Artigos – CNA Central Nacional de Astrologia | Hub > Conteúdo > Pesquisa > Estudos https://cnastrologia.org.br Unindo céus e terras e compartilhando saberes Thu, 16 Jul 2026 13:55:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://cnastrologia.org.br/wp-content/uploads/2024/11/cropped-favi-32x32.jpg Artigos – CNA Central Nacional de Astrologia | Hub > Conteúdo > Pesquisa > Estudos https://cnastrologia.org.br 32 32 Dá para medir cientificamente o zodíaco? – por Anahí Lucas https://cnastrologia.org.br/da-para-medir-cientificamente-o-zodiaco-por-anahi-lucas/ https://cnastrologia.org.br/da-para-medir-cientificamente-o-zodiaco-por-anahi-lucas/#respond Thu, 16 Jul 2026 13:55:02 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11196 De tempos em tempos, a notícia reaparece com o mesmo tom triunfante: “estudo derruba a astrologia”. O desenho costuma ser sempre parecido — toma-se uma variável do mapa, como uma posição planetária ou um signo, reúne-se um grande número de mapas que a compartilham e cruza-se isso, estatisticamente, com alguma outra variável mensurável que se esperaria das pessoas. Roda-se o cálculo, não se encontra a correlação esperada, e o veredito vem pronto: a astrologia não passa de superstição. O astrólogo calejado, que conhece bem esse roteiro, suspira como quem sabe que algo ali está fora do lugar desde o começo. 

Mas há uma pergunta que quase ninguém faz, e talvez seja a mais importante: e se o problema nunca tiver sido a astrologia, mas a régua usada para medi-la?

Um mal-entendido de origem

Quando se tenta validar a astrologia por meio de um experimento estatístico, parte-se de uma suposição silenciosa: a de que o significado de um signo zodiacal funciona como uma variável quantificável. Algo que se isola, se conta e se compara. Espera-se que “ter Marte em Áries” produza um efeito tão estável e repetível quanto a temperatura de fervura da água.

Só que o zodíaco não é feito dessa matéria. Ele não pertence à ordem das coisas que se quantificam — e é exatamente por isso que escapa do experimento. Mas isso não lhe tira  entidade nem seriedade, simplesmente tem outra natureza. 

Para entender por quê, é preciso recuar a uma distinção que está na raiz de tudo. 

Como funciona um símbolo

Para o filósofo e astrólogo Jorge Bosia, o zodíaco é um sistema simbólico. Isso quer dizer que ele é composto por símbolos — os signos, os planetas, as casas — e que cada um deles funciona como um símbolo funciona. Parece óbvio, mas é aqui que mora toda a confusão, porque a maior parte das tentativas de “testar” a astrologia trata o símbolo como se ele fosse outra coisa.

Desse ponto de vista, a astrologia é um sistema de conhecimento que procura compreender o próprio cosmos. O zodíaco é o seu sistema simbólico: um conjunto de símbolos que busca conter todas as qualidades do cosmos — ou, em outras palavras, todas e cada uma das qualidades que a própria existência pode assumir. Afinal, não é verdade que se pode levantar um mapa astral de absolutamente qualquer objeto, ser ou evento que exista? É justamente por isso que os signos do zodíaco são símbolos que expressam qualidades universais do cosmos — significados universais. Áries, por exemplo, pode ser entendido como o impulso vital inicial, a força dos começos. Essa qualidade não foi inventada por nenhuma cultura: ela sempre existiu e sempre existirá.

O problema é que esse significado universal é grande demais para nós. O ser humano não consegue apreendê-lo diretamente, na sua totalidade. Necessariamente, se eu como ser cultural, temporal e finito, tento descrever algo universal, só poderei fazê-lo a partir da minha finitude, a partir da minha cultura. E portanto, jamais conseguirei abarcar todas as infinitas opções nas quais Áries pode se manifestar ao longo do tempo e da história. 

Nós somos seres culturais, só podemos compreender o mundo através dos símbolos da nossa cultura. Para compreender um fenômeno e explicá-lo, iremos usar, por exemplo, as palavras que temos aprendido. E uma palavra, nada mais é que uma convenção social a respeito de como chamar determinado fenômeno. E justamente por isso, toda palavra sempre faz referência a outra coisa. 

Carl Jung já mostrava que o símbolo aponta sempre para um sentido maior do que ele mesmo, e que é por meio dele que aquilo que é arquetípico e invisível se torna experienciável para nós; Paul Ricoeur dizia que o símbolo carrega um excedente de sentido e “dá que pensar”, porque nunca se deixa traduzir por inteiro; E o filósofo Hans Jonas lembrava que toda imagem é sempre imagem de alguma coisa — uma representação que se ajusta, em maior ou menor grau, àquilo que evoca, conforme a cultura de quem a criou. Em outras palavras: o símbolo é uma relação, não um objeto. Ele só existe no encontro entre quem interpreta e o que é interpretado. 

Como não é possível compreender aquele significado universal de forma completa, fazemos a única coisa possível: para nos aproximar dele, criamos analogias com a nossa própria cultura. Quando quero falar de Áries, recorro ao parto, ao Big Bang, à lâmina de uma faca, ao primeiro grito de guerra. Repare: Áries não é nenhuma dessas coisas. Cada imagem é apenas uma tentativa de chegar mais perto de um núcleo de sentido que nenhuma delas esgota. E justamente por isso, outro astrólogo poderá usar analogias completamente diferentes, mas nós dois sabemos de que estamos falando quando falamos de Áries. 

É por isso que Bosia descreve o símbolo como um vaso de significado: um recipiente que contém aquele sentido universal e que recebe, por fora, um nome e um desenho — o Carneiro, o glifo de Áries — e todo um leque de analogias que tentam tocá-lo. O vaso comporta muitas imagens ao mesmo tempo, sem se reduzir a nenhuma.

Símbolo não é conceito

Agora dá para nomear com precisão onde o experimento tropeça. Existe um abismo entre conceito e símbolo, e a ciência nascida de Descartes trabalha com o primeiro.

Um conceito é uma descrição precisa e fechada de algo que está diante de mim: a palavra “cadeira” cobre, de forma unívoca, todas as cadeiras possíveis. O conceito define, delimita, mede. A ciência cartesiana opera assim — com conceitos, com lógica, com quantidades. Ela pergunta se algo é verdadeiro ou falso, e exige uma resposta: sim ou não. É um pensamento binário, de duas casas apenas.

O símbolo é de outra ordem. Como mostra Bosia, simbolizar não é conceitualizar. O símbolo não define: aproxima-se, por analogia. Não mede: qualifica. Não trabalha com quantidades, mas com as qualidades do cosmos. E não cabe na lógica do verdadeiro ou falso, porque é trinário — não responde “sim” nem “não”, mas uma terceira coisa, que é a riqueza de sentidos contida no vaso. Por isso não opera por dedução nem por causalidade linear: de um símbolo não se extrai um efeito único e obrigatório, do jeito que de uma causa se extrai um efeito.

Querer medir o zodíaco é, portanto, exigir que o símbolo se comporte como conceito. É traduzir para o binário aquilo que é trinário. E, nessa tradução, perde-se justamente o que faz de um símbolo um símbolo. Reduzi-lo a um valor fechado é como avaliar um quadro pela quantidade de tinta gasta: tecnicamente possível, completamente inútil.

Por que a estatística erra o alvo (e o que isso revela)

Veja o que acontece num teste típico. Reúne-se um grupo de pessoas com Marte em aspecto tenso com Plutão esperando encontrar, digamos, mais agressividade. Algumas serão agressivas; muitas não. A conclusão apressada é que “não há correlação” — que a astrologia falhou.

Mas não falhou nada. O que aconteceu é que o núcleo de significado de Marte se manifestou, naquelas pessoas, por outras de suas analogias. Em vez de virar agressividade, virou vontade de agir, capacidade de lutar pelo que quer, energia para realizar. O significado marciano está sempre presente naquela configuração; o que não existe é uma regra binária que diga “se tem Marte em determinada posição, então briga”. O símbolo se manifesta como um leque de possibilidades, todas fiéis ao mesmo núcleo. O teste estatístico, para funcionar, precisa fixar de antemão uma única manifestação esperada — e, quando o símbolo aparece sob outra forma, lê isso como ausência, quando na verdade é abundância. 

E do que depende que o núcleo se manifeste por uma analogia e não por outra? De muitas coisas — do grau de autoconhecimento da pessoa (que pode lhe permitir canalizar Marte como coragem criativa, em vez de agressividade); do seu contexto sociocultural (não é o mesmo ter Júpiter na Casa 2 tendo nascido numa família de classe alta ou na mais profunda pobreza); e, claro, do resto do mapa, que tanto pode suavizar quanto reforçar — por exemplo — as características agressivas de um Marte em aspecto tenso com Plutão. É um feixe de fatores singulares, e não uma chave liga-desliga.

Existe, sim, pesquisa séria — só que de outro tipo

Disso tudo não se conclui que a astrologia seja impesquisável. Conclui-se algo bem mais interessante: que o erro nunca foi pesquisar, e sim pesquisar com o instrumento errado. Se entendermos “ciência” apenas como a das ciências exatas — isolar uma variável, repeti-la em laboratório, quantificar o resultado —, então realmente não dá para medir o zodíaco, e insistir nisso é um erro de método. Mas essa não é a única forma de conhecimento rigoroso. Há toda uma tradição, a das ciências humanas — a sociologia, a antropologia, a psicologia —, em que o rigor não está em contar, e sim em compreender a estrutura do sentido: como um sistema simbólico se organiza e como as pessoas significam suas experiências através dele. Isso não significa expulsar o número: dá, sim, para combinar o qualitativo e o quantitativo, como tanto se faz na sociologia — desde que o que se conte sejam as interpretações e os usos do símbolo, e não a pretensão de medir o símbolo como se fosse uma causa física. Troque a régua, e o problema se desfaz.

Quando o objeto é simbólico, a pergunta de pesquisa muda de forma. Não se trata de provar “o que Marte faz” numa amostra, como se o planeta emitisse um efeito mensurável e idêntico em todos. Trata-se de investigar as diferentes maneiras pelas quais as pessoas  vivem esse símbolo — o leque de analogias pelas quais aquele núcleo universal se realiza em vidas concretas. É uma astrologia estudada com todo o rigor das abordagens qualitativas, mas sem trair a natureza trinária daquilo que estuda. Rigor e respeito ao objeto deixam de ser inimigos. 

A pergunta certa

Talvez o maior engano de todos esteja na pergunta inicial — “a astrologia é verdadeira ou falsa?”. Essa é uma pergunta binária, de conceito, e o zodíaco é trinário, é símbolo. A pergunta que faz justiça ao seu objeto é outra: que tipo de saber é este?

A resposta é que se trata de um conhecimento simbólico. E símbolos não se provam no laboratório, do mesmo modo que o amor não se demonstra numa equação, embora seja a coisa mais real do mundo para quem o vive. A ciência exata nunca conseguiu medir o zodíaco — e isso, longe de ser um veredito contra a astrologia, é apenas a constatação de que estávamos, o tempo todo, segurando o instrumento errado.

 

Anahí Lucas é socióloga e astróloga, autora do livro Detetive do Tempo e coordenadora do Núcleo de Pesquisa da CNA.

As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião ou o posicionamento oficial da CNA (Central Nacional de Astrologia) e de sua Diretoria. O conteúdo visa estimular o debate e a difusão do conhecimento astrológico sob a perspectiva individual de cada colunista.
 

 

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Eixo Nodal em AQUÁRIO-LEÃO: Menos Eu e mais Nós! – por Maria Eunice Sousa https://cnastrologia.org.br/eixo-nodal-em-aquario-leao-menos-eu-e-mais-nos-por-maria-eunice-sousa/ https://cnastrologia.org.br/eixo-nodal-em-aquario-leao-menos-eu-e-mais-nos-por-maria-eunice-sousa/#comments Wed, 08 Jul 2026 09:00:52 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11183 O Ciclo do Eixo Nodal

O ciclo do eixo nodal da Lua é de aproximadamente dezoito anos e meio, o tempo necessário para que dê uma volta completa no Zodíaco. É o trânsito do eixo por um par de signos que marca onde os eclipses de um determinado período estarão acontecendo e, quando este eixo está numa polaridade de signos, já sabemos que os eclipses daqueles meses ocorrerão majoritariamente nestes dois signos zodiacais, intercalados com o eixo anterior e/ou posterior – e num determinado par de casas nas cartas natais, seja em Astrologia Individual ou Mundi.

Eixo Nodal por Peixes-Virgem entre 2025 e 2026

A passagem do Nodo Norte por um signo sinaliza quais assuntos e temas entram no gosto do público, o que fica em voga ou entra na moda e quais assuntos podem resvalar para o esquecimento, saindo de cena na consciência coletiva – Nodo Sul no signo oposto. 

Com o Nodo Norte transitando por Peixes de janeiro de 2025 até julho de 2026, vimos mais valorização e priorização da intuição, da imaginação e da atitude contemplativa, da atitude  de “seguir o fluxo”; a situação dos desvalidos e excluídos sociais ganhou destaque em várias instâncias, com maior atenção às questões que impactam grandes “massas”, como movimentos migratórios e crise climática, o que pode ter se manifestado como uma dinâmica de “cardume”, uma busca pela unidade, especialmente no contexto das populações impactadas por essas crises. Por outro lado, a temática de burnout e exaustão entrou na pauta do dia de forma mais evidente como efeito, entre outras coisas, da precarização do trabalho, das exigências de super produtividade e perfeccionismo, isso sugerido pelo Nodo Sul passando por Virgem; menos discriminação, seletividade, tecnicismo, detalhismo, criticismo, análise fria, ordem rígida ou excesso de ordem e sistematização – embora estejamos lidando com a ameaça de automatização de muitas atividades humanas substituídas pela Inteligência Artificial. Esta passagem do Nodo Norte por Peixes “coincidiu” com o trânsito de Saturno pelo mesmo signo e com a última fase de Netuno trafegando em seu domicílio, o que potencializou grandemente os temas de Peixes entre 2024 e 2025.

Eu versus o grupo: Eixo Nodal em Aquário-Leão de julho/2026 a março/2028

Em 26 de julho, o Nodo Norte Verdadeiro ingressa em Aquário, enquanto o Sul ingressa em Leão; aí permanecem até 26 de março de 2028. O que poderá ganhar atenção e o que sairá “de moda” no coletivo neste período? 

Coletivo x Indivíduo 

De acordo com Howard Sasportas, com o Nodo Norte em Aquário, deve-se buscar “Promover os objetivos do grupo ou da sociedade, promover ideais que afetam ao todo e à comunidade, ao invés de apenas trazer reconhecimento individual” (Sasportas, 2002). Assim, temos pela frente cerca de um ano e meio, quando grandes causas coletivas e ideais humanitários entrarão na ordem do dia; assim como o olhar sobre a vida em sociedade, a ética nas relações humanas, os princípios civilizatórios, o que nos faz humanos, em contraste com um tempo em que tudo é informatizado e robotizado, inclusive produções criativas e ditas “artísticas”. 

