. Kennedy foi em busca da Casa Branca para os democratas. Na época, Vênus iluminava Júpiter, como na vitória de Woodrow Wilson. Com Wilson, o simbolismo de Júpiter era sua formação acadêmica; com Kennedy era sua juventude, seu título extra-oficial de “herdeiro do trono”, quando comparado a seu oponente, Richard Nixon, um republicano linha-dura e anticomunista. Ao mesmo tempo, o Sol (o herdeiro do rei, que era, naquele momento, o Partido Republicano) estava sentado com Netuno numa situação parecida com a que deu a vitória a Eisenhower contra os democratas. Isso também pode ser visto em relação a Kennedy, que usava o novo meio de comunicação (televisão) pela primeira vez, e o herdeiro do rei não.

Saturno empurra o antigo herdeiro – Lyndon Johnson – para o lado

Em 1968, ocorreu outra eleição sob a estrela vespertina e, desta vez, Vênus, brilhante e dominando o céu, cedeu sua posição no céu noturno apenas a Saturno (ver a imagem abaixo, Saturno e Vênus são os dois únicos planetas no céu noturno). Agora, Vênus concedia suas bênçãos ao republicano “duro na queda” e anticomunista Richard Nixon, que assumiu o trono para os republicanos, enquanto o Sol tentava fugir de Netuno (não aparece).

O sulista assume, graças ao voto negro (Netuno iluminado)

 Em 1976, a eleição seguinte sob a estrela vespertina ocorreu com Vênus iluminando Netuno (ver à direita) e um sulista democrata chegou à Casa Branca. Jimmy Carter, com um imenso apoio dos Estados negros do Sul, chegou em Washington como um forasteiro. Seu opositor, o presidente Gerald Ford, que concorria à reeleição, era o Sol cercado por Marte e Urano – símbolos do rei enfrentando problemas sérios.

 Vênus assume a Casa Branca

Foi Bill Clinton que venceu a eleição seguinte sob a estrela vespertina, em novembro de 1992, e removeu o republicano George Bush. Nessa eleição, Vênus brilhava no céu e só iluminou Mercúrio (seu parceiro freqüente no céu), portanto parece que se concentrou naquele que tinha um mapa natal regido por Vênus e que era famoso pelo charme.

 Vitória do corajoso: Plutão é iluminado por Vênus

Na eleição seguinte sob a estrela vespertina, “Bush, o jovem”, G. W. Bush, retomou o lugar do pai em 7 de novembro de 2000. Foi uma eleição disputada e, com Vênus iluminando Plutão, ela abençoou o que tinha mais dinheiro, mais poder, mais advogados e mais força

[Nota de interesse: das 28 eleições presidenciais desde 1900, em dez ocorreram mudanças no partido governante e, entre estas dez, oito foram eleições sob a estrela vespertina. Assim, há um histórico de 28.5% das vezes em que mudanças ocorreram sob a estrela vespertina contra 7% das vezes em que as mudanças foram em eleições sob a estrela matutina.]

A eleição sob estrela vespertina de 2008: uma visão astrológica

Portanto, agora temos outra eleição sob a estrela vespertina. A “família” que rege a Casa Branca é a republicana e, para nesta eleição, o rei está se aposentando e o herdeiro escolhido quer chegar ao trono. Há, certamente, a “família” rival que, nesta eleição, é a democrata e, como sempre, o rival tem a pretensão de chegar ao poder.

Como um astrólogo/sacerdote, você olha para o céu em busca de Vênus. Se o rei está sob ameaça, isso não é bom para os republicanos. Se Vênus ilumina um planeta, qual é ele e quem ele simboliza, o herdeiro do rei ou seu rival? Seguindo nossa mentalidade mesopotâmica, podemos fazer a seguinte pergunta aos céus: “O herdeiro escolhido pelo rei pode chegar à Casa Branca ou seu rival vai derrubá-lo? Qual das duas famílias da corte chegará ao trono?”

O céu para a Eeleição sob a Estrela Matutina em 4 de novembro de 2008.

A eleição de 2008, sob a estrela vespertina

No momento da eleição, Vênus estará mais uma vez iluminando Plutão, mas de maneira diferente da que ocorreu na eleição de 2000: também há um Júpiter distante, mas brilhante no fim de Sagitário (ver imagem acima). Se Vênus conceder poder aos dois planetas – o que é questionável, já que as orbes são grandes -, isso então simboliza uma vitória por avalanche de votos para o jovem “herdeiro do trono”, uma ascensão abrupta à Casa Branca, onde o peso do mandato levará um enorme poder às mãos de Obama. Tal poder poderá ser uma droga inebriante para qualquer político, portanto, o jovem rival terá de lembrar que ele não é um César, não é um deus, mas apenas um ser humano.

