Entrevistas – CNA Central Nacional de Astrologia | Hub > Conteúdo > Pesquisa > Estudos https://cnastrologia.org.br Unindo céus e terras e compartilhando saberes Tue, 23 Nov 2021 20:06:31 +0000 pt-BR hourly 1 https://cnastrologia.org.br/wp-content/uploads/2024/11/cropped-favi-32x32.jpg Entrevistas – CNA Central Nacional de Astrologia | Hub > Conteúdo > Pesquisa > Estudos https://cnastrologia.org.br 32 32 Um PRESENTE DE FINAL DE ANO pra todos vocês – Semana Astrológica CNA https://cnastrologia.org.br/um-presente-de-final-de-ano-pra-todos-voces-semana-astrologica-cna/ https://cnastrologia.org.br/um-presente-de-final-de-ano-pra-todos-voces-semana-astrologica-cna/#respond Tue, 23 Nov 2021 20:06:31 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=8163 VEM AÍ… A SEMANA ASTROLÓGICA CNA!

12 a 19/12 – às 20:00

Grandes nomes da astrologia brasileira reunidos em 8 MESAS AO VIVO. Uma mesa por dia.

NOMES CONFIRMADOS !!!

Maurice Jacoel, Maria Eunice de Souza, Mauricio Bernis, Elizabeth Nakata, Kim Bins, Camila Colaneri, Luana Rodrigues, Fernanda Federman, Carlos Falcao, Carlos Hollanda, Roxane Sales, Daniela Rossi, Titi Vidal, Patricia Valente, Fernando Guimarães, Waldemar Falcão, Graziela Marraccini, Antonio Brito, Denise Dinigre, Fabrizio Ranzolin, Gicele Alakija, Gil Stefani.

Em breve maiores informações… mas ANOTEM NA AGENDA !!! DE 12 a 19/12… GRATUITO, INTERATIVO.. NO YOUTUBE DA CNA ou PELA PÁGINA DA CNA NO FACEBOOK.

FIQUEM ATENTOS À NOSSA DIVULGAÇÃO!

Semana astrologica - 12 a 19 dezembro
Um abraço da CNA (Central Nacional de Astrologia)

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I Congresso de Astrologia do Chile será realizado em Santiago, de 07 a 09 de novembro https://cnastrologia.org.br/i-congresso-de-astrologia-do-chile-sera-realizado-em-santiago-de-07-a-09-de-novembro/ https://cnastrologia.org.br/i-congresso-de-astrologia-do-chile-sera-realizado-em-santiago-de-07-a-09-de-novembro/#respond Sat, 01 Nov 2014 02:53:04 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=1228 Pela ocasião do I Congresso de Astrologia do Chile, a ser realizado na capital Santiago de 07 a 09 de novembro, a CNA entrevista o seu idealizador, o Astrólogo, Terapeuta Floral, mestre em Reiki e engenheiro civil Pablo Flores, quem veio nos contar um pouco dessa experiência, de suas expectativas e do cenário da Astrologia mais para lá dos Andes.

A entrevista foi realizada pelo Coordenador do Núcleo Social, Leonardo Lemos. Para os interessados em participar, mais informações na página www.congresoastrologia.cl

Leonardo Lemos /CNA – Fale-nos um pouco da sua carreira. Como começou com a Astrologia e por quê?

Pablo Flores- Eu estudei Engenharia Civil e trabalhei nisto vários anos. Porém, paralelamente, comecei a estudar diversas terapias alternativas (Reiki, essências florais, etc.) e quanto mais estudava, mais sentia que não queria continuar trabalhando num escritório. Até que resolvi fazer um curso de um ano de formação em Astrologia. Daí meu mundo mudou, pois eu adorei e de fato a vi como uma excelente oportunidade para integrá-la a outras terapias que havia estudado. Agora se me pergunta o porquê de eu ter adorado tanto a Astrologia, a resposta é que o mapa de autoconhecimento que representa a carta astral é algo que me surpreendeu. Serviu-me muitíssimo para meu próprio desenvolvimento pessoal e evolutivo. Isto foi o que mais me interessou na Astrologia no começo até hoje: o mapa pessoal.

Leonardo Lemos /CNA – Como é a situação da Astrologia no Chile? Quem são os astrólogos mais conhecidos ou algum que lhe inspire?
Pablo Flores – A situação está muito dispersa, pois não há associações. Existem várias escolas, mas estas funcionam de maneira independente. É bastante “anarquista” o movimento (risos). Na verdade nunca houve um congresso antes justamente por que para fazer com que todos concordem é algo muito difícil.
O astrólogo que mais me inspira é meu mestre ou “Sensei”, como eu costumo lhe chamar, Anibal Bazcuñan, que foi meu professor durante os dois primeiros anos e quem me deu a visão da carta como uma ferramenta de autoconhecimento ou, como ele mesmo diria, “as perguntas que vão fazer de você um pequeno Deus no final da prova”.
E também Gonzalo Perez, um dos astrólogos mais conhecidos do Chile, tem me inspirado muito com seu livro “Un Espejo Cósmico”. Foi depois de ter lido este livro que decidi estudar Astrologia.

Leonardo Lemos /CNA – Como as pessoas veem a Astrologia no seu país? Você nota muito ou pouco interesse ou curiosidade?
Pablo Flores – Sim, há o interesse, mas ainda há muitas portas fechadas, principalmente em instituições como escolas e universidades, também em revistas ou jornais (a menos que seja para o horóscopo). Por sorte, o fato de ser um engenheiro formado numa boa universidade me permite que me escutem e assim posso apresentar projetos que têm se concretizado. Porém a maioria das pessoas ainda conserva uma visão da Astrologia como muito esotérica ou preditiva e isto faz com que em alguns círculos haja pouca disposição para se escutar a respeito de uma nova visão do que é a Astrologia. Estou certo de que existe um grande interesse por estes assuntos, e assim que algumas barreiras forem derrubadas haverá uma grande avidez por informação.

Leonardo Lemos /CNA – Existem escolas, centros ou institutos de Astrologia no Chile? Como vocês se organizam?
Pablo Flores – Como comentei anteriormente, existem aproximadamente três grandes centros de Astrologia, mas o que se tem muito são professores independentes dando suas aulas. Ao organizar o congresso tive uma surpresa ao descobrir o grande número de professores particulares que existe! Mas, uma escola onde haja mais de um professor, isto não temos… Volto à minha teoria do “anarquismo” do astrólogo chileno, o qual não gosta de se reunir e perder seu caráter independente.

Leonardo Lemos /CNA – O que você busca com o primeiro Congresso no Chile? A qual público se destina?
Pablo Flores – (risos) Quebrar o anarquismo!!! Tenho claro que um agrupamento de astrólogos é algo que em curto prazo não vai ocorrer, pois ninguém quer perder a sua independência. Talvez, como o Chile é em geral um país muito organizado, os astrólogos se revelam de forma inconsciente sendo desordenados. O que busco é que possamos nos reunir num evento onde haja o maior número de astrólogos ou de interessados em astrologia. Repetir o que vivi na Austrália em janeiro deste ano, no Congresso Internacional Australiano.
Amei esta reunião! Casa XI! Deve ser porque tenho quase tudo em Aquário!!!
O público que atenderá ao congresso é principalmente de astrólogos e de estudantes da área, mas também há pessoas que não têm conhecimentos e querem começar a aprender. Por isto temos palestras para todos os níveis.

Pablo Flores, organizador do I Congreso de Astrologia no Chile

Leonardo Lemos /CNA – Como ocorreu a iniciativa e a movimentação para realizar o 1º Congresso do Chile?
Pablo Flores – A ideia surgiu antes de eu ir à Austrália para o congresso de lá, quando me pus a pensar em organizar um por aqui. Perguntei então aos astrólogos mais veteranos se algum dia já tinham realizado algum e estes me respondem que não, que chegaram a pensar, mas não houve resultados. Basicamente porque não gostam de se organizar e porque não havia tanta constância da parte dos mesmos. Quando na Austrália, eu me dedico a estudar por lá no congresso e me dou conta de que por mais que exija muito esforço, não é algo de outro mundo e que com uma boa gestão pode se conseguir.
A verdade é que amei este ambiente aquariano que se dá quando se reúnem mais de 100 astrólogos numa sala.
Logo, chegando ao Chile, lancei a proposta e formei uma equipe. A ideia era chegar à maior quantidade de astrólogos e professores, de modo que fosse de verdade uma reunião aquariana.

Leonardo Lemos /CNA – Quais são as tendências dos profissionais de Astrologia no Chile? Seria uma Astrologia Moderna, Clássica, Psicológica ou alguma outra?
Pablo Flores – Bem, ao menos no círculo astrológico no qual transito é a Astrologia Psicológica a mais forte. Porém, como cada astrólogo prepara suas aulas a seu gosto, não há grupos que mantenham uma linha, temos algo mais livre. Sem dúvidas há um grande número que utiliza a Astrologia Clássica especialmente para uma função preditiva.

Leonardo Lemos /CNA – Como é vista a profissão de astrólogo no Chile? Pode-se, por exemplo, compartilhar espaços com outros profissionais, como por exemplo, psicólogos ou outros terapeutas?
Pablo Flores – Posso lhe falar da minha experiência, sou astrólogo e também terapeuta. E trabalho em clínicas com médicos e psicólogos. Portanto, existem os espaços e não são poucos, onde se valoriza a visão astrológica e onde existe um potencial enorme de desenvolvimento. Ainda que para a maioria dos médicos e psicólogos isto seja visto como superstição, volto ao ponto anterior: as pessoas leigas geralmente têm maior disposição a se abrir a tudo isto, mais do que as instituições ou os “especialistas”.

Leonardo Lemos /CNA – Como percebe a reação do público, seu interesse diante do Primeiro Congresso?
Pablo Flores -De certo modo foi um êxito o número de inscrições rapidamente; ao final do primeiro mês de seu lançamento já se havia ocupado a metade das vagas, o que para mim foi uma grande surpresa, pois geralmente no nosso país se deixa tudo para a última hora, poucos dias antes do evento. Além do que é uma grande novidade por aqui, pois nunca houve um evento deste tipo. Fora isto, houve também bastante movimento nas redes sociais.

Leonardo Lemos /CNA – A respeito das palestras: há um fio condutor nos temas do Congresso?
Pablo Flores – Não como um tema central. Demos bastante liberdade aos astrólogos para trazerem seus temas, ainda que a maioria seja da linha Psicológica Moderna. A divisão dos temas, fizemos mesmo com respeito ao nível: simultaneamente haverá conferências para astrólogos do nível médio ao avançado. Enquanto que em outra sala vai haver conferências para o público leigo ou astrólogos principiantes, que em todo caso também estarão muito boas e podem atrair todo o tipo de astrólogos.

Leonardo Lemos /CNA – E sobre os palestrantes: Quem são? De onde vêm? Há apenas chilenos entre eles ou também de outras partes do mundo?
Pablo Flores – A maioria dos conferencistas são astrólogos chilenos. Todos de um excelente nível e em geral os mais reconhecidos. Realmente o nível no Chile é bastante bom e tivemos de deixar de fora vários astrólogos excelentes, porque simplesmente não havia mais espaço para palestras. De fora do Chile vem a sua queridíssima Vanessa Guazzelli Paim e é uma grande honra poder contar com a presidenta de uma organização do Brasil e irá expor sobre suas investigações. Na verdade, ela irá compartilhar seu saber numa mesa redonda junto aos dois astrólogos chilenos de maior destaque. Vai ser uma experiência fascinante! E também nos visita Jorge L. Serrano, do México. É um grande presente que ele nos visite. Com seu currículo destacadíssimo e uma enorme experiência ao ter organizado os Congressos Mexicanos, vem nos falar de Quíron, uma de suas especialidades.

Leonardo Lemos /CNA – Deixe uma mensagem para todos os astrólogos brasileiros da CNA, Central Nacional de Astrologia.
Pablo Flores – Primeiramente, gostaria de lhes dar os parabéns pela sua gestão e organização. Creio que reunidos podem chegar a fazer coisas fabulosas, principalmente no que diz respeito a mudar a visão a qual a maioria das pessoas tem da Astrologia.  Segundo, eu quero convidar a todos a assistir a este bonito congresso que estamos organizando aqui em Santiago. Vai ser um encontro maravilhoso e de grande qualidade.

Um abraço!!!!!

Confiram o vídeo do Congresso neste link – http://youtu.be/UqWdyh-iIkY

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Ciça Bueno lança livro e conta como publicar uma obra no Brasil https://cnastrologia.org.br/cica-bueno-lanca-livro-e-conta-como-publicar-uma-obra-no-brasil/ Fri, 30 May 2014 22:49:38 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=796 cicaNo final do ano passado, durante o XV Simpósio de Astrologia do SINARJ, Sindicato de Astrologia do Rio de Janeiro, a astróloga associada da CNA, Ciça Bueno e seu parceiro, Rui Sá Silva Barros, lançaram o livro “A Contente Mãe Gentil rumo ao bicentenário – A História do Brasil vista pela Astrologia”. Disponível tanto na versão e-book quanto impressa (basta encomendar no www.clubedosautores.com.br ), o livro apresenta um estudo do Brasil do ponto de vista astrológico desde o descobrimento até a Proclamação da República.

Em entrevista exclusiva para o portal da CNA, Ciça Bueno, que é membro da entidade desde 2007, fala um pouco de sua carreira como Astróloga e do trabalho com a Astrologia Mundial, nos conta como conheceu Rui Sá, e fala sobre a difícil arte de conseguir publicar um livro no Brasil.

CNA – Como nasceu o projeto do Livro?

Ciça Bueno – Eu tenho paixão por Astrologia Mundial, já que eu sempre gostei de História, uma matéria que eu me dava muito bem desde o ginásio, eu tinha uma excelente professora de história e me lembro dela até hoje. Depois, minha irmã acabou estudando História e casou-se com um Historiador, com o qual eu fiz vários cursos. Naquela época, conheci o Rui Sá, que era aluno do meu cunhado na USP. Depois, há cerca de 10 anos, vim a reencontrá-lo na Astrologia. Como historiador, o Rui direcionou sua carreira para a Astrologia Mundial e, há dois anos, fui fazer um curso livro_cicasobre esse tema com o ele.