Já o Nodo Sul passando por Leão sugere um tempo de menos individualismo e menor evidência do protagonismo individual – um conceito que foi massificado nos últimos anos. A atenção sobre as “fast celebrities” focadas em autopromoção deve diminuir drasticamente e ganharão destaque aqueles que estiverem sintonizados com propósitos mais impessoais e desprendidos de expectativas de aplausos para si. Possivelmente será um período de decadência dos influencers de redes sociais. As monarquias e poderios não democráticos também perdem vigor e podem mesmo passar por questionamentos diversos.

Júpiter e Nodo Sul em Leão

Mas no meio dessa passagem tem um detalhe bem grande e nada insignificante: tem um Júpiter no meio do caminho! Júpiter ingressa em Leão em 30 de junho e o Nodo Sul em 26 de julho; “um entra pela porta da frente, o outro pela porta dos fundos” (Surtees, 2026) – o eixo nodal trafega retrógrado, como sabemos, ingressando em um novo par de signos pelo fim, pelos últimos graus – e assim, Júpiter e Nodo Sul caminharão um ao encontro do outro, encontrando-se três vezes no último decanato de Leão, devido à retrogradação de Júpiter, o que equivale a uma de Júpiter ao Nodo Sul por praticamente seis meses!

Sasportas diz que “O Nodo Sul conjunto a Júpiter traz uma tendência aos exageros, inatamente ou instintivamente” – eu diria que o Nodo Sul acentuaria a qualidade de excesso que caracteriza o aspecto sombrio de Júpiter. Contudo, para além dessa interpretação mais óbvia, como podemos ler e viver essa conjunção, já que a princípio esses são pontos que se contradizem e talvez até se anulem mutuamente? Júpiter simboliza abundância e expansão, crescimento, melhorias, acumulação, busca de sabedoria e superação dos limites e das fronteiras conhecidas, enquanto o Nodo Sul é um ponto de liberação e eliminação, de soltar para não se acomodar ou estagnar no que já é conhecido e como expressão negativa, a tendência a permanecer naquilo que é familiar e seguro. Com Júpiter junto ao Nodo Sul iríamos querer mais do que já sabemos e dominamos e nos refestelar naquilo já conquistado? Elites (Leão) se comportariam de forma ainda mais aristocrática e exclusivista, abocanhando ainda mais privilégios (Nodo Sul e Júpiter)

Olhando negativamente, Júpiter em Leão conjunto ao Nodo Sul poderia significar uma exacerbação de comportamentos orgulhosos e arrogantes, egocentrismos e narcisismos, esquemas e empreendimentos faraônicos, autoritarismo nas lideranças, talvez até despotismo, particularmente no caso de países e líderes que têm posicionamentos fortes no signo de Leão – caso de Israel e Ucrânia e do presidente Donald Trump, por exemplo; dificuldade de centrar os grandes planos na realidade. Por outro lado, podemos pensar também na alegria, jovialidade e atitude festiva e otimista – do tipo inimigos do fim – como aspectos mais favoráveis resultantes da posição de Júpiter em Leão; um excesso de magnanimidade beirando a ingenuidade, talvez; uma busca de encontrar maneiras novas de utilizar os recursos criativos já explorados anteriormente nas formas usuais. Como Júpiter é um planeta que representa facilidades e o Nodo Sul rende-se à acomodação naquilo que já é conhecido, a tendência é vermos mais os aspectos negativos, especialmente porque há um agravante: eles terão a companhia de Marte por algumas semanas, que também vai retrogradar entre Virgem e Leão e voltará ao movimento direto conjunto ao Nodo Sul!

 

Marte botando pilha… e retrógrado!

Marte transita Leão de 27 de setembro a 24 de novembro, em movimento direto, fazendo conjunção a Júpiter em 12 de novembro e ao Nodo Sul no dia 14; entra em Virgem no dia 24 de novembro e retrograda em 10 de janeiro de 2027, a 10°25 de Virgem. Volta ao movimento direto em 1° de abril, a 20°55’ de Leão, conjunto ao Nodo Sul a 19°19’, com Júpiter retrógrado logo atrás, a 17°11’ do mesmo signo. 

De modo geral, Marte em Leão se expressa de forma grandiosa, galante, honrada, colocando o coração e uma calorosa generosidade em suas ações. Drama certamente está presente em suas lutas, assim como pode haver uma queda pela atitude performática para valorizar a execução da ação. Agora, como expressão mais danosa, pode ser gabola e dado a blefes e bravatas, excessivamente orgulhoso, ofendendo-se facilmente e guardando rancores como pequenos tesouros. Coloque então este Marte junto à equação Júpiter e Nodo Sul… o que teremos? Um período bastante perigoso, considerando-se a realidade atual de certos líderes narcisistas, populistas e despóticos, além de nações centradas unicamente nos próprios interesses, impondo-se como autoridade máxima no mundo. 

Fases Críticas

As fases mais críticas desse trânsito começam no fim de outubro/2026, com Júpiter já muito próximo ao Nodo Sul e Marte já em orbe de conjunção a Júpiter; isso avança por todo o mês de novembro (veja quadro com as principais datas abaixo). O segundo turno das eleições no Brasil já ocorre neste contexto e as eleições nos Estados Unidos em 3 de novembro também. A arrogância e poderio das elites certamente se farão notar neste período! Privilégios e autoritarismo poderão ser abocanhados por governos de mãos de ferro, talvez com seu populismo intacto – apesar de Plutão em Aquário, embora ele possa “ofertar” consequências implacáveis mais tarde. 

No início de dezembro, Marte forma quadratura crescente a Urano, do ciclo iniciado exatamente em 3 de julho/2026, com ambos em quadratura ao eixo nodal a zero de Peixes-Virgem! Marte volta da retrogradação em 1° de abril conjunto ao NodoSul e a Júpiter. As três conjunções Júpiter-Nodo Sul ocorrem em 12 de novembro, 22 de fevereiro, 23 de abril. Os eclipses de fevereiro também ocorrerão em tensão com Júpiter e Marte: em 6 de fevereiro o Eclipse Solar Total a 17° de Aquário ocorre em oposição a Júpiter com orbe de cinco graus e o Eclipse Lunar de 20 de fevereiro, a 2° de Virgem, se dará com a Lua em conjunção ao Marte retrógrado, em orbe de dois graus. A temática de ações e bravatas impulsivas e potencialmente destemperadas e temerárias estará presente na cena mundial, assim como em contextos pessoais para pessoas que têm o mapa afetado por essas configurações.

Além desses momentos dramáticos representados pelas conjunções de Marte e Júpiter ao Nodo Sul, teremos ainda um eclipse com stellium em Leão no dia 2 de agosto: Mercúrio, Vênus, Sol, Lua e Nodo Sul no início de Leão, opostos a Plutão e em quadratura a Quíron – este será bastante crítico, desafiando o poder de autoridades incensadas, mas de pés de barros! O Nodo Norte fará trígono a Urano em 30 de setembro e, por último, mas não menos importante, o Nodo Norte fará conjunção a Plutão, a 4° de Aquário, em 16 de novembro de 2027. Fechando de forma um tanto dolorosa a passagem por este eixo, o Nodo Norte fará ainda quadratura a Quíron em Touro poucos dias antes de mudar para o próximo eixo! 

Efeitos Práticos no Coletivo

Com o Nodo Sul trafegando Leão, pode haver recessão e crises econômicas, já que Leão está associado ao sistema bancário (junto com Touro) e a elites. E é interessante se notar que a passagem do eixo nodal por Aquário-Leão começa com Júpiter travando um embate formidável com Plutão, culminação do ciclo iniciado em 2020, em plena pandemia, com Júpiter e Plutão em Capricórnio. O ciclo Júpiter-Plutão trata exatamente da busca e acúmulo de poder, das plutocracias e da “transformação das expectativas das sociedades” (Fallon, 2001).

Enquanto isso, o Nodo Norte convida a uma guinada em direção ao poder exercido de forma democrática, o poder para o povo e a se privilegiar os interesses do coletivo e da comunidade. Como viveremos esse embate? Da última vez que o Nodo Norte passou por Aquário e o Sul por Leão, entre dezembro de 2007 e agosto de 2009, tivemos, de fato uma crise econômica chamada Subprime – isso não ilustra perfeitamente o Nodo Sul em Leão? – precipitada pela quebra do Banco Lehman Brothers, que por sua vez deflagrou o estouro da bolha imobiliária americana e a pior recessão global desde 1929. Obviamente, não se trata de uma mera repetição: as configurações não são as mesmas, nem o mundo o é. Mas é importante nos atentarmos para as fragilidades dos sistemas e buscar nos antecipar nas nossas estratégias para não ficarmos à mercê dos seus revezes!

Kelly Surtees, astróloga radicada no Canadá, resume esse paradoxo dizendo que “Júpiter quer sempre mais: expansão, abundância, possibilidades. O Nodo Sul quer menos: liberação, simplificação, retorno ao que é essencial. Mais do que cancelar um ao outro, essa conjunção pode se tornar uma bússola, que indica o que devemos amplificar e o que devemos, finalmente, soltar e deixar ir (…) para não corrermos o risco de dispersar energia por não estamos preparados e, em vez disso, podendo abrir portas para oportunidades extraordinárias de realinhamento se abordarmos esse período com intenção” (Surtees, 2026).

 

Nodo Norte conjunto a Plutão em Aquário

Entre várias outras coisas, o trânsito de Plutão por Aquário simboliza um tempo de desprendimento de velhas formas de pensamento e paradigmas sociais; mudanças inexoráveis nas relações humanas e formas de as sociedades se organizarem; transformação profunda na vida humana através de novas tecnologias, ideias e conhecimentos ainda não imaginados; discussões e questionamentos éticos sobre invenções, os poderes da ciência e das novas tecnologias – Alô, Inteligência Artificial! Com a conjunção do Nodo Norte a Plutão – de junho de 2027 a fevereiro de 2028, considerando orbe de cinco graus, aplicando e separando – as temáticas representadas pelo trânsito de Plutão por este signo ficam mais agudas e enfatizadas. Além de termos os temas listados acima mais salientados, coletivamente, poderemos nos conscientizar, de forma mais intensa, da necessidade de se exercer o poder (Plutão) de forma mais democrática (Aquário), talvez, exatamente por nos encontrarmos subjugados por alguns sistemas e estruturas autocráticas, o que talvez nos obrigue a um movimento de rebeldia e de liberação – o poder exercido pelo grupo, de forma impessoal, embora isso não necessariamente deva ser romantizado, pois poderemos nos deparar com grupos tão totalitários quanto as mais rígidas ditaduras autocráticas. Tem se falado bastante da “Bolha da IA” recentemente e uma possibilidades que esse encontro do NN a Plutão pode significar, é o estouro dessa bolha e o escancaramento definitivo das verdades fabricadas acerca desse “Admirável Mundo Novo” da Inteligência Artificial. O Nodo Norte torna a conscientização da passagem de Plutão por Aquário e tudo o que isso representa, inescapável, por bem ou por mal. 

 

Concluindo…

Será uma passagem bastante movimentada, essa do eixo nodal por Aquário-Leão, muito pelos temas que serão ativados, mas principalmente, por causa dos diversos “encontros” entre os nodos e esses planetas diversos. É importante atentar-se para o eixo de casas onde temos os signos de Aquário (onde passará o Nodo Norte) e Leão (onde transitará o Nodo Sul), pois, nos próximos dezoito meses, aproximadamente, as transformações simbolizadas por Plutão em Aquário e a expansão ou excessos representados pelos trânsitos de Júpiter e Marte por Leão serão potencializados e disparados por vários eclipses do período (veja tabela abaixo). Aproveitemos as oportunidades para expansões transformadoras através do ganho exponencial de mais consciência. 

 

Quem é impactado?

As pessoas e nações mais afetadas por este trânsito são aquelas que têm posicionamentos importantes no eixo Leão e Aquário, que estarão recebendo a conjunção e oposição de Júpiter em Leão, além de terem vários eclipses do período afetando seus mapas (veja tabela). O eixo Touro-Escorpião também pode receber aspectos de quadraturas vindas de Aquário-Leão. Este Ciclo Metônico foi ativado pela última vez entre os anos de 2007 e 2008. 

 

Pontos Altos do NN em Aquário

Nesses quase vinte meses do trânsito do eixo nodal por Aquário-Leão teremos eclipses ocorrendo em TRÊS POLARIDADES DE SIGNOS: Peixes-Virgem, Aquário-Leão e Capricórnio-Câncer! Veja no quadro abaixo os eclipses do período:

 

DATAS IMPORTANTES NO TRÂNSITO DO EIXO NODAL POR AQUA-LEÃO ALÉM DOS ECLIPSES:

 

* O Eixo Nodal Médio ingressa em Aquário/Leão no dia 18 de agosto e fica nesta polaridade até 07 de março de 2028, quando entra nos signos seguinte, Capricórnio/Câncer.

Fontes citadas:

FALLON, Astrid – Planetary Cycles at a Glance. Draguignan, França. Fallon Astro Graphics, 2001. 

SASPORTAS, Howard – The Moon’s Nodes – Seminário proferido em 29 de julho de 1990, no Regent’s College, em Londres, Reino Unido. 

SURTEES, Kelly – More or Less? Navigating Jupiter and the South Node in Leo – Webinar. Astrology University, 2026.

 

Maria Eunice Sousa é graduada em Comunicação Social. Formada em Astrologia pelo Centro de Astrologia Psicológica de Londres. Especializada em Astro*Carto*Grafia e certificada pela Continuum, The Jim Lewis Slayden Foundation. Especializada em Espaço Local, Astrologia Vocacional e Empresarial, Lunações e Eclipses. Radicada em Cuiabá-MT, coordena a regional Centro-Oeste da CNA. É palestrante e professora de astrologia. Atende com consultas astrológicas diversas. Estudante de pós-graduação em Psicologia Complexa pelo Instituto Dedalus.

 

 

 

 

As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião ou o posicionamento oficial da CNA (Central Nacional de Astrologia) e de sua Diretoria. O conteúdo visa estimular o debate e a difusão do conhecimento astrológico sob a perspectiva individual de cada colunista.

 

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Mercúrio Retrógrado em Câncer – por Cintia Corenza https://cnastrologia.org.br/mercurio-retrogrado-em-cancer-por-cintia-corenza/ https://cnastrologia.org.br/mercurio-retrogrado-em-cancer-por-cintia-corenza/#comments Wed, 24 Jun 2026 14:19:55 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11170  

Prepare-se! Do dia 29 de junho até 23 de julho teremos o período de Mercúrio Retrógrado entre os graus 16° e 26° de Câncer.

Mercúrio na astrologia está diretamente associado à comunicação, vendas, negócios, tecnologia, redes sociais, transportes, estradas,  deslocamentos e acordos. Em períodos de Mercúrio Retrógrado, costuma-se evidenciar falhas nestas temáticas o que pode contribuir para erros de comunicação, ilusões, golpes e atrasos em viagens.  Sob este trânsitos as ideias, as pessoas  e os projetos do passado podem retornar. O grande alerta a se tomar nesta fase é o que fazer com o que está voltando do passado. É para se repetir, concluir ou finalizar? E o que fazer com os erros e falhas? Insistir ou deixar pra lá?

Este fenômeno astrológico ocorre devido a uma ilusão de ótica na qual ao observarmos o Mercúrio no céu, temos a falsa impressão que ele está “andando para trás”. Isto ocorre na verdade por uma diferença da perspectiva entre as velocidade das órbitas entre a Terra e Mercúrio em relação ao Sol, capaz de criar uma ilusão visual na qual se parece que Mercúrio se move em “marcha ré”. 

