Astrologia Medieval – CNA Central Nacional de Astrologia | Hub > Conteúdo > Pesquisa > Estudos https://cnastrologia.org.br Unindo céus e terras e compartilhando saberes Wed, 11 Nov 2015 16:45:36 +0000 pt-BR hourly 1 https://cnastrologia.org.br/wp-content/uploads/2024/11/cropped-favi-32x32.jpg Astrologia Medieval – CNA Central Nacional de Astrologia | Hub > Conteúdo > Pesquisa > Estudos https://cnastrologia.org.br 32 32 A Doriforia na Astrologia política https://cnastrologia.org.br/a-doriforia-na-astrologia-politica/ https://cnastrologia.org.br/a-doriforia-na-astrologia-politica/#respond Wed, 11 Nov 2015 16:45:36 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=4207 Doriforia é um interessante conceito que remonta aos primórdios da Astrologia, quando se vivia na era dos imperadores e reis. No Egito,Babilônia, China, o monarca era tido como um deus encarnado. Então, nada mais natural que tomar o Sol e a Lua, os astros mais brilhantes, como representantes deste poder alinhado com o céu.

Os planetas na Astrologia antiga foram classificados sob duas divisões, planetas noturnos e diurnos: a divisão diurna ou” seita” diurna, na qual se inclui  o Sol, Júpiter e Saturno e a divisão noturna, com Lua,Vênus e Marte. A própria interpretação de um mesmo posicionamento ou aspecto planetário era vista sob diferente prisma  tivesse  o nativo nascido de dia ou à noite.

Doriphoros em grego significa os que portam a lança, uma alusão aos guardas do rei. Também tem relação com o rei e seu séquito, os que fazem cortejo a ele.

O astrólogo Hephaistio de Tebas escreveu sobre a carta do Imperador Adriano, mencionando a Doriforia

Ptolomeu, em seu Tetrabiblos, no livro IV, nos apresenta um modelo interpretativo que permite deduzir se o nativo será rei  e elenca uma série de requisitos para tal, começando pela presença dos luminares em signos masculinos e nas casas angulares amparados pelos demais planetas; outra alternativa seria os planetas que ´´guardam´´ os luminares estarem por sua vez angulares.

Em seguida, apresenta sucessivas condições que permitiriam deduzir graus decrescentes de influência para o nativo, indo portanto do reinado até o nível mais baixo da escala social.

De acordo com a natureza essencial dos planetas que fazem a guarda ao Sol ou à Lua, seria possível deduzir características que favoreceriam a ascensão ou classes de pessoas que dariam suporte ao governante.Os planetas diurnos estariam melhor capacitados para dar suporte ao governante se posicionados até 90 graus atrás do Sol, ou seja, em signos anteriores a ele.

Já os planetas noturnos, até 60 graus após a Lua.Um fator chave na dedução da qualidade do suporte, apoio e segurança possuídos pelo governante seria a dignidade ou debilidade acidental dos planetas: tradicionalmente, planetas em domicílio ou exaltação predispõem a condições mais seguras e estáveis, enquanto planetas em detrimento ou queda, à insegurança , instabilidade ou mudança para o nativo.

Por exemplo, suponhamos que Marte esteja situado atrás do Sol dando-lhe suporte: Marte pode representar militares; dependendo da condição do planeta tais militares podem tanto dar como retirar o apoio.

É o  caso do presidente chileno Salvador Allende: tinha Sol em Leão e Marte em Câncer e foi destituído do poder mediante um golpe militar, em 1973. O mesmo aconteceu recentemente com o presidente do Egito, Mursi, portador da mesma  configuração astrológica, e Fernando Collor de Mello, no Brasil.

John Kennedy tinha em sua natividade Marte no signo de Touro, na casa 8, atrás do Sol em Gêmeos: não completou seu mandato e morreu assassinado.

Houve variações ao longo da história da Astrologia com respeito a como se deve considerar a Doriforia na carta, mas foge ao escopo do presente artigo detalhar isso, prefiro me ater ao modelo mais simples para que o leitor tire melhor proveito da técnica.

Meu colega Rui de Sá, com propriedade, afirmou em comunicação privada  que em virtude da separação entre governo e estado vigente na época moderna, o Sol não representaria mais o governante, um ocupante de posto efêmero, mas sim o regente do Meio do Céu teria este papel dentro da Astrologia Mundial.

