Diversos: a partir de janeiro/2010 – CNA Central Nacional de Astrologia | Hub > Conteúdo > Pesquisa > Estudos https://cnastrologia.org.br Unindo céus e terras e compartilhando saberes Fri, 27 Jan 2012 20:01:20 +0000 pt-BR hourly 1 https://cnastrologia.org.br/wp-content/uploads/2024/11/cropped-favi-32x32.jpg Diversos: a partir de janeiro/2010 – CNA Central Nacional de Astrologia | Hub > Conteúdo > Pesquisa > Estudos https://cnastrologia.org.br 32 32 Astrologia, Caos e Transdisciplinaridade https://cnastrologia.org.br/astrologia-caos-e-transdisciplinaridade/ Fri, 27 Jan 2012 20:01:20 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=2287

Prólogo:
A conversa a seguir aconteceu em Benares em 1982. É um trecho da primeira leitura de mapa na vida do autor, feito por um astrólogo Hindu. Apesar de a Astrologia hindu ter a fama de ser uma das mais precisas do mundo, nem sempre eles confiam.

 Astrólogo: Você irá escrever alguns livros.
 James T. Braha: O quê?
 Astrólogo: Você irá escrever alguns livros.
 J. T. B. : Você tem certeza?
 Astrólogo: Sim.
 J. T. B. : Quantos?
 Astrólogo: Uns poucos, cinco ou seis.
 J. T. B.: Você tem certeza?
 Astrólogo: Sim.
 J. T. B. : Mas você tem certeza? Eu posso acreditar que a resposta é positiva?
 Astrólogo: Meu caro amigo, Astrologia não é uma ciência absoluta.
 J. T. B. : Ahhhhhh…
 Astrólogo: Mas você irá escrever livros!
Extraido do livro: “Ancient Hindu Astrology…” de J. T. Braha

INTRODUÇÃO:

A Astrologia é um conhecimento tradicional cuja origem se perde nas brumas do tempo.
Menosprezada pelos adeptos de uma visão científica, continua ativa e praticada por milhões de pessoas no mundo inteiro.
Só a Índia possui mais de 25 milhões de praticantes.
Uma utilização clássica da Astrologia é a indicação dos talentos de uma pessoa. Por talentos, entenda-se habilidades e caráter.
Segundo Viktor D. Salis, na Grécia arcaica só se dava o nome a uma criança depois de analisar seu mapa e verificar quais os seus talentos.
Yukteswar, guru de Yogananda, tinha suas razões quando afirmava:

“Uma criança nasce naquele dia e naquela hora em que os raios celestiais estão em harmonia matemática com o seu karma individual. Seu horóscopo é um retrato desafiador, revelando seu passado inalterável e seu provável resultado futuro, mas a carta natal somente pode ser corretamente interpretada por pessoas de sabedoria intuitiva: essas são poucas.”
SWAMI SRI YUKTESWAR , no livro Autobiografia de um Yogui, de Yogananda.

Kepler, astrônomo do século XVI, mais famoso em seu tempo como astrólogo do que como matemático, afirmava: “Os astros inclinam, não obrigam”.

Jung costumava levantar o mapa astral de seus pacientes.

A Astrologia antiga utilizava apenas sete planetas, que eram dispostos numa estrela de sete pontas seguindo a sequência do maior passo (Lua) até o menor, Saturno. As implicações dessa disposição são muitas: indicam os dias da semana, as horas dos dias, o regente do ano, e até o Pai Nosso! É aqui que a Astrologia se torna um instrumento da Magia e Alquimia.

Trabalha também com doze signos, casas, aspectos, regências etc. Não vou me entender sobre isso, pois este simpósio é de Astrologia, para astrólogos, com uns poucos leigos.

A posição de um planeta varia de acordo com a sua órbita em torno do Sol, órbita que não é calculada analiticamente. É um problema de solução analítica impossível. Existem soluções particulares para três corpos, o que não é o caso, o que se faz são observações ao longo do tempo e as devidas correções das perturbações orbitais.
Mesmo nos tempos atuais, o cálculo aproximado da posição tem um limite de tempo e espaço.

As estrelas também mudam lentamente de posição ao longo dos séculos e milênios.
O início do zodíaco tropical, o chamado ponto γ, (zero de Áries), é outro fator complicador. O posicionamento deste ponto em relação às estrelas indica o início das grandes eras. A posição do ponto varia pela equação aproximada dada a seguir:
p = 5.028,796195 + 2,2108696×T + termos de ordem mais elevadas. (T em milhares anos, p, variação do ponto γ, em segundos de arco).

O termo constante dessa velocidade corresponde a um ciclo de aproximadamente 25.772 anos.
Essas variações não impedem a utilização da Astrologia num curto período, mas coloca em dúvida sua extrapolação para períodos maiores (mapas de 2000 anos AC).
A imprecisão se torna muito grande.

Complemento à Introdução:

Segundo G.I. Gurdieff ,estamos sujeitos a sete influências:
1. A hereditariedade em geral.
2. As condições e o meio no momento da concepção.
3. A combinação da irradiação de todos os planetas de seu sistema solar durante sua formação no seio de sua procriadora.
4. O nível das manifestações conscientes de seus procriadores – enquanto eles mesmos não tenham alcançado a idade de um ser responsável.
5. A qualidade de existência consciente dos seres de seu círculo imediato.
6. A qualidade das ondas de pensamento formadas na atmosfera que o rodeia – e isto, igualmente, até sua maioridade; em outros termos, os desejos e os atos cheios de bondade sinceramente manifestados pelos “seres do mesmo sangue”. E, finalmente:
A qualidade de seus próprios seres, quer dizer, dos esforços conscientes que eles cumprem para transmutar em si todos os dados necessários à obtenção de uma Razão objetiva.

Onde está o Caos?

SISTEMAS CAÓTICOS:

Os fenômenos de “caos determinista” ou de “complexidade” referem-se a muitos sistemas existentes na natureza, cujo comportamento vai mudando com o transcorrer do tempo (sistemas dinâmicos).
Segundo Poincaré, existem dois tipos de sistemas dinâmicos: os não-integráveis e os integráveis.

Diz Prigogine – Essa classificação parece abstrata, mas de fato ela corresponde a algo bem simples: todo sistema dinâmico compreende uma “energia cinética” e uma “energia potencial de interação”. Nos “sistemas integráveis”, pode-se eliminar essa energia potencial e obter um sistema formado de partículas independentes, enquanto nos “sistemas não-integráveis” a “interação” é irredutível e indispensável para compreender o comportamento do sistema.

Tais fenômenos aparecem quando os sistemas se tornam extremamente sensíveis a suas condições iniciais de posição, velocidade etc., de modo que alterações muito pequenas em suas causas são capazes de provocar grandes diferenças nos efeitos.

No entanto, os pesquisadores descobriram que os sistemas dinâmicos, nessas condições, apresentam estruturas de regularidade coletiva, embora não seja possível diferenciar o comportamento individual de cada um de seus componentes.

“O pensamento complexo não despreza o simples, mas critica a simplificação.”
Frase de Edgar Morin.

O desenho a seguir, tirado do livro de E. Lorenz, mostra que pequenas variações iniciais mudam completamente a trajetória de uma descida de esqui, simulada num computador.

Lorenz, e outros, descobriram que, apesar da instabilidade, existe uma tendência de os sistemas caóticos se sentirem atraídos para um ou mais estados. São os “Atractores”. A figura a seguir ilustra um caso do “Atractor de Lorenz”.

SISTEMAS CAÓTICOS – ASTROLOGIA
Como poderíamos inserir o conceito de complexidade e de Caos em Astrologia:
poderíamos considerar que um mapa astral poderia ter indicadores catastróficos?

Alguns exemplos iniciais.

“A definição de Ascendente, Meio-do-Céu e Vertex podem ser muito simples para os astrólogos tecnicamente inclinados, mas são muito mais complexos do que se pensa, mesmo em latitudes “normais”.
Robert Hand

A. Volguine pergunta:
A Revolução Solar deve ser calculada a partir da posição tropical ou sideral do Sol?

Certos mapas indicam posições em que fica difícil evitar uma catástrofe, ou um “des-astre” (dos astros). Como explica René Thom: uma fronteira catastrófica é fácil definir, o difícil é saber para onde vai o sistema. Na figura abaixo passar do claro para o escuro significa oscilar entre duas formas completamente: diferentes:

Seria a Astrologia caótica? Poderíamos considerar que os signos Solar, Lunar, Ascendente e MC, seriam poderosos atractores que condicionariam o comportamento de um ser humano, preso à mecanicidade existencial, ao longo de sua vida? E, nesta visão, como veríamos o livre-arbítrio ou a escolha das trajetórias existenciais?

Um planeta atua em nós por imagem ou por algo mais real? É só um corpúsculo ou poderíamos considerá-lo também como uma onda, pelo menos em termos da evolução da espécie humana como um todo?

PAUSA PARA REFLEXÃO

“Esse espermatozóide que eu me tornara parecia-se com um complexo microcosmo, um universo em si mesmo. Eu sentia os processos bioquímicos no nucleoplasma e visualizava os cromossomos e até mesmo a estrutura molecular do DNA. A configuração arquetípica primordial das moléculas de DNA era entremeada com imagens holográficas de várias formas de vida.
As configurações fisioquímicas pareciam estar intimamente ligadas com impressões filogenéticas primordiais, recordações ancestrais, mitos e imagens arquetípicas, tudo isso coexistindo na mesma matriz infinitamente complexa. A bioquímica, genética, história natural e mitologia pareciam estar inextricavelmente interligadas e ser apenas aspectos diferentes do mesmo tecido cósmico tão complexo.
A corrida dos espermatozóides também parecia ser governada por algumas forças externas que determinavam seu destino final. Eu senti QUE TINHA ALGO A VER COM A HISTÓRIA E COM AS ESTRELAS E CONCLUÍ QUE REPRESENTAVAM INFLUÊNCIAS CÁRMICAS E ASTROLÓGICAS MISTERIOSAS.” (grifo e caixa alta meus).
Retirado do livro ‘Quando o Impossível acontece’ de Stanislav Grof.

Aonde realmente começa a influência astrológica? Se essa experiência for levada ao pé da letra, a Astrologia baseada apenas no mapa de nascimento torna-se incipiente e caótica, no sentido determinístico.

TRANSDISCIPLINARIDADE:

Seguindo Basarab Nicolescu, com intervenções de minha parte:

A Transdisciplinaridade se justifica por meio das seguintes bases:

A) Retomada do conceito da descontinuidade dos fenômenos da natureza, abandonando portanto a causalidade local, por uma causalidade mais ampla.

A idéia da continuidade está intimamente ligada a um conceito chave da física clássica: a causalidade local.
As causas das influências astrológicas são desconhecidas. Na realidade ainda não se sabe como os Planetas, Signos, Estrelas e Constelações atuam sobre nós. Temos uma causalidade não local.

Uma consequência direta cultural e social deste conceito da causalidade é achar que o Universo é uma grande máquina. Isto, segundo Prigogine, só vale para sistemas dinâmicos integráveis.

B) Adoção do indeterminismo quântico.