Coincidentemente esta retrogradação de Mercúrio em Câncer acontece agora no período da Copa do Mundo. Podemos esperar por partidas mais intensas que mexem mais com o coração de suas torcidas, e até mesmo viradas e controvérsias históricas,  capazes de engatilhar ou até mesmo criar fortes memórias em seus torcedores. As últimas Copas do Mundo sob este trânsito foram as de 1966 e 2006. Elas ficaram marcadas na memória, no caso a de 1966 com o gol mais famoso da partida  que até hoje gera discussão se realmente foi um gol ou não na Final entre Inglaterra X Alemanha, pois a bola chutada bateu no travessão e quicou até perto da linha. Este episódio ficou conhecido como o “gol fantasma”, pois favoreceu o título para seleção inglesa, anfitriã do torneio. E na de 2006, tivemos a lendária “cabeçada” de Zinedine Zidane em Marco Materazzi durante a prorrogação após rumores de ter xingado a família de Zidane. Esse lance polêmico foi decisivo para a expulsão do maior craque da seleção francesa na Copa do Mundo na Alemanha. O resultado final foi o título do tetracampeonato da seleção da Itália após vitória da decisão por pênaltis.

O titular da seleção brasileira, Vinícius Júnior, é canceriano e nasceu com o Sol em Câncer que será diretamente ativado por este trânsito de Mercúrio Retrógrado. Isto pode ativar questões ligadas à polêmicas tanto dentro do jogo, como fora de campo em entrevistas e aparições públicas.   A  Copa do Mundo sob o trânsito de Mercúrio Retrógrado em Câncer pode também ativar questões associadas à liberdade de expressão, territorialismo e nacionalismo. Inclusive, pela primeira vez a Copa do Mundo será em três países: Estados Unidos, México e Canadá.

Com Mercúrio Retrógrado em Câncer podemos esperar um período em que a nossa comunicação ficará mais sensível. A energia canceriana está diretamente associada ao nosso campo afetivo e emocional. Poderá ser uma fase marcada por vulnerabilidade tanto na nossa fala, como na nossa escuta. É importante termos cuidado com a nossa expressão, já que este período costuma gerar mal entendidos. Nossa mente também poderá ser atraída para temáticas cancerianas como: a família, o lar, a maternidade e natalidade. Vale destacar que este é um fenômeno comum na astrologia e chega a acontecer cerca de três a quatro  vezes ao ano.

Em 2026, todas as retrogradações de Mercúrio serão em signos do Elemento Água: Peixes, Câncer e Escorpião. Este elemento está profundamente associado à nossa forma de sentir. É como se 2026 nos convocasse para uma revisão na forma como comunicamos as nossas emoções e como as trocas de informações nos afetam,  principalmente nestes períodos. 

O primeiro Mercúrio Retrógrado deste ano aconteceu no signo de Peixes durante o período de 26 de fevereiro  até  20 de março. Neste trânsito vivenciamos o início dos ataques e ofensivas dos Estados Unidos ao Irã que gerou tensão e polêmica em esfera global com a ameaça de guerra nuclear. No Brasil, no período de sombra deste Mercúrio Retrógrado tivemos a catástrofe das enchentes em Juiz de Fora que gerou a morte de dezenas de vítimas  e desabrigou famílias.

Agora viveremos a segunda retrogradação de Mercúrio, mas sob a regência do signo de Câncer, dos dias 29 de junho até 23 de julho.O último Mercúrio Retrógrado em câncer que tivemos foi em 2020,  do dia 18 de junho até 11 de julho de 2020. Neste período, estávamos vivendo a pandemia do Covid-19, em que fomos obrigados a ressignificar nossa relação com o lar e a família, pois a partir do “lockdown” foi imposto a população mundial a ficar em casa.

Mais para o final do ano,do dia  24 de outubro até 13 de novembro, viveremos a última retrogradação de Mercúrio, sob a regência do signo de Escorpião,que coincidirá com os períodos da eleição presidencial. Vale destacar, que foi sob a energia da sombra do Mercúrio Retrógrado em Escorpião de 2019 que o atual presidente e candidato à presidência, Luis Inácio da Silva (Lula), foi solto. Podemos esperar por debates acalorados.

O Mercúrio Retrógrado em Câncer também pode aumentar o nosso saudosismo e nostalgia. É importante evitar atitudes impulsivas em relação ao retorno de ciclos. Podemos sentir dificuldade em enxergar e interpretar as coisas como elas de fato são.

Na mitologia a simbologia de Mercúrio é associada a Hermes, o mensageiro dos deuses. Ele era o responsável pela comunicação entre os deuses e os mortais. Ele era conhecido por ser o  “senhor das palavras” e ser extremamente astuto. Numa das peripécias de Hermes, ele roubou o rebanho do seu irmão, Apolo, e utilizou uma artimanha na qual fez com que as pegadas do rebanho fossem na direção oposta ao caminho feito para enganar Apolo. Assim como é mostrado no mito a importância de ter cuidado com aquilo que se vê para não cair em ilusões e enganações,  neste período de Mercúrio Retrógrado é preciso refletir se ao olhar e caminhar para frente,  estaremos avançando e evoluindo, ou se estaremos repetindo erros e nos autoenganando. Para entendermos melhor como avançar neste período é importante também entendermos como será o percurso de Mercúrio em Câncer.

No dia primeiro de junho, Mercúrio ingressou em Câncer fazendo com que a nossa mente ganhasse um tom ainda mais emocionante. Além disso, neste ingresso, estávamos sob a energia da Lua Cheia, que intensifica ainda mais o nosso sentir. Do dia primeiro ao quarto de junho tivemos uma quadratura entre Mercúrio em Câncer e Netuno em Áries. Sob este período ficou ainda mais forte a relação entre nossas emoções e intuição. No lado luz, este aspecto pode ter incentivado  as inspirações enquanto na sombra pode ter facilitado as ilusões e enganos. Já no dia 10 de junho Mercúrio em Câncer fez uma quadratura com Saturno em Áries trazendo mais comprometimento para a forma como nos comunicamos e lidamos com nossas emoções. A pré sombra de Mercúrio Retrógrado se deu justamente no dia 12 de junho, sob a energia da Lua Minguante, isto já nos convidou a ter mais cautela com o que investimos nosso tempo e a nossa energia.

No dia 29 de junho começa oficialmente a temporada de Mercúrio Retrógrado juntamente com a Lua Cheia em Capricórnio que poderá provocar um mix de emoções sob as nossas bases emocionais. Em cima do que estamos construindo nossos sonhos e metas?  No dia 12 de julho, teremos um cazimi (encontro entre Mercúrio e Sol) que poderá iluminar e intensificar nossa mente com insights e revelações, mas será preciso não fazermos interpretações precipitadas, pois sob o trânsito de Mercúrio Retrógrado nem tudo que reluzir será ouro.

Mercúrio Retrógrado em Câncer será um período delicado no qual devemos redobrar nossa atenção, principalmente com assuntos ligados a comunicação, vendas, tecnologia e deslocamentos. Mercúrio voltará ao seu movimento direto em 23 de julho. Porém, a sua sombra irá até o dia 07 de agosto, sendo importante continuarmos tendo cuidados e cautela.  Utilizemos a sabedoria do caranguejo, símbolo do signo de Câncer, que ao andar de lado se protege de cair de cabeça em furadas, ou de voltar para ciclos errados, principalmente na maré alta de Mercúrio Retrógrado.

 

Por Cintia Corenza, Astróloga, Psicanalista, Graduanda em Psicologia e Taróloga. 

 

 

 

As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião ou o posicionamento oficial da CNA (Central Nacional de Astrologia) e de sua Diretoria. O conteúdo visa estimular o debate e a difusão do conhecimento astrológico sob a perspectiva individual de cada colunista.
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Quíron em Touro – por André Bertoldo https://cnastrologia.org.br/quiron-em-touro-por-andre-bertoldo/ https://cnastrologia.org.br/quiron-em-touro-por-andre-bertoldo/#comments Wed, 17 Jun 2026 08:00:35 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11161 O que falar de Quíron em Touro? 

Primeiramente, é preciso desmistificar o mito, se é que isso faz algum sentido na literalidade da coisa. 

No relato mitológico, Quíron é ferido e passa a curar os outros enquanto convive com a própria dor incurável. Ao pensarmos no Quíron astrológico, a primeira imagem que nos vem à mente é o famoso arquétipo do Curador Ferido. Mas, para compreendê-lo, precisamos nos atentar especificamente ao ferido: o indivíduo  que sente medo  se isolando na caverna. 

Após o ferimento, Quíron adota uma postura defensiva. Ele se isola do mundo em uma caverna distante e chega a recusar o atendimento e o cuidado aos outros. Ele se anestesia para conseguir dormir e, assim, não sentir dor. 

A grande chave aqui não é ele se tornar curador no mesmo ponto em que foi machucado, mas sim o fato de que não há no mundo ninguém capaz de curar a sua ferida. Apesar de deter toda a habilidade para sanar o sofrimento alheio, ninguém pode fazer nada por ele, nem ele mesmo.

Isso é fundamental, pois expõe onde mora a solidão de Quíron em nosso mapa natal. É uma dor que sentimos sozinhos: reativa, constante, estridente. Muitas vezes demoramos para notar a sua presença, porque ela está lá, guardada e escondida de nós mesmos por nossas fugas e ópios cotidianos. 

Quirón em Touro: A Tortura da Estabilidade 

Costumo sempre associar Quíron à palavra ‘dor’, conectando esse conceito diretamente às palavras-chave essenciais do signo. Ao cruzarmos essa dinâmica com Touro, o cenário ganha contornos específicos: 

Touro é o símbolo astrológico da estabilidade, do conforto e da segurança. É o estado da terra fixa em que podemos confiar e fincar alicerces. Touro busca e valoriza os prazeres, a beleza, a paz. Qualquer coisa que entre em seu caminho nessa busca, ele defende com seus chifres e seu corpo robusto. Apesar de pacífico, Touro é territorialista e preza pelo bem-estar do seu “rebanho”. 

Tudo o que compõe essa natureza taurina é perenemente torturado quando adicionamos Quíron à conta: 

  • O signo que deveria priorizar a segurança passa a se sentir eternamente inseguro e instável no mundo. 
  • Gera-se uma busca desenfreada por um mínimo de conforto que parece nunca se consolidar, fazendo com que o indivíduo construa conforto para todos, menos para si mesmo. 

Na tentativa de criar um planejamento ideal, seguro e estável, Quíron em Touro sacrifica justamente o que há de mais sagrado para o signo. É o mecanismo do: “Eu sacrifico os meus prazeres hoje em nome de uma segurança idealizada. Somente após erguer uma fortaleza perfeita terei permissão para, finalmente, desfrutar da vida”. A jornada se torna penosa porque o conforto idealizado, objetivo final deste aspecto, está sempre no futuro.

A Geração de 1976 a 1984

A última vez que Quíron esteve em Touro foi entre o final dos anos 70 e o início dos 80. O trânsito principal começou em 28 de maio de 1976 e se estendeu até 11 de abril de 1984. No entanto, por conta das retrogradações, tivemos duas breves exceções nesse intervalo em que ele mudou de signo: De 13 de outubro de 1976 a 28 de março de 1977: Quando recuou temporariamente para Áries; De 21 de junho de 1983 a 29 de novembro de 1983: Quando fez uma breve incursão por Gêmeos.

O cenário da última passagem de Quíron por este signo (entre 1976 e 1984) foi economicamente desastroso no Brasil. Vivíamos a explosão da dívida externa e o início de uma inflação galopante, onde não se sabia quanto custaria o pão na manhã seguinte. O salário perdia o poder de compra em questão de dias e os juros atingiam patamares alarmantes. 

Essa geração cresceu vendo seus pais sacrificarem o próprio bem-estar para garantir o mínimo em um solo completamente arenoso. 

Globalmente, o mundo testemunhava uma guinada conservadora e a ascensão do neoliberalismo econômico, marcada pelas eleições de Margaret Thatcher no Reino Unido (1979) e Ronald Reagan nos Estados Unidos (1981). Era o início de reformas rígidas e de uma forte narrativa de autossuficiência financeira. 

Durante esse período assistimos ao nascimento da moda fitness. As primeiras academias populares despontam nos anos 70, popularizando o acesso aos treinos e transformando o esforço físico repetitivo em um novo hábito de “lazer urbano”. Já nos anos 80 nasce a febre estética, impulsionada pela explosão das fitas de aeróbica e pela exaltação de corpos hiper-definidos como sinônimo de sucesso, transformando roupas de ginástica em estilo cotidiano. O corpo é remodelado: atletas tornam-se modelos de capas de revistas, elevando ainda mais o padrão estético a algo sobrehumano.  

A eclosão da epidemia de HIV, no início dos anos 80, trouxe um pânico generalizado quanto ao toque físico. Sob a premissa de que o contato com o outro transmitiria a doença, criou-se uma onda de culpa e medo sobre o corpo e o prazer sexual.

 O filme original O Exterminador do Futuro estreou nos cinemas dos Estados Unidos em 26 de outubro de 1984. Ele expõe o medo da evolução tecnológica e traduz a força da máquina frente à fragilidade humana.

Por fim, o primeiríssimo amanhecer da revolução digital trouxe medos que feriam diretamente a necessidade de segurança tangível de Touro. O surgimento dos computadores despertou o pânico da obsolescência e do desemprego, sob o temor de que as máquinas pudessem substituir a força de trabalho humana e engolir a estabilidade financeira. Houve também uma nítida perda de tangibilidade e controle, já que dados valiosos, registros e até a contabilidade do dinheiro começaram a se tornar digitais (abstratos e invisíveis). O computador era visto com profunda desconfiança, despontando como uma ameaça à simplicidade da vida natural. Havia o temor de que o controle frio da máquina sobre o homem culminasse em uma inevitável desumanização .

O Ciclo de 2026 a 2034

O próximo trânsito começará em 19 de junho de 2026 e se estenderá até a sua saída definitiva em 05 de maio de 2034. Seguindo a mesma dinâmica astrológica, teremos duas breves exceções nesse intervalo em que ele mudará de signo: Ele volta temporariamente para Áries de 17 de setembro de 2026 a 14 de abril de 2027; e de 19 de julho de 2033 a 23 de outubro de 2033, ficará em gêmeos temporariamente 

 

Agora, novas dores se formam neste mundo que ainda processa os lutos coletivos recentes. Ao olharmos para o cenário atual, os paralelos com o ciclo anterior são impressionantes: 

A Instabilidade Geopolítica e Econômica: A transição global caminha a passos largos para uma nova dinâmica de Guerra Fria, com ameaças constantes de conflitos em larga escala que minam qualquer sensação de segurança duradoura. Na macroeconomia, vemos uma nova vertente neoliberal impulsionada pela ascensão global da extrema-direita, que vende uma promessa de prosperidade estritamente meritocrática em um mercado cada vez mais precarizado e voltado ao topo. 

A Anestesia e o Controle do Corpo: Se nos anos 80 o controle vinha pela aeróbica, hoje ele acontece a nível químico e digital. Vivemos o auge da febre dos moduladores de apetite e emagrecimento (como o Ozempic e o Mounjaro), onde pessoas se dopam e colocam a saúde em risco em busca de um padrão estético. As redes sociais operam como a padronização definitiva do corpo perfeito, agora potencializada por filtros e inteligências artificiais que distorcem a própria noção de realidade material. 