O curso durou seis meses e, no segundo semestre, o Rui convidou alguns alunos para continuarem a fazer o curso e escrever o livro. Ficamos eu, o Niso Vianna, a Silvana Farace e ele mesmo. O Rui é um Astrólogo Mundial com foco em Política e Economia. O Niso nos forneceu as progressões, trânsitos, tabelas, etc. e a Silvana, que também é Pedagoga, fez toda a pesquisa da área de Educação. Ela formatou um primeiro texto sobre o capitulo de Educação, eu reescrevi o texto e o Rui finalizou-o. A gente conta isso no livro, tivemos várias colaborações.

CNA – O que representou este trabalho para você?

Ciça Bueno – Representou uma grande realização, escrever um livro de Astrologia Mundial, que é um assunto que eu sempre gostei. Ao mesmo tempo foi um privilégio ser orientada pelo Rui para escrever este livro, que vai da Independência até a República. O trabalho foi muito prazeroso também por que eu fiz a parte de Artes e Cultura, que tem tudo a ver com a minha formação em Música. E o trabalho com o Rui não vai parar por aqui. Ainda serão feitos mais dois volumes. O segundo deve ir da Proclamação da República até 1945 e o terceiro volume de 1945 em diante, talvez até a era Lula, não sabemos bem ainda.

CNA – Como foi sua formação como Astróloga?

Ciça Bueno – Eu comecei a estudar Astrologia em 1987, depois que eu fui fazer um mapa astral com a Bia Oliveira e ela me disse: “você já pensou em estudar Astrologia? Você tem mapa de Astróloga” (Eu tenho Urano no Ascendente). Eu respondi que não, que nunca tinha pensado nisso e ela continuou me dizendo que tinha uma grande escola de astrologia do lado da minha casa, a Astrocenter, que na época pertencia ao Beto Botton, a Marylou Simonsen e a Vicky D´Orey. Na semana seguinte eu me matriculei e dois meses depois já tinha certeza de que era isso o que eu queria fazer da minha vida. Isso por que a Astrologia tem muito a ver com Música e eu sou formada em Música. Pitágoras já dizia isso, a “música das esferas”…, existem doze signos e na música são doze semitons, as sete notas musicais tem relação com os sete planetas tradicionais, a polifonia (que é a relação dos acordes) tem tudo a ver com os aspectos, há aspectos de tensão, de harmonia, de descanso, enfim, é uma linguagem muito semelhante. Tem muitos Astrólogos Músicos e vice-versa.

Passei mais dois anos realizando estudos sob orientação da astróloga Bia Oliveira, porque na época eu morava no Rio Grande do Sul. Depois que voltei para São Paulo, fui para o Instituto Delphos de Ensino, do Astrólogo Milton Maciel, que foi a primeira iniciativa de um curso superior de Astrologia no Brasil, com graduação em quatro anos. Eu fiz parte da turma de 89 a 92. Foi uma pena que o Milton não tenha conseguido dar continuidade (o Instituto fechou depois de cinco anos), pois era um curso completíssimo. Ele lutou muito pelo reconhecimento do curso, mas não deu certo. Eu tive a felicidade de fazer parte da primeira turma, tive professores excelentes, como o próprio Milton Maciel, Hanna Opitz, a Silvana Farace, o José Antônio Pinotti, o Dr. Sérgio Mortari (Astrologia Médica) , o Adonis Saliba (Astrólogo-Astrônomo), e outros, era uma equipe superbacana, uma escola muito moderna, tendendo à Psicologia e com ênfase em mitologias.

E depois disso, eu não parei de fazer cursos. Frequentei diversos cursos particulares de técnica e interpretação astrológicas com profissionais como Ademar Eugênio de Mello, Amâncio Friaça, Claudia Lisboa, Constantino Riemma, Eduardo Maia, Hanna Opitz, Marcia Mattos, Maria Eugênia de Castro, Noel Tyl, Otavio Azevedo, Rui Sá Silva Barros, Wirley Coury, Valdenir Benedetti. E, por dois anos fiz supervisão de atendimento astrológico com Silvana Farace, quando comecei a dar consultas em 1991.

Já fui professora, mas atualmente não dou mais aula, pois hoje tem escolas tão profissionais, como a Gaia, a Regulus e outras, que prefiro ficar somente atendendo como Astróloga. No entanto, faço um trabalho que eu mesmo tive com a Silvana Farace e que considero fundamental para um estudante recém-formado, a supervisão astrológica. Eu ajudo aos astrólogos recém-formados orientando seus trabalhos iniciais. Além disso, escrevo para a Revista Joyce Pascowitch e na coluna semanal para o portal www.glamurama.com.br e para o Astral da semana, coluna do www.clubedotaro.com.br. E tenho meu próprio Blog www.cicabueno.com.br /blog.

CNA – E você mistura alguma outra técnica em seu trabalho como Astróloga?

Ciça Bueno -Tenho também formação em Numerologia, que foi feita sob orientação de Suely de Souza. E ainda estudei I Ching com Ion de Freitas, Cabala com Constantino Riemma e Warren Kenton, Tarô com Bia Oliveira, Mitologia com Junito Brandão, Psicologia com Sandra de Faria, Calendário Maia com Vandir Casagrande e freqüentei os quatro módulos completos de Filosofia na Associação Palas Athena. Participei ainda de curso particular de formação em Psicologia Analítica (Junguiana) com Amnéris Maroni, doutora pela UNICAMP, de filosofia sobre Spinoza e Nietzsche com Amauri Ferreira. E há anos participo dos Seminários de Desenvolvimento da Consciência e Auto-conhecimento, dirigidos por Robert Happé.

CNA – Ciça, e além destas, quais as outras obras que você tem publicadas?

Ciça Bueno – Tenho mais dois livros publicados em parceria com a Marcia Mattos (presidente do SINARJ), um livro chamado “Síndromes de Plutão e outros planetas exteriores” e o segundo livro chamado “Vocação, Astros e Profissões”, ambos publicados em 2007, pela editora Ágora. Também tenho um livro de minha própria autoria, chamado Quíron e o papel do curador na contemporaneidade , que foi publicado pela editora da Gaia em 2009 e depois fiz uma reedição eu mesma pela Publicações MCB. E tenho um projeto de gaveta, que é um Romance Astrológico, que está 70% pronto.

CNA – Como é a trajetória para publicar um livro de Astrologia no Brasil?

Ciça Bueno – O Astrólogo que quiser publicar um livro precisa estar com o conteúdo inteiramente redondo para oferecer a uma editora. Ele até pode tentar um investimento em um projeto a ser realizado, mas é muito mais difícil. Este é o caminho tradicional. Hoje as editoras que publicam livros de Astrologia são a Pensamento, a Ágora, a Madras e a Gaia. No Rio de Janeiro tem também a Editora Espaço do Céu, da Astróloga Celisa Beranger. E há outras é claro, mas menores.

Mas hoje, existe uma alternativa para as pessoas que tiverem dificuldade de ter uma editora para publicar o livro, que é o site Clube dos Autores (www.clubedosautores.com.br ), por onde publicamos nosso livro “A Contente Mãe Gentil rumo ao bicentenário – A História do Brasil vista pela Astrologia”. Nós solicitamos a um profissional que produzisse a capa de nosso livro, mas é possível ter uma edição dentro do Clube dos Autores.

No meu caso e do Rui, decidimos investir na impressão de 100 livros para fazer o lançamento. Agora, os livros são vendidos lá sob encomenda. O cliente entra no site e compra o livro. Eles imprimem e enviam para a casa da pessoa o livro impresso. Ou enviam a versão digital, conforme o desejo e a compra do cliente.

CNA – Ciça, e é possível viver como escritora somente? Como funciona a parte de royalties?

Ciça Bueno – Para viver só de livros, é preciso ser um Paulo Coelho. No geral, um escritor recebe de 8 a 10% de royalties sobre um livro. Isso é o padrão. Funciona da seguinte maneira. No caso do Clube dos Autores, por exemplo, quando você envia a obra completa para ser publicada pelo site, eles te informam o quanto ela deveria custar, te dão uma idéia de preço.

Aí perguntam quantos por cento, você como autor do livro, quer receber em royalties. Então, vamos supor que eles acharam que o preço do seu livro é R$ 10,00 e você diga que quer receber R$ 1,00 por livro. Aí eles recalculam o preço, colocam os impostos e o preço acaba sendo R$ 13,00 para o consumidor final, por exemplo. Eles têm um trabalho bem sério, nos pagam nossos royalties direitinho e enviam mensalmente um relatório sobre a venda dos livros.

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Um homem da Renascença, Rodrigo Araês https://cnastrologia.org.br/um-homem-da-renascenca-rodrigo-araes/ Sat, 12 Feb 2011 14:53:45 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1241

Rodrigo Araês

Imperdível mergulho no mundo de um astrólogo que está na estrada há mais de 30 anos.

Multimídia, no dizer contemporâneo, Rodrigo se aproxima daquele ideal dos antigos renascentistas: formação a um só tempo rigorosa e generalizante, capaz de decodificar inúmeras linguagens, interessado em tudo que é do ser humano. Basta conferir: Engenheiro de formação se descreve também como “cantor de sambas, inclusive de breque, e de valsas do início do século XX”. Mestre em engenharia biomédica com formação em psicanálise,  lecionou de estatística a parapsicologia indo de uma a outra com igual paixão e entrega.

Rodrigo Araês é nome conhecido dos astrólogos brasileiros. Ativo e atuante, conta aqui um pouco de suas experiências em entrevista exclusiva concedida para Barbara Abramo para a  CNA. Rodrigo fala da sua trajetória, de sua busca espiritual, de suas pesquisas,de astrologia esotérica – sua especialidade e paixão –e também de poesia.

Cada testemunho dele é uma porta ou uma ponte para muitos campos do conhecimento, como faria um homem da Renascença. Aqui, Rodrigo mostra sua sensibilidade educada para os grandes temas contemporâneos. Professor de conceituadas universidades paulistanas, é prova viva da coexistência e da convivência entre o mundo simbólico e a mente racional do investigador que trabalha na trincheira da ciência.

Rodrigo tem perfil singular sim, sugerindo usos e aplicações da astrologia e de outros saberes porque acredita na transdiciplinaridade. Tanto assim que trabalhou para a publicação do Manifesto da Transdisciplinaridade de Basarab Nicolesco, editado pela escola TRIOM, de quem era sócio, há um ciclo completo de Júpiter (12 anos). Curioso pelo mundo que o cerca, dá dicas e toques para quem está trilhando a senda da busca espiritual, quem é astrólogo ou apenas interessado na arte astrológica.

Membro do Conselho Deliberativo da CNA, Central Nacional de Astrologia, Rodrigo já deu conferencia na AMORC, orienta o “Grupo de “Estudos de Transdisciplinaridade”, da USJT, do qual foi presidente do Comitê de Ética em Pesquisa na Área da Saúde. E ainda arranja tempo para ensinar meditação e Tradições Religiosas Orientais e Ocidentais, com forte ênfase em Alice Bailey e para escrever o capítulo sobre Escorpião em Astrologia, os doze portais mágicos.

Rodrigo “tenta fazer poesia”, como nos diz, talvez para descansar a mente. E com ela nos brinda ao final dessa entrevista: um verdadeiro renascentista!

Atenção: Rodrigo faz referencias a diversos autores, movimentos etc. Com a intenção de facilitar a compreensão de seu mundo, acrescentei notas explicativas a nomes, escolas, entidades etc. Estão elencadas como “nota da editora” (N. da E.) Já as notas escritas de próprio punho por Rodrigo Araês estão redigidas na primeira pessoa.

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Você faz parte do panteão da astrologia brasileira, por muitas razões. Desde o início, esteve adiante de projetos no mínimo ousados, como a TRIOM, a aderência a uma linhagem esotérica da astrologia, divulgando os princípios dessa corrente no país. Como foi ser pioneiro nesse campo, no contexto em que você começou?
R.- Essa história de panteão é um horror – vou levar na brincadeira. Meu primeiro contato com astrologia data de 1968, através de meu falecido terceiro irmão Percival Arthur (que nasceu com Sol em Peixes, Ascendente Aquário, Lua em Touro). Foi meu primeiro mentor, não só em astrologia, mas também em outras áreas do conhecimento esotérico: Tarot, Magia, Cabala, etc. Ele praticava meditação, viagem astral e rituais de magia, seguindo Elifas Levi . Muito culto, contando com uma visão enciclopédica e globalizante, foi continuador e orientador de uma tradição familiar que se iniciou com meu avô materno e continuou com minha mãe (que nasceu com Lua conjunção Netuno no Ascendente em Câncer. (Uma nota curiosa é que Percival nasceu em 1939, no dia do 24º aniversário de minha mãe. Eu fui o sétimo de 14 filhos e nasci três dias antes de minha mãe completar 30 anos). Em 1969 participei por seis meses de um grupo de estudos sobre a obra Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido . O contato com essa obra e com Lobsang Rampa , Castañeda , Paul Brunton  e Yogananda  abriram meu horizonte e resolvi não me filiar a nenhum grupo ou esquema que tirasse minha liberdade de seguir meu próprio caminho.

Percival morreu em 1970 e em 1973 me casei, comecei a trabalhar, aprendi a dirigir, operei as inimígdalas, coloquei óculos, e comecei a dirigir os grupos de estudos da minha família. Nada como um retorno de Saturno para assumir obrigações indeléveis. Por três anos relutei em assumir a direção deste grupo, herança desse meu irmão. Transformei um grupo espírita num grupo de estudos esotéricos, à custa da dissensão de 3/4 do grupo original; fomos de 60 para 15 – e não nos fizeram falta.

Desde o início, como dirigente do grupo, adotei uma postura de estudar sem abandonar a prática mística. Sempre achei que sem conhecimento a fé pode nos iludir. Em 1974 tomei contato com as obras de Alice Bailey ; inicialmente Um Tratado sobre Magia Branca e depois Iniciação Humana e Solar, mas no final deste ano comprei quase toda a obra em espanhol e comecei a recordar a Astrologia Esotérica (da mesma autora. Digo recordar, sem nenhuma pretensão, pois a sensação que tinha é que já conhecia praticamente toda a obra de Alice Bailey. Tive dificuldade com Um Tratado sobre o Fogo Cósmico que só consegui encarar em 2001.