O Sol seria então a elite política, intelectual, os empresários etc., algo mais perene. Certamente, para o fim da investigação astrológica sobre o poder, não deveríamos deixar de lado a investigação sobre o MC nos mapas astrológicos.

 

O caso de Richard Nixon

Nixon foi um presidente americano que renunciou ao cargo em virtude de um escândalo de espionagem envolvendo adversários políticos, o escândalo de Watergate. Se olharmos sua carta, podemos notar Júpiter em seu signo de queda, Capricórnio, situado antes do Sol, fazendo cortejo a ele [outro nome para a Doriforia] e Vênus exaltada em Peixes situada após a Lua, fazendo cortejo a esta.

Nixon foi eleito quando o Asc por direções primárias estava em aspecto  com Vênus, aproximadamente a quatro graus de Escorpião; um planeta em aspecto com o Asc dirigido torna-se regente da vida do nativo e mostra circunstâncias que este encontrará: Vênus, um benéfico exaltado, angular por signo e em conjunção com uma brilhante estrela  fixa , a real Fomalhaut, aponta a felicidade, conforto, estima e poder que desfrutou em consequência de sua eleição para presidente, já que faz Doriforia à Lua, principal luminar [ele nasceu à noite], preenchendo a condição apontada por Ptolomeu.

Júpiter, por sua vez, está em condição problemática, mostrando um suporte instável para o Sol: em outras palavras, não favorece a permanência no poder por tempo mais prolongado.Como ele cumpriu um mandato e foi reeleito para o cargo, poderíamos esperar algum problema ameaçando seu mandato, tendo em vista a teoria da Doriforia.

Júpiter significa os juízes e em termos de conduta ,a boa fé, a confiança, a sinceridade – a condição problemática do planeta mostra a possibilidade de interrupção do mandato por questões legais, a perda de confiança e capital político: Nixon foi considerado mentiroso e tentou acobertar provas de seu crime de espionagem dos adversários, do partido democrata,  e ameaçado por um impeachment , foi levado  a renunciar ao cargo de presidente.

Nesse caso, a ativação de Mercúrio e Júpiter, os planetas em Capricórnio que estão orientais ao Sol, fazendo cortejo a ele, poderia ser calculada tomando os 30 anos de Saturno, regente de Capricórnio,

Somando às idades dos planetas, Júpiter – 12 e Mercúrio – 20 = 30+12+20=62.[1] Isto corresponde à idade entre 61 e 62 anos, época da crise que ora comento. Esse é um procedimento corrente na Astrologia antiga para determinar quando uma  dada configuração na carta torna-se ´´ativa´´ na vida.

Nixon foi eleito para o segundo mandato quando Júpiter fazia seu retorno por trânsito justamente em Capricórnio, o trânsito antecipando a crise que viria a seguir.

Um evento cósmico impactante e que antecipa sua renúncia foi o eclipse que se deu em 24/12/1973;  esse eclipse  foi visível na capital dos Estados Unidos e cai em cima de Júpiter na carta de Nixon, a um grau de distância da conjunção exata. Veja na sobreposição a seguir:

Eclipse Solar Anular 01

 

 

 

O eclipse teve duração de duas horas, aproximadamente, o que aponta que sua influência persistiria por dois anos, de acordo com os parâmetros tradicionais. Segundo estipula Ptolomeu,os efeitos do eclipse atingem sua culminância de acordo com a proximidade aos 3 ângulos principais: Asc, no primeiro terço da influência; MC, no segundo terço e casa 7 no último terço. Como se deu perto do MC, o ápice da influência foi no segundo terço, ou seja, de 8 a 16 meses após a data.

De fato, Nixon renunciou em Agosto de 1974, 7 meses e meio após o eclipse. Podemos notar que o regente do Eclipse é um maléfico retrógrado e em signo de detrimento, Saturno, pressagiando condições críticas e adversas ao país: tanto o eclipse como seu regente incidem sobre Júpiter, refletindo a perda de suporte e capital político do presidente .

No caso de Dilma Roussef,  presidente do Brasil, sua Doriforia do Sol contém Júpiter em domicílio, em Sagitário, tendo mais duas dignidades adicionais: a própria triplicidade e em seus próprios termos ou confins. Por outro lado, Mercúrio, atrás do Sol, em detrimento em Sagitário, reflete a ameaça de Impeachment que enfrenta atualmente.