Mas se a luz de Vênus não chegar até Júpiter, aí o foco será a luta bruta de poder de Plutão. A eleição será vencida pela “família” com mais dinheiro, poder e coragem. Acrescente-se a este quadro o fato de que o herdeiro do rei que se aposenta não está sendo prejudicado por Marte. Ao contrário, Marte se expressa como John McCain, o soldado.

É fácil perceber o poder de uma vitória de Júpiter/Plutão como o jovem concorrente, Obama, mas se for uma luta de socos como a eleição de 2000 – a última sob a estrela vespertina em que Vênus iluminou Plutão -, então a vitória será daquele que tiver mais dinheiro e poder.

A vitória será mais doce porque vai durar 12 anos

Para encerrar, seja que partido chegar à Casa Branca, ele não permanecerá apenas até depois da eleição de 2012, mas também na de 2016. A eleição de 2012 terá Vênus matutina iluminando uma conjunção Sol-Saturno, que concederá suas bênçãos ao rei. Na de 2016, que será uma eleição sob estrela vespertina, Vênus mais uma vez iluminará Saturno, sem qualquer ameaça ao rei. Assim, a Astrologia Visual indica que o partido governante se manterá na Casa Branca durante pelo menos 12 anos. Pode haver mudança de presidentes a qualquer momento, mas a “família” que vencer esta eleição de 2008 vai tirar o grande prêmio.

Reis ou presidentes, trata-se apenas de poder e rivalidade, que é a intriga de qualquer corte real. Pouca coisa mudou desde que a Astrologia surgiu entre os rios do crescente fértil.

[1] A primeira quarta-feira de dezembro era a data marcada para uma reunião do Colégio Eleitoral, que tinha como propósito eleger o presidente.

[2] O ciclo de quatro anos das eleições presidenciais também engloba o padrão jupiteriano, mas este não é o objetivo, pois Júpiter não volta exatamente ao mesmo ponto a cada 12 anos

SIMPATIA VERSUS EXCESSO DE CONFIANÇA
OS MAPAS DE JOHN MCCAIN E BARACK OBAMA

Darrelyn Gunzburg

Na newsletter de julho de 2008 da Astrologia Visual nós olhamos o potencial das figuras celestes perto do horizonte na hora do nascimento. Na seqüência, podemos considerar o horizonte não apenas da perspectiva de uma única história, mas também como uma união de imagens, reunidas pelo nascimento da pessoa. Talvez o astrólogo/sacerdote da Mesopotâmia não usasse as mesmas palavras, mas nós podemos perguntar quem governa os horizontes Oriental e Ocidental, quem abençoa a maneira pela qual somos vistos no mundo e o que está sendo catalisado em nós nas relações com os outros? Como um exemplo, eu me concentrei nos dois candidatos à Presidência dos EUA, já que são dois personagens que estão todos os dias nos noticiários.

John McCain nasceu em 29/agosto/1936, às 9.00 am, em Coco Solo, Panama.
Nasceu com as constelações de Virgem ascendendo e Cetus, a baleia, se pondo no Oeste.

John McCain – A Virgem e o monstro do mar: a nobreza (dignidade) nascida da dor

O horizonte de McCain mostra duas constelações, ambas na posição vertical. Isso nem sempre acontece, já que a posição depende da latitude do local do nascimento. Ambas as imagens, no entanto, se mostram ‘em pé’, um conceito de decência e honestidade.

A constelação de Virgem, a grande deusa da fertilidade no céu, governa seu horizonte Oriental no momento do nascimento, portanto, McCain é visto como pessoa nobre e digna. A constelação de Cetus, a baleia, governa seu horizonte Ocidental no momento do nascimento, e ascende confrontando sua traseira. É, portanto, este grande e desconhecido animal das profundezas que está catalisado nele nos relacionamentos com outros, e que ele tenta incorporar a si mesmo. Seu cartão de embarque para a Presidência é colorido pelo histórico de aviador naval, que teve de enfrentar Cetus nas obscuras profundezas da tortura, como prisioneiro de guerra no Vietnã – e sobreviveu. McCain vem de família de militares: seu pai e seu avô paterno foram almirantes de quatro estrelas da Marinha dos EUA[1]. Como um homem de guerra, ele incorporou esses temas e os trouxe das profundezas para a luz do dia, para que pudessem ser vistos com mais clareza.. McCain é conhecido por seu trabalho de restabelecimento de relações diplomáticas com o Vietnã nos 1990s e por sua convicção de que a guerra no Iraque deve chegar a uma bem-sucedida conclusão nos 2000s. Ele apresenta a nós, o público, o nobre e digno guerreiro ferido.

Pode-se dizer que McCain combate o caos e a confusão dos temas coletivos da humanidade, inicialmente como uma vítima e, depois, como um protagonista (Cetus); portanto é visto como uma pessoa que tem conhecimento e insight de forma a dar nobreza à dor (Virgem). McCain pode, assim, involuntariamente, despertar sentimentos de solidariedade, mais do que qualidades de liderança.