Em 1975 ajudei a fundar uma Fraternidade e uma Sociedade de estudos esotéricos. Existia uma premência, que atribuí ao fato de nos reunirmos na casa dos meus pais e ter como vizinho um coronel da PM; eram os tempos de Médici . Depois descobri que naquele ano Urano tinha entrado em Escorpião, atingido meu ascendente, e retrogradado. Nesta retrogradação tudo aconteceu para facilitar a criação de nossa estrutura externa e interna.

Em 1976 comecei a dar aulas em três faculdades (MAUÁ, FATEC e FAAP ) num total de sete matérias diferentes; defendi meu mestrado, nasceu meu filho mais velho e conheci o Professor Raul Varella Martinez, então diretor da FATEC.

Estava cantando um samba de breque para a secretária dele quando ele surgiu e me perguntou se eu era o Prof. Rodrigo; como confirmei, disse que queria conversar comigo. Aquiesci e fomos para a sala dele. Dr. Raul (como o chamávamos, embora ele não gostasse do Dr) me disse que o Prof. Mário Pagliaricci  havia lhe informado que eu era interessado em assuntos incomuns, e me perguntou se conhecia astrologia. Expliquei que conhecia muito pouco da astrologia praticada pelos astrólogos profissionais e que meu interesse era Astrologia Esotérica. Ele me informou que desta astrologia ele não conhecia nada e nem sabia se funcionava, mas como percebeu que eu tinha uma forte influência de Escorpião e de Mercúrio, perguntou se podia fazer meu mapa. Por “acaso” estava com minha certidão de nascimento na minha pasta; algo que faço por hábito (depois tive dificuldade de encontrá-la novamente). Observando Dr. Raul senti atrás dele um disco solar, uma cruz e uma espada. Isso o impressionou muito, pois o símbolo do grau zodiacal  de seu ascendente tinha um globo, um compasso e um esquadro – caracterizando o astrólogo que ele era, e é. Meu mapa indicou Asc. Escorpião e Mercúrio combusto estacionário em Peixes (aviso aos incautos, Mercúrio em Peixes não dá burrice, mas dá uma distração danada).

Na semana seguinte tínhamos vestibular na FATEC e durante a minha função de fiscal de provas Dr. Raul me ensinou a calcular mapas astrológicos e me presenteou com um livro francês de efemérides e tábuas de casas. Os planetas tinham sua posição de 10 em 10 dias, a Lua de três em três, o que dava uma trabalheira para fazer os cálculos de interpolação planetária. No outro dia já tinha levantado quatro mapas que foram devidamente corrigidos. A partir deste dia comecei a interpretar de acordo com a Astrologia Esotérica e com o sistema sideral . Achava, pretensiosamente, que a Astrologia comum era muito fugaz para analisar o mapa de uma pessoa pelo plano da alma. Adotei o ayanamsa de Lahiri , pois sabia que o governo hindu o havia adotado quando da independência da Índia.

Dr. Raul ficou muito impressionado, pois obtinha informações precisas com um método do qual ele não tinha conhecimento mais formal. A partir desta visão complementar propus ao Dr. Raul que ele ensinasse astrologia para os 50 membros do meu grupo de estudos e que estudássemos supostos casos de reencarnação. Esta segunda proposta tinha sentido para mim, pois testaria algumas informações mediúnicas de que algumas pessoas teriam informações de que seriam reencarnação de parentes ou de alguém razoavelmente conhecido.

A Astrologia Esotérica, segundo Alice Bailey, afirma que o ascendente se mantém até sete encarnações seguidas; o ascendente seria um indicador do objetivo maior de uma vida e funcionaria como um Sol da possibilidade, em contraponto com o signo solar (que funcionaria como um Sol da probabilidade) que indicaria o estágio a que chegou a alma no domínio de sua personalidade. Trocando em miúdos: queríamos testar se o ascendente se mantinha enquanto que o signo solar poderia de outro signo. Tínhamos outras informações, como a de C. G. Jung , que acreditava que o mapa astrológico se mantém ativo até depois da morte do indivíduo. Tínhamos  os trabalhos de Edgar Cayce  e as especulações de Manly P. Hall   no seu Astrology and Reencarnation.  O problema é que as informações mediúnicas são muito duvidosas, para dizer o mínimo; neste ponto entra o meu contato com o Dr. Hernani Guimarães de Andrade , o maior parapsicólogo que o Brasil já teve e um dos mais respeitados pesquisadores do mundo nesta área.

Conheci o Dr. Hernani graças a um amigo comum, Sr. Edgar, que trabalhava com ele no Ministério de Minas e Energia, e a quem dei aulas de Física, Matemática, Química e Biologia, quando éramos colegas de curso científico. Dr. Hernani me recebeu muito bem – aliás, conhecia seus dois filhos – e me presenteou com o opúsculo “Jacira e Ronaldo, um caso que sugere reencarnação”. Agora tínhamos um caso detalhadamente explicado, com datas e locais indicados. Descobrimos depois que para proteger Jacira ele mudou o nome e o local de nascimento, e que havia algumas imprecisões que ele corrigiu na segunda edição.  Dr. Hernani era um geminiano gentleman que agradeceu muito nossas correções.

Em 1978 praticava Astrologia Esotérica como assistente do Dr. Raul e continuava com o grupo de estudos. Nesse ano aparecem no nosso curso Willy Wirtz e Dr. Juan Alfredo Cesar Müller, de saudosa memória . Dr. Müller presidia a ABA, nos convidou para participar do 1º Primeiro Simpósio de Astrologia e pediu que nos associássemos à ABA . Embora aceitando apresentar nossos estudos (meu e do Dr. Raul) sobre reencarnação, nós recusamos nos associar à ABA. . Eu me recusei por não conhecer a astrologia comum e portanto não me julgar competente para ser astrólogo. Dr. Raul, por ser diretor da FATEC, não quis expor publicamente sua ligação com a astrologia naquela época. Diga-se, de passagem, que posteriormente o Dr. Raul ministrou um curso de astrologia na PUC com Dr. Müller. Essa recusa nos custou caro no meio astrológico da ABA. No dia do 1º Simpósio apresentei meu trabalho pela manhã, fui intensamente aplaudido, por astrólogos como Antonio Carlos Harres, Olavo de Carvalho, Luis Pellegrini e Salvatore de Sálvio, entre outros que vim a conhecer naquela manhã. Mais tarde, Vera Facciolo criticou nossa postura de não nos integrarmos à ABA, afirmando que éramos engenheiros convencidos e com vergonha de nos intitularmos astrólogos. O que ela falou tinha alguma dose de verdade. Mas nem eu nem o Dr. Raul estávamos presentes, e acho que deveríamos ter direito de defesa, o que não ocorreu.

Depois disso, mais do que nunca me voltei para a astrologia esotérica e passei a interpretar muitos mapas, inclusive de astrólogos, dentro dessa perspectiva. Lentamente fui me aproximando da astrologia ocidental e conseguia numa mesma leitura utilizar as duas metodologias. Durante nove anos atendi de graça até o dia em que quase enfartei – Plutão passando pelo meu ascendente – era minha Alma me chamando.  A partir daí, fui obrigado a diminuir minha atividade como professor universitário, comecei a dar aulas de astrologia e de Tarô, na Astrocenter, escola concebida e dirigida por Marylou Simonsen e Carlos Alberto Botton .

Concomitantemente continuei usando os conhecimentos da Astrologia Esotérica em palestras e na leitura de mapas de pessoas que eu achava que possuíam uma consciência mais ampla. Aprendi a duras penas que não podia exigir dos consulentes que eles se voltassem para uma visão espiritual; cada um tinha seu tempo e sua vida. Mas me reservei o direito de só ler mapa de pessoas que despertavam minha atenção intuitiva, mesmo que às vezes eu me desse mal.

Durante muitos anos falei sozinho sobre essa vertente da astrologia, mas isso não me perturbou. Algo dentro de mim sempre me indicou este caminho, e a confiança no Tibetano  jamais diminuiu, muito pelo contrário.

Não cheguei a ser uma voz clamando no deserto porque sabia que no exterior já existiam vários astrólogos com essa postura.

Onde – em que campo e dimensão – a astrologia e a disciplina do conhecimento e do método cientifico podem dialogar? Existe a chance de uma interlocução válida, ou acha melhor esquecer e cada disciplina ficar estanque em seus “domínios de cognição” específicos?
R – Como pesquisador, militando na área de engenharia biomédica, nunca me incomodou a aparente discrepância entre meus estudos ocultistas e a prática e a teoria na área de ciências exatas. Sempre achei que não existiam limites entre um e outro; se a ciência comum não conseguia explicar a astrologia, problema desta ciência. Nunca deixei de mesclar meus conhecimentos de Física (fui professor de Eletromagnetismo e matéria afins por mais de trinta anos), de Matemática, Teoria de Sistemas, Redes Neurais, Sistemas Especialistas, Estatística, matérias médicas – dei aulas de anatomia e fisiologia para engenheiros por 16 anos, além de ter estudado Histologia, Bioquímica, Farmacodinâmica – com a astrologia. Está tudo interligado. A divisão disciplinar é o resultado de uma miopia mental que levou à fragmentação do conhecimento, e a considero como subproduto da hipertrofia da razão humana em detrimento de processos superiores de intuição e inspiração. Como diz Osho : A razão tirou o homem do paraíso.

Quando surgiu aqui no Brasil o movimento da Transdisciplinaridade , engajei-me na hora. Percebi mais tarde que alguns dos fundadores deste movimento tinham dificuldade de realmente serem transdisciplinares, pois escamoteavam a parte espiritual. Num grupo de estudos transdisciplinares que oriento a espiritualidade não é abandonada e cheguei a ensinar astrologia a este grupo como um exemplo de transdisciplinaridade; astrologia é uma ciência, uma arte, uma filosofia e uma espiritualidade, onde não existem partes estanques, tudo está ligado a tudo. Entre o micro e macrocosmos não há separação. A coerência quântica, Akáshica, ou o nome que se queira dar, subjaz em todos os níveis.

Fale um pouco da astrologia esotérica: qual o state of art agora? Quem são os profissionais que melhor a representam lá fora, que tipo de pesquisa/estudo tem ou foi feito recentemente levando em conta os postulados e hipóteses da astrologia esotérica?
R – Podemos dizer que a atenção consciente deste mundo que supomos racional é a “primeira atenção”, a que coloca nossa consciência no mundo dos mitos, dos símbolos, da criatividade, é a “segunda atenção”; para utilizar uma linguagem xamânica. Temos de funcionar nas duas atenções. A primeira nos leva a um mundo focado na personalidade, objeto da astrologia usual, a segunda nos leva a uma astrologia centrada na alma, objeto desta “astrologia esotérica” de A. Bailey e com a qual tenho mais afinidade.

A astrologia esotérica é chamada astrologia dos Sete Raios. Neste último livro que o Valdenir Benedetti organizou e do qual fiz o prefácio, existe um texto de Oscar Quiroga que está apoiado nesta astrologia. Aconselho a leitura, mas para um entendimento maior aconselharia o estudo profundo dos três primeiros volumes de Um Tratado Sobre os Sete Raios e um estudo informativo do livro Iniciação Humana e Solar, todos de Alice Bailey.

Existiu uma revista de astrologia publicada pelo Dr. Douglas Baker na qual Dr. Roberto Assagioli – psicólogo fundador da psicossíntese –  publicou alguns artigos sobre astrologia esotérica, segundo informações do próprio Dr Baker. Baker produziu muitos livros sobre esta vertente da astrologia, inclusive comentando o uso de Florais de Bach. Uma discípula de Assagioli, Dra. Angela La Sala Batá, escreveu vários livros utilizando a configuração de pacientes através dos sete raios.

Outro autor muito conhecido é Alan Oken, cujo livro Astrologia e os Sete Raios foi traduzido para o português (Ed. Nova Fronteira), além de Torkom Saradayrian , que também tem traduzido para o português um livro que fala das meditações de Lua cheia com foco nos sete raios.

Conheci Torkom aqui em São Paulo e lembro que perguntei a ele se o Tibetano trabalhava com astrologia tropical ou sideral; já que eu achava que a sideral era mais apropriada para verificar o caminho do Eu interno, o caminho do Ser. Pareceu-me que ele não conhecia muito a confecção de mapas, mas me deu uma informação preciosa. Ele me disse que parecia que era para se usar as duas (tanto assim que existe no programa de calculo astrológico Solar Fire  um sistema de calculo sideral do ayanamsha denominado Djwhal Khul – nome do Tibetano). Porem, para mim, o mais interessante é que segundo Torkom mais de 60% do que foi escrito sobre astrologia esotérica não foi publicado. Torkom morreu nos anos 90 e não tenho como confirmar esta afirmação.

Baker, Assagioli e Torkom foram amigos de Alice Bailey; se consideravam discípulos do Tibetano, o Mestre de Bailey. Outro amigo de Bailey foi Dane Rudhyar, mas não me lembro dele utilizar claramente os conceitos expressos na astrologia esotérica de Bailey. O que se observa em sua obra é um sentido de amplidão espiritual difícil de encontrar na maioria dos astrólogos.

Hoje em dia o maior divulgador desta astrologia é o australiano Philip Lindsay. Seu livro Soul Cycles of the Seven Rays – Esoteric Astrology & Initiation é uma bela compilação e clarificação do tema. Ele tem outros livros, mas um dos que li é decepcionante para quem estudou a obra de Bailey, é pura redundância. Outro autor muito interessante foi-me trazido pela Nádia Oliveira, professora de astrologia esotérica da Escola Gaia e minha co-discípula. Trata-se de Michael D. Robbins, cujo livro The Tapestry of the Gods tem como subtítulo “The Seven Rays: Na Esoteric Key to Understanding Human Nature”. Este livro é um enorme compêndio e tem informações e especulações preciosas sobre o tema. Nádia, esta buscadora incansável, me arrumou também um curriculum de uma escola trans-himalaica que se apóia na teosofia e em Alice Bailey. É uma escola virtual e nos deu uma coceira danada de fazer algo semelhante no Brasil.