Marte, na casa 12 por  quadrante mas no que concerne a avaliação pelos astrólogos antigos, considerado na casa 1, porque se encontra no mesmo signo do Ascendente [aqui, hipoteticamente, tomo Virgem como seu Ascendente, fruto de um trabalho de retificação do horário de nascimento que levei a cabo).

Para a Lua na carta de Dilma, sua Doriforia envolve Vênus em Capricórnio que se encontra dignificado em seus próprios termos (termos egípcios – o planeta na porção de Capricórnio que é regida por Vênus). Um planeta em seus próprios termos era considerado em condição que se equiparava ao domicílio, para astrólogos antigos como Firmicus Maternus, embora tenha adquirido status de dignidade menor na Idade Média.

Júpiter está a cerca de dez graus de distância do Sol,porém sete dias depois do nascimento fez sua primeira aparição, brilhando no céu antes da aurora. Isso é importante em Astrologia antiga, recebe o nome de Ascensão Heliacal: o planeta ascendia acima do horizonte leste; o Sol, que é mais rápido se afastava dele e  Júpiter aumentava  seu poder  e brilhava cada vez mais.

 Um planeta em elevação heliacal é uma dignidade acidental, expressa o melhor de suas qualidades. O que seria esse Júpiter perto do Sol? Um planeta perto do Sol fica invisível, ou seja, está á Sombra dele. Quem é o Sol? Um homem poderoso, um mentor. Dou um doce para quem adivinhar quem é esse homem poderoso para Dilma: sim, é o ex- presidente Lula.

Portanto, à luz da Astrologia antiga, fica muito claro, ainda que se o Ascendente não seja de fato Virgem: Inicialmente obscurecida frente a um mentor, homem poderoso, em etapa posterior [representada pela semana após o nascimento, quando Júpiter começa a brilhar no céu] ela própria viria a ter grande poder , brilho próprio.

 Como escrevi, o Sol tem como séquito Júpiter, e Saturno poderia eventualmente ser tomado, pois aspecta Júpiter por trígono de signo. Mas e quando se tem Marte, planeta noturno, fazendo cortejo ao Sol, em quadratura por signo a este último, como é o caso?

Dilma foi eleita presidente quando Marte por progressão secundária estava em proximidade com a estrela Regulus, o que  confirmaria a Doriforia. Aliás, trata-se de fato que pode ser constatado pelo leitor: presidentes eleitos muitas vezes apresentam em suas cartas  direções ou progressões  unindo pontos importantes da natividade a estrelas  brilhantes  no céu.

Certamente, para um rei da antiguidade seria perigoso ter em sua base de apoio pessoas que não fossem de seu séquito. Poderia sofrer conspirações. Na política de hoje, significaria alianças, por vezes traiçoeiras. Dilma tem na sua base de sustentação alianças, inclusive com políticos que pertenceram ao  regime militar[Marte], e atualmente enfrenta um difícil período no que tange a sua aliança com o PMDB.

Levando em conta que há um planeta em debilidade situado atrás do Sol, fica explicado para Dilma o risco de perda de capital político  e encerramento do mandato antes de seu término; porém, o dispositor de Mercúrio, Júpiter, encontra-se domiciliado, em dignidade essencial; também está prejudicado pela proximidade ao Sol, a combustão, a pior aflição que um planeta pode enfrentar. É uma condição ambivalente e complexa: ela enfrenta a pressão do poder judiciário, ameaçando-lhe o mandato, por algum suposto crime cometido: Júpiter representa os juízes – e ela está sendo investigada em dois tribunais, o TCU e o TSE.

Ao mesmo tempo, a dignidade por signo de Júpiter pode representar que justamente possa ser salva pela ação de juízes ou homens eminentes, [por exemplo o STF, barrando um processo de impedimento, caso seja instaurado].  Júpiter pode significar ministros e justamente há pouco houve uma reforma ministerial com o intuito de fortalecer o governo.

Houve astrólogos no passado que afirmaram que um planeta em domicílio está protegido da combustão, não proporcionando dano; outros, como Abu Ma´ Shar, negaram essa possibilidade. De acordo com o desfecho da crise atual, teremos a oportunidade de colocar à prova uma ou outra dessas afirmações.