Barack Obama nasceu em 4/agosto/1961, às 19:24, em Honolulu, Hawaii.
Nasceu com a constelação de Capricórnio ascendendo e Leão se pondo no Oeste.

Barack Obama – A cabra do mar e o leão: proteção dentro da lei

As imagens da constelação no horizonte de Obama também são verticais. A constelação de Capricórnio – a grande cabra do mar doadora da lei e educadora – no céu governa o horizonte Oriental no momento de seu nascimento. Obama, portanto, é visto como uma força estabilizadora, alguém que educa seu povo e traz a ordem.

A constelação de Leão governa seu horizonte Ocidental no momento do nascimento, da mesma forma que suas patas dianteiras avançam para tocar o solo, dando uma base à constelação. É esse grande leão que protege as preciosas águas do Nilo, doador da vida. Também tem ligação com Sekhmet, a esfinge-leoa, que era “uma agressora ativa que representava o pai contra seus inimigos” [2] e símbolo de soberania. Ambas são catalisadas nele e em suas ligações e naquilo que ele tenta incorporar como seu. Seu cartão de embarque para a Presidência é colorido pelo histórico de advogado, que tentava trazer mudanças para as organizações de base. Graduado pela Universidade de Columbia e pela Faculdade de Direito de Harvard, Obama trabalhou como um organizador comunitário e praticou Direito Civil ao mesmo tempo em que ensinava a Constituição na Faculdade de Direito da Universidade de Chicago (1997-2004), antes de se eleger senador pelo Estado de Illinois, de 1997 a 2004.[3]

Pode-se dizer que Obama busca trazer soberania (autoridade) às suas relações (Leão), para proteger seu povo com leis que estabilizem e dêem firmeza à sociedade (Capricórnio). Ele pode, portanto, sofrer de uma arrogância resultante de orgulho ou paixão excessivos, já que tem uma combinação que reflete os Césares de Roma.

Em resumo…

Os candidatos exibem de maneiras amplamente diferentes seu entusiasmo e suas razões para chegar à Presidência e cada um tem uma nêmesis: solidariedade versus arrogância resultante de orgulho ou paixão excessivos.

[1] http://en.wikipedia.org/wiki/John_McCain – acessado em 5/09/2008.

[2] Brady, Bernadette (2008). Star and Planet Combinations, Bournemouth: Wessex Astrologer.

[2] http://en.wikipedia.org/wiki/Barack_Obama – acessado em 5/09/2008.

O software que permite trabalhar com todo o céu é Starlight, e pode ser explorado no site de Zyntara, onde há inclusive sessões on line.

]]>
Astrologia presidencial – Quem vencerá a eleição de 2008 nos EUA? https://cnastrologia.org.br/astrologia-presidencial-quem-vencera-a-eleicao-de-2008-nos-eua/ Thu, 27 Jan 2011 14:47:18 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1066 Uma maneira de comparar os candidatos é observando os antecedentes históricos: que padrões surgem quando se compara os 42 mapas dos homens que se tornaram presidentes dos EUA?

Quando se compara determinados graus nos mapas dos presidentes eleitos, surge uma quantidade surpreendente de acertos precisamente em pontos angulares. John Adams, Warren G. Harding, James Polk e Theodore Roosevelt, todos têm Sol em Escorpião a uma distância máxima de 3 graus do Ascendente em Escorpião dos EUA. Os presidentes McKinley, Buchanan, Grant, Monroe e Roosevelt têm Sol em oposição ou quadratura com o Ascendente em Escorpião, também em uma orbe de no máximo 3 graus. Além disso, cinco outros presidentes têm Marte natal a 1 grau da conjunção, quadratura ou oposição exatas ao Ascendente a 8 graus de Escorpião. O Ascendente americano em Escorpião magnetiza cosmicamente a dimensão presidencial.

 Michael O’Reilly

Quando Escorpião e Leão percorrem os ângulos no mapa dos EUA, os signos fixos tornam-se subitamente importantes. A Lua em Aquário, por outro lado, é a única outra localização em um signo fixo. Trinta e três entre 42 presidentes têm Sol ou Marte em signos fixos (Escorpião, Leão, Touro e Aquário), enquanto apenas 22 têm Sol ou Marte em signos cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio). Nos signos mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes), apenas 17 presidentes têm Sol ou Marte, apesar de que qualquer mapa de 4 de julho de 1776 (NT: data da Independência dos EUA) tem tanto Marte como Urano em Gêmeos, uma posição que naturalmente poderia atrair planetas presidenciais.