O conceito de determinismo é crucial na história das idéias. Pelas equações da Física Clássica, se soubermos as posições e as velocidades dos objetos físicos num dado instante, podemos prever suas posições e velocidades.
Laplace chegou a afirmar que não precisara da hipótese de Deus para escrever seu livro de Mecânica Celeste. O demônio de Laplace poderia descrever o futuro a partir do estado presente. Isso me lembra os astrólogos deterministas, que negam fanaticamente o livre-arbítrio do ser humano.

Apesar de a Astrologia aparentemente trabalhar a partir do macroscópico, o fato é que a variação de tempo pode ser infinitesimal. Fica difícil falar em Quântica em sistemas macros; Goswami diz que se pode. Não sabemos também se podemos relativizar a aproximação planetária em relação à distância e tamanho dos planetas.

Poderíamos considerar que os aspectos transitórios geram uma onda com um determinado tom que subiria enquanto temos um aspecto partil aplicativo e desceria quando o aspecto fosse separativo (como uma sirene de ambulância)? E os aspectos natais? Criariam uma tensão gerando um acorde que poderia se modificar pelos trânsitos, progressões, e mudança de local de vida?

A cada signo e a cada planeta fazemos corresponder um órgão, ou sistema fisiológico. Partindo do pressuposto de que cada órgão tem uma freqüência de ressonância, tanto mecânica como eletromagnética, devido à sua impedância característica, os astros e signos (ou constelações) produziriam uma vibração que os vincularia a esses órgãos?
Essas vibrações viriam pelo espaço/tempo tetradimensional ou através de outras dimensões que ultrapassam o nosso conhecimento técnico/científico, apesar de as modernas teorias de Física falarem de 11 dimensões (a teoria das super-cordas)?

Está demonstrado, segundo se saiba, que pequenas vibrações eletromagnéticas atuam sobre nós; campos magnéticos mil vezes abaixo da variação do campo da Terra modificam a permeabilidade iônica do tecido nervoso cerebral.
Podemos esperar que pequenas harmonias e desarmonias planetárias provoquem essa alteração?
Pensando, novamente, que cada órgão tem uma impedância complexa própria, ele não ressoaria se o aspecto criasse uma onda naquela freqüência?

A figura abaixo, retirada do livro “Freqüência Vibracional” de Penney Peirce, mostra o espectro de radiações eletromagnéticas.

Rádio Microondas Tera Hz InfraVerm Visível Ultra-Vio R-X R – Gama

O gráfico abaixo, retirado do livro “Eletrodinâmica Clássica” de J. D. Jackson, mostra o espectro de ressonância do nosso planeta entre a camada ionosférica e a superfície.

O pico de ressonância é bem próximo da onda alfa, de repouso do cérebro humano.

Figura do livro Freqüência Vibracional” de Penney Peirce

O Inst. Monroe detectou uma série de níveis de consciência para a vida sobre a Terra:
Os níveis de 01 a 07 pertencem à Consciência do Reino Vegetal.
Os níveis de 08 a 14 pertencem à Consciência do Reino Animal.
Os níveis de 14 a 21 pertencem à Consciência do Reino Humano.
Os níveis de 21 a 28 pertencem a reino além do Humano.

Os níveis de 14 a 21 estão correlacionados aos Chacras: do Raiz ao Coronário.
Os níveis de 15 a 28 descrevem estados alterados de consciência quando estamos num nível além do mecânico (primeira atenção).

Voltando à Trans:

C) A aceitação de vários níveis de realidade.
Dois níveis de realidade são diferentes se, passando de um ao outro, houver ruptura das leis e rupturas de conceitos fundamentais. (Deve-se a este conceito-base uma primeira cisão dentro do movimento transdisciplinar.)

Algumas das contradições dentro da Astrologia creio que poderiam ser resolvidas considerando a Astrologia em vários níveis.
Inicialmente proporia uma divisão em Personalidade e Essência. Considerando a hipótese da permanência da Essência creio que, neste caso, seria mais adequado trabalhar com a Sideral.

D) O uso generalizado do Teorema de Gödel.
Em sua versão original, aplicado à axiomatização da Matemática, este teorema prova a impossibilidade de se provar que um sistema é completo e consistente, dentro do próprio sistema.

Cheguei à conclusão de que a Astrologia é a ponta de um iceberg de um conhecimento muito mais profundo e complexo do que podemos sequer imaginar. E que, sem a união transdisciplinar de todas as formas de conhecimento, não penetraremos na arte, filosofia, espiritualidade e ciência que permeiam nossa insignificante existência em um planeta muito pequeno em face da imensidão do Cosmos. O próprio mapa astral é projeção de uma configuração de mais dimensões.

Sem darmos uma opção para um sistema astrológico cósmico, fica, pela generalização do Teorema de Kurt Gödel, impossível validar a consistência e a completude de qualquer Astrologia .

E) A adoção da complexidade dos fenômenos em detrimento da simplicidade da Mecânica Clássica.
Esta é uma noção cara a Edgar Morin e a outros teóricos modernos. Não existe fenômeno natural simples, o que existe é uma visão simplificada dos fenômenos.

F) O princípio do Terceiro Incluído. Temos aqui uma aplicação da Lógica da Contradição de Stephane Lupasco. ”A realidade da alma é tecida com os fios do sonho. O fenômeno psíquico é a essência mesma da arte.” Lupasco.
Uma conjunção Júpiter e Saturno, por exemplo, combina duas energias contraditórias ou complementares. Sem levarmos em conta os outros planetas, casas, signos, não atingiremos uma conciliação explicativa.

Um pequeno cuidado:
“O resultado de um desenvolvimento matemático deve ser conferido constantemente com a nossa intuição do que constitui um comportamento biológico aceitável. Quando essa conferência revelar discordância, devemos examinar então as seguintes possibilidades:
a- Foi cometido um erro no desenvolvimento matemático formal.
b- Os pressupostos de partida são incorretos e/ou constituem uma simplificação demasiado drástica.
c- Nossa intuição sobre o campo biológico é inadequada.
d- Um penetrante princípio novo foi descoberto.”
HARVEY J. GOLD, Mathematical Modeling of Biological Systems.
Para concluir, acredito que Ciência, Arte, Filosofia e Espiritualidade são igualmente importantes para a Astrologia dentro da visão Transdisciplinar. A Astrologia é uma Arte, é uma Ciência cujos fundamentos científicos não estão ainda estabelecidos no rigor necessário, e segue uma postura Filosófica da busca do significado desta vida e tem pressupostos Espirituais.

Um exemplo final:
Felipe: 09/10/1986, 9:h17; São Paulo

O primeiro mapa é de Felipe, autista, o segundo é de seu irmão gêmeo, que não é autista. Uma pequena mudança no início da vida, uma grande mudança na própria existência.

Onde estão as respostas?

Um pequeno poema que recebi numa aula de Astrologia esotérica. Atribuí a Milarepa, mas pode ser do meu Eu maior.

Busca em ti
toda a verdade que se espalha no universo.
Não temas o desconhecido:
é a porta da sabedoria.
Acredita no que vem do coração
pois ali mora o Atma.
O que queres, oh chela!
A verdade una, o princípio, o todo, o círculo sem fim?
Isto,
é a divindade!
Milarepa

São Paulo, 04/08/2006 16:20h

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Repórter Planetário – Observações no céu do Brasil em 2011 https://cnastrologia.org.br/reporter-planetario-observacoes-no-ceu-do-brasil-em-2011/ Mon, 14 Feb 2011 16:20:57 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1260

No Brasil, em 2011, o principal fenômeno astronômico previsto é um eclipse total da Lua no dia 15 de junho, uma quarta-feira. Neste dia, nosso satélite natural nascerá por volta ds 18 horas, já encoberto pela sombra da Terra, e o eclipse terminará por volta das 19 horas. Este horário é, evidentemente, aproximado, variando para mais ou para menos em cada cidade brasileira.

Dada a beleza do fenômeno, recomendo que deixem a data já anotada em suas agendas. Será especialmente bonito “não ver” a Lua nascer, já que ela já nascerá eclipsada, e paulatinamente se libertará da sombra.

Para os que se interessam por chuvas de meteoros – outro fenômeno belissimo – seguem as principais datas:

1. Chuva de meteoros Eta-Aquarídeas, sendo mais visivel na noite de 5 de maio: algo em torno de 35 “estrelas cadentes” por hora.
2. Chuva de meteoros Orionideas, noite de 22 de outubro: algo em torno de 25 “estrelas cadentes” por hora.

O mais legal é que estas chuvas de meteoros ocorrerão em dias vizinhos ao da Lua Nova, de modo que o céu estará suficientemente escuro para a observação do fenômeno. 5 de maio cai numa quinta-feira, mas 22 de outubro cai num sábado, possibilitando o afastamento da cidade. Deste modo, para os habitantes de cidades grandes, onde a luz artificial atrapalha imensamente as observações, recomendo uma pequena viagem para cidades do interior. Deitem-se campo, abram uma garrafa de bom vinho, champagne, suco, o que preferirem, e deleitem-se com a beleza de uma chuva de meteoros. Em lugares de pouca luminosidade artificial, estas “chuvas” são de uma beleza dificil de descrever. Parece que pequenas chamas desabam do céu, quase que ininterruptamente.

Há outras chuvas de meteoros durante o ano: as Perseidas, no dia 12 de agosto, as Leonideas no dia 17 de novembro e as Geminideas, no dia 14 de dezembro. Contudo, a proximidade com o dia da Lua Cheia atrapalha consideravelmente a observação, mesmo para quem mora em regiões pouco iluminadas por luz artificial.

Não há previsão de passagem de nenhum cometa significativo, passivel de ser visivel a olho nu nos céus do Brasil.

No que concerne à visão dos planetas, não há nada de muito especial em 2011. Vênus fica praticamente invisivel entre maio e novembro, dada a sua proximidade com o Sol. Até abril, teremos a Vênus matutina [visivel pouco antes do nascer do Sol]. Em dezembro, Vênus volta a aparecer sempre pouco depois do pôr do Sol.

Marte só poderá ser visto a partir de junho.

Júpiter poderá ser visto na durante a noite, até março. Em abril e maio, ele fica invisivel, aparecendo novamente apenas a partir de junho – e durante a madrugada. A partir de 28 de outubro, dada a oposição heliocentrica Jupiter-Terra, ele se torna o astro mais brilhante do céu, depois do Sol e da Lua, e fica assim até o fim do ano.

Saturno, por fim, será visivel de madrugada até março. Em abril, dada a oposição heliocentrica Saturno-Terra, este astro poderá ser visto com grande brilho na primeira metade da noite até o mês de agosto.

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Corra Lola, corra — ou algumas reflexões: https://cnastrologia.org.br/corra-lola-corra-ou-algumas-reflexoes/ Thu, 03 Feb 2011 14:53:31 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1195  Valdenir Benedetti

Tivemos nesse sábado a Assembléia Extraordinária da CNA, a associação que estamos todos nós criando.
Foi votado um novo Estatuto, corrigindo algumas deficiências do primeiro, aprimorando algumas regras importantes, criando condições melhores para que a CNA possa encontrar uma vocação e um propósito que sirvam a todos nós em perfeita harmonia com uma estrutura de realidade que desejamos nos sirva de apoio e jamais de fonte de conflito.