Mapa astral Dilma Roussef 02

 

Nota:1] A cada planeta é atribuída uma idade planetária, combinando estas idades podemos antecipar quando as configurações astrológicas sinalizarão  eventos concretos na vida. Eis suas respectivas idades: Saturno- 30 anos; Júpiter- 12; Marte- 15; Sol- 19; Vênus- 8; Mercúrio- 20 e Lua- 25.

Nota:2] Os astrólogos da antiguidade não apontaram em seus livros quais fatores astrologicos poderiam antecipar a queda dos reis; fizessem isso seriam executados pelos governantes – Firmicus Maternus chega a proibir expressamente em seu livro que se faça especulação sobre a vida do imperador- decerto uma medida de precaução,mostrando obediência ao governante. As deduções sobre queda de governantes aplicando a Doriforia são fruto de investigação pessoal.

Nota:3] O articulista não pretende que a aplicação da técnica da Doriforia forneça a palavra final sobre assuntos de poder. Espera-se que seja usada juntamente com as ferramentas conhecidas da Astrologia mundial: conjunções e aspectos entre Júpiter e Saturno, ingressos solares, lunações e eclipses, etc.

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A causa dos planetas https://cnastrologia.org.br/a-causa-dos-planetas/ Wed, 12 Jan 2011 16:44:55 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=822 por Rodolfo Veronese

Este é o meu primeiro texto para o site do CNA. Ele pretendia ser uma introdução ao pensamento astrológico medieval, mas percebi que seria muito mais interessante e proveitoso mostrar no que a Astrologia tradicional pode ajudar a prática moderna, sem que uma deturpe drasticamente a outra. De um texto histórico e filosófico, ele passou a ser essencialmente prático. Depois que o ler, você poderá aplicar esses conceitos em seus mapas e ter insights interessantes sobre a dinâmica de um mapa astrológico. Antes de introduzir o assunto, contudo, cabe aqui salientar uma diferença entre as duas astrologias.

Todos nós aprendemos que o mapa acontece todo ao mesmo tempo. Quando pensamos em termos de Psicologia, isso é verdade. Todos os dias sua Vênus em Aquário baixa na internet discos de bandas de rock alternativas; todos os dias, seu Marte em Libra fica pensando no que seria melhor para o outro antes de escolher para si; invariavelmente, na esfera psicológica os planetas “funcionam” non-stop. Como a Astrologia medieval lida com eventos externos (os famosos “acidentes do nativo”), não é sempre que seu Marte em Libra na Casa sete implicará em brigas com a namorada. Por isso o astrólogo medieval utilizava várias técnicas para saber quando a promessa de ação – representada pelos planetas no mapa natal – seria efetivada. Procuramos saber quando o Marte em Libra será ativado. Em se tratando de eventos, os planetas são como deuses que dormem, e são acordados em épocas específicas para representar o que eles prometem no mapa natal. Existe, contudo, uma maneira de estimar quando um evento se manifestará tardiamente ou não, ou qual é a causa dele. Esta técnica se baseia no conceito de regência, parte fundamental da Astrologia clássica. Vou postar aqui as regências tradicionais:

Câncer – Lua
Gêmeos – Mercúrio – Virgem
Touro – Vênus – Libra
Sol – Leão
Áries – Marte – Escorpião
Peixes – Jùpiter – Sagitário
Aquário – Saturno – Capricórnio

Quando você nota a presença de um planeta dentro de um signo, é comum pensar nas características daquele signo para classificar o modo de ação do planeta. Se eu tenho Marte em Leão, a ação leva tons dramáticos, imponentes, a pessoa é muito preocupada com “honra” na hora de agir, etc. Além disso, contudo, há um conceito muito importante da Astrologia antiga que pode ser usado e tem excelentes resultados. Ele tem sido discutido em maior ou menor grau desde o advento do importante Project Hindsight, uma instituição que visa traduzir textos do período clássico e medieval, a fim de reconstruir o conhecimento filosófico e astrológico da antiguidade. Falo do conceito de “matéria” e “forma”.

Seria óbvio demais somente comentar algo que é muito citado em artigos na comunidade astrológica. Neste artigo, vou mostrar no que consiste esse conceito, para em seguida mostrar sua aplicabilidade. Essa coluna de Astrologia clássica e medieval pretende ser essencialmente prática e fornecer insights para qualquer tipo de Astrologia, seja ela moderna ou não. Ou seja, você pode aplicar esses conceitos em qualquer mapa, para qualquer tipo de técnica.