Astrologia presidencial e a Lua dos EUA

No primeiro século da nação, uma tendência perceptível entre os presidentes americanos era a posição da Lua em seus mapas natais. Seis presidentes têm Lua em Capricórnio, e todos eles se elegeram antes de 1900. Nenhum presidente do século XX tem Lua em Capricórnio. Pode-se então deduzir que, no passado, o caminho para o mais alto posto não passava muito pela comunicação com a população – era mais uma questão de pura ambição. A Lua em Capricórnio dá uma personalidade forte e uma ambição paciente para alcançar, passo a passo, a posição mais elevada. George Washington (eleito pela primeira vez em 1788), James Monroe (1816), John Quincy Adams (1824), James Buchanan (1856), Abraham Lincoln (1860) e Chester Arthur (1880), todos têm Lua em Capricórnio. Desde o início da era da comunicação em massa e da tecnologia (rádio, televisão e agora a internet), a Lua aparece mais comumente nos signos de ar, ligados às comunicações. Os únicos presidentes geminianos, John Kennedy e George Bush, se elegeram após o advento da televisão.

Um dos signos solares mais representados é Aquário, com cinco presidentes aquarianos desde 1788. Um dos fatos mais estranhos sobre os presidentes com Sol em Aquário é que quatro entre cinco morreram no cargo. Apenas Reagan, o quinto aquariano, sobreviveu, e ele tinha o astrólogo Joan Quigley para ajudá-lo a escapar do terrível ciclo de mortes presidenciais. A popularidade de quem tem Sol em Aquário, no entanto, pode ser atribuída à Lua dos EUA em Aquário – encontrada em qualquer mapa de 4 de julho de 1776.

Em astrologia política, a Lua representa a população de uma nação e suas necessidades de segurança. A Lua dos EUA em Aquário descreve uma população interessada nos princípios fundamentais de igualdade, liberdade e justiça para todos. A Lua em Aquário também tem ligação com progresso, inovações, espírito inventivo e tecnologia. Qualquer coisa que seja nova e diferente atrai a população americana em geral. A Lua em Aquário representa o interesse nacional por integração, organização, comunicação e socialização. O símbolo de Aquário representa a água do conhecimento que cai sobre o planeta. Os aquarianos anseiam pela mais moderna evolução e, com o benéfico trígono da Lua dos EUA com Marte em Gêmeos, os americanos estão constantemente lendo, falando, se movimentando, buscando e trocando informações. Os americanos são os novos viciados.

Presidentes com Sol em Aquário têm uma conexão direta com a população americana por causa da Lua dos EUA em Aquário, e geralmente são conhecidos populistas. Na era em que vivemos da comunicação em massa, o candidato presidencial bem sucedido tem que criar uma conexão com a população e suas necessidades de segurança. Em termos astrológicos, isso significa que ele ou ela devem ter planetas ligados diretamente à Lua dos EUA, que se encontra aos 25 graus de Aquário no mapa que tem Escorpião no horizonte. Uma das tendências mais importantes da política americana mostra que todos os presidentes eleitos recentemente têm aspectos exatos com a Lua dos EUA, no mapa natal ou no progredido, e freqüentemente têm ambos. Isso pode ser atribuído à ascensão da comunicação em massa. O candidato que não se sair bem na tevê vai afundar nas pesquisas. Ter um aspecto exato com a Lua dos EUA é como conseguir um elo celestial com o pulso da nação – quanto mais próxima a conexão, melhor.

Bill Clinton é um bom exemplo no campo político. Ele tem Sol a 26 graus de Leão (a apenas meio grau da oposição exata à Lua dos EUA). Juno (que representa sua mulher, Hillary) está a 25 de Libra. Quando foi eleito, seu Mercúrio progredido estava a 25 de Libra, ativando suas conexões pessoais essenciais com a Lua dos EUA. Apesar dos incidentes escandalosos, o público amava Bill e Hillary como uma dupla, simbolizada pelo Sol sêxtil Juno e ambos ligados diretamente à Lua dos EUA.

Uma conexão de Marte com a Lua dos EUA é um bom aspecto para o comandante-em-chefe. George Bush pai e Jimmy Carter têm Marte a 25 graus de Aquário, em conjunção exata com a Lua dos EUA. Quando a missão de Carter para resgatar os reféns americanos no Irã fracassou, ele se tornou presidente de um só mandato, pois desiludiu o público. Quando, no entanto, o Sol progredido de George Bush fez oposição com Marte natal (e, simultaneamente, com a Lua dos EUA), ele enviou as tropas para o Iraque. Foi no dia 17 de janeiro de 1991 e essa progressão estava quase exata. O público adorou a operação e sua popularidade aumentou. Ronald Reagan não tinha planetas natais a 25 graus, mas quando se elegeu em 1980, Marte estava progredido em 25 de Aquário. Essas conexões exatas simbolizam suas conexões com a população americana.