Com base na experiência da TRIOM, o que você diria aos astrólogos interessados em tocar um projeto de escola e centro de estudos hoje em dia? Quais as semelhanças e diferenças entre a época que você começou, e agora? E que erros, se eles existem, não cometeria agora?
R.- Primeiro olhe seu mapa. Se não tiver liderança espiritual e material é melhor não criar uma escola. Esta conjugação de influências exige uma consciência mais elevada. Normalmente as escolas se fixam em torno do eu pessoal do fundador. Um astrólogo professor (se não for professor esqueça) que formar uma sociedade em que for parte minoritária está fadado a ficar atrelado a uma visão pragmática e se tornar vítima do fascínio do mundo. É difícil para os sócios apegados excessivamente ao plano material, mesmo que se julguem espiritualistas, aceitarem uma postura mais economicamente desprendida. Enquanto não se conseguir montar uma sociedade onde todos atuem como grupo, atingirem uma relativa maestria e estarem sujeitos à vontade da alma e não da personalidade, é melhor que o astrólogo seja o caput e tome as rédeas material e espiritualmente.

Hoje em dia todos os processos estão atrelados ao poder econômico; Urano, o grande regente do Sétimo Raio, rege a economia, e como regente da futura era de Aquário está tomando conta dos processos educacionais, sociais, religiosos, etc.

Quando o amor estiver mais disseminado sobre o planeta este problema se resolverá, e até lá temos de aprender a lidar com isso da melhor forma possível.

Escola GLS – Giz, Lousa, Saliva, estão com data marcada para acabar; assim como livros, discos e tudo mais. Com a internet os direitos autorais, o desejo de posse, estão sendo sutilmente minados, e isto é o resultado da influência de Plutão (Primeiro Raio – Vontade ou Poder) e Urano, pelo menos.

Os seres humanos têm de se conscientizarem de que a qualidade tem que vir antes da quantidade. Qualidade é uma prerrogativa do Ser (Alma ou Eu Real), quantidade é uma necessidade do ter (Personalidade).

Como convive, dentro de você, o rigor racionalista do Rodrigo cientista e a poesia, o mito, o simbolismo e a linguagem da astrologia, que também têm a aritmética e a trigonometria? Alguma vez você já entrou em choque consigo mesmo?
R- Desde que nasci estou em choque comigo mesmo. Nunca consegui entender direito o que estou fazendo aqui. Alguns que me precederam, como Fernando Pessoa, me ajudaram muito, mas esse mundo é decididamente irreal, de tão racional.

Poesia, mito, simbolismo são realidades hieráticas que estão impregnadas no Ser da humanidade. Sonho com o dia em que abandonemos a linguagem escrita foneticamente, ou pelo menos que ela perca essa valorização excessiva, e voltemos a nos expressar por símbolos mágicos. Graças a Deus o analfabetismo está grassando e mais do que nunca precisamos de meios de comunicação que libertem o ser humano deste cipoal de publicações, com essa preocupação maníaca de tudo medir, tudo pesar, tudo comprar.

O Ser Humano tem, urgentemente, de desenvolver a telepatia, a intuição, se quiser escapar à mentira hipnótica do mundo em que está preso. A astrologia é uma chave, mas sem um astrólogo intuitivo esta chave perde a poesia, o símbolo, o mito. Cai na astrologia de caderneta, sem criatividade, sem beleza, sem Eros.

Não creio que o que falei acima ocorra em menos de vinte anos, no mínimo.

O livro impresso vai acabar, ou pelo menos diminuir sua importância, assim como as revistas e publicações científicas e populares.

Você acha que existe um mercado editorial para a astrologia no Brasil? Se sim, qual o impacto da internet nesse mercado?
R- As pessoas parecem que lêem cada vez menos. Querem tudo muito mastigado. Quem tem coragem de enfrentar um livro como Astrologia racional do A. Weiss ? O mercado é pequeno nesta área e não é por falta de títulos. As estantes de astrologia nas livrarias maiores são pequenas e nas menores a vendagem de livros de astrologia é pouca. Devido à presença maciça de apostilas as vendas diminuíram demais. Quando lecionei na faculdade de engenharia nunca admiti apostilas e nunca as fiz. Um profissional, de qualquer área, tem de ler, não só para se atualizar, e em astrologia esse não é bem o caso, mas principalmente para melhorar seu senso crítico e desenvolver a criatividade. Leia e medite. Leia e faça um esforço de perceber as ligações, as nuances.

A internet está dificultando o mercado de livros astrológicos. Sai um livro e no dia seguinte ele já foi escaneado e colocado em um site para quem quiser copiar. Isto é ruim? Não creio. O modelo capitalista de direitos autorais nas áreas mais restritas está falido e não sei o que vai acontecer.

Outro problema é a venda de livros na língua inglesa. Como o inglês é o esperanto que Zamenhof não conseguiu emplacar, fica difícil concorrer com o mercado de livros em inglês, pela ação da Amazon e Barnes & Nobles. A idéia de livro pontual pode ser uma saída, mas o mercado ainda é insignificante e não sei se irá crescer.

Rodrigo e Nostradamus

O que move sua esperança em continuar participando tão ativamente e dando tanto exemplo de fé e entusiasmo, ao estar nas primeiras fileiras da CNA?
R- Sou um professor, desde que me entendo por gente. Tive milhares de alunos nas mais diversas áreas. Agora com mais de 60 anos resolvi atuar de maneira mais abrangente. Nunca gostei de associações, a começar do CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura), mas elas fazem parte desta realidade aparente em que vivemos e resolvi me colocar a disposição da CNA para passar algum conhecimento ou estimular meus confrades astrólogos dentro de uma visão mais espiritual.

Não me move o dinheiro envolvido na prática astrológica, e não creio que mude esta postura, mas me mobiliza o Ser humano que está por trás de cada um de nós. A astrologia esotérica é iniciática por natureza e iniciação quer dizer caminhar para dentro (de si). Os astrólogos mais jovens são entusiastas, fecundos, e apontam para um altruísmo que é uma certeza de melhores tempos.

Tenho filhos de 30 anos e sempre orientei a eles e a seus colegas num sentido da busca da essência. Isto sempre foi uma linha de menor resistência para mim, pois orientei, quase sempre sem cobrar nada – muito pelo contrário, pagando se fosse o caso – grupos de estudos esotéricos por 33 anos, metodicamente. Parei um pouco em 2006, mas fui voltando lentamente. Esta volta significou uma mudança de postura. Sou agora apenas um colaborador e não mais um déspota esclarecido.

Exatamente por você ter estado tanto tempo na trincheira da astrologia, adquiriu uma enorme experiência e visão aguda sobre os fatos. Então, qual o cenário que você desenha em termos de carreira e adesão á profissão, para os novos astrólogos e os que estão chegando ao mercado?
R- Olhe seu próprio mapa. Não entre nessa área se você não nasceu astrólogo. Astrologia ou se aprende em três meses ou vai demorar toda a vida. Não se torne, e isso vale para qualquer profissão, um iludido ou um enganador. Estarás lidando com pessoas carentes em vários níveis: físico, emocional, mental e espiritual. Você não é melhor que ninguém. Lembre-se que quanto mais evoluídos maiores são os nossos deveres, mas os direitos são os mesmos. Não transforme sua atividade num palco egocêntrico e utilitarista. Adquira uma visão intuitiva: medite, entre em contato com o Ser interno, seja ético, tenha bom senso, não dê informações que as pessoas não têm condições de lidar. Estude tudo o que for possível, a prática sem teoria é pobre, é nefasta, é funesta. Aconselho a seguir os quatro compromissos toltecas, transmitidos pelo xamã Don Miguel Ruiz conforme Os Quatro Compromissos  :

Seja Impecável no Verbo
Não leve nada para o lado pessoal
Não Interprete, atenha-se aos fatos.
Faça tudo da melhor maneira possível

Você acha importante que os astrólogos brasileiros estreitem o diálogo e a troca com os de outros países? Quais e como? Que tipo de convênio poderia existir?
R – Em 2000 dei uma palestra sobre Transdisciplinaridade para 600 professores da Universidade São Judas Tadeu -USJT, e ao final disse o seguinte: “Universidade vem da palavra “universo” que quer dizer voltar para a unidade. Não concebo uma Universidade, que Egon Schaden  chama de “Encontro das Idéias”, onde as Faculdades estejam isoladas umas das outras. Não consigo acreditar numa Faculdade em que as disciplinas não estejam interligadas e integradas. E não posso admitir disciplinas em que os professores não se conversem, não tenham respeito um pelo outro, não se amem.” Isto se aplica à CNA, à ABA e a SINARJ. É inacreditável que existam esses clubes que se isolem uns dos outros dentro de uma mesma atividade. Senti uma tristeza imensa quando houve o problema com as diretorias da CNA e tristeza ainda maior quando astrólogos importantes, sábios, se deixaram levar pela personalidade e cessaram o diálogo . Da mesma maneira que acho nosso planeta pouco evoluído por não ter um único governo, mas com todos os países e todas as suas funções preservadas, acho que aceitarmos a verdade seja de onde ela vier é fundamental para o processo civilizatório. Vamos estreitar laços com o mundo todo, pertencemos ao mundo, o mundo não pertence a nós.

Qualquer convênio que não fira a dignidade de cada grupo, povo ou nação é válido, é necessário. Mas se não procuramos primeiro a integração dentro de nós não conseguiremos nada permanente que venha de fora. O mundo é o que nós somos. Se formos íntegros, nosso mundo é integro – Visibilia ex Invisibilibus (O Visível vem do Invisível).


Você dá cursos? Onde? endereço, telefone, email para contato.

R  Estou dando um curso de Astrologia Esotérica propriamente no meu escritório, onde também ministro um curso sobre Iniciação Humana e Solar. Todos esses cursos são baseados nos ensinamentos de Alice A. Bailey. Além disso, dou um curso de Taro, na perspectiva esotérica, junto com minha grande e antiga amiga Lita Forbes Malta.

Oriento dois outros grupos de estudo – um sobre Transdisciplinaridade, para um grupo remanescente da USJT e que não está aberto, pois nos reunimos na casa de uma das professoras do grupo. Outro grupo estuda A Escola dos Deuses de Stefano Elio D’Anna , e está em meu escritório. Não está fechado, mas o acesso não é muito simples. É uma Entrada Aberta ao Palácio Fechado do Rei, parafraseando o título de um livro do alquimista Irineu Filaleto, autor muito bem cotado por Fulcanelli e outros alquimistas do mesmo porte.

Para contatos, usar o e-mail rodrigoaraes@gmail.com (mas aviso que sou lento para responder. Respondo rápido só quando meu Eu manda).

Quanto a atendimentos atendo se meu “grilo falante” me obrigar. Se forem assuntos simples, ou comerciais, procurem astrólogos mais competentes na astrologia usual do que eu. Normalmente só atendo por indicação ou por ligação direta.

Não costumo informar quando vou começar um curso – eles começam quando for a ocasião. Acho que poderia informar pela CNA.

Que recado/dica/toque você daria aos leitores?
R . Amem. Amem seu corpo, sua emoção, sua mente e seu espírito. A astrologia não é panacéia e o triunfo no mundo não é para fracos ou curiosos. Ler o mapa com todo mundo não resolve o problema da vida, quem tem que resolver somos nós!

Num recado mais preciso eu diria:

O jejum é o alimento do corpo.
O silêncio é o alimento da mente
A vontade é o alimento do Ser.

“Dreamer ”

Rodrigo e a esposa Silvia.