O Toque Virtual vs. O Corpo Físico: Assim como a epidemia de HIV gerou o medo do toque nos anos 80, a transição atual nos empurra para o isolamento digital. O excesso de telas e a virtualização das relações geram uma nova fobia do corpo a corpo, onde o prazer sensorial direto é substituído pelo consumo de aparências. 

A Obsolescência do Trabalho e a Ameaça da Inteligência Artificial: Se nos primórdios da computação o temor girava em torno da automação mecânica, hoje a Inteligência Artificial avança sobre o intelecto, a escrita e a criatividade, gerando um pânico profundo de desemprego e da perda do sustento material. Diante de algoritmos que produzem sem interrupção, os indivíduos internalizam uma cobrança cruel, sentindo-se cronicamente culpados por não operarem na velocidade e na escala das máquinas.

O medo fantasmagórico de se tornar obsoleto da noite para o dia sabota o direito ao descanso, aprisionando o ser humano em um ciclo de hiperprodutividade ansiosa por puro instinto de sobrevivência. 

Da moda à culinária, tudo o que é feito em casa, manufaturado ou artesanal, tornou-se artigo de luxo. Elementos que outrora formavam a base da vida humana, vêm sendo progressivamente terceirizados para as grandes corporações. 

O novo luxo, afinal, é ter um casaco costurado pelas próprias mãos e comer tomates do seu jardim. 

O digital (intangível) ganhou um espaço de importância imensurável. Ele engole o nosso cotidiano para criar mundos fictícios e imaginários. Ter tempo para habitar o presente, saborear uma refeição, desligar-se das telas e sentir o toque físico virou uma raridade.

A Contradição Taurina e o Caminho da Cura

Touro, em sua essência profunda, é o signo do tempo presente, da matéria e da tradição. Ele não habita o porvir nem o campo das possibilidades; ele vive no concreto. Com Quíron ali, o indivíduo projeta a promessa de felicidade em um futuro hipotético, pois o presente nunca parece seguro o suficiente. Isso transforma a experiência em uma grande contradição. 

 

Quíron em Touro sente culpa em aproveitar a folga, torturando-se com a ideia de que deveria estar trabalhando o dobro para construir uma segurança que nunca chega. Sente-se profundamente ansioso quando tudo fica em paz, temendo que a calmaria seja apenas uma ilusão que precede o caos. Sente culpa toda vez que se alimenta bem, outro símbolo vital do signo, julgando que a estética precisa ser rígidamente preservada. E, paradoxalmente, sente culpa por não ter a estética perfeita, já que frequentemente se deleita em prazeres imediatos (como a comida) apenas para anestesiar as ansiedades crônicas em relação ao futuro.

O retorno de Quíron

Quem nasceu ao longo da última passagem desse asteróide por Touro enfrentará o chamado Retorno de Quíron, que acontece por volta dos 50 anos e meio. Estas pessoas, que agora colhem a crise pelo esforço desmedido investido em uma estabilidade inalcançável, enfrentam o burnout. São profissionais superqualificados, cercados de diplomas, mas que hoje habitam um mundo profundamente indiferente aos seus sacrifícios. Estão com medo de perder espaço de mercado para os jovens e para a nova revolução digital, as ditas Inteligências Artificiais.

 

O caminho de cura para Quíron em Touro parece simples, mas é bem doloroso. Ele exige que a pessoa pare de brigar com o próprio futuro. A chave é render-se ao momento presente, habitando o único espaço onde de fato se pode estar. É preciso aprender a usufruir de tudo o que este signo venusiano tem a oferecer: sentar-se à mesa e aproveitar o banquete, deleitar-se com o sabor do chocolate, mergulhar nos prazeres do corpo, receber o toque de uma massagem e validar a matéria. 

O momento presente é a única concretude que temos; todo o resto é ilusão. 

Ao caminhar para esse deleite, o medo, a ansiedade e a angústia serão grandes. Não faltarão argumentos pessoais e sociais para que se sinta culpado por não ter um alto rendimento ou apenas por estar “parado enquanto todos se movem”. O antídoto é se expor ao prazer, ao ócio e à ‘preguiça’, constatando que o universo não vai desabar por causa disso.

É após um mês inteiro descansando na praia que o indivíduo com Quíron em Touro finalmente descobre: não há castigo algum em querer apenas ficar confortável.

por André Bertoldo

 

As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião ou o posicionamento oficial da CNA (Central Nacional de Astrologia) e de sua Diretoria. O conteúdo visa estimular o debate e a difusão do conhecimento astrológico sob a perspectiva individual de cada colunista.

 

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A Prática da astrologia aplicada à saúde por Cecília Leite https://cnastrologia.org.br/a-pratica-da-astrologia-aplicada-a-saude-por-cecilia-leite/ https://cnastrologia.org.br/a-pratica-da-astrologia-aplicada-a-saude-por-cecilia-leite/#respond Thu, 11 Jun 2026 13:02:33 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11158 O tema da saúde, apesar de ser um dos mais antigos a ser explorado pela astrologia, é atualmente um dos mais evitados por conta das questões éticas envolvidas e da complexidade que a interpretação com essa finalidade exige. Para compreender melhor esse cenário, é preciso olhar para o que fundamenta esse tipo de leitura, e entender profundamente para o que ela se presta, em que se alicerça, quais os limites dessa ferramenta, abarcando aspectos históricos e filosóficos.

As Raízes Históricas: Da Babilônia à Universidade

Houve um tempo em que não se fazia medicina sem astrologia, essa relação é inclusive percebida na medicina hipocrática. Apesar de não haver consenso entre os historiadores que a célebre frase “O médico sem conhecimento da astrologia não tem direito de chamar-se médico” seja efetivamente de Hipócrates, o pai da medicina ocidental, é inegável que em sua prática ele utilizava conceitos como a teoria dos quatro elementos. Ele os associava a quatro humores, que eram fluidos vitais com qualidades específicas, produzidos ou concentrados em determinados órgãos, e que, quando em desequilíbrio, os adoecia. Séculos mais tarde, Galeno ampliou esse conceito, associando esses humores a traços de comportamento, dando origem à teoria dos quatro temperamentos.

Se caminharmos ainda mais para trás, vamos localizar o conceito da Melothesia já presente na antiga Babilônia. Foram encontrados tabletes de argila em escrita cuneiforme em cidades como Uruk e Sippar que revelam os primeiros registros de astro-medicina do mundo.
Nesses textos babilônicos antigos, os médicos-sacerdotes já associavam diretamente certas constelações e estrelas a dores ou doenças em partes específicas do corpo. Eles acreditavam no princípio do microcosmo (o corpo) espelhando o macrocosmo (o universo). Paralelamente, o Antigo Egito desenvolveu seu próprio sistema ligando o céu ao corpo através dos decanatos (36 estrelas que dividiam o ano egípcio). Os egípcios atribuíam uma divindade estelar para proteger ou influenciar cada uma das 36 partes do corpo humano.  Marcos Manilius (sec. I d.C.) foi o primeiro autor greco-romano a detalhar o conceito da Melothesia e, posteriormente, Ptolomeu refinou esse sistema incluindo os planetas e relacionando com os humores.

Posteriormente houve um notável desenvolvimento dessa matéria com a contribuição árabe, a tradução de muitos textos para o latim, e a institucionalização desse tema nas universidades. A astrologia médica era inclusive uma cadeira do curso superior em Universidades como Bolonha, Salamanca e Pádua.  

 

A Virada Científica e o Modelo Mecanicista

Houve então uma profunda transformação epistemológica, com um novo modelo de conhecimento baseado na racionalização, matematização, na causalidade mecânica. Como o sistema astrológico opera por simbolismo, analogia, correspondência, começou a gradativamente perder força.  A medicina, principalmente após a invenção do microscópio e a prática da dissecação anatômica, muda suas premissas, deixando de ser qualitativa e cosmológica, e tornando-se muito mais anatômica, fisiopatológica, laboratorial, baseada em evidências. A astronomia separou-se da astrologia, passou a ser considerada uma ciência, e a astrologia foi relegada ao campo do esoterismo e crenças populares.

Atualmente temos uma medicina altamente especialista e especializada, com métodos de diagnóstico muito avançados, oferecendo meios de tratamento bastante eficientes, mas que considera o organismo de maneira compartimentada, como a soma de órgãos e tecidos perdendo de vista a totalidade do indivíduo. Isso sem mencionar que ela descarta, em grande medida, outras dimensões humanas, como a esfera emocional e mental. 

 

Limites Éticos e o Cenário Legal no Brasil

Fica claro, portanto, o motivo pelo qual a astrologia atualmente não é reconhecida como uma prática válida para discorrer sobre temas relacionados à saúde. São premissas muito divergentes da concepção adotada pela ciência atual. E, a partir disso, entende-se a extrema cautela que há de se ter ao utilizá-la para não ferir preceitos éticos. 

O que já foi chamado de “Astrologia Médica” (e ainda assim o é em alguns países), no Brasil da atualidade deve ser tratado como o ramo da astrologia que estuda a saúde, evitando o termo “médica” uma vez que existem severas restrições legais para a utilização da terminologia para não induzir a população ao erro. Isso pode dificultar a prática mas não invalida sua eficiência e tampouco a contribuição que ela pode oferecer.

Para isso é fundamental que o praticante tenha muita clareza dos limites da sua atuação, tenha um sólido entendimento de suas premissas, e uma formação consistente não só nas técnicas astrológicas como em disciplinas correlatas ao tema. É desejável que ele tenha ao menos noções de anatomia, fisiologia, patologia, e esteja sempre se atualizando no assunto.

O estudo astrológico do corpo e das doenças deve ser entendido como um sistema completo em si, assim como o são a medicina tradicional chinesa e a ayurveda, que possuem sua cosmologia própria, correlações, conexões e correspondências específicas. Não se deve misturar sistemas, sob o risco de comprometê-los. Cada um deles precisa ser considerado na totalidade de suas regras e de suas premissas. Isso vale para a medicina convencional também. É um erro o praticante de astrologia querer equiparar essas duas vertentes, que como vimos partem de concepções diferentes. No máximo empresta-se termos para a facilitação do entendimento, deixando claro esse distanciamento.

A Visão Vitalista: O Corpo como Espelho da Alma

É preciso considerar ainda que a astrologia também sofreu modificações no decorrer de sua história. Em suas diversas fases, conceitos foram sendo incorporados e descartados de acordo com o pensamento vigente. Apesar deste ser um estudo antigo e persistente no tempo, ele aconteceu em diversos contextos diferentes: épocas históricas, regiões geográficas, visão de mundo e filosofia predominante muito distintas. O conhecimento foi se moldando às crenças e às descobertas de cada época. Além disso, cada astrólogo possuía seus interesses, suas pesquisas, seu grau de consciência, fazendo com que em uma mesma época houvesse visões divergentes. 

Isso tudo precisa ser considerado no estudo relativo à saúde, pois o que se tinha como verdade há dois milênios é diferente do que se encontra no contexto atual. O fundamento precisa ser respeitado indiscutivelmente, mas há de se ter cuidado com conclusões que antes pareciam ser muito certeiras, e atualmente, com os recursos que se tem (tanto de diagnóstico quanto de tratamentos disponíveis) já não são tão assertivas.

Uma coisa é certa: para se utilizar com sucesso a astrologia para essa finalidade não podemos adotar uma visão mecanicista do corpo. Para seguir as regras astrológicas é preciso ter em mente que estamos tratando de um indivíduo integral, seguindo princípios vitalistas. Lidaremos com qualidades primárias, com força vital, com a visão de que o corpo é um microcosmo do Universo.

Nesse sentido, precisamos compreender que o corpo físico é a manifestação mais densa de um ser integral. Mente, emoções, fluxo de energia vital e corpo físico estão intimamente ligados, são indissolúveis enquanto estamos vivos, portanto o que age em uma esfera impacta nas demais. Um pensamento, gera uma emoção, que causa um bloqueio (ou uma sobrecarga) nos canais de distribuição de energia do corpo e necessariamente vão impactar no funcionamento dos órgãos. Ou seja, se uma força astral atua nos pensamentos, nos sentimentos ou na vontade de alguém, por consequência o corpo físico recebe esse impacto também.

Precisamos lembrar que segundo essa visão, o corpo é uma tela de projeção daquilo que se passa em nossos corpos mais sutis, e a doença nada mais é que um sinal evidente do desequilíbrio que não pôde ser resolvido em outras esferas e uma tentativa de restaurar a harmonia ao sistema.

Pelo que foi exposto anteriormente, fica compreendido que, obviamente, o astrólogo não deve fazer nenhum tipo de diagnóstico, nem dar prognósticos e tampouco sugerir tratamentos. Isso cabe exclusivamente aos profissionais de saúde que são respaldados legalmente para essa finalidade. 

Aplicações Práticas: Onde a Astrologia Pode Contribuir?

Qual seria então o interesse em se utilizar dessa ferramenta?

São várias as possibilidades de se obter benefícios sem ultrapassar nenhum limite ético. Podemos começar considerando que a astrologia pode dar um retrato bastante fidedigno da configuração física e energética do indivíduo, e assim sugerir áreas e sistemas mais vulneráveis, o tipo de doença possivelmente mais recorrente, bem como o mecanismo de defesa do corpo, tendências e predisposições, aquilo que pode facilitar os caminhos de cura e o que pode dificultá-los. Adotando o princípio vitalista, vai indicar as dinâmicas internas do organismo, mostrando potenciais excessos de calor (ou de frio), de secura (ou umidade), de tensão ou relaxamento).

O mapa indica a característica única de cada indivíduo, oferecendo uma leitura simbólica do modo particular pelo qual ele vivencia desequilíbrios físicos e emocionais, bem como sua remissão. Isso é um grande diferencial com relação à medicina tradicional. Quem tem dois ou mais filhos, por exemplo, pode constatar que muitas vezes uma mesma virose se manifesta de maneiras distintas em cada um deles. Um tem uma febre muito alta, sintomas agudos, mas rapidamente se reestabelece. O outro não tem um pico de febre, mas fica prostrado, demora muito mais tempo para se recuperar, muitas vezes fica com muco ou tosse persistente depois. Trata-se do mesmo vírus, e normalmente do mesmo tratamento (uma vez que o médico receita a mesma coisa para os dois), mas cada um tem seu próprio mecanismo de adoecer e de se curar. O motivo pelo qual isso acontece fica claro através da análise de cada carta natal.

Quando se respeita a particularidade de cada indivíduo, compreende-se que nem sempre as indicações serão exatamente as mesmas. Para uns, sono é remédio, para outros é letargia. Alguns precisam de atividade física mais frequente e intensa, outros exaurem sua energia se tentarem ter o mesmo ritmo. Algumas pessoas precisam de doses altas e consistentes de remédios ou suplementos para obter benefícios, outras se intoxicam e tem efeitos colaterais com a mesma dose. O mapa astrológico natal individual pode ajudar imensamente nesse sentido.