O padrão começa a se quebrar quando nos voltamos um pouco mais para o passado da história americana. Quando Gerald Ford assumiu depois de Nixon, em 1974, sua Lua progredida estava a 25 graus de Aquário, e isso ativou o Netuno natal a 25 de Câncer. Ford chegou ao poder por meio de um escândalo, não de eleição, mas a população em geral o aprovou, como mostram essas progressões. Nixon não tinha aspectos com 25 de Aquário e ele foi o presidente mais recente que não tinha essas conexões. Especialistas freqüentemente citam suas aparições opacas nos debates com J. F. Kennedy pela televisão em 1960 como o motivo vinculado com o fato de ter perdido a eleição. Apesar, no entanto, de sua falta de jeito diante do público, Nixon conseguiu se eleger em 1968, quando seu Ascendente progredido estava a 8 graus de Escorpião. Lyndon Johnson tinha Plutão a 25 de Gêmeos e Júpiter a 26 de Leão, por isso se ajusta ao padrão, e era muito respeitado por sua habilidade como relações públicas. O popular Eisenhower tinha uma conjunção Lua-Urano a 25-26 de Libra, mas Truman não tinha qualquer conexão, nem no mapa natal nem por progressão. Ainda assim, seu Marte a 17 graus de Leão faz conjunção com o Meio do Céu dos EUA em Câncer. Ele tinha conexão com o mapa dos EUA, mas não os vínculos mais habilidosos com a mídia sugeridos pela conexão lunar.

A contestada eleição de 2000, entre George W. Bush e Al Gore, pode ser resumida ao se observar as conexões de cada candidato com a Lua dos EUA. A Vênus natal de Al Gore está a 26 de Touro e, como diz a simbologia original de Vênus, venceu no voto popular, ele era o candidato mais popular. A conexão mais forte de Bush no momento da eleição era seu Júpiter progredido a 24 graus de Libra. Júpiter representa a decisão legal que levou o resultado da eleição para o seu lado. Devem ser levados em conta os minutos de um grau: as respectivas orbes estavam quase que exatamente eqüidistantes da Lua dos EUA (a Vênus de Gore: 26TA01; Júpiter progredido de Bush: 24LI56; a Lua dos EUA 25AQ29), provavelmente o que tornou a corrida presidencial tão disputada. E quem venceria em 2004? Vamos olhar os candidatos e ver que conexões têm com a Lua dos EUA.

A eleição seguinte

Quais fatores astrológicos o candidato deve ter? Segundo os padrões históricos, se tiver Lua ou Marte em Peixes é uma negativa definitiva. Se tiver Sol em Peixes também não é muito bom, já que os quatro presidentes piscianos estiveram no poder no primeiro século da nação. George Washington (1788), James Madison (1808), Andrew Jackson (1832) e Grover Cleveland (1884) foram os únicos presidentes piscianos, e pode bem ser que a abnegação natural de Peixes não seja agressiva ou forte o suficiente para os tempos modernos.

O Sol pode estar em qualquer signo, mas há uma vantagem perceptível se estiver em Escorpião ou Aquário. A Lua em Capricórnio era uma boa idéia, mas não é mais. A Lua em Capricórnio é reservada demais para se dar bem na mídia. Nixon e seu Sol em Capricórnio refletem a inflexibilidade associada a esse signo. A Lua de Al Gore está em Capricórnio e ele tem a responsabilidade de superar uma imagem excessivamente formal e tediosa.

Marte em Leão é definitivamente uma boa pedida. Alguma coisa na irrestrita autoconfiança de Marte em Leão atrai os americanos. Diversas vezes ao longo da história, candidatos com Marte em Leão demonstraram o talento e o senso dramático que estimulam os americanos. Apenas três presidentes têm Sol em Leão – isso portanto não é necessariamente uma vantagem ou desvantagem. Mas dez presidentes têm Marte em Leão. O último deles foi Truman, então talvez esse aspecto tenha ficado obsoleto.

A tendência mais decisiva atualmente é ter um planeta em aspecto com a Lua dos EUA, e quanto mais próximo do aspecto exato, melhor. Um planeta natal é tão importante quando um planeta progredido nesse grau, como pôde ser demonstrado com George W. Bush e Ronald Reagan. Em 2004, Júpiter progredido de George W. Bush avançou de 24 para 25 graus de Libra: seu mapa estava muito bom (data de nascimento: 6 de julho de 1946; 7:26 am; New Haven, EUA). Para melhorar a situação, a Vênus progredida, que avança um pouco mais que um grau por ano, também foi para os 25 graus de Libra. A conjunção Vênus-Júpiter em trígono com a Lua dos EUA era uma combinação extremamente benéfica para o candidato à reeleição e foi difícil derrotá-lo, apensar dos problemas no Iraque. A dupla Vênus-Júpiter é uma promessa de popularidade, dinheiro e boa reputação. Só esse fator já era suficiente para fazer dele o favorito em novembro de 2004.