Percebi nessa reunião que está começando a aflorar uma vontade, uma força maior que sai do padrão do medo que é a base da formação das associações de classe, normalmente.

 Assembleia Extraoridnária para votação do Estatuto – 25/04/09

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Os argumentos mais comuns que justificam que um grupo se dê ao trabalho de fundar uma associação são, por exemplo, nos proteger do inimigo imaginário, da má qualidade do trabalho de alguns, da possibilidade de outros grupos profissionais se apropriarem da Astrologia e obterem domínio sobre nosso trabalho, dos que querem destruir a Astrologia e provar que ela não funciona… Enfim… As pessoas se agrupam sob um guarda-chuva legal para se proteger de algo, e eventualmente, quando se pergunta o que é, além do medo, motiva as pessoas, as respostas vão de aprimoramento profissional, união de classe, respeito pela sociedade, etc.

Alguns formam associações como essa para obter algum tipo de poder, que apenas através de seu trabalho não conseguiriam.

Outros querem somente manter seu nome em evidência, não ficar “por fora”, aparecendo às vezes como responsáveis por uma função ou cargo, tendo o status de pertencer ao grupo, mas na verdade, nem sabem o que está acontecendo, porque não estão interessados, não participam…

Na hora da foto eles SEMPRE aparecem.

Mas, noves-fora tudo isso ai, tive o privilégio de perceber uma luminosidade especial dessa vez.

Tenho participado e me envolvido nesse tipo de “reunião”, de proposta, de tentativa, por muitos anos. Havia desistido e, inclusive, pela frustração de todas as tentativas por motivos muito surreais, enfim, por conta disso eu assumi uma posição contrária a qualquer associação de Astrólogos.

Agora estou revendo minha posição. Estou na CNA e percebi, por ser um observador atento do mundo em que vivo, — e por estar sentindo, também em mim, aflorar essa vontade de fazer algo maior que eu mesmo, — sentindo essa urgência que alguns acham que é ansiedade por conta de crises externas, mas que eu identifico como um estado de consciência se instalando naqueles de nós que têm se conectado ao universo dos símbolos e das possibilidades que estão além da aparência banal, então, essa percepção se transforma nesse sentimento de urgência, de que algo está para acontecer, e que nós somos os únicos responsáveis por tudo que está por acontecer…

Nessa revisão de minha postura, tenho percebido que o individualismo preservador e reacionário que nos sustenta tantas vezes, está pedindo socorro, ou melhor, concordata.

A tendência é identificar essa ansiedade, essa vontade de participar de algo maior, como necessidade de relacionamento, alguém que nos complete e bla bla bla.

A necessidade real é de algo maior.

E é urgente.

E o fato principal é que essa vez, quem estiver sozinho, não vai dar conta, e também não vai poder ajudar ninguém

O motivo é muito simples: a gradativa abertura da consciência, que tem visivelmente ocorrido durante as últimas décadas — para quem estuda Astrologia, para quem estuda ou pratica qualquer forma de atividade simbolista — está mostrando aquilo que os místicos cantam há milênios, que é o fato de que Somos Todos UM. Não há separatividade.

O exercício da participação, do trabalho comum, do projeto comum, dissolve as fronteiras mentais, os programas culturais que nos mantinham no estado de separatividade, que é uma redução do ser a partículas de si mesmo.

A CNA está aqui para nos dar a oportunidade de não estamos mais separados, de começarmos a agir como uma unidade, sem que ninguém perca sua particularidade, sua especialização, seus talentos e dons. A diferença é que existe agora onde expressar isso, um mesmo fluxo, um mesmo rio nos levando para o alto mar.

A consciência de que podemos fazer a diferença em um mundo (me refiro ao mundo astrológico, mas podemos estender a outros espaços culturais), fazer algo que permita a esse mundo ir além de mediocridades vigentes, que prevalecem sobre raros lapsos de criatividade e genialidade.

A diferença não mais poderá ser feita por um indivíduo: o sentido da regência de Urano em vez de Saturno para o signo de Aquário é esse. Básico.

A diferença que podemos fazer no planeta Terra, na história, na evolução, somente podemos fazer juntos.

Cada um tem que se salvar, é uma obrigação, mas salvar-se só é válido se servir para algo maior. Se for pra se esconder e temer, para que se salvar?

Ah, antes que alguém pergunte, só podemos nos salvar de nós mesmos. De quem mais seria?

E nos salvar de nós mesmos é o único caminho possível para ainda podermos salvar este planeta. Temos que ser rápidos, muito rápidos.

Voltando à Assembléia do sábado….

Observando o posicionamento maduro das pessoas presentes, pude sentir no grupo essa expansão da consciência, que talvez nem todos tenham já percebido, mas que não pode escapar ao olhar atento. Algo está de verdade mudando, e quem não ficar esperto e junto, vai perder o bonde da historia…

Há muito o que fazer, e ninguém vai ganhar nada especial com isso, nenhum brinquedo, nenhum doce, nenhuma promoção extra, mas apenas o prazer de estar fluindo junto com o rio da historia, fazendo sua parte.

Também o prazer de encontrar amigos.

É suficiente.

Pena, os que ainda querem apenas coisas pequenas, quando está em suas mãos a possibilidade da grandeza.

Quem quer viver e perenizar o modelo do velho mundo, onde a única coisa que interessa é segurança, controle e conservação, além de guerra contra os inimigos, tem opção, podem ficar tranqüilos, temos vários sindicatos ativos no Brasil, inclusive na cidade de São Paulo.

Honestos, bem intencionados e se esforçando também para cumprir seu papel.

Para aqueles que não estão sustentando seu pensamento no medo e querem algo a mais para si, a CNA pode ser a fonte para uma prática legítima da Astrologia.

E a consciência exige coragem.

É bom poder escolher!

Valdenir Benedetti

PS: O Estatuto foi redigido com muita dedicação por GENTE que deixou de fazer coisas particulares e investiu tempo e energia nisso. A Assembléia foi organizada, paga, administrada por GENTE, e tudo que aconteceu, os itens e parágrafos examinados e votados um a um, aconteceu apenas porque tinha GENTE.

Em síntese, só pode participar da CNA, GENTE, e creio que ninguém mais interessa.

Quem for GENTE, então, pode vir.
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AGUARDE! EM BREVE, ATUALIZAÇÕES NO SITE COM OS PRINCIPAIS TÓPICOS DISCUTIDOS NA ASSEMBLEIA.

Jornalista e um dos mais ativos promotores de congressos e seminários no meio astrológico, Val é organizador de várias coletâneas e também o autor de Textos Planetários (1997). Mantém o blog Astrologia Transpessoal.

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A oposição Saturno-Urano https://cnastrologia.org.br/a-oposicao-saturno-urano-2/ Thu, 03 Feb 2011 14:52:15 +0000 https://cnastrologia.org.br/a-oposicao-saturno-urano-2/ Como esta oposição afeta nossa vida pessoal

Saturno e Urano fazem, agora, uma oposição no céu. Isto tem um significado em Astrologia Mundial, assim refletindo na vida de todos.
Mas tem, sem dúvida, uma aplicação direta em nossa vida, individualmente: vivemos ambas as energias, tão opostas, ao mesmo tempo dentro e fora de nós.

Saturno traz estrutura, firmeza, amadurecimento. Claro que não é assim tão fácil. É ele o senhor do trabalho, do esforço e da dificuldade. Na mitologia Cronos, o senhor do tempo. É ele quem nos apresenta o crescimento, o amadurecimento e o envelhecimento. Ele quem nos ensina a crescer com responsabilidade e seriedade, mostrando limites e nos obrigando a crescer, enquanto enfrentamos as duras responsabilidades e limitações que a vida nos impõe. Saturno é o pai, o avô, o fiscal. Ele ensina e depois cobra. E então tira ou retribui. Mas sempre com justiça, na medida do esforço. É tudo proporcional. E faz crescer. Crescimento doído às vezes, cansativo em outras. Mas crescimento. É o preço que se paga se queremos adquirir experiência, maturidade e sabedoria. É como o Eremita, arcano IX do tarô, que percorre um longo e solitário caminho até chegar ao ápice de sua sabedoria.

De outro lado temos Urano. Rebelde, maluco, insano. Quer romper com todos os limites, padrões e obrigações que Saturno impõe. Ele quer o novo, o diferente, a liberdade. Quer romper estruturas, quebrar padrões,ser diferente, criativo. Traz o novo sem dó nem piedade. Abre a porta e nos obriga a sair. Nos joga em direção ao desconhecido, sozinhos e indefesos e logo temos que nos virar, aprender a lidar com aquilo e tocar a vida em frente.

Mas e agora que ambos estão opostos, brigando no céu? Isto significa que em nosso mapa e, conseqüentemente, em nossa vida, cada um deles está em uma área totalmente oposta (e complementar). Significa que se estiverem tocando algum planeta ou ponto importante do mapa temos energias totalmente antagônicas que brigam para ver quem fica, ou tentam um acordo entre elas para que ambas possam ficar. Isto é o ideal, mas para que isto aconteça é importante entender como lidar com isso.

Bem, se Saturno quer estrutura, vamos nos estruturar. Manter pés no chão, planejar, andar lentamente. Trabalhar, fazer esforço, carregar peso. Para carregar peso, é preciso tirar os excessos. Sim, porque senão a carga é muito pesada e fica difícil levá-la. É daí que surgem dor nas costas e cansaço, entre outros sintomas. Mas há a recompensa e para que seja justa haja trabalho pela frente.

Mas Urano quer mudar! E agora? Bem, mudaremos então. Abrir as portas para o novo. É o que ele pede. Não dá mais para ficar dentro de limites e padrões que estão velhos, obsoletos. Mas nada de se jogar de uma vez, pois Saturno segura uma das mãos. Está lá do outro lado pedindo que se prepare para o salto. Que se organize para a mudança. Que prepare o terreno para que a reforma seja perfeita.

Sim, é difícil e trabalhoso. Mas vamos pensar pelo lado positivo. Saturno garante estruturas, raízes. Isto significa que o que conquistamos com ele, conquistado está! E Urano nos leva ao que nos deixa livres, independentes. Ele nos liberta. E se Saturno está do outro lado, a liberdade é segura.

Pelo menos se soubermos integrar. Isto significa que devemos manter um pé de cada lado. Dar atenção às duas energias.
Pensando no tarô, lembro do louco saindo para sua jornada. Está livre, leve e solto. Abandonou tudo e carrega apenas a trouxinha, com aquilo que é estritamente necessário à sua viagem sem destino. Mas com ele, agora, parte o Eremita, ensinando o que de fato importa, o que precisa carregar, e que a sabedoria é nosso maior conteúdo.

Sim, associo este momento Saturno-Urano a um momento Louco-Eremita do tarô. Um lado quer se atirar, jogar tudo para o alto, partir em direção ao seu abismo. O outro é sábio. Sabe que precisa de estrutura e paciência para não se atirar de uma vez, pois se fizer isso pode se machucar. E é um caminho sem volta. Tal qual o salto do Louco, um rompimento uraniano tende a ser definitivo. Por isso Saturno nos diz: tenha paciência. Esta fase vai passar e você poderá saltar no seu destino, mas antes o trem precisa chegar ao seu destino. E haja paciência para lidar com esta fase!