Um outro benefício dessa ferramenta é mostrar a possível origem do desequilíbrio, pois nem sempre o problema se manifesta onde está localizada a causa. Frequentemente nos deparamos com questões de pele cuja origem é o intestino, intolerâncias alimentares, vermes. A pessoa passa anos tratando topicamente com corticoide sem desconfiar que uma alteração na dieta, ou tratamento parasitológico resolveria o problema. Existem correlações mais escondidas e sofisticadas, que em muitos casos o mapa pode mostrar: problemas cardíacos decorrentes de disfunção tireoidiana, pés inchados por questões nos rins, acne por desequilíbrio hormonal, entre outras muitas possibilidades.

Se alguém tem dor de cabeça e procura um atendimento médico convencional, receberá a prescrição de um analgésico, talvez de um anti-inflamatório e, somente se o atendimento for muito diferenciado, talvez saia com a indicação de procurar algum outro profissional para investigar uma possível causa. O praticante de astrologia que domine o tema da saúde, poderá através da carta natal desse indivíduo perceber se há indícios de essa dor de cabeça acontecer em decorrência de problema no fígado, no intestino, na visão, por desidratação, ou eventualmente uma cefaleia tensional; verificar-se-á qual a área que eventualmente mereça ser mais detidamente investigada. Assim, ele poderá orientar a pessoa a procurar ajuda especializada e isso pode encurtar bastante o caminho de sua melhora.

O ideal é que se trabalhe sempre em parceria com o médico ou profissional de saúde, nunca tentando sobrepujá-lo ou desautorizando-o.  Atualmente existem alguns profissionais que dão abertura para esse tipo de conversa, que pode em muito beneficiar o paciente. O astrólogo deve deixar sempre muito explícito que a autoridade para falar da saúde do paciente é o médico e que ele pode ajudar somente a trazer certa luz para aspectos que podem estar sendo negligenciados. 

Astrologia Preditiva e Eletiva: Cuidados Necessários

A astrologia pode ajudar também a antever certos ciclos que podem ser mais desafiadores para alguma fragilidade que a pessoa já possua, permitindo assim que se tenha uma postura proativa para lidar com a situação. Utilizando-se de técnicas preditivas como trânsitos, progressões, revolução solar, ciclos planetários, eclipses, sempre em conjunto e em referência à carta natal, podem-se delinear períodos em que seja interessante sugerir alguma ação para a pessoa, por exemplo que ela procure um dentista, ou outro especialista, comece práticas corporais, cuide especialmente da dieta, atente-se para sua imunidade, entre outras. 

Aqui é necessário fazer uma ressalva sobre a maneira de se fazer isso, pois a ética não somente diz respeito ao que falar, mas também ao como colocar. De maneira nenhuma deve-se adotar um tom alarmista ou fatalista, uma vez que as tendências indicadas na carta, em sua maioria, possuem grande chance de não se tornarem efetivamente patologias. 

Nesse sentido, nunca se deve fazer uma leitura para analisar os potenciais problemas de saúde de alguém. A lista seria imensa. Isso causaria pânico, e em pessoas mais sugestionáveis poderia servir de gatilho para ansiedade e muitas vezes até desencadear questões que de outra forma nem apareceriam. Sabemos que estados mentais e emocionais podem impactar profundamente a experiência subjetiva do adoecimento. O astrólogo precisa ter consciência daquilo que está incentivando e perceber que uma palavra mal colocada pode gerar um estrago de grande alcance. 

Outra maneira de se utilizar esse conhecimento é a astrologia eletiva, que escolhe os melhores momentos para determinado evento. É preciso salientar que ela só deve ser utilizada para procedimentos que sejam efetivamente elegíveis, ou seja, que não exista nenhuma restrição médica ou orientação específica de um profissional envolvido na questão. Ela se presta perfeitamente para procedimentos estéticos, tratamentos dentários em que não haja urgência, inoculações, vacinas, exames e procedimentos de rotina, inclusive os mais invasivos. Entretanto, sempre a opinião médica deve prevalecer. Aqui também o astrólogo deve ter imensa cautela ao agir, porque além de haver limitações na disponibilidade das datas por diversas razões, muitas vezes ocorrem imprevistos como atrasos médicos, problemas de liberação do convênio, questões de infraestrutura hospitalar, e o momento sugerido não pode ser cumprido. Isso gera imensa ansiedade no indivíduo, que frequentemente fica pessimista e assustado. O astrólogo precisa ter ele próprio a noção de que nem tudo está sob seu controle, nem no do seu cliente, e que as coisas acontecem da maneira que tem que acontecer. A escolha do momento não é uma garantia de que tudo vai transcorrer bem, assim como fazer o procedimento em uma hora dita inadequada também não é um indicativo de que as coisas não vão dar certo.

A Conexão Psicossomática e o Autocuidado

Uma das maiores contribuições que a astrologia pode dar na esfera da saúde, é indicando possíveis relações com o campo psíquico. A interpretação de uma carta pode se dar em diversos níveis desde os traços mentais, passando pelo emocional, pela distribuição do fluxo vital até o funcionamento dos órgãos ou estado dos tecidos, e todos essas camadas estão interligadas. A astrologia lida com símbolos e um mesmo aspecto pode indicar algo que se passa em qualquer uma dessas instâncias, ou até mesmo em todas elas. Isso permite com que possamos localizar questões emocionais que estão no fundo de alguma patologia já manifestada no físico, e até mesmo indicar pessoas ou situações que estejam envolvidas direta ou indiretamente com o desequilíbrio. Ou seja, é possível auxiliar tentando trazer à luz aspectos negligenciados que podem estar associados à doença. Isso é muito útil por exemplo em estudos ligados à fertilidade, em que normalmente consegue-se ajudar mais evidenciando-se conflitos que estejam causando a dificuldade de engravidar do que simplesmente buscando encontrar períodos mais férteis.

Aqui vale a ressalva de que é extremamente necessário que se evite a qualquer custo o impulso de querer dar justificativas para a doença, ou tentar fazer correlações imediatas e rasas, o que não ajuda e muitas vezes piora o estado mental da pessoa. Jamais deve-se atribuir culpas a própria pessoa ou a alguém de suas relações pelas doenças que ela porventura apresente. Discursos prontos que ligam uma determinada emoção a uma condição física também não funcionam. Cada mapa é único. É preciso saber investigar todas as suas particularidades

Por fim, para além das considerações éticas que são comuns aos diversos ramos interpretativos da astrologia, é necessário que se redobre a atenção quando o tema é saúde, não somente pelas questões legais envolvidas, mas porque de fato um equívoco ou uma falta de habilidade na maneira de se expressar pode causar um dano irreparável. É muito sério isso, e uma interpretação equivocada pode acabar descredibilizando uma ferramenta que poderia contribuir em muitas circunstâncias.

Esse é um campo que pode ser explorado pelo praticante de astrologia para uso próprio, sem que necessariamente ele o utilize em seus atendimentos. Compreender os ciclos planetários em seu próprio corpo, observando as suas mudanças físicas e psíquicas ainda que sutis, tem um imenso valor. O movimento da Lua, por suas fases e trânsito nos signos, já pode trazer inúmeras revelações. Perceber padrões, tais como dias em que se está com mais sono, mais disposição, mais constipada, retendo mais líquido, cefaleias, tipo de sonho, de acordo com o posicionamento lunar, traz imensa clareza acerca das dinâmicas internas e pode colaborar para que se tenha uma rotina muito mais alinhada com o que o corpo pede. Isso por si só já contribui com a boa saúde.

O Protagonismo da Própria Saúde

Estamos em um momento em que apesar dos avanços indiscutíveis da medicina, paradoxalmente temos uma qualidade duvidosa de muitos profissionais, de formação questionável, fenômeno que também acontece com as terapias complementares em que muitos praticantes não são habilitados adequadamente. Nesse cenário é muito desejável que o indivíduo possa assumir um protagonismo no tocante a sua saúde, tendo discernimento suficiente para saber encontrar um profissional confiável, questioná-lo, ser capaz de saber como funciona seu corpo, aquilo que lhe faz bem, o que deve ser evitado, em que momento é preciso pedir ajuda. A astrologia é uma ferramenta poderosíssima nesse sentido, quando é conduzida com seriedade.

Para aqueles que se interessam pelo tema, e até mesmo já o praticam, considero importante finalizar com uma ressalva: precisamos reconhecer com humildade que não teremos todas as respostas, e que existem caminhos que nos são desconhecidos, pois existe um mistério maior que está além das técnicas. Nunca podemos assegurar o desfecho de uma doença, por mais indícios que possa haver em uma determinada direção. É tolice e irresponsabilidade tentar dar vereditos certeiros, ter precisão milimétrica. Essa é uma armadilha que muitos caem, seja na tentativa de corresponder aos anseios do consulente, de se autoafirmar, ou de mostrar competência. É importante deixar a vaidade de lado e com lucidez e franqueza admitir os limites. Sempre há espaço para o imponderável.

 

por Cecilia de Toledo F Leite, engenheira civil formada pela USP, com formação livre em naturopatia, Hatha Yoga, fitoterapia. Astróloga com especialização em Astrologia Psicológica pelo CEAP e certificação em Medical Astrology por Judith Hill. Autora de três livros: A Lua, as Deusas e Você, Saúde através da Astrologia e Os Quatro Livros da Lua, todos publicados pela Ogma Books. Professora da Escola Regulus de Astrologia.

@astroseervas  contato@astroseervas.com.br

 

 

 

As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião ou o posicionamento oficial da CNA (Central Nacional de Astrologia) e de sua Diretoria. O conteúdo visa estimular o debate e a difusão do conhecimento astrológico sob a perspectiva individual de cada colunista.
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Astrocartografia e o poder de girar o mapa astral para a sua versão favorita – Por Carol Pereira https://cnastrologia.org.br/astrocartografia-e-o-poder-de-girar-o-mapa-astral-para-a-sua-versao-favorita-por-carol-pereira/ https://cnastrologia.org.br/astrocartografia-e-o-poder-de-girar-o-mapa-astral-para-a-sua-versao-favorita-por-carol-pereira/#comments Wed, 03 Jun 2026 14:53:15 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11150 Todo astrólogo já viveu isso. Uma cliente com trígonos bonitos, Júpiter bem aspectado por trânsitos, Vênus no signo de sua dignidade e ainda assim uma vida que parece se mover em câmera lenta. Uma cliente ansiando por mudanças de vida, transição de carreira, engravidar ou se separar. As promessas do mapa natal existem, mas não se realizam plenamente, e nossa cliente procura respostas. Há algo que a pessoa quer ativar, ainda que o mapa informe aquela potência. 

Na Astrocartografia, a mira e a ferramenta de ativação são a localização. Achar o lugar no mundo é achar quem se quer ser naquele momento da vida. A Astrocartografia, ou ACG para os íntimos, parte de uma premissa que uma vez compreendida, reorganiza completamente a forma como lemos um mapa: o mapa natal como potencial e mutável. A geografia é o ativador, já que nos movendo pelo mundo, mexemos no nosso ponto de vista sob o céu. E a astrocartografia é a liberdade de escolher isso. O que não está angular no nascimento pode ganhar toda a sua força em outro ponto do planeta para o bem e para desafiar. Muitas vezes trazendo respostas sobre aquele destino que suas expectativas eram super altas e foi um perrengue enorme ou o contrário. Uma viagem para um lugar que ninguém amaria e para aquela pessoa o lugar parece ser o destino em que a alma daquela pessoa se encaixa. 

Esta não é uma técnica de atendimento rápido. É uma das ferramentas mais complexas, refinadas e reveladoras que a astrologia oferece. Até para quem não tem possibilidade de viajar naquele momento, ou já voltou de uma viagem e quer entendê-la. Dar a liberdade para se ser quem se é é como fazer a profundíssima pergunta: Quem você quer ser, já que pode escolher? 

A Origem da Técnica: De Jim Lewis aos Softwares

A técnica foi desenvolvida e patenteada pelo astrólogo norte-americano Jim Lewis (1941–1995) a partir dos anos 1960, sob influência direta dos astrólogos sideralistas Cyril Fagin e Donald Bradley que já cartografavam linhas planetárias para fins de astrologia mundana, mostrando onde os planetas nasciam, culminavam e se punham sobre o globo. Jim idealizou e transpôs esse sistema para um software, formalizando o método adaptado a cartografia computadorizada e as linhas de forma que é possível ver num mapa mundi aberto a localização onde essas linhas ficam angularizadas no mapa astral. Isso tornou esse sistema bastante palatável visualmente fazendo os atendimentos aos poucos se tornarem bastante atraentes, gerando muita curiosidade principalmente em quem já ama viajar e tudo que quer é um motivo. Existe motivação melhor do que virar uma versão melhor de você mesma? 

A vida de Lewis acabou virando um estudo de caso e possível aplicabilidade da técnica, já que na década de 1990 foi atropelado em Sydney, na Austrália, exatamente onde Marte cruzava seu ascendente no mapa astrocartográfico. Não como metáfora. Como informação que corrobora que uma linha marciana nos conecta com uma maior vulnerabilidade para acidentes. Não sendo isso obviamente uma regra ou uma sentença escrita, mas uma informação para quem a conhece, se colocar no menor risco possível nessa localização. Ao mesmo tempo é uma linha de muita disposição física, sendo muitas vezes indicada para atletas, pessoas que estão passando por momentos mais melancólicos ou que precisam recuperar a vitalidade por alguma razão. Não existe linha boa ou ruim. Existem linhas que se adequam aquela pessoa, naquele momento de vida e tendo aquele mapa natal que ela tem. 

Como funciona na prática:  

O que o mapa astrocartográfico faz, visualmente, é pegar o seu mapa natal e projetá-lo sobre o planisfério. O resultado são linhas, algumas verticais, outras em curvas, que percorrem o globo de ponta a ponta, cada uma identificada com um planeta e um ângulo. E é aí que a mágica e a responsabilidade da leitura se encontram. Isso traz uma espécie de sensação de cardápio no atendimento e é visível como as pessoas ficam deslumbradas ao ver o globo terrestre literalmente como um mundo de possibilidades. 

Cada planeta pode cruzar quatro tipos de linha: Ascendente (ASC), Descendente (DC), Meio do Céu (MC) e Fundo do Céu (FC). E o ângulo onde ele cai muda completamente a forma como aquela energia vai se expressar na vida da pessoa naquele lugar. 

  • No Ascendente, o planeta age de dentro para fora. Ele entra na sua identidade, na forma como você aparece e é percebida. Uma cliente com Vênus numa casa cadente no natal discreta, nem sempre reconhecida pela sua beleza ou afeto pode chegar em Lisboa, onde teria essa Vênus no ascendente, e simplesmente florir. O ambiente conspira a seu favor. Ela se torna magnética sem fazer esforço. A linha ASC ativa o que o mapa natal guardava porque o planeta não tem tanta ênfase. 
  • No Meio do Céu, a expressão é pública e pode ser institucional. O planeta se impõe através do ambiente, das regras do lugar, da cultura local. Saturno no MC exige protocolo e quem ignora os costumes locais paga um preço reputacional que não pagaria em outro lugar. Júpiter no MC abre portas com uma facilidade que parece absurda quando a pessoa nunca teve essa sensação: reconhecimento, visibilidade, o lugar te recebe com generosidade. 
  • No Descendente, o planeta é ativado pela ação do outro. Ele não é sobre você. Ele chega até você e te afeta. Pessoas, situações e circunstâncias que carregam aquela natureza planetária aparecem. Vênus no DC é o afeto que se apresenta sem ser chamado, além de todo mundo daquele lugar lhe parecer lindo e atraente. Aqui a frase “São seus olhos”é literal. Saturno no DC são os parceiros exigentes, os contratos sérios, as relações que cobram comprometimento. 
  • No Fundo do Céu, o planeta ativa um sentimento de ninho. É a linha do pertencimento, da segurança visceral, do que parece familiar mesmo sendo novo. Lua no FC e a pessoa se sente em casa antes mesmo de desempacotar a mala. É o lugar que a alma reconhece. E normalmente esses sentimentos já começam na organização da viagem. 

