Singularidade: Astronomia e Astrologia

atualizado em 27/01/11 | Comentários desativados

“Ora (direis) ouvir estrelas!”. Olavo Bilac poderia estar sentado em uma das confortáveis poltronas do Planetário Aristóteles Orsini, mais conhecido como Planetário do Ibirapuera, ouvindo e vendo estrelas, naquele sábado, 26 de abril de 2008. Nesse final de tarde, às 16h30, numa pré-abertura da Virada Cultural paulista, aconteceu o evento Singularidade: Astronomia e Astrologia, com um diálogo interessante entre o professor Walmir Cardoso, astrônomo, e Oscar Quiroga, astrólogo.

Quem foi imaginando encontrar armado um ringue e dois contendores firmando posições, surpreendeu-se com as explanações e o rico conteúdo exposto, num clima harmônico. O já batido tema “Astrologia é ou não ciência”, cedeu espaço a um diálogo entre dois representantes de saberes que, apesar de trilharem caminhos separados, tiveram a mesma origem. Da observação do céu, constelações e planetas, o homem criou sistemas, códigos, símbolos e lhes atribuiu significados e leis. Esse foi o fio condutor das explanações.

Walmir começou explicando a origem e o significado da palavra Astronomia: aster + nomus = lei dos astros. A observação do caminhar dos corpos celestes permite que leis e teorias se estabeleçam. Ao longo dos anos, por todo o planeta, pessoas das mais diversas culturas olharam – e continuam olhando – o céu, atribuindo significados e buscando respostas para suas dúvidas. A mesma constelação vista nos hemisférios Norte ou Sul, por um habitante de um centro urbano ou por um índio do Amazonas em sua tribo, pode ser relacionada a diferentes figuras e significados. A constelação que a matriz greco-romana nomeou de Ursa Maior, toda vez que chega ao horizonte (entre julho e setembro) e é avistada pelos índios Tukano, eles dizem que chegou a Jararaca do Ânus Grande, que abre esse ânus por onde todos os peixes entram e, ao fechá-lo, os peixes desaparecem do rio. Efetivamente nesse período do ano, ali, há pouquíssimos peixes.

Nossos antepassados já relacionavam eventos de floração, frutificação, colheita, chuvas e estiagem com a presença de determinados conjuntos de astros celestes. Dessa correlação, o simples fato de aparecer no horizonte uma configuração específica, era indicativo de que o mesmo evento cíclico terrestre ocorreria. Portanto, não é a presença da constelação ou planeta que desencadeia o evento, mas sim a observação do habitante daquela determinada região, que faz a ligação e atribui ao astro uma relação de causa e efeito. Portanto na conclusão de Walmir, o céu deve ser pensado dentro de um determinado contexto cultural.

Quiroga levantou dois pontos fundamentais ao afirmar que o homem, independente de sua cultura, procura algo que lhe faça sentido. Enquanto procura, vai em busca de conhecimento e da resposta para seus anseios como indivíduo. O segundo ponto é a necessidade de estipular uma ordem. Em meio ao caos, o homem se agarra a qualquer mínima coisa que lhe dê a sensação de ordem. “A Astrologia entra nessa questão da ordem, pois o universo é a seqüência de uma ordem. O homem se insere nessa ordem e precisa descobrir seu lugar no universo, para então descobrir suas respostas”, disse Quiroga.

Concluiu dizendo que, “um dia, os astrólogos serão inúteis. Isso ocorrerá quando a civilização estiver reintegrada ao sistema solar e participando ativamente do processo evolutivo do nosso sistema solar.”

Em seguida, os dois palestrantes colocaram-se à disposição para responder perguntas do público.

Como disse Walmir Cardoso, ao iniciar sua fala, o objetivo do encontro seria colocar questões, suscitar perguntas e indagações na mente do público. O encontro terminou assim, com um gostinho de quero mais e a vontade de que outros eventos similares aconteçam, respondendo questões ora colocadas e abrindo novos tópicos de discussão.