É preciso amadurecer sem perder a inocência. É preciso arriscar sem perder a cabeça. É preciso ousar sem perder o juízo. E é preciso esperar sem perder a hora.

É assim que o momento se apresenta. Na área da nossa vida onde estiver e de acordo com assuntos que estiver ativando, nos mostra que em relação aquilo, seja uma, duas ou várias coisas ou áreas, devemos dar atenção para ambos. Devemos viver ambas as energias da forma mais integrada possível para não correr o risco de perder a oportunidade de crescer e, enfim, rumar em direção ao novo. E o que é este novo? É a essência amadurecida, é a vontade atendida. É o caminho certo sendo seguido.

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Astrologia e Renascimento – Uma forma de autoconhecimento https://cnastrologia.org.br/astrologia-e-renascimento-uma-forma-de-autoconhecimento-2/ Thu, 03 Feb 2011 14:48:12 +0000 https://cnastrologia.org.br/astrologia-e-renascimento-uma-forma-de-autoconhecimento-2/ O trabalho da Astrologia associado à terapia do renascimento mostra quanto o trauma do nascimento influencia os relacionamentos e a valorização pessoal de cada um. A análise mais importante é a do ascendente, juntamente com os planetas da Casa 1.

Existem duas maneiras de analisar os problemas ocorridos durante a gravidez. A primeira é pela Casa 12 e a segunda, partindo do Fundo do Céu, onde se localiza a concepção, até a Casa 1, que representa o nascimento. Ou seja: nove meses, representados em nove Casas.

Para melhor exemplificar, cito a seguir alguns exemplos:

O ascendente em Capricórnio – regido por Saturno, planeta ligado à rigidez e a um padrão de luta e esforço – normalmente é fruto de um parto estagnado, difícil e demorado.

Netuno, planeta ligado ao escapismo, pode ser associado ao uso de anestesia no parto, gerando futura dependência química. Também pode estar ligado à decepção por parte dos pais, no caso de a criança ser do sexo oposto ao desejado.

Plutão, planeta associado à morte e ao renascimento, gera uma sensação de luta pela sobrevivência. Se o bebê quase morreu na hora do parto, provavelmente Plutão estará no ascendente; se houve alguma morte durante a gravidez, Plutão possivelmente estará na Casa 12. Nos dois casos, o trauma de nascimento gera urgência de morte, ou seja, diante das situações de conflito a pessoa tem vontade de desaparecer, ao invés de encarar de frente os problemas.

Quem nasceu com circular de cordão tende a se enrolar na vida e ter medo de ser sufocado: isso pode estar associado ao signo de Touro, que rege a área do pescoço.

A Casa 7, Casa do relacionamento, também deve ser analisada, já que a mãe é o primeiro “outro” da vida do indivíduo: se foi machucado na hora do parto, o filho terá medo de machucar o outro. Buscará inconscientemente nos relacionamentos pessoas que o machucam ou pessoas machucadas na vida. Seu intuito é salvá-las e, assim, achar que (ele) se sente bem. Porém, quando há falta de auto-estima, atrás dessa atitude de salvação existe, de forma inconsciente, controle e manipulação do outro. Estabelece-se, então, uma tendência a fazer demais pelo outro e, como o outro não age da mesma forma, a pessoa se sente vítima da situação.

É importante ressaltar que, se existe algum planeta em trânsito passando da Casa 12 para a Casa 1, a pessoa está fechando um ciclo e começando outro, por isso tende a recriar seu trauma de parto. Podemos citar, como exemplo, alguém que tenha nascido de cesariana, sem programação, ou seja, essa pessoa iria nascer de parto normal, mas devido a algum problema, o médico decidiu fazer uma cesariana. No momento em que o trânsito acontecer, a pessoa provavelmente estará se sentindo sufocada no trabalho ou na relação a dois, então algo inusitado acontece, mudando o curso de sua vida. É como se ela fosse tirada da situação por mãos salvadoras, como na cesariana inesperada.

Se os médicos tivessem consciência do que o trauma de parto causa na vida das pessoas, a obstetrícia poderia ser bem diferente e as pessoas, mais felizes, vivendo com menos traumas.

Exemplos:

Mapa 1 – Nasceu de parto normal, tranqüilo (Sol no ascendente). Seu nascimento não foi programado (Aquário na 12), com sugestão de aborto (Marte em Aquário na 12). Marte é regente da Casa 2: dinheiro era fruto de luta. Urano está na Casa 4, causando brigas devido à falta de dinheiro e possível rejeição do pai no pré-natal.

Essa pessoa sobrecompensa. Foi uma executiva da área de Recursos Humanos. Hoje está aposentada e tornou-se terapeuta. Luta para ganhar seu dinheiro (Áries na Casa 2), consegue, mas gasta tudo.

Padrão: “se o dinheiro é motivo de confusão, vou gastar tudo.”

Mapa 2 – Nasceu por meio de fórceps. Seu ascendente Escorpião está associado à urgência de morte. Este ascendente significa que a pessoa terá que viver perdas e mudanças para se transformar. O regente do ascendente na casa 10 mostra sua forte ligação com a mãe e sua necessidade de sucesso. A Vênus em Escorpião mostra sua falta de auto-estima: não se sente bom o bastante e acha que nunca faz o suficiente. Como a Vênus rege a Casa 7, mostra sempre uma dificuldade nas suas relações amorosas. Tem dificuldades para lidar com a intimidade (Regente da Casa 8 na Casa 12, conjunto a Saturno). A Lua e o Marte em Capricórnio na Casa 3 mostram a desaprovação parental e o problema com a escola. Este aspecto Lua-Marte também é um indicador de obesidade, assim como problemas com a sexualidade. Ele apresenta muita raiva, mas não consegue expressar, então implode, fica ansioso e come muito. Marte é regente da Casa 6, que indica saúde.

Histórico: aos 7 anos de idade, foi semi-interno na escola, sendo, pela primeira vez, afastado dos pais. Estes dizem: “filhinho, coma direitinho!”. Na escola o obrigam a comer. Então acabou pensando: “Vou começar a comer para voltar pra casa e ter o amor dos pais.” Aos 16 anos, sua mãe morre, o que causa o agravamento da sua compulsão alimentar. Fica então com o pai e a babá, que o entope de comida. Quando ambos também morrem, come ainda mais. Hoje está com 170 quilos e declara: “A comida é a minha droga” e vê na gordura um meio de chamar atenção. (Planetas na Casa 12 / anestesia).

Mapa3 – Nasceu de parto estagnado. Suspeita que seu pai não seja o pai biológico. Seu ascendente em Capricórnio mostra um parto difícil. Saturno, regente da Casa 1 e Casa 2, está na Casa 6, o que é um padrão de luta e esforço: trabalha muito, não se valoriza e nunca tem dinheiro. Há também problemas de pele. No momento está com o rosto em feridas, obrigando-a a se esconder. Esta é uma forma de se sentir protegida, como dentro do útero (Sol, Mercúrio e Netuno na casa 12). Já foi modelo, cantora e hoje trabalha em casa como secretária de um estrangeiro (de novo a Casa 12).

A Casa 7 em Câncer mostra que ela maternaliza seus relacionamentos. A Lua na Casa 4 indica que ela busca um pai em suas relações. Casou-se com um ator e se anulou para que seu parceiro tivesse destaque. No momento em que decidiu buscar seu próprio sucesso, o casamento acabou (Plutão na Casa 10 em quadratura com o descendente).

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Por que o tratamento da astrologia é uma forma de discriminação https://cnastrologia.org.br/por-que-o-tratamento-da-astrologia-e-uma-forma-de-discriminacao-3/ Thu, 03 Feb 2011 14:47:26 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1187 Tradução de Márcia Ferreira

Em 1989, houve a conferencia da UAC em Nova Orleans, e um pouco antes de começar, houve uma reunião para a imprensa, o que é muito usual de acontecer nas nossas conferencias astrológicas. A imprensa estava em parte representada pelo New Orleans Times. Bem, muitos astrólogos, na época mais antigos do que eu, apresentaram muitos pontos interessantes sobre astrologia, os quais eu não me lembro agora, mas que tenho certeza eram muito interessantes. E num certo momento, quando muitas colocações já haviam sido feitas sobre astrologia, um dos repórteres levantou e disse:

“Bem, se o que vocês dizem é verdade, por que é que a astrologia é ridicularizada por tantas pessoas, inclusive pelos cientistas?”

Foi então que eu fiz uma colocação, com meu marte e plutão no ascendente, e percebi que o que os próprios astrólogos não reconhecem é que o status da astrologia é um problema político, e que a posição da astrologia em nossa sociedade é completamente análoga àquela dos gays antes do Stonewall.

Então, agora, eu gostaria de re-examinar essa questão:

A comunidade astrológica ainda hoje se coloca como a comunidade gay antes do Stonewall? E se sim, o que isso significa para o futuro da astrologia e o que podemos fazer a respeito? A astrologia tem alguns pontos interessantes em comum com a comunidade gay:

Então, número 1: como os gays, você não consegue reconhecer um astrólogo nas ruas! Ou seja, nós temos a mesma coloração protetora; isto quer dizer que “sair do armário” para um astrólogo significa muito!

Existe uma considerável comunidade religiosa que hostiliza tanto homossexuais como astrólogos, e neste contexto, a prática de ambos pode ser considerada um pecado, apesar de que aqui poderíamos até abrir espaço para uma interpretação se seria mais fácil curar um ex-homossexual ou um ex- astrólogo…mas eu não vou tomar uma posição nisso agora…

Um astrólogo pode achar difícil “sair do armário” para seus amigos, sua família ou parentes.

Estarão aptos a admitir o que fazem p/ seus amigos?

“E o que eles irão pensar? ”

“Será que eles vão parar de falar comigo?”

– um astrólogo poderia perder credibilidade em seus círculos sociais por assumir sua profissão;

– um astrólogo poderia ser atacado ou até mesmo preso; e nós sabemos que isto já aconteceu e é graças a isso que nós temos a AFAN ( The Association for Astrological Networking )

– um astrólogo poderia passar por situações onde amigos passassem a não mais trazer seus filhos para brincar em sua casa

E se vocês pensam que isso é uma piada, isto realmente aconteceu comigo quando eu estava morando na Flórida!

– um astrólogo pode passar por discriminações no trabalho sob a forma de demoras em promoções
E isso é legal porque não há nada nas leis que nos proteja pela nossa paixão!

Kepler College já teve seu pedido de reconhecimento negado sumariamente, o que significa que eles nem se preocuparam em ler, porque nós usamos a palavra que começa com “a”!

Isto é discriminação! E é feio!

E uma das razões que isso continua a acontecer é precisamente porque a comunidade astrológica age como os gays agiam antes do Stonewall!

O que acontecia antes do Stonewall é que a maioria dos homossexuais, já que esta era a terminologia utilizada na época, eles próprios rejeitavam a proposta de que a discriminação contra os homossexuais era de fato uma questão política e, portanto, deveria ser colocada em canais políticos.