 

Cruzamentos de Linhas e a Ciclocartografia

A  complexidade aumenta e a leitura fica mais rica quando duas linhas de planetas diferentes se cruzam num mesmo ponto do mapa. Esses cruzamentos têm uma linguagem própria, que segue a mesma lógica dos aspectos que conhecemos no natal, mas na Astrocartografia se denominam parans. Sol e Júpiter cruzados são territórios de expansão, prosperidade e visibilidade. Um lugar para lançamentos, para ser visto, para atrair figuras de influência. Sol e Saturno são mais austeros: pedem esforço real, mas entregam reconhecimento genuíno diferente do aspecto natal, onde muitas vezes o esforço existe e ninguém enxerga. No cruzamento astrocartográfico, o comprometimento é visto e respeitado. Vênus e Netuno em tensão cruzados num ângulo criam uma atmosfera encantadora e potencialmente ilusória. É o lugar das relações que parecem um sonho e às vezes são. Não é onde se assina contrato ou se compra imóvel. Marte e Plutão juntos sinalizam regiões de maior vulnerabilidade a conflito, violência ou situações de risco, a informação não é para paralisar, é para respeitar. 

A Ciclocartografia na prática reforça argumentos sobre ser um momento ideal ou não para aquela viagem com aquela intenção acontecer. Ela também traz um maior senso de exclusividade para cada viagem para pessoas que por algum motivo viajem repetidamente para o mesmo destino a trabalho ou por motivos pessoais. Não precisamos viajar para ativar! E aqui fica um dos pontos que mais surpreende quem conhece a técnica pela primeira vez: você não precisa necessariamente embarcar para sentir a influência de uma linha. Estudar o idioma daquele país, frequentar a culinária, fazer negócios com pessoas daquela cultura, se aprofundar na arte ou na música que vem dali! Tudo isso começa a ativar a energia da linha de onde você está. O contato é o portal. A geografia não exige passagem aérea! Exige intenção e aproximação. E o nome disso é ativação remota

Existem hoje inclusive muitas ferramentas e apps que facilitam muito a nossa vida ao ajudar os clientes com dicas de conexão a uma cultura local desde Google Earth a Pinterest para ter imagens como fundo de tela. Muitas ferramentas hoje fazem fotos suas no lugar, mas a melhor que conheço hoje (2026) é o Gemini, mas talvez existam outras melhores ainda.

O que a ACG não faz:

Por fim, o que talvez seja o mais importante de dizer: a Astrocartografia não reescreve o mapa natal. Ela expande as possibilidades de um mapa que já existe e é imutável e soberano. Uma linha de Vênus AC não apaga tensões natais não resolvidas, até porque como eu sempre falo, o mapa viaja junto, o que significa que: ainda que o mapa gire porque nós estamos girando pelo mundo, nossos aspectos vão sempre juntos com a gente. O que podemos fazer é acender ou apagar a luz sobre esses aspectos dependendo da vontade e oportunidade. Por isso a leitura precisa sempre do mapa natal como fundamento. 

A ACG sem a interpretação do mapa natal é tirar o protagonismo da pessoa que vai viajar! Simplesmente não vai ser efetiva e nem ajudar de fato. A pergunta que a Astrocartografia responde não é “Quem sou eu?”. É “onde eu sou mais plenamente eu?”. Às vezes revela inclusive, quem você ainda não sabia que poderia ser. E isso é emocionante de assistir!  

 

Carol Pereira é astrocartógrafa desde 2021 formada pela Continuum Foundation – Fundação sem fins lucrativos vinculada ao Astro*Carto*Graphy Living Trust , que preserva o legado de Jim Lewis e cataloga mais de 20 títulos relacionados à sua obra, além de formar profissionais por todo o globo terrestre

 

 

As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião ou o posicionamento oficial da CNA (Central Nacional de Astrologia) e de sua Diretoria. O conteúdo visa estimular o debate e a difusão do conhecimento astrológico sob a perspectiva individual de cada colunista.

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Trânsitos de Júpiter e Mercúrio Retrógrado nas Copas por Guilherme Salviano https://cnastrologia.org.br/ransitos-de-jupiter-e-mercurio-retrogrado-nas-copas-por-guilherme-salviano/ https://cnastrologia.org.br/ransitos-de-jupiter-e-mercurio-retrogrado-nas-copas-por-guilherme-salviano/#respond Wed, 27 May 2026 14:20:31 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11130 Quase todas as copas ocorreram com Júpiter ou em Câncer, Libra, Escorpião e Peixes. Uma exceção foi 2010 quando Júpiter estava em Áries e tivemos uma campeã inédita, a Espanha. A outra será esta, de 2026, em sua reta final. Teremos a reincidência da Copa iniciando com Júpiter em Câncer, mas com Júpiter em Leão já após a primeira fase.

Com Júpiter em Câncer, as copas foram em 1930, 1954, 1966, 1978, 1990, 2002 e 2014. Quem mais venceu e chegou a finais nesses anos foi a Alemanha — que em cinco finais ganhou três —, seguida da Argentina, em quatro finais, que ganhou uma, em 1978. Além de ter sido a única copa da Inglaterra, a última ganha pelo Brasil em 2002 e a primeira do Uruguai.

Aliás, duas copas com Júpiter em Câncer tiveram Alemanha e Argentina na final, em 1990 e 2014. Ambas vencidas pela Alemanha. 

 

Argentina e Alemanha

 

Das campeãs reincidentes com Júpiter em Câncer, considero a Argentina uma favorita por apresentar melhor futebol atualmente do que Brasil, Inglaterra, Alemanha e Uruguai. Vale ressaltar que no contexto atual de 2026, a Alemanha não apresenta futebol para favoritismo como em outros anos, mas há indício astrológico para surpreender, embora o astrólogo não acredite.

Portugal e Holanda

Sobre a final com Júpiter em Leão, será um trânsito inédito e que pode favorecer seleção potencial para conquista inédita como Portugal e Holanda. Em 2010, na única vez que uma copa variou a posição dos quatro signos mais comuns, foi quando ingressou em Áries e a Espanha foi campeã. 

França e sua conquista com Júpiter em Leão

Apesar de não ter se tratado de uma Copa do Mundo, a única grande competição de futebol masculino com Júpiter em Leão na história recente foi a Copa das Confederações da FIFA em 2003, onde as seleções campeãs de continentes se enfrentavam, vencida pela França, que é minha principal favorita — não apenas por isso, mas pela fase e o contexto de seu grande momento nos últimos 8 anos em finais.

Espanha

A Espanha é minha segunda favorita. Se vencer, não será inédita (ganhou a Copa em 2010). Atribui pela imensa gama de jovens talentos individuais e quatro deles com Sol em Câncer: Merino, Rodri, Victor Munoz, Nico Williams e o candidato a craque da copa Lamine Yamal. Os três últimos com Júpiter em trânsito ao Sol em parte da copa. 

O Brasil de Ancelotti

O Brasil é a única seleção campeã em quase todos os ciclos de Júpiter de copas (com ele em Câncer, Libra, Escorpião e Peixes), menos o de Áries, que só houve em 2010. Nossa última copa ganha foi com Júpiter em Câncer, mas todos os principais vexames também foram, como 1966 na primeira fase, 1990 quando caiu na segunda fase e o 7 a 1 diante da Alemanha em 2014.

Quanto a Carlo Ancelotti, no primeiro dos títulos da Champions League europeia do técnico italiano, Júpiter estava em Leão quando foi campeão pelo Milan em 2003, signo que tem stellium. Em 2014, pelo Real Madrid, novamente com Júpiter em Câncer em sua casa 10 — o primeiro dos três que venceu pela equipe espanhola.

Com tudo isso, este astrólogo não considera o Brasil favorito.

Mercúrio retrógrado nas Finais

Em 2026 a final da copa será com Mercúrio retrógrado, fato ocorrido em 1954, 1962, 1966, 1974 e 2006. Em todas ocorreram viradas e duas empatadas – 1966 e 2006 –, com prorrogação e pênaltis na de 2006, onde Inglaterra (em 1966) e Itália (2006) que começaram perdendo foram campeãs.  

 

Por Guilherme Salviano, astrólogo desde 1993,com atendimentos pessoais, aulas e mentoria, formado pela Escola GEA.

 

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Era Jung Astrólogo? – por Deborah Jean Worthington https://cnastrologia.org.br/era-jung-astrologo-por-deborah-jean-worthington/ https://cnastrologia.org.br/era-jung-astrologo-por-deborah-jean-worthington/#respond Wed, 13 May 2026 17:17:04 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11112 Em seus textos Jung faz várias alusões à Astrologia e muito se tem perguntado qual era seu envolvimento com esse saber. Como parte do trabalho de desenvolvimento de minha dissertação para a pós-graduação em Psicologia Junguiana pelo IJEP, desenvolvi pesquisa levantando textos que pudessem indicar não só o início de seu envolvimento com a Astrologia, como também o domínio de seu conteúdo e profundidade; tratando-se aqui de uma revisão bibliográfica.

Afinal, era Jung Astrólogo? A primeira alusão que identifiquei foi uma carta de Jung a Freud em maio de 1911:

No momento incursiono pela Astrologia, que se revela indispensável para a perfeita compreensão da mitologia. Há coisas realmente maravilhosas e estranhas nesses domínios obscuros. As plagas são infinitas, mas não se preocupe, por favor, com minhas erráticas explorações. Hei de, em meu regresso, trazer um rico despojo para o conhecimento da alma humana. Por longo tempo ainda tenho de me intoxicar de perfumes mágicos a fim de perscrutar os segredos que se ocultam nas profundezas do inconsciente.

Ao que Freud respondeu:

Sei que é uma legitima inclinação interior que o leva ao estudo do oculto e não duvido que, em seu regresso, o senhor venha coberto de riquezas. Contra isso não há nada a fazer, pois quem obedece à concatenação dos próprios impulsos sempre acerta. A fama já criada por seu Dementia há de mantê-lo por algum tempo impune à pecha de ‘místico’. É bom, porém, que não se demore nas colônias tropicais, pois o senhor tem de governar a casa.

(Correspondência completa de Sigmund Freud e Carl G. Jung – Rio de Janeiro; Imago Edit. 1993). Em 12 de Junho do mesmo ano, em extensa correspondência, em certo trecho escreve: Prezado Professor Freud,

… minhas noites são, em grande parte, tomadas pela Astrologia. Faço cálculos, com horóscopos a fim de encontrar pistas que me conduzam ao âmago da verdade psicológica. Há coisas notáveis que certamente não lhe parecerão dignas de crédito. O cálculo da posição dos astros, no caso de uma senhora, indicou um quadro caracterológico perfeitamente definido, com numerosos detalhes biográficos que, todavia, não se aplicavam a ela, mas à mãe dela, a quem as características assetavam como uma luva. E a senhora em questão, sofre de um extraordinário complexo de mãe” … “Atrevo-me a dizer que a Astrologia se poderá ainda descobrir um dia uma boa parcela de conhecimento que foi intuitivamente projetada nos céus. Há indícios, por exemplo, de que os signos do zodíaco são imagens caracterológicas ou, em outras palavras, símbolos libidinais que representam as qualidades da libido num determinado momento … Cordialmente, Jung.

Evidências da pesquisa desenvolvida por Liz Greene no arquivo particular de seus descendentes e apresentado em parte no Seminário: ASTROLOGIA DE JUNG E A JORNADA PLANETÁRIA DO LIVRO VERMELHO, pode indicar o que se deu antes, e que ele tomou aulas por correspondência com Max Hendel, (ex-participante da Sociedade Teosófica, conterrâneo de Rudolf Steiner (criador do movimento Antropósófico) e fundador nos USA de um dos braços do movimento Rosacruz). Isso pode também explicar a desenvoltura de Jung com esses temas. “Obviamente, a Astrologia oferece muito para a Psicologia, mas aquilo que esta última pode oferecer à sua irmã mais velha é menos óbvio” Comentário de Carl Gustav Jung em The Secret of the Golden Flower.

…Pessoas, cuja instrução deixa a desejar, acharam que poderiam até hoje, zombar da Astrologia, considerando-a uma pseudociência, há tempos liquidada. A Astrologia vem, ressurgindo das profundezas da alma popular, e apresenta-se hoje, às portas de nossas universidades, que ela deixou há três séculos.

Carl Gustav Jung in “Seelenprobleme der Gegenwart” (“Problemas contemporâneos da Alma”), pg. 241 Em carta de dezembro de 1928, JUNG escreve, para L. Oswald, que assistiu sua palestra em Zurique em novembro:

… você está certíssimo em supor que considero a Astrologia entre aqueles movimentos que, como a Teosofia, procura aplacar uma sede irracional de conhecimento, mas, na verdade, leva-nos a um desvio. A astrologia está batendo nas portas de nossas universidades: um professor de Tübigen desenvolve um curso de Astrologia que foi dado na Universidade de Cardiff no ano passado. Astrologia não é mera superstição e contém alguns fatos psicológicos (como a teosofia), que é de importância considerável. Em verdade, a astrologia realmente não tem a ver apenas com as estrelas, mas é a psicologia de mais de 5000 anos, da antigüidade e da idade média. Infelizmente não posso explicar ou provar isso em uma carta…

(JUNG, C.G. – Letters vol 1 1906 – 1950; USA Princeton University Press – 1973). Para o eminente Astrólogo André Barbault, Jung escreve:

Existem muitos exemplos de notáveis analogias entre constelações astrológicas e eventos psicológicos ou entre o horóscopo e a disposição geral do caráter. É até mesmo possível prever até certo ponto, o efeito físico de um trânsito astrológico. Podemos esperar, com considerável certeza, que uma determinada situação psicológica bem definida seja acompanhada por uma configuração astrológica análoga. A astrologia consiste de configurações simbólicas do inconsciente coletivo, que é o assunto principal da psicologia; os planetas são deuses, símbolos dos poderes do inconsciente.

Quanto a B.V.Raman, Astrólogo que introduziu a Astrologia Védica no ocidente, ocorre algo curioso. B.V. Raman além de viajar intensamente dando cursos e palestras, publicava um newsletter que era comercializado. Sem saber que Jung era um de seus assinantes, envia um exemplar e pergunta qual a sua opinião sobre astrologia, ao que Jung responde:

Se você quer saber minha opinião sobre astrologia, eu posso te dizer que tenho me interessado por esta atividade especial da mente humana há mais de 30 anos. Como eu sou um psicólogo, me interesso principalmente pela luz especial que o horóscopo lança em certas complicações do caráter. Em casos de difícil diagnóstico psicológico, eu normalmente obtenho um horóscopo para ter uma perspectiva mais profunda, de um ângulo totalmente diferente. Devo dizer que, muito frequentemente, descobri que os dados astrológicos elucidaram certos pontos que eu, de outra forma, teria sido incapaz de compreender. De tais experiências formei a opinião de que a astrologia é de particular interesse para o psicólogo, uma vez que contém um tipo de experiência psicológica que chamamos projetadas – isso significa que encontramos os fatos psicológicos como se estivessem nas constelações.