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NOTAS

Elifas Levi: Abade Alphonse-Louis Constant que, sob o pseudônimo de Elifas Levi Zaed, foi um grande ocultista do século XIX. É autor de vários livros que povoaram  meu início de percurso nesta busca esotérica. Entre eles: Dogma e Ritual de Alta Magia e Chave dos Grandes Mistérios. Papus, genro de Mem Philippe de Lyon foi um seu continuador.
Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido: Já editada em português pela Editora Pensamento, e de autoria do autor russo P.D. Ouspensky, versa sobre as experiências que viveu como aluno de George Ivanovitch Gurdjieff, fundador da filosofia denominada Quarto Caminho.  (N.da E.)
Lobsang Rampa: Pseudônimo de Cyril Hoskins, autor e divulgador do ensinamento de lamas tibetanos. Livros publicados em português. (N.da E.)
Castañeda: Escritor latino americano que relatou nos anos 60 e 70 do século 20 suas experiências com mescalina e ensinamentos sagrados dos índios Yaque. Seus livros estão publicados em português. (N.da E.)
Paul Brunton: Pseudônimo de Raphael Hurst, escritor e místico da primeira metade do século 20. (N.da E.)
Yogananda:Paramahansa Yogananda, mestre indiano que divulgou no ocidente, na primeira metade do sec 20, as técnicas do krya yoga e as regras da formação de um iogue em Autobiografia de um Iogue, publicado no Brasil. (N.da E.)
Alice Bailey: Alice La Trobe Bateman, herdeira e divulgadora da Teosofia, movimento espiritualista fundado por Helena Blavatsky na primeiras décadas do sec. 20, foi contatada pelo mestre tibetano Djwal Khul e a partir daí escreveu diversas obras, algumas delas traduzidas e publicadas em português. (N.da E.)
Médici: General Emilio Garrastazu Medici, presidente militar do Brasil no auge do período 1969-1974, um dos mais duros do regime militar. O mais duro ditador brasileiro parido pela revolução de 1964. Por receio de sua política repressora nosso grupo criou uma Sociedade de Estudos Esotéricos Universais- SEEU, em 1975. Com isso pretendi proteger a casa dos meus pais, onde eram feitas as nossas reuniões.
MAUÁ, FATEC e FAAP: Instituto Mauá de Tecnologia, Faculdade de Tecnologia de São Paulo e Fundação Armando Álvares Penteado, respectivamente, instituições de ensino universitário em São Paulo. (N.da E.)
Prof. Mário Pagliaricci: Professor da faculdade, com diversos títulos publicados sobre eletrotécnica.  (N.da E.)
Grau zodiacal: Graus Simbólicos de Hitschler, relacionados aos graus zodiacais, que transcrevem em parte o simbolismo do clarividente Janduz . (N.da E.)
Sistema sideral: Leva em conta a precessão dos equinócios e alinha o zodíaco com as estrelasç há diversas maneiras e métodos de calcular a diferença entre a posição tropical do zodíaco e a sideral, daí o comentário de Rodrigo sobre sua preferência pelo método Lahiri, utilizado oficialmente na Índia e reajustado a cada ano. (N.da E.)
Ayanamsa: diferença longitudinal entre o zodíaco tropical e o sideral. Para Lahiri, v. nota 12. (N.da E.)
C. G. Jung: Psiquiatra suíço, fundador da Psicologia Analítica. Primeiro foi discípulo de Freud e depois se tornou independente dele. Sua extensa obra contém estudos de Alquimia, Taoísmo e Astrologia. Existem vários astrólogos que lêem mapas seguindo uma orientação psicológica Junguiana. Tenho minhas ressalvas.
Edgar Cayce: Edgar Evans Cayce, espiritualista e clarividente, chamado de o Profeta Adormecido – atuou na primeira metade do sec 20, no EUA. Um caso suis generis dentro da mediunidade. Seu mapa possui no meio do céu uma conjunção de Plutão, Lua, Netuno. Em estado de transe manifestava uma suposta encarnação antiga como hierofante. Foi o único médium a obter licença da Associação Americana de Medicina para tratar de pacientes que não mais respondiam aos métodos da medicina tradicional. Em transe falava de mapas astrológicos e comentava sobre a vida passada dos consulentes. As anotações das consultas, feitas por assistentes, chegam a mais de 30.000 casos. Existe uma fundação nos EEUU que cuida desse acervo: http://www.edgarcayce.org/
Manly P. Hall: Astrólogo norte-americano, autor de vários trabalhos publicados na área. (N.da E.)
Dr. Hernani Guimarães de Andrade: Escritor falecido em 2003, parapsicólogo, pesquisador em psicobiofisica, publicou títulos sobre o tema da reencarnação. (N.da E.)
Juan Alfredo Cesar Mueller: Psicólogo, pesquisador e divulgador da astrologia juntamente com outros métodos terapêuticos alternativos, atuou em São Paulo nos anos 60-70 do sec. 20. (N.da E.)
ABA: Associação Brasileira de Astrologia – sediada em SP.  Associação Brasileira de Astrologia. É a mais antiga do Brasil, e bem poderia ter sido a única associação brasileira, não fosse pela postura detratora de seus fundadores, em relação a qualquer pessoa que discordasse de suas opiniões. É uma pena, mas acho que isso é um problema mundial. Tem muitos méritos, inclusive a de tentar dar um mínimo de legitimidade à nossa ocupação. (N.da E.)
Carlos Alberto Botton: Para mais informações v. entrevista com Carlos Alberto Boton no site da CNA. (N.da E.)
Tibetano: Entidade espiritual a que algumas correntes ocultistas e espiritualistas computam ensinamentos transmitidos aos seres humanos. V. também Teosofia, Alice Bailey, Helena Blavatsky entre outros. (N.da E.)
Osho: Osho foi de longe o mais controverso e divertido dos mestres vindos do oriente. Sua filosofia básica, que ficou impressa na minha memória, era: “Sou uma pessoa de gostos muito simples. Gosto do melhor.” Curto muito seus livros, e aconselho a ler. Títulos que mais me cativaram: Nem água, nem Lua, Meditação a Arte do Êxtase, Tantra a Suprema Compreensão. Seu conhecimento era enciclopédico e sua maneira de ver o mundo me trouxe muito esclarecimento. Foi considerado um mestre libertino e isso lhe custou perseguições, a ponto de ter sido preso nos EUA; a meu ver injustamente. Osho é um titulo reverencial pelo qual Bhagwan Sri Rajnish era conhecido. (N.da E.)
Transdisciplinaridade: Movimento que visa a integração de muitos saberes, iniciado nos anos 70 na Europa. (N.da E.)
Torkom Saradayrian: Musico, educador, espiritualista oriental que viveu nos EUA e publicou mais de 120 títulos sobre espiritualidade, astrologia etc. Faleceu em 1997.  (N.da E.)
Solar Fire: Programa de cálculo astrológico por computador bastante conhecido, produzido pela Alabe, inc.
Astrologia racional: Adolfo Weiss sistematizou nessa obra ensinamentos o College de France, importante corrente francesa. Traduzida em espanhol pela Editorial Kier de Buenos Aires. Sem tradução em português. (N.da E.)
Os Quatro Compromissos: Dom Miguel Ruiz, Ed Best Seller. (N.da E.)
Egon Schaden: Antropólogo da FFLCH-USP especialista no povo guarani, publicou diversos títulos que são referencia na área. (N.da E.)
Problema com as diretorias da CNA: A esta altura Rodrigo se refere a um desentendimento que envolveu alguns membros da então cúpula da recém criada entidade. (N.da E.)
A Escola dos Deuses: Titulo de um romance do reitor da Escola Europeia de Economia sobre a aventura da libertação interior do medo e da duvida. Pro-Libera editora. (N.da E.)
Dreamer: O nome do mensageiro-curador personagem de A Escola dos Deuses v.nota anterior. (N.da E.)
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Entrevista com Beto Boton https://cnastrologia.org.br/entretvista-com-beto-boton-3/ Thu, 03 Feb 2011 14:50:17 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1190  Barbara Abramo
 Beto Boton

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Beto Boton está de volta!

Quem está na estrada há mais de 20 anos sabe quem é Carlos Alberto Boton. Para os mais novos colegas, o seu nome pode ser apenas lenda, ou um nome lido na lombada da edição de “Tábuas de Casas Astrologicas brasileiras”, a primeira confeccionada para o Brasil, e publicada pela Editora Pensamento nos anos 80.

Beto, como é chamado por clientes, amigos e parceiros de trabalho, sempre foi um dos mais ativos astrólogos do cenário paulistano. Com seu estilo vivaz e empreendedor, tocou a Astrocenter (Centro de Estudos Astrológicos) em São Paulo, grande escola de Astrologia da cidade, da qual foi sócio fundador e onde formou vários astrólogos profissionais. Inquiridor, Beto Boton estudou com alguns dos maiores astrólogos brasileiros, tais como Zeferino P. Costa e Juan Alfredo C. Müller, entre outros.

Fez conferências e apresentou diversos trabalhos originais em colóquios internacionais, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, e trouxe profissionais de outros países para dar palestras, cursos e workshops, como o astrólogo norte-americano Jeff Jawer. Além disso, com seu pioneirismo, lutou ombro a ombro com outros colegas para tornar real o sonho de uma entidade representativa moderna, que seguisse um modelo contemporâneo, horizontal e mais “aquariano” por assim dizer, que foi o sonho da Rede Nacional de Astrologia, da qual muitos participaram.

Por sua formação em ciências exatas, Beto entendeu rapidamente o potencial da informática e da engenharia de informação que vinha nascendo. Por isso, não poupou esforços para trazer programas e máquinas capazes de libertar o astrólogo para seus estudos e demais pesquisas, como apontou em congresso paulista nos anos 80.

A determinada altura, Beto resolveu desbravar outros horizontes e lá se foi para os Estados Unidos, onde permaneceu por dois anos. Em seguida, fixou-se na Austrália, onde viveu e trabalhou nos últimos 18 anos.

De volta ao Brasil em março último, Beto trouxe na mala algumas surpresas para compartilhar com os colegas. Além de ter ingressado na CNA em 2009, já deu seu segundo workshop em São Paulo e pretende agitar mais ainda o cenário paulistano no segundo semestre.

Hoje em dia, além de astrólogo, Beto Boton é Counsellor (Conselheiro terapêutico) formado, com um Advanced Diploma in Counselling na Austrália sendo Membro Clínico da QCA 2009 (Queensland Counsellors Association) – Associação de Conselheiros Terapêuticos do Estado de Queensland, membro da PACFA (Psychotherapy & Counsellors Federation of Australia) Associação de Psicoterapeutas e Conselheiros Terapêuticos da Austrália. Especialização em MiCBT – Mindfulness integrated Cognitive Behaviour Therapy – Austrália.

Abaixo, um pouco do que ele está programando para seu retorno, nessa entrevista concedida em julho à sua ex-aluna e amiga Barbara Abramo.
Quem quiser maiores detalhes, entrar em contato através do site http://betoboton.com

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ENTREVISTA

BA – Você passou muito tempo fora do Brasil e agora está retornando, muita gente tem curiosidade de saber o que voce achou do meio astrologico australiano, quais são as correntes mais fortes por lá, o clima dos eventos da área, os temas mais candentes, e a preocupação dos usuários de serviços astrológicos.

BB – Foram 2 anos nos Estados Unidos e 18 anos na Austrália, nestes anos todos e baseado na minha vivência trabalhando no setor, acredito que existem diferenças de base entre os modelos de trabalho, e também entre os perfis dos clientes que tive nesses países – mais especificamente na Austrália – pois acho que 2 anos são apenas umas “férias longas” em um país, não dando assim para compreender com profundidade a sua cultura. Mas, voltando ao caso específico da Austrália, a Astrologia é o que se poderia descrever como “acadêmica”. A grande maioria dos Astrólogos se concentra em estudar técnicas, teorias e escrever sobre estas, além, é claro, das colunas de horóscopos nas revistas femininas e jornais. Não existe um volume de clientes como aqui no Brasil. Temos que lembrar que em um território 10% menor que o Brasil temos uma população total que não é maior do que a da ‘grande São Paulo’. Posso citar um exemplo de um astrólogo que viveu 50 anos trabalhando com uma porta aberta para a rua, no centro de Sydney, e me mostrou que a quantidade de clientes novos que teve em 50 anos foi praticamente a mesma que um astrólogo em São Paulo atende em 12 anos de trabalho.

BA – Outra curiosidade é se os astrologos australianos sabem do que fazemos aqui, e se eles têm ou não uma disposição aberta para trocar com os astrologos brasileiros. Como é a relação com a tecnologia, a informática, e para onde estamos indo na Astrologia em termos de sofisticação tecnológica, já que, além de exímio astrólogo, você tem conhecimento, em nivel profissional, de tecnologia de informação?

BB – Vamos começar pela área da tecnologia de informação. Pessoalmente prefiro dividir este campo em 2 áreas distintas: cálculos e interpretações automatizadas. Em ambas as áreas a Austrália tem uma tecnologia de vanguarda que acredito que hoje supera a dos americanos. Na minha opinião os programas de Astrologia produzidos na Austrália estão entre os melhores do mundo, apesar de se valerem das bibliotecas de programação estrangeiras como “Swiss Ephemeris” e “ACS Atlas”. No que diz respeito à venda de “relatórios de interpretação” também estes têm uma qualidade excepcional e oferecem ao público um primeiro encontro com a Astrologia, sem ser necessário que a pessoa saia do seu resguardo pessoal, fazendo uma visita a um astrólogo.
Com relação ao relacionamento entre astrólogos brasileiros e australianos, a língua é um fator que limita esse intercâmbio. Infelizmente, na Austrália, as notícias do Brasil se concentram no carnaval, futebol e alguns crimes.

BA – O que você aprendeu com seu contato com a cultura australiana, em termos de concepção do trabalho astrológico, da prática diária de um astrólogo? Quais os nomes estrangeiros atuais que você considera mais afinados com as demandas do século 21?

BB -Talvez, uma das coisas que mais tenha chamado a minha atenção em todos esses anos, seja a influência do aspecto cultural em si próprio. Embora todos falem a respeito disso, o que pude observar tanto em publicações como na prática de atendimento é que existe uma Astrologia que está voltada a uma cultura predominantemente branca e anglo-saxônica e, as vezes mais especificamente, a uma cultura predominantemente americana, que não obrigatoriamente reflete os padrões comportamentais locais. Tendo tido a chance de ter muitos clientes de origem asiática, africana — e mesmo europeus, gregos, italianos, espanhóis, malteses e outros, — fica patente que alguns modelos de interpretação astrológica patrocinados hoje em dia não se aplicam indiscriminadamente a todas essas culturas. Veja que a Austrália é um país formado por imigrantes. Com relação a estrangeiros de destaque, não tenho uma opinião formada, e baseada em fatos sobre os trabalhos individuais dessas pessoas.

BA – Você também trabalhou em counselling, e obteve um importante grau de formação nessa atividade. Como ela enriqueceu sua prática astrológica?

BB – Posso dizer que foram dois os aspectos que contribuíram para o desenvolvimento do meu trabalho, que adquiri: primeiro através do estudo formal das teorias do desenvolvimento e comportamento humanos, podendo ter debates com outros colegas que não vêm a Astrologia como algo sério. E em segundo lugar a oportunidade de trabalhar como terapeuta, onde ouvir o cliente é fundamental. Sempre me refiro a isso como o astrólogo sendo uma boca enorme e o terapeuta um ouvido aberto, assim acho que o que mudou no meu trabalho é que hoje combino com maior flexibilidade o ouvir com o falar, na relação com o cliente. Meu trabalho astrológico, hoje em dia, está 100% voltado às necessidades do cliente, caminhando lado a lado com a vida real e objetiva dos clientes.

Outro fator que modificou bastante o meu trabalho foi o meu envolvimento com o que em inglês chama-se MiCBT – Mindfulness integrated Cognitive Behaviour Therapy, ou seja, Meditação de Atenção Plena (Mindfulness) integrada à terapia cognitiva-comportamental. O treinamento específico, bem como a prática desta modalidade de trabalho, também contribuiu de maneira fundamental para o formato que hoje emprego, não só no trabalho com o cliente, como também na compreensão do modelo astrológico, mas isso é um assunto muito extenso e fascinante, que fica para outra oportunidade.

BA – A seu ver, o que falta e o que sobra para o astrólogo brasileiro padrão? Considerando que você foi um dos professores de uma das mais influentes Escolas de Astrologia do Brasil nos anos 80, o que diz, do que vê agora, em seu retorno?

BB – Esta é uma pergunta difícil. Somente como uma primeira impressão recolhida através de clientes e de outros astrólogos que têm participado dos meus workshops, me parece que existe um distanciamento entre as necessidades do público e o serviço prestado pelos astrólogos. Tenho ouvido a respeito da insatisfação dos clientes quanto à linguagem comprometida com jargões, –diferentemente do conteúdo, — nas leituras astrológicas. Mas isso ainda carece de uma avaliação melhor. Seria muito triste perder esta riqueza de conhecimento que a Astrologia no Brasil produziu para um modelo pasteurizado de interpretação.

BA – No momento, você está formando profissionais na sua linha de trabalho? Onde e como? Quanto aos workshops que está fazendo na Escola Regulus de S. Paulo, como tem sido a acolhida? Você pretende levar esse trabalho formativo para outras cidades? Como os interessados devem fazer?