Então, o que os gays faziam: socializavam somente com outros gays, criaram seus próprios guetos que vocês bem conhecem, desenvolveram um jeito de se vestir que era um meio de se comunicar com outros gays, e enquanto isso seus sinais eram totalmente ignorados pela comunidade;ainda mais, eles permitiam um nível de aceitação social, mesmo que aquela aceitação social fosse somente uma mentira. No segundo ano de existência da Kepler College, nós tivemos o caso de uma estudante que não pôde nem mesmo concluir o semestre porque sua família estava totalmente abalada porque ela queria estudar astrologia! Isto é real.

O que você deve estar ouvindo quinhentas vezes nesta conferencia, já ouviu nas últimas conferencias, e ouvirá nas próximas, é a frase: “Puxa, como é bom poder estar com um monte de pessoas com quem eu posso falar sobre o que eu estou realmente interessado!”

Isto é uma marca de discriminação.
Você tem medo de admitir para alguém qual é sua cor favorita?

Você tem medo de admitir qual é sua banda favorita?

Você tem medo de admitir qual é sua profissão, se não for astrologia?

Eu não estou dizendo que todas as vezes que você se sente incomodado em dizer alguma coisa a seu respeito para outras pessoas, que seja necessariamente uma discriminação, mas é importante que vejamos a situação como ela é. Acredito que poderíamos fazer uma distinção muito importante entre a discriminação contra os astrólogos e discriminações contra minorias neste país, pois outras minorias já foram mais brutalmente afetadas do que nós ao longo da história, mas isso não quer dizer que não seja real.

Então, se assumirmos que há uma dimensão política, por que nós deveríamos nos preocupar? Porque, como eu disse, pode nos parecer que não seja tão ruim assim e pode nos parecer que situações que ocorram sejam triviais, em comparação a estas outras situações piores. Não é! Qualquer situação onde houver algum tipo de dano para uma psique por algum ataque ou por algum tipo de auto-ataque, é uma forma de abuso, afetando tanto o abusado como o abusador.

Como podemos falar sobre uma profissão verdadeira numa situação onde um expressivo número de praticantes tem medo de admitir sua profissão para um estranho? Como pode ser isso?  Como poderíamos descobrir uma maneira de não sermos obrigados a aceitar qualquer cobertura da mídia, qualquer alegação, não importa quão ridícula e desinformada ela seja! Alguns anos atrás, no final dos anos 50 e começo dos anos 60 um amigo meu se levantou para protestar contra o status dos homossexuais, e o que aconteceu foi que a maioria dos homossexuais na época o fizeram calar a boca!

Um outro sinal de discriminação são os eufemismos.

Existem vários eufemismos para homossexualidade, e no caso da astrologia, vejam por exemplo, o termo geocósmico.

Me desculpem, eu sou membro efetivo da NCGR ( National Council for Geocosmic Research ), já pertenci ao quadro da diretoria, mas eu também conheço a história da formação da NCGR. Houve uma considerável discussão se deveria ser usada a palavra “a” no nome!

Além disso, nós nos sentimos mais confortáveis com as abreviações, não é verdade?  Kepler College teve que deixar de ser Kepler College of Astrological Arts and Sciences! Alguns anos atrás nós legalmente mudamos o nome da faculdade não porque nós tenhamos mudado o currículo, mas sim porque nós sabíamos que não teríamos uma única chance no mundo de conseguir o reconhecimento se nós não mudássemos o nome!

Nomes são significativos! Palavras têm significados!

Agora, se olharmos para a recente história do movimento gay, levou quase um ciclo de saturno, imaginem isso, para os gays começarem a ativar uma massa crítica, tanto que quando Kepler College abriu em 2000, a preferência de gênero não era relevante na faculdade, mas não foram muitos anos antes disso, que se podia ouvir cochichos de membros da audiência nas palestras astrológicas se a palestra fosse dada por um astrólogo gay!

Então, quando a astrologia começará a caminhar rumo a uma aceitação política e como isso acontecerá? Bem, o primeiro passo deve ser a aceitação de que estamos confrontados com um problema político e que o problema político é mais profundo do que algumas questões legais às quais AFAN tem violentamente se dirigido.

O desafio de se direcionar neste caminho é não só pelo fato de que seja um tanto desconfortável mexer com isso, mas também que o processo não é o que nós, astrólogos, procuramos quando atendemos ao nosso chamamento interno para astrologia.

Nós decidimos fazer astrologia e não política, e muitos de nós que têm experiência nesta área de ação política, além de já termos um longo caminho percorrido, agora temos nossa reputação para cuidar, além do que nesta altura temos que nos preocupar com nossa pressão arterial!

Mas eu gostaria de chamar os astrólogos para começar este processo de recuperar o nosso poder dentro da sociedade como um todo.

Todos nós vimos as estatísticas que 43 milhões de americanos em algum nível acreditam em astrologia e se nós acreditarmos nesta estatística, nós estamos numa situação muito melhor do que os gays estavam na época do Stonewall ou do que estão agora, porque pelo que esta estatística representa, esta é uma porcentagem muito maior em relação à população como um todo. Mas para isso nós temos que fazer uma coisa que é extremamente difícil, e isto é : nós temos que sair do armário!

Nós respiramos o mesmo ar, vamos às mesmas lojas, criamos nossos filhos com as mesmas preocupações que todo o restante do mundo!

Nós precisamos conseguir encontrar caminhos de construtivamente engajar pessoas fora da comunidade astrológica e desafiar seus preconceitos sobre nós.

Mas eu não vou propor que formemos uma organização ou organizações de ação política. O processo político para nós, astrólogos, é uma distração; o processo político para nossos críticos é a razão principal.

Não precisaria ser um movimento político; poderia ser uma implementação de um velho modelo dos anos 60: o pessoal é político.

A coisa mais importante que podemos fazer é : sair do armário.

Devemos desafiar a discriminação sempre que a vejamos e não só a discriminação contra nós mesmos, mas qualquer forma de discriminação é uma oportunidade para também conversar sobre nossas vidas e o que fazemos.

Nós deveríamos usar o exemplo dos quiropráticos e do movimento gay como nossas referencias. O movimento dos quiropráticos é um movimento profissional que recebeu crítica massiva da comunidade médica tradicional, mas acabou conseguindo seus objetivos, estabelecendo:

– uma infra-estrutura educacional
– um corpo profissional forte
– a habilidade para se colocar frente ao inimigo

O que eu quero dizer com isso? Quero dizer com isso que em lugares como no estado de Nova York é exatamente o quadro da AMA ( American Medical Association ), que conduz o certificado dos quiropráticos na área da anatomia.

E isso não faz sentido? O movimento gay é provavelmente a analogia mais próxima, porque como eu coloquei, de acordo com nossos amigos evangélicos, homossexuais deveriam parar de fazer o que fazem e similarmente, no modo como eles vêem, se a astrologia é uma ilusão, nós também deveríamos parar de fazer o que fazemos. O.k., mas há outras coisas que nós podemos fazer que também têm um efeito político:

– primeiro de tudo, nós podemos alcançar nossos objetivos através de se ter a melhor formação possível para os astrólogos; até que os estudos de astrologia não tenham sido academicamente reconhecidos, nós não teremos alcançado nossos objetivos; até que kepler college não tenha mais seus pedidos de reconhecimento sumariamente rejeitados, nós não teremos conseguido alcançar nossos objetivos

– os melhores esforços de uma organização para se transformar numa organização profissional, que seja verdadeiramente reconhecida por outras organizações profissionais, deverão ser incentivados

– devemos infelizmente envolver-nos em constantes confrontos com a imprensa sobre como nos apresentarmos de maneira justa; isso poderá ser enviando cartas, poderá ser mandando e-mails, poderá ser através de telefonemas, e isto é algo que você não pode delegar a ninguém; eles não têm mais tempo do que você!

– nós devemos ativamente participar na esfera dos blogs, para dar nosso recado, quer a mídia tradicional queira quer não

– e nós precisamos conscientemente considerar nossas presenças na web, porque coletivamente cada website nosso mostra uma face da astrologia, e se nós estamos nos apresentando como mero entretenimento, então nós não temos que ser levados a sério

– uma outra coisa que todos nós devemos fazer é responder aos nossos detratores contra astrologia sempre que nós os vermos, sempre que houver uma oportunidade

Poder para o povo!
obrigada

Tradução de  Márcia Ferreira
www.astrologiaceap.com.br

Lee Lehman
Ph.D em Botânica
Professora e vice-presidente de assuntos acadêmicos na Kepler College
Autora de 05 livros sobre astrologia
Membro-efetivo da NCGR
Recebeu o premio Marc Edmund Jones em 1995
Recebeu o premio Regulus para educação em 2008

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Pensando Astrologia no Paradigma Sistêmico https://cnastrologia.org.br/pensando-astrologia-no-paradigma-sistemico/ Wed, 02 Feb 2011 02:50:01 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1165 “A astrologia é uma ferramenta, uma linguagem, o veículo por meio do qual o homem consegue desdobrar a amplitude de seu ser maior para perceber-se como parte integrante do mundo natural em que vive”. Martin Schulman

Pensar a respeito da prática astrológica inserida no contexto do paradigma sistêmico foi um caminho natural para mim. Em 2001 tive os primeiros contatos com a epistemologia sistêmica e me apaixonei. Comecei a me dedicar a leituras sobre o assunto e no início de 2003 iniciei uma formação em Terapia Familiar com enfoque Sistêmico no Instituto da Família de Porto Alegre. A Astrologia, também uma paixão desde a adolescência, se fez presente de uma forma mais madura em 2005, quando iniciei a formação em Estudos Avançados de Astrologia na Unipaz-Sul.

O amor por estes dois saberes me trouxe ao presente momento. Tenho me dedicado exaustivamente a pensar em como seria uma prática astrológica – no âmbito da clínica – que partisse dos pressupostos do paradigma sistêmico para realizar sua ciência. Tenho utilizado a Astrologia como uma ferramenta em Psicologia Clínica e percebo que o mapa proporciona um aceleramento quanto ao autoconhecimento, além de ajudar nos processos de responsabilização pessoal pela própria vida. O que apresento aqui são algumas idéias ainda inacabadas, mas que servem de ponto de partida para novos questionamentos.

Sob que aspectos a Astrologia pode ser considerada uma ciência? Em geral, ela pode ser denominada ciência simplesmente por compreender um conjunto de princípios e leis que foram acumulados por meio da observação; muitos desses princípios podem ter sua confiabilidade testada e observada. Toda ciência cresce e muda constantemente, as teorias vêm e vão, são descartadas ou aprimoradas, são englobadas numa teoria mais completa; a Astrologia não foge à regra. A Psicologia astrológica atualmente disponível constitui uma espécie de psicologia cósmica, que utiliza uma linguagem precisa e contemporânea para descrever predisposições individuais elucidando o mistério da natureza humana de forma mais ampla do que a psicologia ortodoxa (Arroyo, 1989).