Trecho de uma carta que Carl G. Jung escreveu para o astrólogo hindu, B.V. Raman.

Ao estudar astrologia, apliquei isso em casos concretos muitas vezes. … O experimento é mais sugestivo para uma mente versátil, pouco confiável nas mãos do pouco imaginativo e perigoso nas mãos de um tolo, como sempre são esses métodos intuitivos. Se usado de forma inteligente, a experiência é útil nos casos em que é uma questão de estrutura opaca. Muitas vezes, fornece informações surpreendentes. O limite mais definido do experimento é a falta de inteligência e literalidade do observador. … Sem dúvida, a astrologia hoje está florescendo como nunca antes no passado, mas ainda é explorada de forma insatisfatória apesar do uso muito frequente. É uma ferramenta apropriada somente quando usada de forma inteligente. Não é de todo infeliz e, quando usado por uma mente racional e estreita, é um incômodo definitivo.
C. G. Jung: Cartas, volume 2, 1951-1961, páginas 463-464, carta a Robert L. Kroon, 15 de novembro de 1958.

Anos depois, James Hillman registrou o seguinte depoimento:

Seu poder emocionalmente atraente me atingiu há cerca de 45 anos em Zurique quando elaborei meu primeiro mapa, embora eu já tivesse aprendido os símbolos e glifos sozinho antes disso. Tal convicção veio com aquela primeira leitura astrológica. Este interesse permanente, esse fascínio, esse amor, nunca me deixou … A astrologia forma uma de minhas linguagens básicas para a reflexão psicológica.

Jung declara em certo momento:

A verdade é que a astrologia floresce como nunca antes. Existe uma biblioteca regular de livros e revistas astrológicas que vendem muito melhor do que os melhores trabalhos científicos. Os europeus e os americanos têm horóscopos lançados para eles que podem ser contados não pelos cem mil, mas pelo milhão. A astrologia é uma indústria florescente. … se uma percentagem tão grande da população tem uma necessidade insaciável, podemos ter certeza de que a psique coletiva em cada indivíduo tem esse requisito psicológico em grau igualmente alto. Um certo tipo de ceticismo e crítica ‘científica’ em nosso tempo, não é mais que uma compensação equivocada dos poderosos e profundos impulsos supersticiosos da psique coletiva.
CG. Jung, Dois ensaios sobre psicologia analítica.

De acordo com a biografia desenvolvida por Deirdre Bair sobre Jung, foram as palestras de W. Pauli de 1948 no Clube de Psicologia de Zurique – “A Influência das Idéias Arquetípicas sobre as Teorias Científicas de Kepler” – que levaram Jung a escrever seu trabalho Synchronicity An Acausal Connecting Principle que incluíram as experiências astrológicas de Jung. As palestras de Pauli e o ensaio de Jung foram originalmente publicados juntos como um livro em 1952 : “The Interpretation of Nature and the Psyche”. No prefácio de seu livro “Sincronicidade”, lemos:

ao realizar este meu trabalho, tive o interesse e o apoio decidido de uma série de personalidades que são mencionadas no decorrer do texto. Aqui gostaria de expressar meu particular agradecimento à Dra. L. Frey-Rohn, pela dedicação com que providenciou o material astrológico.

Agosto de 1950. C.G. JUNG. É também interessante notar que sua filha Bret Baumann-Jung foi proeminente Astróloga na Suíça, tendo colaborado estreitamente com seu pai não só em seu trabalho Sincronicidade, mas também elaborando a partir de certa idade, os mapas dos clientes. Outro aspecto importante é o desenvolvimento do conceito de arquétipo, aplicado pelo antropólogo Joseph Campbell e compartilhado com Jung. Em recente palestra proferida por Bob Walter, presidente da Joseph Campbell Foundation, perguntei como se deu o contato entre os dois. Segundo Bob, Joseph Campbell ficou interessado e compareceu ao Círculo de Eranos. O Círculo de Eranos é um marco na história do pensamento humano no que tange a produção científica de textos fenomenológicos e antropológicos. Este seleto grupo de eméritos pesquisadores das áreas da ciência da religião, psicologia, história da religião, mitologia e fenomenologia, se reunia no Lago Maggiore, em Ascona, Suíça. Este círculo de pensadores que se reuniram a partir de 1933, visavam tratar dos estudos promovidos por suas áreas da ciência acerca do tema espiritualidade, um verdadeiro banquete intelectual que reuniu diversas personalidades, dentre elas Carl Gustav Jung, representantes das chamadas Escolas de Psicologia Profunda, História Comparada e da Religião, Epistemologia, Folclore, entre outros. O círculo também tinha como meta a aproximação epistemológica dos vários ramos do estudo do sagrado. Joseph Campbell compareceu incógnito como ouvinte, mas logo foi identificado por Emma, esposa de Jung que o convidou para um chá da tarde em sua residência. Jung chega em casa e é apresentado à Joseph e Emma sugere que seria fenomenal uma palestra, contribuição de Joseph Campbell no encontro de Eranos no próximo ano, ao qual Joseph Campbell compareceu então como convidado. Nessas duas oportunidades Campbell e Jung conversaram longamente sobre o que se tornou um dos pilares da psicologia Junguiana A seguir a título de exemplo, alguns trechos de trabalhos de Jung que empregam diretamente Astrologia. Em Sincronicidade, lemos:

Desde a Antiguidade a correspondência mitológica, astrológica e alquímica tradicional neste sentido é a coniunctio solis et Lunae, a relação amorosa entre Marte ( E ) e Vênus ( D ), assim como as relações desses astros com o Ascendente e com o Descendente. Esta relação deve ter sido introduzida na tradição, porque o eixo do ascendente foi considerado, desde tempos imemoriais, como tendo uma influência particularmente importante no caráter da personalidade. Por isso seria preciso investigar se há um número maior dos aspectos coincidentes A – B ou E – D nos horóscopos das pessoas casadas do que em relação àqueles não casados.

Em outro trabalho, Jung escreve:

Desde o Timeu, de Platão, tem sido costume lembrar que a alma é elemento redondo. Como Anima Mundi, ela gira conjuntamente com a roda do mundo, cujo cubo é o polo. É por isso que aí se acha o coração de Mercúrio, que é, com efeito, a Anima Mundi. À roda do Universo estrelado corresponde o horóscopo, o thema tès genesis, isto é, a divisão do céu em doze casas, divisão esta que é orientada, juntamente com a primeira casa, para ascendente o momento preciso do nascimento. […] O sentido fundamental do horóscopo consiste em que ele traça, antes de tudo, um quadro da constituição psíquica, e depois, também, da constituição física do indivíduo, sob a forma das posições dos planetas e suas relações (aspectos), bem como da repartição dos zódia pelos diversos pontos cardeais. O horóscopo representa, portanto, sobretudo um sistema de qualidades originais e fundamentais do caráter e, por isso, deve ser tido como o equivalente da psique individual.
JUNG, 1934-2013, p. 163-4, § 212.

Em seu tratado Aion, seu objetivo é iluminar “A mudança da situação psíquica dentro do “eon cristão”. O simbolismo zodiacal apoia a sua pesquisa, pois o “eon cristão” e a Era dos Peixes são sinônimos. Em um ponto Jung faz uma declaração abrangente:

O curso da nossa história religiosa, bem como uma parte essencial do desenvolvimento de nosso psiquismo poderia ter sido previsto de forma mais ou menos precisa, tanto em termos de tempo como de conteúdo, desde a precessão dos equinócios até a constelação de Peixes.

A “precessão dos equinócios através da constelação de peixes”, faz uso analítico de uma técnica astrológica baseada no simbolismo dos equinócios no pano de fundo do zodíaco, que descreve as grandes idades ou eon da história humana. Jung inspirou a inteligência da astrologia para mexer com sua imaginação e aprofundar sua visão, mas, ao fazê-lo, também valida a arte antiga. A Astróloga Maggie Hyde resumiu bem:

O pensamento de Jung sobre a Era dos Peixes foi seminal para os astrólogos. O trabalho é influente porque revela o simbolismo astrológico em grande escala, trabalhando em uma fronteira entre fatos astronômicos e imaginação subjetiva. A reverência de Jung pelos antigos mistérios trouxe vida aos mitos, permitindo-lhes entusiasmar e hipnotizar. Mas imagens míticas também foram símbolos e metáforas de padrões arquetípicos da experiência humana. Através da articulação de Jung desses padrões, os astrólogos puderam recuperar e comunicar uma expressão mais ampla e profunda de seu próprio trabalho.

Portanto, a Astrologia foi incorporada ao trabalho de Carl Gustav Jung desde muito cedo e os textos acima sugerem que seu conteúdo eminentemente simbólico, foi importante na compreensão, articulação da abordagem e prática junguiana. Os conteúdos astrológicos permeiam vários de seus textos e ele conseguiu propor uma ampliação da compreensão do conteúdo e do papel da Astrologia como a mais antiga ferramenta de análise e compreensão da psique e indispensável para todo aquele que se propõe a estudar e compreender a alma humana.

Referências:
BAIR, Deirdre – Jung uma biografia Volumes I e II – São Paulo; Globo, 
2006 CHEVALIER, Jean – Dicionário de Símbolos                                                                                GREENE, Liz – Seminário: JUNGS ASTROLOGY AND THE PLANETARY JOURNEY OF THE RED BOOK; Cornwall, May 2017 and co-hosted by The Faculty of Astrological Studies. FREUD, Sigmund – A correspondência completa de Sigmund Freud e Carl G. JUNG – William McGuire (organização) – Rio de Janeiro; Imago, 1993                                                            JUNG, C.G – Letters Volume I 1906- 1950. Volume II 1951 – 1961 USA; Princeton University – 1973.                                                                                                                                                                           JUNG, C.G. – Aion. Petrópolis, Vozes, 2012                                                                                                   JUNG, C.G. – Sincronicidade; Petrópolis. Vozes, 2012                                                                             JUNG, Carl Gustav. WILHELM, Richard. O segredo da for de ouro: um livro de vida chinês. Petrópolis: Vozes, 2012.                                                                                                                                      JUNG, Carl Gustav. O espírito na arte e na ciência. Petrópolis: Vozes, 2012.                                HYDE, Maggie – Jung and Astrology, The Aquarian Press; London: 1992

Texto publicado originalmente pelo site do IJEP, reproduzido parcialmente aqui, com a autorização da autora.  Junho 2018


Fontes de imagem:
C.G. Jung: Public Domain, via Wikimedia Commons

 

por Deborah Jean Worthington é astróloga, terapeuta junguiana, escritora e palestrante. Graduada em Comunicação Social, pós-graduada em Psicoterapia Junguiana pelo IJEP e especialização em Jungian and Post Jungian Clinical Concepts pelo Centre for Applied Junguian Studies. Representante do Centre of Junguian Studies no Brasil, responsável pela supervisão e aplicação de cursos online desta instituição. Membro da Sociedade Antroposófica. Ex-diretora do Banco Antroposofico Widar. Autora do livro, Jung na Contemporaneidade: a Astrologia no suporte ao processo terapêutico (2018). Co-autora do livro, O lugar epistemológico da Astrologia entre os saberes (2020) e Diálogos Horizontais entre ciência e esoterismo na psicologia analítica (2026).  
E-MAIL debbieworth@outlook.com 

 

As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião ou o posicionamento oficial da CNA (Central Nacional de Astrologia) e de sua Diretoria. O conteúdo visa estimular o debate e a difusão do conhecimento astrológico sob a perspectiva individual de cada colunista.

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Mapa Astral Infantil: um guia para compreender a essência da criança – por Alegria Almeida https://cnastrologia.org.br/mapa-astral-infantil-um-guia-para-compreender-a-essencia-da-crianca-por-alegria-almeida/ https://cnastrologia.org.br/mapa-astral-infantil-um-guia-para-compreender-a-essencia-da-crianca-por-alegria-almeida/#respond Wed, 06 May 2026 14:37:21 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11087 Que grande privilégio é ter o seu mapa astral interpretado e apresentado aos seus pais ainda na infância.

O mapa astral de uma criança é uma ferramenta poderosa para compreender sua natureza, suas necessidades emocionais e a forma como ela percebe o mundo. Diferente da astrologia voltada para adultos, que muitas vezes se concentra em carreira, relacionamentos e escolhas de vida, a astrologia infantil tem como objetivo principal apoiar o desenvolvimento saudável da criança, ajudando pais e educadores a compreender melhor sua personalidade e suas necessidades.

Quando interpretamos o mapa de um adulto, estamos falando de um mapa vivido. Independentemente da idade, o adulto costuma se reconhecer durante o atendimento.  É a “promessa natal” em movimento.

Já quando interpretamos o mapa de uma criança, estamos falando de uma relação, pois a interpretação é apresentada a uma terceira pessoa: os pais ou responsáveis. A criança ainda está em processo de formação. Muitas vezes dizemos que ela é como “uma página em branco”.

A astrologia não determina quem a criança será, mas oferece pistas importantes sobre como ela sente, aprende, reage e se desenvolve.

Por que olhar o mapa astral de uma criança?

Durante a infância, muitas características do mapa aparecem de forma bastante pura. A criança ainda não construiu tantas defesas ou adaptações sociais, então seus comportamentos refletem com mais clareza suas tendências naturais.

Compreender o mapa astral infantil pode ajudar os pais a entender o temperamento da criança, reconhecer suas necessidades emocionais, identificar talentos naturais, perceber possíveis desafios no desenvolvimento, ajustar a forma de educar e comunicar.

Por exemplo, algumas crianças precisam de mais autonomia, outras de mais segurança emocional. Algumas aprendem melhor através do movimento, outras através da observação ou da imaginação.O mapa astral ajuda a enxergar essas diferenças com mais clareza.

O Sol: a essência da criança

O Sol no mapa infantil representa a essência da criança, aquilo que ela veio expressar no mundo. Ele indica o tipo de energia vital que precisa ser nutrida para que a criança desenvolva autoestima e identidade.

A Lua: o mundo emocional

Se o Sol mostra quem a criança é, a Lua revela como ela sente. A Lua é um dos pontos mais importantes no mapa infantil, pois está diretamente ligada à segurança emocional, às necessidades de cuidado e à forma como a criança busca conforto.

Uma Lua em signos de água pode indicar uma criança muito sensível às emoções do ambiente. Já uma Lua em signos de ar pode precisar de diálogo e explicações para se sentir segura. A Lua é especialmente importante na primeira infância. No início da vida, podemos dizer que o bebê é quase inteiramente Lua.

A Lua leva cerca de 28 dias para dar uma volta completa no mapa, formando e desfazendo aspectos com todos os planetas do mapa natal. A cada dois dias e meio aproximadamente, ela muda de signo, ativando diferentes áreas do mapa da criança. Esses movimentos podem ser percebidos no cotidiano do bebê.