Quem vencerá a eleição presidencial de 2008? Você pode usar esses parâmetros para escolher o provável vencedor. E fique ligado nas atualizações…

Como mostraram os estudos de Gauquelin, e como constata a maioria dos astrólogos, os ângulos são os pontos mais sensíveis do horóscopo. Na opinião deste autor, essas classificações se devem ao fato de o mapa dos EUA ter Escorpião ascendendo e Leão no Meio do Céu. A hora do “nascimento” de 14:21 coloca 8 graus de Escorpião no Ascendente e 16 graus de Leão no Meio do Céu.

Trinta e três dos 42 presidentes americanos têm Sol ou Marte em signos fixos (Touro, Leão, Escorpião ou Aquário), enquanto apenas 17 têm Sol ou Marte em signos mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário ou Peixes).

A Lua no mapa dos EUA é um guia fundamental da importância histórica de sua posição nas tendências políticas, sociais e econômicas.

Uma extraordinária anomalia estatística revela que 10 entre 42 presidentes americanos têm Marte em Leão.

Este artigo é parte do livro Political Astrology, de Michael O’Reilly, e foi publicado originalmente na revista Dell Horoscope.

Michael WolfStar O’Reilly é astrólogo e colunista e vive no Oregon. Ele mantém uma coluna de Astrologia, intitulada Newscope desde 1997 e também escreve regularmente para a Dell Horoscope como freelancer. Pode ser contato no email wolfstar3@aol.com ou em seu site www.neptunecafe.com

]]>
A Alma do Astrólogo https://cnastrologia.org.br/a-alma-do-astrologo-2/ Thu, 27 Jan 2011 14:39:35 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1055 Muito do material escrito no campo da astrologia é naturalmente direcionado para aumentar nossa eficiência no uso do mapa como uma ferramenta para ajudar nossos clientes. Apesar de que ajudar as pessoas é uma parte integral e satisfatória do meu trabalho, não é minha motivação primordial para trabalhar como um astrólogo.

Eu não escolhi estudar Astrologia. A Astrologia me escolheu. Ela me agarrou pelo tornozelo uma tarde, numa pequena varanda empoeirada em Green Park Road em Nova Delhi, Índia, no meio de dezembro de 1980, e nunca mais me deixou escapar. Eu tinha sido convidado para me reunir a uns amigos numa visita a um astrólogo que eles tinham descoberto. Na época, isto era só uma farra, uma coisa divertida para fazer como distração numa tarde em Nova Delhi. Eu estava muito mais interessado em uns prospectos de um passeio kamikazi pelas ruas lotadas de Nova Delhi, num taxi de três rodas, do que na consulta mesma.

Os detalhes daquela visita não são importantes. É suficiente dizer que fui informado sobre todas as coisas que um ocidental espera ouvir de um jyotishi (astrólogo hindu) na Índia. Fui informado de quanto eu viveria, quando eu atingiria a iluminação, minha divindade pessoal, a cor mais auspiciosa para mim, a melhor pedra para usar para a saúde e felicidade, com quem eu me casaria e quando, o campo de trabalho que era astrologicamente apropriado, etc. Enquanto eu era surpreendido pelos detalhes discutidos na leitura, na época eu considerei isto como sendo, no máximo, uma vaga injeção de confiança e, no mínimo, um entretenimento espiritual.

O que me abalou profundamente sobre a visita a esse pundit, não teve nada a ver com algo que ele disse para mim. Entre os livros desgastados, a varanda empoeirada, o chapéu engraçado, o inglês sofrível e a conversa sobre o meu futuro, eu senti uma alma que sabia, em seus ossos, que havia uma fonte de ordem no universo que era acessível para ele, que falou com ele. Ele tinha uma confiança e profundidade que derivava do contato diário com uma estrutura de realidade que corria por baixo de seu mundo visível. Esse homem tinha um pé no terreno arquetípico.

Os efeitos ocultos desta visita, permaneceram comigo por anos, servindo como um lembrete de que o estudo e a prática da astrologia é, primeiramente, um modelo para desenvolver uma familiaridade com os deuses e deusas que entremeiam seus caminhos através de nossas vidas. E talvez muito mais. Saturno, por exemplo, é experimentado como minha cautelosa voz interior, minha necessidade por algo concreto e permanente. Ele é a voz do Senex dizendo-me que devagar se vai ao longe. Saturno também é sentido em meus ossos e em meus dentes. Quando meu corpo dói no tempo frio e úmido, é um lembrete da minha idade avançada e de minha relação com o tempo, com o Pai-Tempo, com Saturno. Ele está presente nos tijolos e tábuas dos edifícios, e na hierarquia dos negócios e organizações. Saturno, entretanto, não é apenas ossos, ou liderança ou idade avançada ou regras. Essa são suas janelas para o nosso mundo e as nossas para o dele.

