Palavras do Presidente

Sobre o início do ano zodiacal - Passagem no equinócio.

Introdução:

A cada seis meses o Sol num movimento aparente cruza o Plano Equatorial. Como os movimentos são relativos tanto faz pensarmos numa composição centrada no Sol, como centrada na Terra; o usual em Astrologia. Posso até dizer, como os Hopi, indígenas da América do Norte, que o Sol gira ao meu redor e que sem a minha saudação diária ele poderia desaparecer – quem sabe?

Bob Toben e Fred Alan Wolf no livro “Espaço, tempo e além” especulam o seguinte: “Seriam os padrões no cérebro os mesmos que os do universo?” e ainda “Quando, atentos, olhamos o universo. Olhamos nossas próprias mentes?” Estas ideias têm a ver com as colocações de David Bohm e Karl Pribram, em suas respectivas especulações teóricas de Universo Holográfico e Cérebro Holográfico.

O fato é que não sabemos o que é “real”, e mesmo nunca demonstramos a existência da matéria. Como afirma Pribram em seu artigo no livro “O Paradigma Holográfico e outros paradoxos”: “Mas os outros cientistas, em sua maioria, quando lhes é perguntado o que entendem por mundo “real”, respondem que é o mundo da física. Se forem instigados para falar mais, descreverão esse mundo como sendo constituído de objetos materiais e de interações entre esses objetos. No exemplo acima, dariam primazia à realidade do aparelho de (re)produção sonora estereofônica de alta fidelidade, e não à consciência perceptiva derivada das operações desse aparelho.”

Repito a pergunta do Dr. Sérgio Felipe de Oliveira: “Onde está a pesquisa que prova que a matéria existe?” Ainda não foi feita e mesmo que houvesse sido feita não podemos garantir, aceitando-se a extensão do Teorema de Gödel, como citado no “Manifesto da Transdisciplinaridade” de Basarab Nicolescu, que o Universo materialista tenha completude e consistência dentro do próprio Universo.

Em suma, acho que tudo que conhecemos deste nosso mundo que chamamos de “real”, vem através de um aparato sensorial extremamente limitado e deficiente, e que esse “real” faz parte de um Real de mais dimensões que ainda não conseguimos captar por não termos desenvolvido os sentidos necessários. E que mesmo esse Real estará sempre aquém da realidade última, ou dizendo de outra forma, ele é subconjunto de um todo mais vasto e complexo e assim sucessivamente.

Falando de Astrologia:

Isto posto podemos induzir que a Astrologia, ou o Sistema Astrológico, é tão “real” ou “irreal” quanto qualquer outro sistema. O mesmo vale para sua completude e consistência.

Podemos dizer que a Astrologia se baseia numa grande ilusão, nada diferente das ilusões das ditas ciências exatas. Claro que dentro da crença inoculada na humanidade de hoje o que afirmo é um absurdo, mas não é absurdo pelo que os físicos já estão descobrindo e especulando.

Poderíamos, por exemplo, afirmar que o Espaço é uma entidade e que a abóbada celeste seria o seu corpo fenomênico! Esta seria uma visão Hilozoística do Universo, que afirma que tudo é vivo e é expressão de uma vida. Desde uma partícula subatômica até uma galáxia. Sem dúvida o Tempo seria outra entidade. As HQ e os desenhos de realismo fantástico especulam muito sobre isso o que torna a aceitação dessas ideias muito mais fácil para os jovens de hoje. As redes sociais seriam um exemplo, extrapolado em Matrix, de um Universo Imaginário, muito próximo do que vivemos na chamada nossa “realidade”.

Dentro desta ou de outras concepções de realidade a humanidade criou um corpo doutrinário astrológico que engloba ciências exatas, arte, mitologia - com toda simbologia inclusa, história e espiritualidade.

Isto funciona? Claro que funciona! Foi criado por nós dentro desta visão “real” e é profundamente coerente com o local em “vivemos, morremos e temos o nosso Ser”.

A precessão e o processo educativo reencarnatório:

Foi observado ao longo de milhares de anos que a posição das estrelas se modificava com as estações. Hoje em dia se explica que como o plano equatorial celeste está solidário ao planeta Terra e a Terra gira sobre um eixo que está inclinado a menos de noventa graus em relação ao plano de revolução da Terra em torno do Sol; isto leva a um movimento precessional do eixo que carrega solidariamente o plano equatorial da Terra. Em suma, a cada ano o Sol cruza o plano equatorial num ponto que retrocede em relação ao do ano anterior considerando a convenção da sequencia zodiacal de Áries para Touro, e assim por diante.

Como as estações têm ligação com a passagem do Sol pelos equinócios e pelos pontos solsticiais, eles ganharam profunda importância ao longo do processo civilizatório do nosso planeta. Quando isso começou a ser observado, ignoro, mas a precessão é citada já entre os Sumérios e Acadianos. No antigo reino Persa as estrelas que estavam vinculadas ao início das estações eram chamadas de Vigias ou Imperadores do Céu: Aldebarã, Régulus, Antares e Fomalhaut.

O fato é que o passeio do Equinócio que marca o início do ano zodiacal móvel, e indica o início da primavera no hemisfério norte, acaba marcando, no imaginário astrológico, o começo das grandes eras. Considerando os vários sistemas siderais existentes é difícil definir quando se inicia uma determinada era, e essa idéia de era temo que seja um conceito recente. Outra questão a ser considerada é se a era é definida por meio da relação entre um zodíaco fixo ou Sideral, que ninguém sabe onde realmente começa, e um Zodíaco móvel, conhecido como Zodíaco Tropical; ou se a era é definida em termos constelacionais. Em um ou outro caso são designações arbitrárias, criadas sabe deus por quem.