BB – Primeiro agradeço profundamente ao Alexandre e à Eliana, da Escola Regulus, pela acolhida carinhosa no meu retorno depois de 20 anos fora do Brasil. Adquiri um hábito de oferecer, todos os anos, um painel com várias opções de workshops para toda e qualquer organização ou grupo que tenha o interesse em promovê-los. Estou sempre aberto a estabelecer parcerias e apresentar meus workshops em qualquer estabelecimento e em qualquer cidade. No momento ainda procuro me inteirar de quais são as opções de parcerias disponíveis, e continuo estabelecendo novos contatos; tenho recebido várias consultas via meu website e também no painel da CNA.

BA – Além de pessoas e casais, você ainda acredita em que tipo de atendimento em Astrologia: empresarial, financeira, mundana.. fale um pouco sobre isso.

BB – Não, meu trabalho especificamente está voltado a indivíduos e casais. Claro que as questões mundanas, empresariais, financeiras fazem parte das vidas dessas pessoas e por conseguinte não as posso excluir como assuntos tratados com meus clientes. Mas, como disse anteriormente, a Astrologia que pratico está centrada no cliente.

BA – Você, que ajudou na elaboração do estatuto da Rede Nacional de Astrologia, o que acha da iniciativa da criação da CNA?

BB – Acho fantástico que possa existir um ponto comum entre os entusiastas e profissionais da Astrologia, principalmente em um momento onde aproximar pelas semelhanças nos torna muito mais humanos e promove a compaixão, do que pautar-se em supostas diferenças que só dilaceram os relacionamentos humanos de maneira egoísta.

BA – Se pudesse resumir em algumas palavras qual é o papel do astrólogo brasileiro no século 21, quais seriam essas palavras e o que diria a um jovem estudante?

BB – O papel do astrólogo, na minha visão, continua sendo o mesmo de milhares de anos, trabalhar para o seu cliente de forma competente, honesta, isenta e objetiva, visando a felicidade do cliente.

BA – Você pretende constituir uma nova escola nos moldes da antiga Astrocenter?

BB – No processo de Meditação de Mindfulness o momento presente é fundamental. O Astrocenter teve o seu presente naquela época. No momento não tenho a menor intenção de reviver ou re-inventar esta experiência. Foi muito gostoso enquanto durou, e sou muito grato a todos os que fizeram isso possível naquela época. O meu trabalho hoje se concentra em passar a experiência profissional que adquiri fora do Brasil para outros profissionais, e poder continuar meu trabalho com clientes, como sempre fiz.

Barbara Abramo, astrologa profissional desde 1980, estudiosa de astrologia clássica, escreveu um ensaio sobre astrologia mundana em 1994 (No ceu da Patria neste Instante), e é responsável pelo horóscopo diário da Folha de São Paulo, e horóscopo mensal da UOL desde 2000. Mantem o site Urania da Folha On Line – www.urania.com.br e toca um microblog no Twitter: twitter.com/barbarabramo. Contatos por email: barbara.abramo@uol.com.br

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Entrevista com o Astrônomo Daniel Rutkowski Soler https://cnastrologia.org.br/entrevista-com-o-astronomo-daniel-rutkowski-soler/ Thu, 27 Jan 2011 16:06:21 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1087 Primeiro planetário a ser instalado na América Latina, em 26 de maio de 57, está na memória de muitos adultos que, na infância, sentaram nas poltronas antigas, olhando para o alto e vendo a projeção das estrelas e planetas. Em 1999, fechou para uma grande reforma, voltando a abrir as portas para o público em setembro de 2006. O projetor StarMaster é capaz de transmitir imagens, em tempo real, do telescópio Hubble ou da Nasa, mostrando o céu de qualquer ponto do sistema solar, indo e voltando no tempo.

Foi nesse local onde, pela primeira vez, um astrólogo foi convidado a participar de um evento oficial, Singularidade: Astronomia x Astrologia. Após as explanações, os astrônomos prof. Walmir Cardoso, Daniel Rutkowski Soler e o astrólogo Oscar Quiroga conversaram com a equipe da CNA. A paixão pelo que fazem é forte nos três, começando por Daniel, 22 anos, que nasceu no ano em que o cometa Halley passou e espera comemorar seus 76 anos com a próxima passagem dele. Walmir, um excelente contador de histórias, encanta a todos relatando mitos das constelações e passando um pouco de seu conhecimento numa linguagem acessível e arrebatadora. Quiroga, astrólogo, mais conhecido por seu horóscopo publicado no jornal O Estado de São Paulo, numa linguagem que mescla Astrologia e Psicologia, procura inserir o ser humano no cosmos.

 Daniel Rutkowski Soler

CNA- Como surgiu seu interesse por Astronomia?
Daniel: Sempre gostei de ciências em geral, desde os tempos de ensino fundamental. Mas a Astronomia, propriamente dita, surgiu na minha vida só depois que eu me identifiquei plenamente com a Física, percebendo que era isso que eu queria estudar na faculdade.

Quando comecei a planejar o meu ingresso no ensino superior, descobri a existência da Habilitação em Astronomia como uma das possibilidades existentes para o grau de Bacharel em Física na Universidade de São Paulo. Comecei então a cada vez mais me interar sobre isso; comecei a ler mais sobre Astronomia, até iniciar a habilitação e, então, vislumbrar um mundo novo de que eu não fazia idéia do quão grande poderia ser.

Mas, sem dúvida, começar a trabalhar no Planetário do Parque do Carmo e, depois, no Planetário do Parque do Ibirapuera, foi um “empurrão” tão grande quanto cursar a habilitação no sentido de desenvolver o meu interesse pela Astronomia. Como resultado de tudo isso, planejo, para o próximo ano, ingressar no programa de Mestrado em Ensino de Ciências da USP, com um projeto relacionado ao passado, ao presente e, quem sabe, ao futuro do Ensino de Astronomia nas Escolas.

CNA- Quando e por que começaram os cursos de Astronomia para leigos?
Daniel: Os primeiros cursos sobre Astronomia, oferecidos na cidade de São Paulo, segundo me informou o professor Paulo Gomes Varella, datam de 1949, quando foi fundada a ASSOCIAÇÃO DE AMADORES DE ASTRONOMIA – AAA. Conheço pouco da história dessa associação, mas as principais informações sobre ela encontram-se, certamente, no site do professor Irineu Gomes Varella, diretor durante 20 anos do Planetário do Ibirapuera, especificamente no link www.uranometrianova.pro.br/historia/hda/0002/aaasp.htm.

CNA- Qual é o público-alvo?
Daniel: Ao longo dos tempos, foram oferecidos cursos, tanto pela AAA quanto pela Escola Municipal de Astrofísica, após a sua inauguração em 1961 (http://www.prefeitura.sp.gov.br/portal/a_cidade/noticias/index.php?p=3539), voltados para todas as faixas etárias e para todos os níveis de conhecimento. Desde cursos para crianças, até cursos totalmente gerais que qualquer indivíduo com formação compatível à adquirida no ensino fundamental pode cursar, passando por cursos bem específicos que exigem conhecimentos mais elaborados, por exemplo, sobre matemática, como é o caso do curso de Astronomia Esférica.

CNA- Qual é o perfil dos alunos?
Daniel: Em geral, os alunos que decidem realizar cursos junto à EMA são muito interessados. Todos os professores comentam que é um prazer dar aulas para esses alunos. As aulas “rendem” muito e o avanço dos alunos, ao longo do curso, é muito grande, já que são muito esforçados e estudam bastante.

CNA- Como é vista a presença de astrólogos nesses cursos?
Daniel: Não há discriminação alguma. Os professores apenas procuram deixar claro aos alunos as diferenças existentes entre Astronomia e Astrologia, bem como enfatizar que durante as aulas só são tratadas questões ligadas à Astronomia e às ciências afins.

CNA- Existe a preocupação em despertar nas crianças o interesse por Astronomia? Se sim, através de quais ações?
Daniel: Sem dúvida. Além de cursos e atividades educacionais e de entretenimento com temática astronômica, voltados especificamente para crianças, sempre fizeram parte da programação dos Planetários de São Paulo as chamadas sessões infantis, com linguagem e conteúdo apropriados e trabalhados de maneira a garantir a aprendizagem e o encantamento dos pequenos com o mundo da Astronomia.

CNA- Qual é a programação permanente de eventos abertos ao público?
Daniel: Atualmente o Planetário do Ibirapuera é a única dentre as três instituições que formam o complexo Planetários de São Paulo – Planetários do Ibirapuera e do Carmo e EMA – a possuir uma programação de atendimento ao público. Têm sido exibidas três sessões diárias aos sábados, aos domingos e feriados, sempre às 15h, 17h e 19h. O evento chamado Banho de Lua, que consiste na observação da Lua com os telescópios do Planetário do Ibirapuera, faz parte também da agenda de eventos permanentes. Todos os meses, no sábado correspondente à semana de lua crescente, sempre a partir das 20h, esse evento é realizado, desde que o céu não esteja nublado ou não esteja chovendo. Outros eventos, como o Sarau Astronômico e a Virada Astronômica, ocorrem com alguma freqüência, que não é totalmente regular. Para obter informações completas sobre a nossa programação, basta acessar o site http://www.prefeitura.sp.gov.br/planetarios, ou ligar para o telefone (11) 5575-5425 e falar com um dos atendentes.

CNA- Quem se interessar por cursos e/ou eventos nos Planetários de São Paulo, pode obter informações onde?
Daniel: Existem cursos semestrais – com uma aula por semana -, e cursos de férias – aulas todos os dias – oferecidos pela Escola Municipal de Astrofísica. Para saber quais serão oferecidos, e quando se iniciam os períodos de inscrição, basta acessar o site http://www.prefeitura.sp.gov.br/planetarios e clicar no link CURSOS; ou ligar para (11) 5575-5425 e falar com um dos atendentes.

DANIEL RUTKOWSKI SOLER É ASTRÔNOMO E MEMBRO DA EQUIPE TÉCNICA DE PRODUÇÃO CIENTÍFICA DOS PLANETÁRIOS DE SÃO PAULO.

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Entrevista com Walmir Thomazi Cardoso https://cnastrologia.org.br/entrevista-com-walmir-thomazi-cardoso/ Thu, 27 Jan 2011 16:05:18 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1085  Beth Nakata entrevista Walmir Cardoso

CNA – Vimos hoje um evento com Astronomia e Astrologia no mesmo espaço e com o mesmo destaque. Existe a possibilidade de um diálogo entre esses dois conhecimentos?
Walmir: Há possibilidade, sem dúvida. O que muitas vezes acontece é que raramente encontramos pessoas disponíveis a um diálogo. Um diálogo pressupõe, a priori, que as pessoas não queiram ter razão, mas queiram pavimentar um caminho para esse crescimento. São poucas as pessoas que dizem “essas constelações podem não ter a menor existência, porque a questão é de outra natureza”; é o que o Quiroga, por exemplo, fala; e que nossas constelações são imagens, que poderiam ser outras imagens. A questão do indivíduo e de sua ação no mundo é muito mais presente na fala dele. Já outros astrólogos dizem que as doze constelações são o cânone da Astrologia, com uma chave de interpretação estanque, tornando mais difícil esse diálogo porque, na verdade, eles vêem isso como verdades absolutas, conhecimentos impositivos. No lado da ciência também encontramos pessoas assim. Como cientista posso afirmar isso, que há muitos de nós orgulhosos do que a Ciência construiu ao longo dos séculos. Portanto esse diálogo não é apenas possível, como necessário. Mas também percebo que esse diálogo vai servir para nos mostrar que Astrologia e Astronomia são áreas de conhecimento muito diferentes. Enquanto uma se ocupa, hoje em dia, não só da posição dos astros mas também da natureza, da forma como as estrelas evoluem e de como a vida surgiu, a outra se ocupa de uma chave de representação para o ser humano. Por isso, gosto da maneira como o Quiroga faz essa colocação do ser humano sendo o centro dessa questão astrológica e não a influência eventual que um astro possa produzir sobre o homem. São chaves, maneiras de interpretação, que não são terreno da Astronomia.

CNA – Ao discorrer sobre olhares diferentes para uma mesma constelação, dependendo do observador, seja ele um índio em sua tribo no Amazonas ou um habitante de São Paulo, é correto afirmar que você vê a Astrologia como um fenômeno cultural?

 O diálogo entre a Astrologia e Astronomia.

Walmir: Essa é minha hipótese. Trabalhei durante os três últimos anos com os índios Tukano, no alto Rio Negro. Sempre achei que todas as culturas da Terra tivessem percebido os planetas, isto é, os astros que mudam de posição no céu. Pensava ser quase uma obviedade ululante. Porque é muito evidente que, à medida que o tempo passa, alguns astros mudam de posição, enquanto outros permanecem fixos. Essa hipótese é falsa. Estive com esses índios em épocas diferentes, e em uma delas mostrei o planeta Júpiter, explicando que é um planeta, em minha cultura, que estava naquela posição, iria para outra e depois retornaria. Eles diziam “hum hum”. Fui embora e retornei meses depois, perguntando se haviam percebido Júpiter mudando de posição. Responderam que sim, mas vi que aquilo não fazia parte da cultura deles, portanto não registraram o caminhar celeste jupiteriano. Os símbolos que eles percebem são outros, são o aqui e agora, são os das constelações que eles desenharam. Para eles os planetas são apenas brilhos que originaram outros brilhos (as estrelas). Reconhecem apenas Vênus, conhecidos e identificados como dois irmãos, um visto depois do pôr do Sol, Doe, e outro antes do nascer do Sol, Cérebi. Dizem que os dois irmãos brigaram e não podem se ver. São filhos do deus da alimentação. Isso é de uma riqueza cultural enorme e que não tem dentro de si nem a Astrologia tradicional, nem nenhuma espécie de Astrologia. Ao mesmo tempo tem uma riqueza extraordinária dentro de cada filigrana dessas culturas, porque se sairmos dessa cultura e formos para outra, a 100 quilômetros dali, o céu é diferente e outras constelações são consideradas. Todas essas contribuições, somadas às contribuições culturais trazidas pelas várias Astrologias, é que trazem uma diversidade que, em minha opinião, é muito mais interessante que os símbolos só de uma ou outra cultura, apenas para ficar no Ocidente. Mais interessante que perguntar se planetas influenciam ou não o destino, esse debruçar-se sobre seu universo é muito rico, percebendo as nuances dos céus de todos esses povos. No Brasil existem 180 línguas diferentes, além do português. Não diria que temos 180 céus diferentes, mas pelo menos uma dezena de céus diferentes. É isso que os pesquisadores de etnoastronomia estão fazendo, resgatando um céu que foi criado no seio de cada uma dessas culturas, correspondente às cosmovisões dessas culturas.