Conforme vamos reconhecendo as expressões, as epifanias do deus em nossa própria psique e no mundo à nossa volta, nós começamos a sentir uma linha que permeia e ventila seu caminho pela vida inteira, mesclando-se, entretecendo-se com muitas outras linhas, essências dos outros deuses e deusas. No princípio, o deus é experimentado como uma nebulosa qualidade que é muito mais identificada conosco, nossos medos, nossa precaução. Conforme vamos começando a refletir sobre a realidade objetiva do deus, começamos a notar quando ele agita nossa alma. ”É isso! Foi ele! Bem aqui! Eu sinto os breques funcionarem.” Quando nós o flagramos no ato, nós ganhamos um pouquinho mais de distanciamento objetivo dele. Logo podemos ouvi-lo falando conosco através das placas de limite de velocidade deste lado da estrada. Nós o reconhecemos nos pilares que sustentam a varanda de nossa casa e na calçada de concreto debaixo de nosso pés. Ele se torna uma presença viva em nosso mundo. Nossa cautelosa voz interior, os ossos do nosso corpo e a calçada de concreto são todas expressões da sua natureza. Saturno está dentro de nós e nós estamos dentro dele. Conforme exploramos a essência de cada planeta/deus/arquétipo e re-conhecemos suas presença vivas, sua autonomia, suas diferenças, lentamente começamos a ver que não somos esses ossos (Saturno) nem esse sangue (Marte) nem esse fígado (Júpiter)… Não somos esse intelecto (Mercúrio), nem essas emoções flutuantes (Lua), nem esse ego (Sol), nem essas ações (Marte)… Nós não somos os deuses ou deusas que permeiam essas funções e estruturas. Neti, neti, neti. Não, não, e não mesmo. O que resta então? Você vê aonde isto leva? O estudo da Astrologia pode nos levar a descobrir e experimentar nossa natureza essencial, o infinito e imaginário solo do qual irrompem os deuses e deusas, e sobre o qual eles dançam sua dança. Astrologia se torna um modelo viável que leva à re-cogniçao do infinito, o Tao, nossa natureza de Budha, o Self.

Há muito poucas referencias em nossa literatura astrológica, sobre o valor psicológico/espiritual do estudo e prática da Astrologia para o astrólogo. As poucas que eu encontrei vêm da literatura astrológica indiana (jyotish). No contexto de uma aparente tradição de astrologia redutiva, descritiva e preditiva, muito poucos textos jyotish se referem a possibilidade de ver desde a fachada da profissão até o seu âmago. Alguns textos sugerem que uma vida de estudo e prática astrológica, pode levar à abertura dos nadis jyotish ( os nadis, em número de 72.000, são os canais através dos quais a força da vida flutua, segundo a Kundalini Yoga), após o que, o mapa se torna supérfluo, e o jyotish espontaneamente sabe a resposta de todas as perguntas propostas.

Jyotish mati pragya é uma frase rara, talvez descritiva dos resultados da abertura dos nadis jyotish, referindo-se à obtenção, através do estudo e prática astrológica, de um estado de refinada inteligência que sabe só a verdade.

Essas obscuras referencias, das tradições espirituais de uma outra cultura, podem ser difíceis de lidar, para nós. Possivelmente podemos compreender esse processo em termos do nosso crescente reconhecimento dos deuses e deusas que povoam nossas paisagens interna e externas. Entretanto, eu suspeito que os jyotish podem estar se referindo não apenas a um processo de desenvolvimento, que se estende por toda uma vida de prática, mas também a um processo específico, que ocorre dentro do astrólogo, durante uma consulta individual. Só posso discutir esse processo em termos da minha própria experiência com consultas de mapas. Faço isto com grande temor, por razões óbvias. Eu normalmente olho para um mapa por uma hora mais ou menos, no dia anterior à consulta, para obter um sentido de padrão do mapa, e para deixar o mapa calar em mim. Olho para ele, até que tenha obtido um sólido sentido do mapa como um todo. No dia seguinte, quando sento com o cliente, eu inevitavelmente me vejo sentindo como se eu estivesse começando a arranhar o mapa de novo, sem saber nada, sem nenhuma idéia de como obter o sentido de totalidade de ontem, ou de como captura-lo com palavras. Eu me sinto totalmente perdido, completamente incompetente, uma desonra para a profissão e para os deuses. Eu não apenas sou incapaz de conduzir o cliente à imagem de sua alma, eu mal posso achar meu caminho através dos rudimentos da Astrologia. De algum jeito, eu reuno a coragem para começar a falar, e mergulho no mapa por algum lugar que, eu espero, conectará prontamente com a experiência do cliente.