Mudança de paradigma

A história recente da ciência fundamentada no Positivismo (Augusto Comte, 1798 -1857) postula que leis gerais que não são passiveis de experimentação e dedução matemática são metafísicas e não têm valor cientifico. Existe a crença numa verdade única calcada na “coisa” e não no homem, ou seja, o sujeito deve anular-se para que a “coisa” apareça, configurando a exigência da objetividade. A verdade deve ser mensurável e passa pela exigência de testemunhos e garantias fornecidas pela experiência: só a observação confiável, fidedigna, que foi compartilhada, pode fundamentar as afirmações. Há a exigência da neutralidade: as afirmações dos cientistas devem ser impessoais e eles devem apresentar apenas os resultados de sua pesquisa, logo proposições marcadas por posições pessoais não são científicas.

Acontece que, com as novas descobertas nas áreas da física quântica, química, biologia molecular entre outras, se percebeu que estas exigências teriam de ser modificadas, pois não tinham como abarcar estas novas descobertas. A exemplo da física quântica, que postula que o olhar do observador interfere no objeto observado, onde um fóton de luz se comporta ora como onda, ora como partícula, como se poderia garantir a objetividade e a neutralidade dos fenômenos?

Segundo Esteves de Vasconcellos (2008), a ciência está trazendo novidades num ritmo acelerado, tornando essas novidades presentes simultaneamente em todos os pontos do nosso planeta. Isso está gerando um forte impacto em nossa organização social e exigindo de todos nós profundas mudanças em nossa forma de estar no mundo. O mundo atual excessivamente complexo acusa a ciência de não dar conta de responder as novas necessidades instaladas. Passa-se então a falar da urgência de se adotar um “novo paradigma”, sob pena de não se acompanhar o fluxo de vida no planeta no terceiro milênio.

A palavra paradigma vem do grego parádeigma, que significa “modelo”, “padrão”, como conjunto de regras e regulamentos. Este termo entrou em evidencia depois que foi amplamente utilizado por Thomas Kuhn, em 1962, em seu livro A estrutura das revoluções cientificas. Além de influir sobre nossas percepções, nossos paradigmas também influenciam nossas ações: fazem-nos acreditar que o jeito como fazemos as coisas é o “certo” ou “a única forma de fazer”. Assim, costuma impedir-nos de aceitar novas idéias, tornando-nos pouco flexíveis e resistentes a mudanças.

Nesta obra, o autor revela que, em geral, as pessoas que criam novos paradigmas são pessoas que, sendo de fora de determinada área de conhecimento, não estão amarradas aos velhos paradigmas e, portanto, não têm nada a perder. Desta forma, os movimentos de mudança costumam começar pelas bordas, nos limites da área em questão. Os pioneiros do novo paradigma têm de ser corajosos, porque ainda não há provas de que é assim – do jeito novo – que se deve fazer. De fato todos nós podemos mudar nossas regras e nossos regulamentos, decidir ver o mundo de modo diferente.

De acordo com Morin (1995), a mudança de paradigma é difícil e lenta, pois a mudança de premissas implica o colapso de toda uma estrutura de idéias. Conscientizarmo-nos de nosso paradigma – e questioná-lo – requer esforço e não é um processo fácil. Ao contrário, é quase sempre um processo doloroso. Diante dos questionamentos, as pessoas costumam sentir-se confusas, como se estivessem de cabeça para baixo.

Paradigma cartesiano versus Paradigma Sistêmico

No intuito de traçar um paralelo entre estes dois momentos – ciência clássica e paradigma emergente da ciência – utilizo a forma que, para mim, se mostrou a mais didática e está descrita em detalhes no livro Pensamento Sistêmico: o novo paradigma da ciência (2008), de Maria José Esteves de Vasconcellos. Neste livro a autora descreve o avanço cientifico com base em três dimensões ou três pressupostos básicos. Se na ciência tradicional nos deparamos com um universo simples, estável e objetivo, no paradigma sistêmico passamos a ter de lidar com um universo complexo, instável e intersubjetivo. Abaixo temos a descrição de cada um deles, que mais tarde irão nos servir para pensar sobre a Astrologia vista sob o enfoque sistêmico.

Simplicidade versus Complexidade:

o pressuposto da simplicidade (cartesiano): na ciência clássica existe a crença de que, separando-se o mundo complexo em partes encontrar-se-ia o elemento simples, e que é preciso separar as partes para entender o todo. Daí decorrem a atitude de análise, a classificação dos fenômenos e objetos e a busca de relações causais lineares. O exercício de classificar exige que estejamos sempre decidindo entre uma coisa ou outra. De acordo com a lógica, o objeto não pode pertencer simultaneamente a duas categorias. Ele não pode ser ele e não-ele. Um bom sistema cartesiano de classificação deve se constituir de categorias excludentes entre si. Isto desenvolve a atitude ou-ou: ou as situações são boas ou são más, as pessoas são amigas ou inimigas, certo ou errado etc. É dessa atitude simplificadora, analítica e reducionista que resultam a compartimentação do saber e a fragmentação do conhecimento em áreas ou disciplinas, onde cada um é especialista em seu território.

o pressuposto da complexidade (sistêmico): Inicialmente os problemas da complexidade foram vistos como específicos da Biologia, pois se tinha intuitivamente a noção da complexidade dos organismos vivos. Na Física, a complexidade começou a ser questionada quando Niels Bohr em 1927 criou o princípio da complementaridade que postula a dualidade onda/ partícula do elétron, afirmando que proposições contraditórias eram de fato complementares. No ramo da Sociologia e Filosofia, a complexidade começou a ser discutida por Edgar Morin na década de 1980. Com o reconhecimento da complexidade teve início a idéia de transdisciplinaridade como uma possibilidade de transcendência das especialidades, a partir de uma construção conjunta do conhecimento.

Complexidade (do Latim complexus) quer dizer ‘tapeçaria”, “o que está tecido em conjunto”. Pensar a complexidade significa visualizar o objeto em contexto. Nada no universo existe de forma isolada, tudo está interligado, é através das relações existentes entre as partes que podemos ter notícia do todo. Todavia, estamos acostumados a pensar o individual esquecendo que este está sempre vinculado a algo maior – sistemas dentro de sistemas. Portanto, a lógica do pensamento complexo nos leva a uma ampliação de foco do individual para o relacional.

É claro que quando estamos lidando com as relações iremos sempre nos deparar com questões contraditórias, a contradição é inerente à complexidade. Não se trata aqui da necessidade de buscar uma síntese para a contradição ou reduzi-la a uma verdade única, mas de criar espaços de diálogo para confrontá-la e superá-la. Por exemplo, no pensamento dialético, ao lidarmos com o branco e com o preto encontramos o cinza para realizar uma síntese entre os dois; mas com o pensamento dialógico, o preto é preto e o branco é branco, não há a necessidade de se criar um elemento único, ambos são importantes e válidos e a idéia seria de promover um espaço de diálogo entre eles que supere a síntese. Ao contrário da objetividade, que postula a necessidade de categorias excludentes entre si, o pensamento complexo preza a atitude “e – e”, “isto e aquilo”. Morin (1995) utiliza a idéia do princípio dialógico como uma saída para o impasse da contradição, que define como a capacidade de unir conceitos que se contrapõem, considerados racionalmente antagônicos e que até então se encontravam em compartimentos fechados.

Estabilidade versus Instabilidade:

o pressuposto da estabilidade (cartesiano): a crença em que o mundo é estável, passível de controle e pode ser determinado, ou seja, “o mundo já é”, e que nele as coisas se repetem com regularidade. Portanto, temos um mundo ordenado e constante, com leis estáveis que podem ser conhecidas. Ver o mundo sob este enfoque dá margem a acreditarmos que temos o poder de manipular todos os fenômenos.

o pressuposto da instabilidade (sistêmico): refere-se às idéias de indeterminação, caos, desordem, incerteza, imprevisibilidade e devir, ou seja, o mundo está em constante processo de vir a ser. A Física saiu do determinismo para chegar no indeterminismo através da segunda lei da termodinâmica ou lei da entropia. Entropia em grego também significa evolução e é concebida como uma medida de desordem molecular. É a desordem que gera o crescimento.

Prigogine (1996), ao estudar sistemas distantes do equilíbrio, percebeu que quando acontecia uma flutuação, aqui entendida como período de crise, estes deixavam seu curso natural de funcionamento e escolhiam, dentre alternativas disponíveis, um novo regime de funcionamento. Estas flutuações poderiam ter origem interna, ou seja, geradas espontaneamente pelo próprio sistema; ou externas, flutuações causadas pelo ambiente. Isto é chamado de salto qualitativo em um ponto de bifurcação. Portanto, uma nova ordem surgiria a partir da instabilidade, gerando um processo de auto-organização . É neste ponto que o sistema ‘escolhe’ um novo caminho a seguir. Importante ressaltar que as flutuações acontecem constantemente e em si mesmas não causariam nada, no entanto, seriam relevantes para o sistema se este as reconhecessem como uma oportunidade de mudança, crescimento.

A escolha neste ponto de bifurcação não seria determinada aleatoriamente, ao acaso, mas sim pelas escolhas do sistema nos pontos de bifurcação anteriores. Portanto, se quisermos saber quais as escolhas prováveis daquele sistema devemos perguntar sobre sua história anterior, a isto chamamos determinismo estrutural. O determinismo estrutural nos diz que tudo o que acontece é determinado pelo próprio sistema. Assim não podemos mais responsabilizar o ambiente por nossas escolhas, ou resultados das nossas escolhas; quem determina o que vivemos somos nós mesmos. Esta é uma capacidade inerente aos sistemas vivos chamada de autopoiese – a capacidade de criarem a si próprios. Portanto, um sistema vivo, como sistema autônomo, está constantemente se autoproduzindo, autorregulando, e sempre mantendo interações com o meio, onde este apenas desencadeia mudanças determinadas em sua própria estrutura, e não por um agente externo.

Objetividade versus Intersubjetividade:

o pressuposto da objetividade (cartesiano): a crença de que é possível conhecer o mundo objetivamente tal como ele é na realidade, assim o observador deve abster-se da sua subjetividade. Nesse sentido, temos um observador capaz de se excluir daquilo que observa, exercendo a neutralidade e tornando-se um expert sobre seu objeto de estudo. Aqui se configura a exigência da objetividade como critério de cientificidade. Daí decorrem os esforços para suprimir a subjetividade do cientista, para atingir o universo, ou a versão única do conhecimento. Subjacente a essa busca de descrever o mundo eliminando toda a interferência do observador está a crença no realismo do universo. Acredita-se que o mundo e tudo o que nele acontece é real e que existe independente do observador.

o pressuposto da intersubjetividade (sistêmico): trata-se aqui do reconhecimento da impossibilidade de um conhecimento objetivo do mundo. Esta idéia teve início quando Heisenberg, em 1927, postulou o princípio da incerteza, confirmando a indeterminação das partículas quânticas; o ato de observação influenciava o que se via. Se o observador sabe onde está a partícula não pode predizer a velocidade com que se move, se consegue medir sua velocidade não consegue saber onde irá se localizar em um dado momento. Posteriormente, por volta de 1980, Maturana e Varela, cientistas chilenos, escreveram uma serie de artigos, tais como A Árvore do conhecimento (1983) e Autopoiese e Cognição: a realização do ser viver (1979), propondo uma teoria cientifica do observador.