CNA – Olhar o céu estrelado é uma experiência única. Hoje, aqui em São Paulo, essa possibilidade praticamente inexiste. Há uma relação entre não olhar para o céu, admirando as estrelas, e a forte característica de egocentrismo ou de individualidade da geração atual?
Walmir: Sem dúvida que olhar o céu estrelado ativa nosso atavismo, nos religando ao cosmos, aos planetas e à humanidade. Experienciei isso levando turmas de alunos adolescentes para observar o céu no interior do Estado. Enquanto observavam a constelação de Virgem, eu contava sobre o mito, relacionando ao plantio no hemisfério Norte. A espiga de trigo que a virgem segura, representa aquilo que a terra dá, ciclicamente; a possibilidade de refazer o contrato que temos com o planeta. Isso é importante num lugar onde neva, com pouca oferta de alimento em determinado período, e como isso é diferente quando estamos na mata atlântica brasileira, com grandes quantidades de água disponível. Quando os alunos perceberam isso, experienciaram um atavismo, o olhar o céu e sentir um pouco de medo, de desejo e de prazer. Como se uma memória interna fosse ativada e dissesse “está anoitecendo, cuidado com os bichos”. Por isso, não podemos negligenciar isso, pois olhamos para o céu e desenhamos nossa cultura, nossos anseios. Por isso, a Astrologia é importante, por estar dentro de um contexto sócio-cultural e ambiental. Enfim, o céu é um pano de fundo para a gente falar da gente.

Walmir Thomazi Cardoso, físico, mestre em história da ciência e doutor em educação matemática. professor da PUC-SP e integrante da Escola Municipal de Astrofísica. diretor da Sociedade Brasileira para o ensino da astronomia.

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Entrevista com Oscar Quiroga https://cnastrologia.org.br/entrevista-com-oscar-quiroga/ Thu, 27 Jan 2011 16:04:33 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1083  Oscar Quiroga

CNA – Eventos como esse contribuem para diminuir o preconceito em relação à Astrologia?
Quiroga: É imprevisível o resultado disso, porque preconceito é algo que a pessoa só tira quando ela quer. Os preconceitos são arraigados, então, quando ocorre um evento como esse, alguns se agarram mais. Acho que não devemos nos preocupar com esse ou qualquer outro preconceito.

CNA – Desde o início, houve a preocupação de que esse evento não fosse um debate, mas um diálogo.
Quiroga: Claro que pessoas interessadas em estudar e dedicadas ao conhecimento viessem aqui expor seus pontos de vista, transmitir um pouco do que sabem.

CNA- Em seus textos você não faz uso de determinadas expressões tais como “maléfico, benéfico, influências planetárias”. Isso se dá em função de um estilo próprio ou por não concordar com essa terminologia?

 Apresentação de Walmir Cardoso

Quiroga: Tive e tenho, vários cuidados no processo de aprimoramento de texto. Afinal são dois trabalhos em um só, o do astrólogo e o do literato. Há um ponto de encontro que é a transmissão de uma linguagem astrológica que seja palatável para o leitor. Parto da premissa que o leitor não deva conhecer a terminologia astrológica, que fica reduzida a duas linhas iniciais. Daí até o final não há menção à Lua, a Marte ou a qualquer coisa particular ao universo astrológico. Optei por traduzir a linguagem astrológica de um jeito que a linha mestra não fosse a alternância do que é passageiro, ou o estado de ânimo, mas sim o que está no pano de fundo e se mantém, apesar de todas as mutações. É uma linguagem abstrata sim, mas que fala de algo que é real. Portanto o leitor descobre suas nuances pessoais, encaixando-as particularmente.

CNA – Houve, no passado, a cisão entre Astrologia e Astronomia. Você acha possível que as duas voltem a se reunir?
Quiroga: A partir do momento em que nós, como espécie, acabemos convencidos de que o universo é aqui também, qualquer cisão será superada. Não apenas a cisão de Astronomia e Astrologia, como também a de Oriente e Ocidente, muçulmanos e cristãos. Todas essas cisões existem porque partimos do convencimento de que somos exilados do universo. Estamos lutando e competindo para ver quem tem mais razão, como se houvesse alguém que não fizesse parte do universo. As cisões se alimentam dessa mesma fonte. A partir do momento em que encaixemos o software cósmico na mente e esse sistema operacional passe a ser funcional, as cisões deixarão de ter sentido.

CNA – Como é fazer horóscopo diário, algo que é difícil por exigir um exercício de criatividade, de reinvenção e ainda conseguir sucesso?
Quiroga: Gostando. Eu gosto muito de fazer esse trabalho, portanto me dedico com muita garra. Não é uma coisa pesada. É um desafio grande encontrar palavras diferentes para falar da mesma coisa.

CNA – Nos cursos de Astrologia há pouca, ou nenhuma, referência astronômica. Isso é uma lacuna a ser preenchida?
Quiroga: É importante, mas não fundamental. Considero que nós, astrólogos, somos uma importante interface entre o físico e o abstrato. Mas a relação entre o abstrato e o físico é que o físico ocupa 1% de nossa realidade, enquanto que o abstrato ocupa 99%. Isso cria reflexos no conhecimento astrológico, enquanto o astronômico, que se ocupa do físico, deve corresponder a 1% de nossa formação. Os restantes 99% têm de ser a busca de significado e de conhecimentos que provejam esse significado.

Oscar Quiroga, psicólogo e astrólogo. ocupante da cadeira 41 de letras astrológicas, na academia de letras do Distrito Federal. responsável pela coluna diária “astral” do caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo, desde 1986.

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Entrevista: Marco Gambassi https://cnastrologia.org.br/entrevista-marco-gambassi/ Thu, 27 Jan 2011 14:48:39 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1068 A entrevista com Marco Gambassi foi realizada no dia 12/09/07, às 18:40, ao pôr-do-sol de final de verão em Florença, Itália.

Marco Gambassi é astrológo, poeta, escritor, estudioso de Astrologia e Astronomia e professor de Astrologia. Sol em Câncer, Ascendente em Gêmeos e Lua em Sagitário, ele estudou Engenharia em Florença, Astronomia em Bologna e tem diploma de Erborista, ou seja, formação em ervas medicinais e aromáticas.

Ele tem um belo site www.marcogambassi.it/home.htm, e também é autor em revistas nas quais escrevem astrólogos de toda Itália, como a Rivista Linguaggio Astrale. Tem participado de vários congressos nacionais e internacionais. Já ganhou três prêmios literários, inclusive um internacional. Dentre os inúmeros livros que ele escreveu, cito um: Conoscere le Stelle: Studio astronomico e astrologico ainda sem tradução para o português .

Trata-se de um livro que traz um estudo original de anos de pesquisas e oferece um estudo do céu para além dos planetas e das estrelas principais, com instrumentos astronômicos para ver as estrelas, sua origem etimológica, mitológica e simbólica. Com esse livro, o autor ganhou o primeiro lugar num concurso nacional que premia estudos inéditos em Astrologia.

1. Que papel tem a linguagem dos símbolos, dos animais e das estrelas no “mundo moderno”?

Em primeiro lugar, um papel de abertura que não se limita somente com a linguagem. Antigamente nossa relação com as estrelas era fundamental, pois a partir delas nos guiávamos pela terra. Por isso, as estrelas são de certa forma a alma do homem.

Não conhecer os estudos dos antigos, da Astrologia clássica, nesse tempo em que a relação com as estrelas era assim tão intensa é, de um certo modo, perder o contato com a raiz desses símbolos e conseqüentemente com a própria alma. Os símbolos nos ajudam a participar de uma sociedade mais equilibrada, sobretudo no mundo globalizado. É uma descoberta de sermos mais humanos.

Não houve possivelmente nenhuma civilização que não tenha desenvolvido uma ciência própria das estrelas. Das estrelas nascia, do mesmo modo, o senso de espaço e orientação. Parece, por exemplo, que os habitantes da Polinésia se deixavam guiar, nas suas viagens por mar, pelos Azimutes das estrelas nascentes e cadentes.

Os animais, por sua vez, estão desaparecendo e com eles se perde toda uma biodiversidade. Eles, infelizmente, foram desapoderados dos seus valores espirituais. Os homens se esqueceram que os animais são como os homens mesmos, ou seja são membros ativos e importantes da sociedade global, são atores da civilização planetária e portadores de significativa alteridade. Um novo pacto social planetário é necessário para compreender animais e plantas e valorizar a sua preciosa diferença e a sua inteligência…

Já as estrelas relacionam plurisignificados. Olhar as estrelas é como abrir uma janela e nela encontrar um mundo que não acaba mais. A luz física de uma estrela é uma forma de energia , e precisamente uma forma de radiação eletromagnética à qual o olho é sensível. A luz simbólica ( ou a voz) de uma estrela ou de um planeta é um raio de luz celeste cujo olho da alma é sensível; um raio que ilumina uma zona da mente e faz ressonar notas, sentimentos, idéias. A luz física é real e ilumina o espaço viajando no tempo; a luz simbólica ( ou espiritual) é imaginária e ilumina o tempo viajando no espaço. De fato, a luz de um sentimento ou de uma idéia vive e se revela no tempo.

2. Para você é fundamental estudar a Astrologia juntamente com a Astronomia assim como fizeram os astrólogos antigos?

Sim, antigamente era ainda mais natural estudar não só astronomia, mas também a matemática. Por motivos culturais e espirituais. Os árabes, por exemplo, para rezarem em direção à Meca deviam estudar também as estrelas. Elas é que podiam guiar-lhes nessa direção e eles ainda estudavam os seus mitos e lendas. Ainda hoje a Astrologia e a astronomia poderiam andar juntas. A astronomia de coloca como uma chave a mais para a interpretação, ou seja, adicionar à interpretação o conhecimento do tempo, dos fatores biológicos, a harmonia entre a natureza física e a relação entre as várias estrelas e os seus valores simbólicos.

A ciência como é conhecida hoje está muito distante daquela como era entendida pelos antigos, no seu surgimento. A ciência quando nasceu reunia ciência física e humanística. Hoje elas estão separadas. A ciência de distanciou das suas raízes humanas, da sua moral e da sua ética, conseqüentemente. Assim, ela corre o risco de tornar-se escrava dos grandes poderes econômicos, de andar aos propósitos do dinheiro, dos interesses farmacêuticos, tudo porque não há mais diálogo entre ciência física e humanística.

Quando eu estudei Astronomia em Bologna, aquilo me deu um impulso, uma estrada a mais no estudo dos astros e das estrelas. É bastante fecundo o estudo da Astrologia juntamente com outras ciências. Esse debate com a história de antigos astronômos e astrólogos é uma forma de retirar a Astrologia desse lugar de desprestígio e desqualificação. Unir aos estudos astrológicos os estudos astronômicos é uma forma de tornar a astrologia mais crível. É uma forma de ligar a Astrologia a um arcabouço de conhecimento cultural também. E a partir daí se pode citar Kepler, Galileu e outros que uniram os estudos das ciências com a Astrologia. Da mesma forma que para os astrônomos seria bastante fecundo estudar Astrologia, pois traria aos seus estudos um viés cultural e humanístico que existia na época em que todas as ciências foram criadas. Além disso, os privaria de declarações absurdas a respeito da Astrologia.

3. De que forma você vê a Astrologia feita aqui na Itália com relação aos outros países do mundo?

Na minha opinião a Astrologia muda conforme a cultura. Cada civilização tem uma relação diferente com as estrelas. O estudo das estrelas pode ser relacionado à civilização humana e os nomes escolhidos para elas não são mero acaso e por isso mesmo são chave para interpretação. Eu estive no Peru estudando a Astrologia e a história dos Incas. Tanto e pouco sabemos dos Incas. Eles estavam no vértice de uma pirâmide social do tipo imperial. Eram ao mesmo tempo os fundadores e os administradores de um grande império que se estendia do atual Equador a boa parte do atual Chile e da atual Argentina. Tratava-se de um império jovem, talvez o único vasto império que existiu nas terras do hemisfério Austral. E os Incas trabalhavam o ouro, o metal do Sol, e a prata, o metal da Lua, e os usavam tanto para adornar-se quanto para adornar seus templos.

Os povos andinos pré-colombianos eram observadores da galáxia, e foram os primeiros a especificar e a dar forma às suas zonas escuras. Eles criaram um zodíaco galático: uma cintura de animais que segue, ao menos um pouco, o círculo do equador em cujo plano se estendem imensas espirais de estrelas. Se pode dizer que os povos andinos descobriram o centro da galáxia. Eles estudavam as sombras solares com pilastres verticais de pedra. E não só conseguiram definir os solstícios, mas também os dias, variáveis de parte a parte, em que o sol atinge o Zênite (e a sombra do pilastre se anula) e os dias do Sol ao nadir, ponto mais baixo do céu. Este estudo não encontra comparação na astronomia de zonas temperadas como a nossa em que o Sol nunca esteve ao zênite ou ao nadir.

Os gregos, por exemplo, jamais foram uma sociedade vertical, não tiveram imperadores, ao contrário, eram federalistas e os gregos estudavam a eclíptica. E entre estes mundos, a terra dos andes se alça em direção ao Céu e oferece uma ampla e preciosa janela para um céu que não podemos mais ver do Norte. Eis o Cruzeiro do Sul, indicada pelas duas estrelas do Centauro. Um dia, como escreveu Dante, o Cruzeiro foi visível também no mediterrâneo do Sul. Com o passar do tempo e com as precessões dos equinócios, aquelas estrelas foram emigrando mais ao Sul.

L’intervista con Marco Gambassi è stata realizzata il 12/09/07, alle18:40, tramonto di fine estate di Firenze, Italia.

Marco Gambassi é astrologo, poeta, scrittore, studioso di Astrologia e Astronomia e professor di Astrologia. Sole in Cancro, ascendente in Gemelli e Luna in Sagittario, ha studiato Ingegneria a Firenze, Astronomia a Bologna e si è diplomato in Erborista, ovvero, formazione in erbe medicinali e aromatiche.