Por exemplo, a Lua em trânsito pode formar uma quadratura com Marte no mapa da criança e, durante algumas horas, o bebê pode ficar mais irritado, choroso ou com cólicas. Depois o aspecto passa e o estado emocional também muda.
Na infância, a criança é totalmente dependente de cuidados. Por isso, a Lua é soberana nessa fase da vida.
A memória de ser cuidado, consolado, alimentado, atendido e protegido fica profundamente registrada. Essa experiência emocional é simbolizada pela Lua de nascimento e pode marcar a pessoa ao longo de toda a vida.
Os cuidados recebidos nos primeiros anos formam uma espécie de matriz emocional do que significa, para aquela pessoa, ser amado, acolhido e protegido.

Isso está descrito no mapa natal através da posição da Lua: seu signo, casa e aspectos.

Lua por progressão

Outro ponto importante é observar a Lua por progressão. Nesse movimento simbólico, a Lua progride cerca de 1 grau por mês, mudando de signo aproximadamente a cada dois anos e meio.
Por exemplo, uma criança que nasceu com a Lua a 27 graus de Áries terá, cerca de três meses depois, uma Lua progredida em Touro. Esse novo signo poderá permanecer ativo por aproximadamente dois anos e meio.
Isso pode refletir mudanças perceptíveis no comportamento. Um bebê que inicialmente era muito agitado ou tinha dificuldade para dormir pode, depois de alguns meses, tornar-se mais tranquilo. Pode também acontecer o contrário: dificuldades iniciais de alimentação ou adaptação que depois se resolvem naturalmente.
Também podemos observar aspectos formados pela Lua progredida. Por exemplo, um aspecto desafiador entre Lua e Plutão pode marcar um período emocionalmente mais intenso.
Pode acontecer, por exemplo, de uma tentativa de adaptação ao berçário coincidir com uma quadratura de Lua e Plutão. Esse pode ser um momento mais sensível para a criança. Como os aspectos são temporários, muitas vezes vale observar o momento e, se possível, aguardar a passagem desse período para tentar novamente.
O mesmo pode ocorrer com momentos como o desmame ou outras transições importantes na vida da criança.

Mercúrio: a forma de aprender

Mercúrio está relacionado ao aprendizado, à comunicação e ao funcionamento da mente. No mapa de uma criança, ele pode revelar como ela aprende melhor. Algumas aprendem falando e perguntando, outras observando, outras através da imaginação, outras ainda através da prática e do movimento. Conhecer o Mercúrio da criança pode ajudar muito no processo de alfabetização e na adaptação escolar.

Vênus: afeto, vínculos e autoestima

Vênus também é um planeta importante quando observamos o mapa astral de uma criança. Ele está relacionado à forma como a criança vivencia o afeto, o prazer, os vínculos e a sensação de ser querida e valorizada. Também observamos aquilo que gera bem-estar, alegria e também sobre a forma como a criança começa a se relacionar com os outros.
Na infância, Vênus pode aparecer de diversas maneiras, no gosto por determinadas brincadeiras, no prazer em desenhar, cantar, dançar, criar ou simplesmente na forma como a criança busca carinho e proximidade.
Ela também está ligada ao desenvolvimento da autoestima. A maneira como a criança percebe que é amada, apreciada e aceita influencia profundamente a construção da sua autovalorização.
Observar Vênus no mapa de uma criança ajuda os pais a perceberem como nutrir o sentimento de valor pessoal daquela criança, respeitando sua forma particular de demonstrar e receber afeto.

Assim como os demais planetas, Vênus não define comportamentos fixos, mas indica caminhos através dos quais a criança pode experimentar prazer, beleza, conexão e harmonia em sua vida.

Marte: energia e iniciativa

Marte representa a forma como a criança age, reage e direciona sua energia. Algumas crianças têm Marte muito ativo e precisam de movimento constante. Outras podem ter uma energia mais sensível ou indireta. Compreender Marte ajuda a lidar melhor com temas como impulsividade, frustrações, competitividade e iniciativa.

Observar também o retorno de Marte, que acontece aproximadamente a cada dois anos, pode ajudar a compreender alguns ciclos de desenvolvimento e mudanças na forma como a criança expressa sua energia.

Casas astrológicas

Enquanto os planetas representam funções psicológicas e os signos mostram a forma como essa energia se expressa, as casas indicam os campos da vida onde essas energias se desenvolvem no cotidiano.
No mapa infantil, observar as casas ajuda a compreender onde a criança direciona naturalmente sua energia e quais experiências fazem mais parte do seu processo de crescimento.
Por exemplo, a casa 3 está associada ao início da vida escolar, ao processo de alfabetização, às primeiras trocas com colegas e professores e à adaptação ao ambiente de estudo.
Já na casa 6 observamos a rotina da criança. Essa casa fala sobre hábitos diários, organização da vida cotidiana, saúde e adaptação às atividades do dia a dia.
Outro ponto interessante é observar planetas próximos à cúspide da casa 1, ou seja, muito próximos ao Ascendente. Esses planetas tendem a se manifestar de forma bastante visível na personalidade da criança, influenciando sua forma de se apresentar ao mundo.

Por exemplo, uma criança com Marte próximo ao Ascendente pode demonstrar muita iniciativa, energia e impulsividade desde cedo. Já Vênus nessa posição pode indicar uma criança mais afetuosa, sociável e que naturalmente busca harmonia nas relações.

O papel dos pais no mapa infantil

Um ponto importante na astrologia infantil é lembrar que o mapa da criança não é um destino fixo, mas um conjunto de potenciais. O ambiente familiar, o acolhimento emocional e as experiências de vida influenciam profundamente como esses potenciais se manifestam. Quando os pais conhecem o mapa da criança, eles podem respeitar seu ritmo, evitar comparações com outras crianças, estimular talentos naturais, apoiar desafios com mais consciência

A astrologia, nesse sentido, torna-se uma ferramenta de escuta e compreensão, e não de rotulação.

A astrologia como linguagem de cuidado

Observar o mapa astral de uma criança é, acima de tudo, um convite para enxergá-la com mais sensibilidade. Cada criança chega ao mundo com um ritmo próprio, uma forma única de sentir, aprender e se expressar. O mapa astral ajuda a revelar essa linguagem interna.
Quando compreendida com responsabilidade, a astrologia infantil pode se tornar um instrumento valioso para fortalecer vínculos, respeitar a individualidade da criança e apoiar seu desenvolvimento emocional. Porque, no fundo, educar também é aprender a ver quem aquela criança realmente é.

Expectativas dos pais e a natureza da criança

Outro aspecto que frequentemente aparece quando observamos o mapa astral de uma criança diz respeito às expectativas familiares. É natural que os pais imaginem caminhos para os filhos. Muitas vezes desejam que a criança seja mais comunicativa, mais organizada, mais calma, mais disciplinada ou mais sociável. Essas expectativas fazem parte do processo de cuidado e do desejo de ver o filho prosperar. No entanto, nos atendimentos de mapa astral infantil, algo muito interessante costuma acontecer.

Quando o mapa da criança começa a ser apresentado, mostrando sua forma de sentir, agir, aprender e reagir ao mundo, muitos pais percebem que aquela criança possui uma natureza própria, que nem sempre corresponde àquilo que eles imaginavam.

Não é raro que, nesse momento, surja uma reflexão importante: algumas expectativas depositadas sobre a criança dizem muito mais sobre a história, os valores e as experiências dos próprios pais do que sobre quem aquela criança realmente é. O mapa astral não existe para encaixar a criança em um ideal. Pelo contrário, ele convida os adultos a reconhecerem e respeitarem a singularidade daquele ser que chegou à família.
Quando os pais conseguem enxergar o filho a partir de sua própria natureza, e não apenas a partir de expectativas, algo se transforma na relação.

A educação passa a ser menos um processo de moldar e mais um processo de acompanhar o desenvolvimento de uma essência única.

 

Por Alegria Almeida
Astróloga, mãe e produtora

 

As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião ou o posicionamento oficial da CNA (Central Nacional de Astrologia) e de sua Diretoria. O conteúdo visa estimular o debate e a difusão do conhecimento astrológico sob a perspectiva individual de cada colunista.

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Marketing e Comunicação de um astrólogo: do mapa natal à marca pessoal por Iara Felix https://cnastrologia.org.br/marketing-e-comunicacao-de-um-astrologo-do-mapa-natal-a-marca-pessoal-por-iara-felix/ https://cnastrologia.org.br/marketing-e-comunicacao-de-um-astrologo-do-mapa-natal-a-marca-pessoal-por-iara-felix/#respond Wed, 11 Mar 2026 09:00:28 +0000 https://cnastrologia.org.br/?p=11009 Muitos astrólogos têm conhecimento técnico profundo. Mergulhar em livros, palestras e discussões entre pares é um habitat natural. Só que, em tempos de redes sociais, aprender a navegar por essas plataformas e divulgar seu trabalho para clientes e alunos virou parte do trabalho. No Brasil, esse cenário ganha ainda mais peso: segundo a DataReportal, o país tinha 150 milhões de identidades de usuários de redes sociais em outubro de 2025. Já no comparativo global publicado pela mesma plataforma em 2024, o Brasil aparece em  segundo lugar em tempo diário de uso da internet, com média de 9h13 por dia, acima da média global de 6h40.

É preciso reconhecer que a presença digital passou a influenciar diretamente a forma como as pessoas descobrem profissionais, acompanham conteúdos, se informam, constroem confiança, criam e mantém conexões e decidem a quem recorrer.

Muitas vezes vemos o termo “fazendo marketing” sendo usado de forma pejorativa. Eu, como publicitária de formação tradicional, e pós graduada em comunicação integrada de marketing, sempre me incomodo com isso, principalmente porque geralmente não é uma crítica ao marketing em si, e sim a uma comunicação ruim, ou a práticas antiéticas.

Um dos erros mais comuns é achar que marketing é fazer publicidade no Instagram ou vender gato por lebre, ou seja, ludibriar o consumidor. Segundo Kotler e Keller (2012) marketing pode ser entendido como o processo de  identificar e atender necessidades humanas e sociais, de forma lucrativa.

O objetivo do marketing é entender tão bem o público que a oferta faça sentido na vida real: ela encaixa, resolve um problema, organiza um desejo, facilita uma escolha. Em alguns casos, o marketing também ajuda a revelar demandas que ainda não estavam claras para a própria pessoa. Isso não precisa ter nada a ver com manipulação, e pode ser simplesmente o ato de nomear uma dor, dar linguagem para uma necessidade, oferecer um caminho. Dá para trabalhar uma ferramenta com ética, mesmo que vejamos pessoas que a utilizam de maneira errada. E como astrólogos, sabemos que isso também acontece com a própria astrologia, não é?

A própria origem do termo marketing aponta para uma lógica de mercado (market = mercado em inglês). Fazer marketing é estudar o seu mercado: o que você oferece, para quem você oferece, quem mais oferece coisas semelhantes, quem oferece coisas distintas que interessam ao público a quem você oferece e quais os desafios e oportunidades para o seu mercado no cenário atual.  A comunicação entra como a ponte, ela traduz valor em mensagem, presença e consistência.

Quanto melhor conhecemos o outro, melhor conseguimos oferecer o que ele precisa. E, se estamos falando também de astrologia, não temos justamente um mapa e padrões simbólicos e comportamentais nas mãos?A questão, então, pode ser menos sobre vender, e mais sobre comunicar com clareza, responsabilidade e intenção.

A disputa por atenção online é enorme e podemos culpar “algoritmos” e ficar com receio das mudanças constantes (e que virão cada vez com mais aceleração), ou ter mais clareza do que pretendemos e quais ferramentas temos a nosso dispor para isso. 

Um astrólogo pode atuar como uma empresa, mas antes disso ele é uma pessoa. Com seu mapa próprio, e querendo ou não, ele é uma marca pessoal. E por marca pessoal o que quero dizer é: há um conjunto de características, valores e forma de trabalhar que te tornam reconhecível. É a sua reputação administrada com intenção. O que as pessoas falam sobre você quando você não está na sala. 

Isso significa também que mesmo quando você acha que está só “falando de astrologia“, está registrando sinais sobre quem você é, como você se cuida, o que é importante pra você e se você parece saber o que está fazendo.

 

Faça esse exercício breve. Tente completar essa frase, do ponto de vista de outra pessoa, pensando em você mesmo(a) como astrólogo(a):  “Esse é o fulano (insira seu nome), ele é aquele que _______”

Como as pessoas lembram de você? Ao que elas te associam? Qual parte do seu trabalho é mais externalizado? Muitas vezes, um astrólogo quer se destacar como referência em astrologia locacional, mas está constantemente trazendo conteúdos mais básicos ou voltados para personalidade. O contrário também acontece. 

Entender, primeiramente, o que é importante pra você: seus talentos, seus gostos, suas ferramentas pessoais. Depois, descobrir e entender como comunicá-los para resolver as questões das pessoas. E é aí que entram as ferramentas práticas: onde você vai estar (não adianta querer se conectar com a Geração Z e só se expressar no Facebook ou criar um TikTok para atingir o público 60+), como vai aparecer e com que frequência.

Buscar seguir a sua autenticidade — e o seu mapa natal — sem vestir um personagem. Mas fazer também escolhas intencionais de como essa mensagem vai chegar. 

Se permitir a vulnerabilidade de se questionar e investigar o próprio mapa. Mercúrio pode te oferecer pistas com sua forma de expressão e tradução da sua complexidade. Seu Meio do Céu te ajuda a perceber direcionamentos sobre essa imagem pública e reputação. O Sol pode apontar temas centrais para você. Vênus inspirar sua estética, valores e formas de criar desejo. O Ascendente pode apontar sua forma de se colocar no mundo. A Lua sobre forma de se nutrir emocionalmente ao lidar com o público. E assim por diante, porque o mapa natal é um ecossistema, não um checklist. 

Assim como ler o mapa não é uma fórmula de copia e cola, entender uma comunicação mais autêntica também não é. E ela não é fixa. Você pode e deve se desenvolver, testar e analisar. 

Se abrir para lapidar essa sua mensagem e não se prender a resistências pessoais. Em um estudo de 2007 da Universidade de Princeton, Susan T. Fiske encontrou que os melhores comunicadores exibem uma combinação única de dois traços: cordialidade e competência. Segundo esse estudo, uma boa parte da impressão que temos do outro vem desses dois critérios. O quanto um profissional é visto como simpático, amigável, confiável e social, e o quanto ele é competente, eficiente, inteligente e cheio de recursos. São conceitos que parecem subjetivos mas não são tanto assim. Essas percepções são formadas pela comunicação transmitida — seja ela intencional ou não. Sua aparência, suas frases, seus assuntos escolhidos, as pessoas com quem você associa, tudo compõe essa mensagem registrada pelo interlocutor.

Antes de criar um post, ou realizar uma live, ou lançar um curso, se questione:

“Quem eu quero que receba essa mensagem? O que essa mensagem pretende gerar no outro?”

Quanto mais detalhada for a sua resposta, maior a chance de criar uma comunicação clara. 

Referências:

DATAREPORTAL. Digital 2026: Brazil. Disponível em: https://datareportal.com/reports/digital-2026-brazil

DATAREPORTAL. Digital 2024: Global Overview Report. Disponível em: https://datareportal.com/reports/digital-2024-global-overview-report

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de Marketing. 14. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012.

FISKE, Susan T.; CUDDY, Amy J. C.; GLICK, Peter. Universal dimensions of social cognition: warmth and competence. Trends in Cognitive Sciences, 2007.

 

por Iara Felix

Astróloga há 7 anos, publicitária e especialista em Comunicação Integrada de Marketing.

 

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