Voltemos ao Marte em Leão. Marte está no signo regido pelo Sol. O astro rei dispõe do planeta vermelho. Isso significa que você pode estabelecer quatro tipos de relação entre Marte e o Sol nesse mapa:

* Causa Material: Marte é a matéria da qual o Sol é feito, sendo este a forma.
* Causa Eficiente: Marte se tornará aquilo que o Sol representa.
* Causa Formal: o Sol é a causa de Marte.
* Causa Final: Marte existe com os propósitos representados pelo Sol. Em outros termos, Marte existe para o Sol.

Essas expressões são derivadas da filosofia de Aristóteles. Para o filósofo, existem a matéria e a forma. A matéria gradativamente adquire uma forma. Matéria aqui não diz respeito somente a barro, tijolo, plástico etc. Para a nossa prática, a matéria pode ser qualquer coisa: uma situação, um contexto, uma idéia, uma pessoa etc. Essas coisas citadas com o tempo adquirem uma forma: o barro vira tijolo, o tijolo vira casa, a pessoa fica rica, a situação fica problemática, etc. A filosofia de Aristóteles, porém, foge do objetivo deste artigo: vamos portanto nos concentrar na aplicabilidade dos conceitos acima.

Continuando com nosso exemplo, Marte se encontra no signo de Leão. Vamos então posicionar o Sol e Marte em alguma Casa de um mapa hipotético, e assim teremos o exemplo que precisamos para entender os conceitos. Para o nosso exemplo, o Sol está na Casa IV e Marte está na Casa III.

Embora haja inúmeras manifestações desse Marte na Casa III, sejamos simples no exemplo. Tomemos esse planeta como “conflitos com o (um) irmão”. Quando eu expresso essa sentença, eu me sujeito ao desconhecido, pois esse Marte pode representar várias coisas além do irmão conflituoso. A pessoa pode dizer “ora, eu nunca briguei com meu irmão”. Em verdade, esse risco sempre ocorrerá na nossa prática, porém o próprio mapa pode nos auxiliar a estreitar um pouco as possibilidades. Para isso que serve o dispositor de um planeta, objetivo deste artigo.

Você já leu aqui que o Sol tem uma importante relação com Marte. Isso é mais simples do que parece. Simplesmente, as coisas que o Sol representa no mapa da pessoa especificarão aquilo que Marte representa no mesmo. Agora vamos confirmar se a pessoa briga com seu irmão ou não. Como o Sol está na Casa IV, os conflitos na Casa III dizem respeito ao ambiente familiar. Isso nos dá uma segurança maior em afirmar que Marte pode representar conflitos com o irmão, já que o Sol especifica Marte ao ambiente familiar.

Além de o Sol especificar o que Marte representa, ele é a causa marcial. Poderíamos dizer que o dono do mapa brigará com seu irmão devido a questões residenciais (Sol na Casa IV). Disputas de poder pela autoridade dentro da residência, representada pelo Sol, podem gerar conflitos entre irmãos.

Existe uma terceira e mais interessante relação entre o ocupante do signo e seu dispositor. O ocupante, pouco a pouco, se tornará aquilo que o regente representa. O regente da Casa é o vir-a-ser dos seus assuntos. Quem sabe o irmão do nativo morará com ele um dia? Com o passar do tempo, os conflitos com o irmão se tornarão disputas pela autoridade dentro de casa.

Com essa terceira causa, chegamos a uma importante conclusão: apesar de o mapa mostrar todos os planetas juntos, precisamos encontrar uma maneira de saber quando eles se manifestarão. Com tudo o que foi apresentado aqui, percebe-se que o regente de uma Casa sempre mostra o desfecho dos assuntos dessa Casa, enquanto o ocupante mostra o início. Esse conhecimento nos abre um caminho para respondermos à principal diferença entre a Astrologia horária e a Astrologia natal, objetivo do próximo artigo. Até o próximo!

Rodolfo Veronese é astrólogo especializado em Astrologia Medieval.