Não sabemos nada sobre a realidade, toda a nossa percepção da suposta realidade exterior é filtrada por nossos órgãos dos sentidos. O que acontece na realidade depende de quem a observa. A realidade em si não existe, o que existe é o observador, portanto, teremos tantas realidades quanto o número de observadores que com elas se relacionarem. Se o número de realidades existentes é igual ao número de observadores, não existe mais uma verdade única, mas sim múltiplas verdades criadas através de trocas intersubjetivas.

As trocas intersubjetivas acontecem através de espaços consensuais, que seriam um espaço de interação onde a realidade do outro valida a minha realidade, e assim se cria um consenso entre nós. A realidade é co-construída através da linguagem. No entanto, é importante ressaltar que esse espaço consensual jamais refletirá uma verdade, mas um espaço de consenso entre observadores. Substitui-se a preocupação com uma verdade única pelo reconhecimento de múltiplas verdades, de diferentes narrativas, não mais sobre “a realidade tal como ela existe”, mas sobre a experiência vivencial. (Maturana, 2001).

O Pensamento Sistêmico teve como precursor o biólogo austríaco Ludwing Von Bertalanfy, que no final da década de 30 elaborou a primeira formulação de um arcabouço teórico abrangente descrevendo os princípios de organização dos seres vivos, ao qual denominou de Teoria Geral dos Sistemas. Foi a partir desse momento que o pensamento sistêmico se tornou um movimento cientifico, porém foi apenas no inicio da década de 70, quando se uniu a Teoria Geral dos Sistemas à Teoria da Comunicação Humana de Watzlawick e à Cibernética de Foerster, que uma concepção sistêmica de vida, mente e consciência começou a emergir, sustentando a promessa de unificar vários campos de estudo que antes eram separados.

Sistema, como definido por Bertalanfy (1968), seria um complexo de elementos em interação ou um conjunto de componentes em estado de interação, usando como sinônimos os termos sistema, totalidade, organização. É a interação que constitui o sistema, tornando os elementos mutuamente interdependentes: cada parte estará de tal forma relacionada com as demais, que a mudança numa delas acarretará mudanças nas outras. Deste modo, para compreender o comportamento das partes, torna-se indispensável levar em consideração as relações. A concepção de sistema e o reconhecimento das interações vêm limitar a aplicação dos procedimentos analíticos da ciência, uma vez que os sistemas não são inteligíveis por meio da investigação de suas partes isoladamente. O todo é sempre maior do que a soma das suas partes.

Para citar um exemplo, pensemos no nosso Sistema Solar, que é um sistema dinâmico inserido em outro sistema, a Via Láctea (sistemas dentro de sistemas). Cada corpo celeste está intimamente relacionado com os demais, e se retirarmos um deles para estudá-lo separadamente, aniquilaremos sua organização, provocando sua falência – são as forças gravitacionais que juntas mantêm o sistema vivo.

Essa concepção de sistema como um todo integrado tem sido freqüentemente referida como propriedade holística. Holons em grego significa inteiro, completo, e o holismo então se refere à tendência, que se supõe própria do universo, a sintetizar unidades em totalidades organizadas. Entretanto, o pensamento holístico tem assumido outras dimensões e tem recebido outras conotações que o distinguem fundamentalmente do processo sistêmico, tal como concebido aqui. Capra (1996) considera que, enquanto o pensamento holístico lida com o todo, o pensamento sistêmico lida com as partes e com o todo. As concepções holísticas parecem privilegiar uma harmonia utópica que tenta afastar as contradições, as divergências, os conflitos, enquanto a abordagem sistêmica preserva o espaço das partes e de soluções mais concretas para as dificuldades que são inerentes às condições atuais da interação do homem com o universo.

Pensamento Sistêmico e Astrologia

Desde o Iluminismo no século XVIII é a ciência que tem ditado a forma de pensarmos e nos relacionarmos com o mundo. Se antes o método científico cartesiano era a única forma de produzirmos conhecimento, hoje, através do paradigma emergente, novas descobertas têm gerado novos questionamentos e atitudes. A Astrologia perpassa a História e tem se moldado através dos tempos sempre que novas necessidades se fazem presentes. É neste contexto que proponho algumas reflexões daquilo que considero fundamental para um avanço na prática astrológica que venha a acompanhar as mudanças que estão ocorrendo no âmbito da ciência centrada na complexidade.

A observação sistemática dos astros começou com os sumérios, que chegaram à Mesopotâmia por volta de 4 mil anos a.C. e formaram a primeira civilização letrada que se tem conhecimento. Nessa época a Astrologia era utilizada principalmente para a agricultura. Porém, foi antes do final do século V a.C. que o zodíaco assumiu na Babilônia sua forma quase idêntica à atual. No início, praticamente todas as previsões se relacionavam de algum modo com o bem estar do Estado. O rei era o único cliente do astrólogo, cuja principal tarefa era discernir a vontade dos deuses para orientar as decisões do governo.

A Astrologia de fato floresceu com o helenismo, que combinou as tradições gregas com as das terras conquistadas no Oriente Médio. Daí se originaram os nomes gregos para as constelações. Nesse momento, a Astrologia deixou de ser monopólio dos adivinhos do rei, e abriu-se para todo aquele com capacidade para entendê-la. Entrou em cena o horóscopo individual, avaliando as perspectivas do indivíduo a partir da posição dos astros no momento do nascimento. Contudo, a ascensão do Cristianismo baniu a Astrologia, que passou para a clandestinidade. Por volta do século XVII ela acabou alheia à ciência, sendo praticada somente pelas sociedades secretas, mas nunca deixou de influenciar a cultura popular através dos almanaques.

O primeiro astrólogo a fazer uma indicação do que poderia vir a ser uma Astrologia Sistêmica foi Dane Rudhyar (1936) na obra Astrologia da Personalidade. Neste livro ele usa o termo Astrologia humanística, para se referir a uma astrologia ligada aos conceitos da psicologia, sociologia e filosofia, o que representou um marco teórico responsável por muitas das produções que se seguiram. Sua astrologia é subjetiva e simbólica. Para ele, o mapa natal é considerado como o padrão do potencial da pessoa, descrevendo o que o individuo pode vir a ser caso se empenhe nessa direção. Este astrólogo foi o grande responsável pelo tipo de Astrologia que é feita hoje, e com certeza deixou as portas abertas para irmos mais além. Foi um gênio de sua época e seu legado é de suma importância.

Segundo ele, “o campo astrológico dos corpos celestes em movimento é como o campo das proporções lógicas. Nem um nem outro tem qualquer conteúdo real. Ambos são puramente formais, simbólicos e convencionais. E somente adquirem valor real em função das experiências da vida reais que eles servem para correlacionar. Isoladamente, a Astrologia e a matemática não têm substância. Mas revestem de coerência, padrão, ordem e lógica qualquer realidade substancial que seja a elas associada (p.54).”

Considero que é da natureza da Astrologia ser sistêmica. Enquanto linguagem simbólica, ela se relaciona com aquilo que existe dentro de nós, abre um canal de comunicação para o observador, proporcionando uma fonte ilimitada de interpretações, onde os paradoxos se relacionam e não se excluem. Ela nos proporciona criar a realidade conectando-nos com o que há em nossa essência. A questão é que a Astrologia é praticada por astrólogos e estes são influenciados pelo paradigma científico vigente, ou seja, cartesiano. É neste sentido que percebi a necessidade de escrever este artigo, para proporcionar uma nova visão de mundo que vai carregar consigo a prática da Astrologia para uma realidade mais abrangente.

Assim, dentro de uma visão sistêmica, dissecar o mapa astrológico em muitos pedaços seguidos de uma síntese, não nos levará à compreensão do todo, ou seja, do sujeito. O mapa astrológico, concebido organicamente, só pode ser entendido se relacionado ao seu contexto de atuação. Somente através do mapa não temos informação suficiente para uma interpretação, é preciso contextualizar o que queremos observar. Quando pensamos a respeito das características solares, por exemplo, estamos apenas falando de conceitos, de símbolos, não de pessoas. O mapa nos dá indicativos, mas é a pessoa que estamos estudando quem tem o poder de se revelar.

Muitos acreditam que o bom astrólogo é aquele que “acerta” na interpretação, seja através da leitura do mapa natal, seja através das previsões. Todavia, quando uma pessoa diz que o astrólogo “acertou” ela está apenas dizendo que comprou uma idéia dada por ele. Para que uma interpretação seja realmente eficiente ela deve possibilitar que a pessoa (ou cliente) crie a sua verdade – o bom astrólogo, a meu ver, não cria as possibilidades, mas sim dá espaço para que o outro se responsabilize por elas. O astrólogo então comunica os arquétipos (conceitos, idéias) em questão e a pessoa busca em si as vivências correspondentes, criando uma interpretação que abre possibilidades e nunca fecha as questões.

A astróloga Liz Greene (1987) conta que em muitos momentos presenciou situações onde o que a pessoa narrava não correspondia ao que estava em seu mapa e que nessas situações preferia acreditar no mapa. Porém, a questão crucial não é quem está certo ou quem está errado, o que importa de fato é que se uma pessoa não reconhece em si uma indicação de seu mapa, ela está apenas sinalizando que está vendo o mundo sob uma ótica diferente, e de que nada adianta tentar suprimir o indivíduo dentro de uma realidade que não se adapta à sua linguagem. Este é apenas um exemplo do que pode acontecer quando tentamos ver mapas ao invés de pessoas ou tentamos usar a nossa linguagem para descrever o universo de outrem.

Para ver pessoas precisamos em primeiro lugar ouvi-las. Atualmente, percebo que as pessoas procuram o astrólogo para que ele lhes diga quem elas são e o que acontecerá com elas. Toda a responsabilidade da consulta fica nas suas costas e isso gera a idéia de que o bom astrólogo é aquele que “acerta”. Grande parte das pessoas vê a Astrologia como uma coisa mágica, curiosa, adivinhatória, o que é estimulado pela mídia. É claro que não são todos os astrólogos que contribuem para essa visão, mas ainda existem aqueles que pensam serem os detentores da verdade, pois isso lhes proporciona uma posição de poder. Para realizarmos uma Astrologia sistêmica teríamos, antes de mais nada, que ouvir o cliente, saber de sua história, ou seja, saber das escolhas que ele tem feito nos momentos de crise e mudança ao longo de sua vida. Desta forma podemos dar a ele as ferramentas para que realize por si a interpretação, se responsabilizando por ela. Acreditar que os problemas estão no mundo “lá fora” gera atitude de esperar que as coisas se resolvam a partir de agentes externos.

Para que uma interpretação sistêmica aconteça é necessário abrir um espaço de diálogo e não de síntese. Quando usamos a síntese encerramos a questão: tese + antítese = síntese. Mas quando usamos o diálogo (como colocado por Morin – pensamento dialógico), podemos dar vazão aos diferentes pontos de vista sem que nenhum precise se sobressair como verdade única. Logo, fica claro que uma interpretação que não seja reconhecida pelo sujeito em um determinado momento pode trazer uma série de mudanças em outro, quando ele consegue através da sua linguagem criar um significado próprio para o aspecto em questão. Por isso acredito que a gravação do mapa é excelente, porque possibilita esses espaços de mudança ao longo do tempo. Mas curiosamente são poucas as pessoas que recorrem ao seu mapa tempos depois da leitura – e fico pensando porque isso acontece.