Um dos mais freqüentes comentários que eu escuto dos estudantes de Astrologia é que, quando confrontados com um novo mapa, eles não sabem por onde começar. Eles não sabem por onde entrar no mapa. Eu normalmente os surpreendo quando digo que essa é uma experiência maravilhosa. A carta é uma representação simbólica da imagem de semente da alma. É representada na forma de mandala, na forma da quadratura do círculo, um símbolo de totalidade. Esse “não saber por onde começar” é uma expressão do reconhecimento de nossas almas, da totalidade que o mapa representa. Penetrar naquela imagem-semente requer que nós quebremos a inteireza ou totalidade em partes, quebremos a simetria, e ritualmente, desmembremos a imagem da alma. A alma hesita em iniciar esse ato sacrificial.

Nesse contexto, eu tenho ainda que conceber a mim mesmo como um sacerdote realizando um ritual. Tendo a sentir-me mais como um ladrão à noite, talvez (no meu mais inflamado) como Prometeu roubando nos domínios dos deuses, para trazer o fogo para a humanidade. Quando eu penso na entrada no mapa dessa forma, começo a imaginar o meu “não saber” como um mergulho no rio Letho, o rio do esquecimento, antes de entrar no Outro Mundo, e meu medo e temor, como respeito, baseado no profundo reconhecimento da sacralidade do ritual, e da minha iminente entrada nos domínios dos deuses.

Depois de eu ter entrado no mapa, explorando primeiro um símbolo, depois outro, as peças começam a se encaixar sozinhas. Eu acrescento mais e mais, recebendo feedback do cliente enquanto prossigo, e a síntese acontece, e começa a tomar vida própria. O momentum dentro de mim forma como que uma tempestade de verão e, eventualmente, atinge uma intensidade crítica, enquanto me aproximo de um limiar que eu não posso ver. Então, muito de repente, as peças caem nos lugares numa fração de segundo. Isso freqüentemente resulta numa experiência de ”Ahá” recíproco, para mim e meu cliente, que está suportando a mesma tempestade nesse processo. Freqüentemente, nesse ponto, posso colocar o mapa inteiro, ou algum problema mais complexo do mapa, em perspectiva, com apenas uma simples frase ou imagem que repercute profundamente no meu cliente. Parece que o céu se abriu para nós, derramando torrentes de chuva purificadora. Essa experiência me esgota tanto, quanto as experiências contadas pelos corredores que cruzaram a linha de chegada de um enduro, ou a experiência transcendente (Chamem isso de “Zen e a arte da consulta astrológica”). Quando o mapa se encaixa para mim desse modo, eu experimento um estado no qual eu sei que, o que quer que eu diga sobre um mapa, é verdadeiro. Meu intelecto está resoluto, fundamentado na verdade da alma.

Eu penso nessa experiência como tendo lugar, de alguma pequena forma, no processo de criação da psique individual, do desmembramento e projeção da imagem-semente, até a recordação da totalidade. Agora, quando eu leio sobre as partes desmembradas de Osiris sendo espalhadas, e a jornada de Isis para recolhê-las, para reuni-las, e ter a alma de Osiris chamada de volta para o cadáver reconstituído, eu sei a que esse processo se refere, psicologicamente. Eu posso rever as poucas horas gastas com um cliente e delinear o desmembramento, a árdua jornada reunindo as partes, juntando-as novamente numa totalidade, e então, o momento quando o cadáver volta à vida.

A frase ou imagem que resume a carta, é o mantra que trouxe a imagem à vida, que conectou as partes à alma.

Não quero sugerir que essa é sempre a minha experiência, por quaisquer meios. Tão freqüentemente ou não, eu me perco em reunir as partes, ou ponho o braço onde vai uma perna. Ou me sinto menos como Prometeu num drama cósmico e mais como Gene Wilder no filme Frankenstein de Mel Brooks, reclamando uma saída para o telhado, gritando e rezando para um relâmpago fazer funcionar o aparato para trazer a criatura à vida…

Há certamente muitas outras áreas para explorar na discussão do impacto da Astrologia na alma do astrólogo. Suspeito que essa discussão é importante para o profissional de Astrologia. Se se prestasse mais atenção em como a Astrologia pode aprofundar nosso contato com nossas próprias almas, talvez então, estivéssemos numa posição melhor para ajudar nossos clientes na exploração das suas. Talvez nossa busca interminável por mais um livro ou fonte de informação que, finalmente, nos daria uma margem no nosso desejo de impressionar nossos clientes com nossas habilidades descritivas ou preditivas, seria reconhecida como a busca do carneiro almiscarado pelo seu próprio cheiro.

Eu não escrevo isto para ofender. Escrevo isso como um lembrete de que, o dom mais precioso que você e eu, como astrólogos, oferecemos aos nossos clientes, é a nossa própria alma.

Michael McLay pratica Astrologia arquetípica com bases nos princípios de Jung.

]]>