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Um planeta nunca é o mesmo https://cnastrologia.org.br/um-planeta-nunca-e-o-mesmo/ Wed, 12 Jan 2011 16:44:05 +0000 https://cnastrologia.org.br/site/?p=820 por Rodolfo Veronese

No artigo anterior, abordei as regências planetárias e o papel do dispositor de um planeta ou Casa na interpretação. Eu o finalizei prometendo explicar no nosso próximo encontro a diferença entre Astrologia Horária e Natal. Não parece, mas isso tem muito a ver com o assunto do texto anterior.

Não sei se você já teve contato com Astrologia Horária. Para saber melhor, leia o artigo de Patrícia Valente, neste mesmo site . Basta dizer que temos uma diferença simples entre Astrologia Natal e Horária: a priorização dos regentes. Se quero saber se uma mulher gosta de mim e se ficaremos juntos, não há coisa melhor do que um mapa horário pra descobrir isso. Monta-se um mapa horário para o momento em que o Astrólogo entende a pergunta. Eu seria representado pela Casa 1 e seu regente, enquanto a mulher pela Casa 7 e seu regente.

O que não foi dito até agora e que tem importância capital é que os resultados do mapa horário dependem basicamente do encontro dos regentes das Casas 1 e 7. Se um vai de encontro ao outro por aspecto, há a possibilidade de que o casal fique junto.

O que seria o regente? O grande responsável pelos assuntos de uma Casa. Como disse no artigo anterior, é o regente que diz o desfecho de um assunto. Planetas dentro da Casa investigada dizem sobre o assunto também, mas eles não têm autoridade para finalizar as coisas. Os regentes têm essa capacidade, eles dirão o fim das coisas, dentro da unidade de tempo que o cliente deseja.

A ênfase nos regentes é típica da Astrologia Horária. Na boa e velha Astrologia Natal, a ênfase é diferente, principalmente aqui no Ocidente. Certa vez, Morin de Villefranche, Astrólogo francês do século XVI, disse uma frase que define isso: “POSIÇÃO É MAIS IMPORTANTE QUE REGÊNCIA”.

Uma frase pequena como essa pode ser interpretada de várias formas, até como um Haikai Zen Budista, mas sejamos simples. Imagine que eu desejo ver assuntos matrimoniais no meu mapa natal. A primeira coisa que temos de analisar é a Casa 7. Segundo Morin, para descobrirmos os assuntos da Casa 7, é mais importante haver planetas dentro dessa Casa (posição) do que analisarmos o regente da Casa 7 (regência). O regente seria importante se a Casa estivesse vazia, mas a presença de planetas dentro dela aponta algo atávico: o planeta dentro da Casa sempre a influenciará!

Se você tem Saturno na casa VII, espere sempre por coisas, eventos e pessoas saturninas nas suas parcerias. Algumas pessoas acham que isso é muito fatalista, mas essa opinião revela um entendimento errado da Astrologia. Saturno não significa somente coisas ruins. Além disso, as interpretações do mapa natal são atualizadas anualmente pela Revolução Solar, um mapa calculado para o dia em que o Sol volta ao mesmo grau e minutos natais que ocupava no mapa natal. Ou seja, as coisas sempre mudam, mas sempre serão saturninas, porque você tem saturno na Casa VII. Parece um grande paradoxo, mas segundo a Astrologia tradicional você pode esperar coisas que sempre se repetirão na sua vida – mas de maneira diferente.

A pessoa com Saturno na Casa VII tem questões matrimoniais que serão sempre atualizadas de acordo com o estado cósmico de Saturno na Revolução do ano em que analiso. Se Saturno estiver em bom estado cósmico na Revolução, os relacionamentos fluem melhor. Isto porque ele está na Casa VII natal, e segundo Morin um planeta nunca se esquece da sua determinação local natal. Na minha experiência, aliás, ter Saturno em bom estado na Revolução é apenas uma das coisas que seriam esperadas num ano bom para relacionamentos. Existem muitas configurações que podem ajudar, não sendo necessário apenas um planeta tão lento como Saturno chegar nos seus domicílios para se expressar de um modo mais positivo. Se a Casa VII da Revolução estiver em bom estado, estaremos mais seguros em julgar que não haverá graves intercorrências nos relacionamentos.

O próximo artigo revelará um grande segredo que ajudará muito o leitor. Vamos descobrir um ritmo secreto contido no mapa natal – as profecções.que estamos Elas são fundamentais para avaliarmos qualquer área da vida no ano eventualmente estudando. Até mais!

Rodolfo Veronese é astrólogo especializado em Astrologia Medieval.

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