Vamos supor que este edifício imaginário é “solidamente” construído e funciona maravilhosamente bem. Estamos, dessa maneira, saindo da era de Peixes e entrando na de Aquário. Estando na era de Peixes, ou por sombra ou por complemento, também estamos com Virgem muito ativado, e, ainda, estamos na chamada Cruz Mutável ou Comum. Sei que se olharmos para o Céu não veremos, sem imaginação, nem as constelações e muito menos os signos zodiacais. Só que partindo do pressuposto que tudo isso é uma representação dentro dos nossos cérebros (acho que já é aceito que temos muitos e em vários níveis de realidade – cérebro físico, emocional, mental, etc.), este arcabouço astrológico é extraordinário e obedece àquilo que dissemos antes.

Na Astrologia antiga, e ainda na Jyotish, a Cruz Mutável tem dois regentes: Júpiter/Guru, e Mercúrio/Budha. Guru pode ser descrito como “Aquele que dissipa as trevas da ignorância” e Budha como “O Iluminado”. Mesmo na mitologia grega a ligação entre essas duas energias é um fato, pois Hermes/Mercúrio, é o mensageiro do Olimpo, e Zeus/Júpiter, a força procriadora que tudo gera e expande. Tanto um como o outro estão ligados ao desenvolvimento do que poderíamos chamar, à falta de outro nome, mente. Zeus era tão cioso desse dom que prende Prometeu, entre outros fatores, por ter dado o fogo (da mente) aos homens e ele só é libertado por um filho do próprio Zeus. Este filho da mente abstrata e racional, Herácles (Hércules), é um Herói. Só posso libertar minha energia Lúcifer/Prometeu quando atinjo um grau de consciência mais elevado do que a humanidade comum.

Hércules faz isso depois de percorrer o zodíaco crucificado (na Cruz Fixa) cumprindo os doze trabalhos. Percorre o caminho do Herói, como tantos outros semideuses das mais diversas tradições.

Na Astrologia Esotérica de Bailey aprendemos que quando estamos com a consciência presa na Cruz Comum, estamos percorrendo inicialmente as aulas da Câmera da Ignorância e, no final da passagem pela Cruz Comum adentramos para a Câmara do Aprendizado. Com a mente mais firme e mais iluminada, passamos para a Cruz Fixa e freqüentamos a Câmara da Sabedoria, adquirindo Compreensão pela vivência do conhecimento transformado. Posteriormente, na Cruz Cardeal, nos libertamos do Samsara, das teias de Maia.

Aviso Importante: Não estou afirmando que quem tem um Sol, Lua, Asc ou MC, em qualquer uma dessas cruzes está definitivamente presa ou condicionada a ela e não tem como mudar. Muita gente já está na era de Aquário, e a de Peixes ainda não terminou. Aliás, creio que existam povos e pessoas que ainda estão na era de Áries.

Neste final de era de Peixes a humanidade está presa, ou melhor, assimilou as energias de Peixes. A necessidade de consumo, de ter um mundo melhor, o surgimento disseminado de um mundo Virtual é bem de Peixes, e o racionalismo, a busca de um modo de viver mais saudável, a necessidade de experimentar os mais diversos tipos de alimentos, inclusive sexuais, têm muito a ver com Virgem.

Entrando na era de Aquário a busca se individualiza, a consciência deixa de ser de massa e passa a ser egocêntrica, ou melhor, ego-centrada, dissipando o perigo das ditaduras ou governos de imposição. Outros problemas deverão surgir, pois a história indica que mudanças de eras trazem inicialmente transformações brutais e ao longo dos séculos ocorrem assimilação de outros ensinamentos. Como os de quaisquer outro signo, aquarianos são seres complexos. Devemos também nos salvaguardar dos presos a Leão que gostariam de mandar em todo mundo.

Gaia:

Um passo a mais seria abandonar o conceito de encarnação individual e pensarmos em encarnação grupal. Nesta visão a humanidade como um todo vai reencarnando e se educando ao longo dos milênios. Historicamente não é difícil observar que de vez em quando nasce um grupo que modifica alguns setores vitais da humanidade. Traçando uma analogia com o corpo humano sabemos que periodicamente grupos de células, como as hemácias, por exemplo, morrem e são substituídas por outras e nós nem percebemos a diferença. Dessa maneira a raça humana como um ser vivo fica praticamente eterna; sendo seu destino vinculado ao destino de Gaia e do nosso Sol.

Como será que a Gaia percebe que a humanidade está mudando? Como ela está colaborando, como um Ser, para a evolução de todos os seus reinos, particularmente o nosso? Se todos os reinos estão na mesma nau celestial é evidente que as eras influenciam todos os reinos e não só o humano. O desaparecimento de espécies animais, substituídos por outros ao longo da história planetária deve estar ligados a influências astrológicas sobre Gaia. O fim de algumas florestas e surgimento de outras obedeceriam a que ciclos?

Acho que deveríamos estudar o mapa do nascimento da Terra, certamente a várias dimensões. Será que alguém conhece o mapa?

Enquanto isso não é sabido, saudemos a passagem pelo Equinócio do nosso Outono e o Ano Novo Zodiacal!

Rodrigo Araês

São Paulo 07/03/2012 – 15h30m

Agradeço Silvia, minha esposa, e Nádia Oliveira pelas correções e sugestões. Os erros são todos meus.

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