Então, o astrólogo sistêmico, tendo consciência de que não existe uma realidade objetiva e tudo o que vemos depende do observador, no momento em que ele dá respostas prontas para o cliente está falando também sobre si mesmo, o que em si não constitui um problema, ao menos se ele não tiver consciência disso. Quando o astrólogo faz interpretações de um mapa, ele tem presente sua própria subjetividade incluída no processo, não havendo a possibilidade de neutralidade. É também nesse sentido que considero que a única pessoa de que pode interpretar o mapa é ela mesma, mas sabemos que crescemos através das relações, por isso o encontro é terapêutico, como dizia Vinícius de Moraes: “a vida é a arte do encontro”. Assim, o horóscopo atua como intermediário entre o astrólogo, que sabe como traduzir esses símbolos em linguagem, e o indivíduo humano que precisa ordenar essa linguagem em conceitos que façam sentido para ele. Ambos se influenciam e criam espaços consensuais que satisfaçam ambas as partes.

Para finalizar deixo aqui algumas reflexões de um cientista pisciano, que considero extremamente pertinentes para continuarmos nos questionando de forma dialógica:

“Como é possível a integração permanente, quando existe um mundo dentro de você, que é parte de uma realidade objetiva comum, que parece o todo? O que é parte? O que é todo? De alguma forma a intuição é o elemento capaz de perceber o todo e as partes, uma via possível de nos inspirar e de construir a realidade. É impossível procurar por algo que não se conheça sem o fogo da busca de alguma transcendência, ou algo semelhante. Embora a intuição se construa permanentemente, ela se manifesta por descontínuos, e também não é imediata, daí decorre sua relação intensa com o pensamento sistêmico, ou seja, com o próprio processo vital. O tempo sistêmico vai além do tempo cronológico, dá continuidade ao tempo presente, tão bem representado em todas as culturas pela cruz, encontro do eterno com a temporalidade, e que é expressão da vida. É preciso ser um construtor de idéias e realidade, e observar como são parte e todo. Somos construtores da nossa imaginação.”


REFERÊNCIAS:

ARROYO, Stephen (1989). Normas práticas para a interpretação do mapa astral. São Paulo: Pensamento.
BRUSCH, Lúcio (2006). “Sobre a intuição e o contraditório”. In: AURÉLIO, L. A. et al. Pensamento sistêmico: caderno de campo. Porto Alegre: Bookman. (2006).
CAPRA, Fritjof (1996). A Teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. São Paulo: Cultrix.
ESTEVES DE VASCONCELLOS, Maria José (2008). Pensamento Sistêmico: o novo paradigma da ciência. Campinas, SP: Papirus.
GREENE, Liz. SASPORTAS, Howard. (1987). O desenvolvimento da personalidade: seminários sobre Astrologia psicológica. São Paulo: Pensamento.
KUHN, Thomas S., (1962). A estrutura das revoluções cientificas. São Paulo: Perspectiva.
MATURANA, Humberto (1987). “O que se observa depende do observador”. In: THOMPSON, Willian Irwin (org.), Gaia: Uma teoria do conhecimento. São Paulo: Gaia, 2001.
MORIN, Edgar (1995). Introdução ao pensamento complexo. Lisboa: Instituto Piaget.
Prigogini, Ilya (1996). O fim das certezas: Tempo, caos e leis da natureza. São Paulo: Unesp.
RUDHYAR, Dane (1936). Astrologia da personalidade. São Paulo: Pensamento.

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À sombra de Saturno, surgem maravilhas inesperadas https://cnastrologia.org.br/a-sombra-de-saturno-surgem-maravilhas-inesperadas/ Thu, 27 Jan 2011 16:09:59 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1093 À sombra de Saturno

À sombra de Saturno, surgem maravilhas inesperadas. A sonda não-tripulada Cassini, agora na órbita de Saturno, recentemente sobrevoou à sombra do gigantesco planeta durante 12 horas e observou de lá um eclipse solar. A visão da sonda foi diferente de todas as já vistas. Em primeiro lugar, o lado noturno de Saturno é visto parcialmente iluminado pela luz refletida de seus majestosos anéis. Depois, os próprios anéis aparecem no escuro, em silhueta contra a luz de Saturno, mas bastante brilhantes quando vistos separados do planeta, dispersando ligeiramente a luz do sol, em uma imagem de cores acentuadas. Os anéis de Saturno se iluminam tanto que foram descobertos novos anéis, ainda que sejam difíceis de identificar na imagem. O anel E, no entanto, é visto no impressionante detalhe – o anel criado pelos recém-descobertos gêiseres de gelo da lua Enceladus e o mais externo entre os anéis visíveis. À distância, à esquerda, pouco acima dos brilhantes anéis principais, está o quase ignorado ponto azul da Terra.

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Terra e Lua vistas do espaço https://cnastrologia.org.br/terra-e-lua-vistas-do-espaco/ Thu, 27 Jan 2011 16:08:48 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1089 Urano no signo de Peixes é um símbolo consistente com um ponto de vista excêntrico, de quem está fora do centro, olhando de fora ou da platéia.

No dia 29 de maio de 2008 às 08h35min locais na Universidade de Maryland captou as imagens da Lua transitando diante da Terra, de uma forma que nunca havia sido registrada antes. Conforme pode-se constatar no mapa astral anexo, a Lua Minguante encontrava-se em conjunção com Urano em Peixes.

As imagens foram geradas pela nave da Missão Impacto Profundo da Nasa, a 55 milhões de quilômetros de distância. Cientistas estão usando esse vídeo para desenvolver técnicas de estudar outros mundos.

As imagens obtidas pela nave durante uma rotação da Terra, com uma regularidade de 15 minutos foram associadas para produzir um vídeo a cores. No vídeo, a Lua entra no enquadramento em frente à Terra (por causa de seu movimento orbital), transita sobre a Terra e sai do enquadramento.

Séries de imagens mostrando a Lua passando em frente à Terra, capturadas pela nave EPOXI, da Nasa.

Crédito: Donald J. Lindler, Sigma Space Corporation/GSFC; EPOCh/DIXI Science Teams

Os dois vídeos mostram a Terra observada sob diferentes comprimentos de ondas, o que leva a visíveis diferenças nos detalhes. A primeira versão usa um filtro vermelho, verde e azul; a segunda, um infravermelho verde e azul.

Créditos dos vídeos: Donald J. Lindler, Sigma Space Corporation/GSFC; EPOCh/DIXI Science Teams

Veja o vídeo 1
Veja o vídeo 2

A Universidade de Maryland é a maior instituição investigativa da missão EPOXI, inclusive do vôo ao cometa Hartley 2. Goddard, da Nasa, lidera as observações dos planetas extra-solares. O Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa na Califórnia controla a missão EPOXI para a direção de Missões Científicas da NASA, em Washington. A nave foi construída para a NASA pela empresa Bell Aerospace & Technologies do Colorado

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Singularidade: Astronomia e Astrologia https://cnastrologia.org.br/singularidade-astronomia-e-astrologia/ Thu, 27 Jan 2011 16:03:35 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=1081 “Ora (direis) ouvir estrelas!”. Olavo Bilac poderia estar sentado em uma das confortáveis poltronas do Planetário Aristóteles Orsini, mais conhecido como Planetário do Ibirapuera, ouvindo e vendo estrelas, naquele sábado, 26 de abril de 2008. Nesse final de tarde, às 16h30, numa pré-abertura da Virada Cultural paulista, aconteceu o evento Singularidade: Astronomia e Astrologia, com um diálogo interessante entre o professor Walmir Cardoso, astrônomo, e Oscar Quiroga, astrólogo.

Quem foi imaginando encontrar armado um ringue e dois contendores firmando posições, surpreendeu-se com as explanações e o rico conteúdo exposto, num clima harmônico. O já batido tema “Astrologia é ou não ciência”, cedeu espaço a um diálogo entre dois representantes de saberes que, apesar de trilharem caminhos separados, tiveram a mesma origem. Da observação do céu, constelações e planetas, o homem criou sistemas, códigos, símbolos e lhes atribuiu significados e leis. Esse foi o fio condutor das explanações.

Walmir começou explicando a origem e o significado da palavra Astronomia: aster + nomus = lei dos astros. A observação do caminhar dos corpos celestes permite que leis e teorias se estabeleçam. Ao longo dos anos, por todo o planeta, pessoas das mais diversas culturas olharam – e continuam olhando – o céu, atribuindo significados e buscando respostas para suas dúvidas. A mesma constelação vista nos hemisférios Norte ou Sul, por um habitante de um centro urbano ou por um índio do Amazonas em sua tribo, pode ser relacionada a diferentes figuras e significados. A constelação que a matriz greco-romana nomeou de Ursa Maior, toda vez que chega ao horizonte (entre julho e setembro) e é avistada pelos índios Tukano, eles dizem que chegou a Jararaca do Ânus Grande, que abre esse ânus por onde todos os peixes entram e, ao fechá-lo, os peixes desaparecem do rio. Efetivamente nesse período do ano, ali, há pouquíssimos peixes.

Nossos antepassados já relacionavam eventos de floração, frutificação, colheita, chuvas e estiagem com a presença de determinados conjuntos de astros celestes. Dessa correlação, o simples fato de aparecer no horizonte uma configuração específica, era indicativo de que o mesmo evento cíclico terrestre ocorreria. Portanto, não é a presença da constelação ou planeta que desencadeia o evento, mas sim a observação do habitante daquela determinada região, que faz a ligação e atribui ao astro uma relação de causa e efeito. Portanto na conclusão de Walmir, o céu deve ser pensado dentro de um determinado contexto cultural.

Quiroga levantou dois pontos fundamentais ao afirmar que o homem, independente de sua cultura, procura algo que lhe faça sentido. Enquanto procura, vai em busca de conhecimento e da resposta para seus anseios como indivíduo. O segundo ponto é a necessidade de estipular uma ordem. Em meio ao caos, o homem se agarra a qualquer mínima coisa que lhe dê a sensação de ordem. “A Astrologia entra nessa questão da ordem, pois o universo é a seqüência de uma ordem. O homem se insere nessa ordem e precisa descobrir seu lugar no universo, para então descobrir suas respostas”, disse Quiroga.

Concluiu dizendo que, “um dia, os astrólogos serão inúteis. Isso ocorrerá quando a civilização estiver reintegrada ao sistema solar e participando ativamente do processo evolutivo do nosso sistema solar.”

Em seguida, os dois palestrantes colocaram-se à disposição para responder perguntas do público.

Como disse Walmir Cardoso, ao iniciar sua fala, o objetivo do encontro seria colocar questões, suscitar perguntas e indagações na mente do público. O encontro terminou assim, com um gostinho de quero mais e a vontade de que outros eventos similares aconteçam, respondendo questões ora colocadas e abrindo novos tópicos de discussão.

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