Lui ha un bel sito www.marcogambassi.it/home.htm, ed é anche autore di riviste nelle quali scrivono astrologi di tutta l’Italia, come la Rivista Linguaggio Astrale. Ha partecipato di vari congressi nazionali e internazionali. Ha guadagnato tre premi letterari, un internazionale compreso. Tra i suoi innumeri libri c’è questo: Conoscere le Stelle: Studio astronomico e astrologico.

Questo è un libro che porta uno studio originale per chi intenda allargare le conoscenze del cielo oltre i pianeti e le stelle principali. Offre preziosi strumenti astronomici per identificare e osservare le stelle, oltre alla loro analisi etimologica, mitologica e simbolica. Con questo libro, l’autore ha guadagnato il primo luogo nel concorso nazionale che premia studi inediti in Astrologia.

1. Che ruolo c’è il linguaggio dei simboli, degli animali e delle stelle nel “mondo moderno”?

Prima di tutto, un ruolo di apertura, che non si limita soltanto con il linguaggio. Anticamente il nostro rapporto con le stelle era fondamentale, poiché era attraverso le stelle che ci guidavamo per la terra. Dunque le stelle sono in un certo modo l’anima dell’uomo.

Non conoscere lo studio degli antichi, dell’astrologia classica, nel tempo in cui il rapporto con le stelle era così intenso è, in certo senso, perdere il contatto con le radice di questi simboli e conseguentemente con l’anima stessa. I simboli ci aiutano a partecipare di una società più equilibrata, soprattutto nel mondo globalizzato. É una scoperta di essere più umani.

Non c’è stata forse nessuna civiltà che non abbia una sua scienza delle stelle. Dalle stelle nasceva lo stesso senso dello spazio e dell’orientamento. Pare ad esempio che gli abitanti della Polinesia si lasciassero guidare, nei loro viaggi per mare, dagli Azimut delle stelle sorgenti o cadenti.

Gli animali, stanno scomparendo e con loro si perde una importante biodiversità. Purtroppo, gli animali furono spodestati dei loro valori spirituali. Gli uomini si sono dimenticati che gli animali sono come gli uomini membri attivi e importanti della società globale, sono attori della civiltà planetaria e portatori di significativa alterità. Un nuovo patto sociale planetario è necessario per comprendere anche animali e piante e valorizzare la loro preziosa differenza e la loro intelligenza…

Le stelle d’altra parte riferiscono pluri-significati. Guardare le stelle è come aprire una finestra e trovare un mondo che non finisce più. La luce fisica di una stella è una forma di energia, e precisamente una forma di radiazione elettromagnetica alla quale l’occhio è sensibile. La luce simbolica (o la voce) di una stella o di un pianeta è un raggio di luce celeste a cui l´occhio dell’anima è sensibile; un raggio che illumina una zona della mente e vi fa risuonare note, sentimenti, idee. La luce fisica è reale e illumina lo spazio viaggiando nel tempo, la luce simbolica (o spirituale) è immaginaria e illumina il tempo viaggiando nello spazio. Infatti la luce di un sentimento o di un’idea vive e si rivela nel tempo.

2. Secondo Lei é fondamentale studiare L’Astrologia insieme all’Astronomia così come fecero gli astrologi antichi?

Si, anticamente era ancora più naturale studiare non solo astronomia, ma anche matematica. Per motivi culturali e spirituali. Gli Arabi, per esempio, per pregare verso la Mecca, dovettero studiare anche le stelle. Le stelle li guidavano verso la Mecca e loro dovettero anche studiare i loro miti e leggende. Ancora oggi l’astrologia e l’astronomia potrebbero andare insieme. L’astronomia si mostra come una chiave in più all’interpretazione, ovvero, aggiunge all’interpretazione la conoscenza del tempo, dei fattori biologici, l’armonia tra la natura fisica e il rapporto tra le varie stelle e i loro valori simbolici.

La scienza come è conosciuta oggi è molto diversa da quella come era compresa dagli antichi. Nella sua sorta, la scienza riuniva scienza fisica e umanistica. Oggi queste scienze sono separate. La scienza si è allontanata dalle loro radici umane, dalla loro morale e dalla loro etica. Dunque la scienza rischia di diventare schiava dei grandi poteri economici e di servire ai propositi del denaro e degli interessi farmaceutici. Tutto perché non c´è più dialogo tra scienza fisica e umanistica.

Quando ho studiato astronomia a Bologna, quello mi ha dato una spinta, una strada in più nello studio degli astri e delle stelle. É abbastanza fecondo lo studio dell’astrologia insieme alle altre scienze. Questo dibattito con la storia degli antichi astronomi e astrologi é una forma de sottrarre l’astrologia dall’essere spregiata e squalificata. Unire agli studi astrologici quelli astronomici é una forma di far diventare l’astrologia più credibile, di metterla in rapporto a un fondo di conoscenza culturale. Di questa parte si può citare Keplero, Galileo e altri che riunirono gli studi delle scienze all’astrologia. Allo stesso modo che per gli astronomi sarebbe abbastanza fecondo studiare l’astrologia, poiché trarrebbe ai loro studi un filo culturale e umanistico che esisteva nell’epoca in cui tutte le scienze furono create. Oltre a ciò li priverebbe di fare dichiarazioni assurde sull’astrologia.

3. In che modo lei vede L’ Astrologia fatta qui in Italia in rapporto con gli altri paese del mondo?

Secondo me L’ Astrologia cambia conforme la cultura. Ogni civiltà ha un rapporto diverso con le stelle. Lo studio delle stelle può essere messo in rapporto con la civiltà umana e i nomi scelti per loro non sono per caso e dunque sono chiave di interpretazione. Sono stato in Perù studiando L’astrologia e la storia degli Inca. Tanto e poco sappiamo degli Inca. Questi stavano al vertice di una piramide sociale di tipo imperiale. Erano insieme i fondatori e gli amministratori di un grande impero che si estendeva dall’attuale Ecuador a buona parte dell’attuale Cile e dell’Argentina. Si trattava di un impero giovane, forze dell’unico grande impero esteso nelle terre dell’Emisfero Australe. Gli Inca lavoravano l’oro, il metallo del Sole, e l’argento, il metallo della Luna, e li usavano sia per adornare la loro persona sia per i loro templi.

I popoli andini precolombiani erano osservatori della galassia, e sono stati i primi a individuare e a dar forma alle sue nubi oscure. Questi popoli hanno creato un zodiaco galattico: una cintura di animali che segue, al meno per un può, il cerchio dell’equatore galattico, sul cui piano si estendono immense spirali di stelle. Si può dire che i popoli andini hanno scoperto la centralità della galassia. Gli Inca studiavano l’ombra solare con pilastri verticali di pietra. Non solo giunsero a definire i solstizi, ma anche i giorni, variabili di luogo a luogo, in cui il Sole raggiunge lo zenit (e l’ombra del pilastro si annulla ) e i giorni del Sole al nadir, punto più basso del Cielo. Questo studio non trova riscontro nell’astronomia di zone temperate come la nostra, dove il Sole non è mai allo zenit o al nadir.

I greci, per esempio, mai furono una società verticale, non ebbero imperatori, invece , furono federalisti e studiarono l’eclittica. E tra questi mondi, la terra delle Ande s’inarca verso il cielo e offre un’ampia e preziosa finestra su un cielo che non potremo mai vedere dal Nord. Ecco la Croce del Sud, indicata dalle due stelle del Centauro. Un giorno, come scrive Dante , la Croce era visibile anche dal Mediterraneo del Sud. Col passare del tempo, e con la precessione degli equinozi, quelle stelle sono emigrate più al Sud.

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"Entrevista" com Kepler https://cnastrologia.org.br/entrevista-com-kepler/ Thu, 27 Jan 2011 14:40:47 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1057 “Entrevista” com Kepler

No congresso comemorativo de 60 anos da fundação da Associação Alemã de Astrólogos (Deutscher Astrologenverband – DAV) em 2007, Ernst Ott incorporou a figura de Johannes Kepler (inclusive os trajes da época) para divulgar as idéias desse grande astrólogo. Nosso representante para países de língua alemã, Markus J. Weininger encontrou esta curiosa “entrevista” com Kepler, publicada no site do DAV e que gentilmente nos autorizou a tradução e reprodução.

por Ernst Ott, tradução do alemão: Markus J. Weininger

Sr. Kepler, o Sr. não participou de nenhum congresso astrológico desde 1630. Qual é o motivo para isso?

É que morri naquele ano. Porém, por isso mesmo é uma grande alegria poder falar aos seus leitores agora – e será uma imensa satisfação festejar o meu retorno justamente no congresso comemorativo da DAV.

Como foi que o Sr. chegou à Astrologia?

Não entendi a sua pergunta. Tive o privilégio de poder frequentar uma escola já a partir de 1584, e quem aprende a ler e escrever, naturalmente também aprende Astrologia! Nos meus estudos na Universidade de Tübingen, então, eu lia os mapas astrais dos meus colegas de aula, – percebi que eu tinha mais facilidade que outros – e recebi um retorno muito positivo. Para meu Sol em Capricórnio foi um encorajamento importante para eu continuar os estudos; aliás, estou estudando até hoje, pois a aprendizagem na Astrologia nunca acaba.

O que é o mais importante para o Sr. na Astrologia?

A comprovação de que o ser humano, assim como a natureza e o Cosmo são um todo em si, estruturado e bem organizado. Além disso, o fato de que a alma humana está repleta de harmonia, que ela canta, soa, e é capaz de produzir obras maravilhosas, porém, apenas se nós permitirmos. Infelizmente, a experiência prática mostra que sempre existem pessoas que não estão dispostas a realmente traduzir esta harmonia interna para as suas vidas concretas.

Dentro de nós, as harmonias celestiais estão ressonando. O horóscopo é uma maravilhosa ferramenta para ouvirmos, para tornarmos a harmonia interior pré-estabelecida novamente perceptível na prática. Porém, isso não significa que tenhamos que flutuar pelo mundo com um eterno sorriso harmonioso. Pelo contrário, da harmonia fazem parte contradições internas; da mesma forma como na música, onde apenas pode existir harmonia entre duas notas diferentes, assim ocorre também no horóscopo. Combinar dois talentos de planetas em contradição, esta é a verdadeira arte! Por isso, os aspectos estão no centro da minha análise de um mapa.

Que parte da Astrologia o Sr. considera a mais dispensável?

As pessoas que querem que eu decida seus problemas cotidianos no lugar delas. Como as pessoas devem gastar seu dinheiro, como devem se comportar, se devem se casar e com quem, se terão sucesso na vida ou se fracassarão – tudo isso não diz respeito aos planetas. Mesmo assim, tive que aconselhar alguns políticos e militares, que cismavam que sua sorte na batalha era de importância quase cósmica… Ao contrário deles, porém, a sabedoria astrológica ainda terá milhares de anos de vida. Para mostrar a estes senhores que eles mesmos têm a responsabilidade pelos seus planos de batalha e não podem pedir a bênção das estrelas de mim, recuso-me, desde então, a ler mapas para eles. Tomei a decisão de apenas comunicar as minhas interpretações àqueles que me perguntarem por interesse filosófico, ou seja, aos que almejam puro conhecimento e auto-conhecimento.

O Sr. vai falar no congresso do DAV intitulado “Astrologia – Pontes entres os Mundos”. O seu tema é: “Harmonia dos Mundos – Em prol de uma Astrologia adequada para o nosso tempo”. Que papel este tema exerce nas suas próprias consultas? Como foi que o Sr. chegou a esta abordagem? Qual é a importância desta abordagem para o Sr.?

Quando o presidente do DAV me convidou para o Congresso em Karlsruhe, ele me comunicou que desde meu falecimento têm ocorrido esforços científicos gigantescos para se investigar o reino do visível. Teria se estabelecido a fundamentação do reino material apenas a partir de teorias materialistas; a Astronomia e a Astrofísica até teriam se separado por inteiro da Astrologia. Isso me parece um claro retrocesso.

Pessoalmente continuo achando que o único valor das ciências exatas é o de serem uma ferramenta para se chegar ao conhecimento do Divino. A ciência da Harmonia dos Mundos já foi divulgada no séc. VI a.C. pelo grande Pitágoras. Portanto, já está na hora em que também nossa época moderna reconheça de novo o que mantém a união do mundo visível no seu âmago: é o invisível. Estou me referindo às vibrações da harmonia cósmica, ao fato de que os astros produzem música. Os ritmos dos planetas reproduzem esta música de maneira perfeita. Cada mapa natal mostra uma nova combinação dos sons primordiais. Ele é, de certa forma, a estrutura harmônica que podemos tomar como base para compormos as nossas próprias melodias de vida.

Então, o que seria uma Astrologia adequada para o nosso tempo? Justamente em épocas materialistas só pode ser uma astrologia do espírito, uma Astrologia das causas essenciais; nunca uma Astrologia que se empenha em prenunciar acontecimentos trágicos ou êxito financeiro.

O Sr. poderia descrever com mais detalhes esta abordagem?

É isso que farei na minha palestra no Congresso. Consegui comprovar com novos métodos científicos que as velocidades angulares dos planetas estão numa relação harmoniosa de números inteiros entre si. Assim, a harmonia dos céus postulada por Pitágoras pôde ser comprovada pela primeira vez e até reproduzida de maneira audível. No meu livro “Harmonia dos Mundos” também consegui provar que nas mais diversas áreas prevalecem as mesmas leis cósmicas. Assim, na geometria, nos aspectos astrológicos, nos ritmos da natureza, naturalmente na música e no universo maravilhoso do mapa natal. Desta forma, podemos perceber que a alma humana em si é um tipo de Zodíaco. Mais exatamente, ela é o centro de um Zodíaco e a partir deste ponto, ela realiza e percebe as relações e transições planetárias.

Para poder transmitir isso da maneira mais clara e inteligível possível resolvi recorrer a algo inaudito, para a minha palestra no evento em Karlsruhe: esta vez, excepcionalmente, não falarei no idioma científico universal, ou seja, em latim, mas no vernáculo teutônico.

Sr. Kepler, muito obrigado pela entrevista, estamos curiosos para ouvir sua palestra.

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