Existe um 13. signo?

atualizado em 20/01/11 | Comentários desativados

Astrônomos de Minnesota afirmam que, decorrente da atração gravitacional Lua-Terra, houve um realinhamento estelar, fazendo surgir um 13º signo. Essa é a notícia que circula na internet e, vale salientar, não é a primeira vez. A notícia gerou discussões, polêmicas e descontentamento entre as pessoas que sabem quais as características dos seus signos solares, e não se viam retratadas nas descrições de um signo diferente.

Há uma confusão entre constelações e signos. No céu real nós temos estrelas, que formam constelações. Em um céu estrelado, ainda visível a olho nu em algumas cidades distantes de centros poluídos, é possível ver diversas constelações, de tamanhos variados. Temos, além das constelações que deram nome aos signos do zodíaco, outras tantas, ultrapassando o total de doze, e são objeto de estudo da Astronomia.

No início existia apenas a Astrologia. Houve uma cisão e surgiu a Astronomia. A Astrologia continuou estudando as configurações celestes e sua relação com as situações vividas pelos seres humanos. A Astronomia passou a estudar o espaço celeste, seus corpos e relações físicas entre eles. Podemos dizer, bem primariamente, que a Astronomia estuda fenômenos físicos e a Astrologia conceitos simbólicos.

Enquanto a Astronomia estuda os corpos celestes em sua posição no universo, a Astrologia traça uma faixa circular virtual no céu, chamada faixa zodiacal, seguindo o caminho aparente que o Sol percorre pelas constelações. Como surgiu o zodíaco e os doze signos? Um observador, na Terra, olhou para o céu e verificou que o Sol, ao longo do ano, passava por algumas constelações que ele associava com figuras. Um aglomerado de estrelas (constelação) se parecia com um touro, então chamou-a de Touro; outra se parecia com um leão e nomeou-a Leão. O observador desenhou esse caminho do Sol como uma faixa, e a constelação tocada pelo Sol, naquela data, forneceu o nome para o signo. Tal faixa foi dividida em doze partes iguais, de 30 graus cada, e a cada uma delas se deu o nome da constelação por onde o Sol, naqueles primórdios, passava. Já existia a constelação de Ophiucus, mas o Sol não passava por ela nessa época. Eis porque a Astrologia não a considerou na composição dos signos. Temos aqui a grande diferença entre constelação e signo, pois a primeira tem tamanho variável e o segundo um tamanho pré-determinado. A segunda grande diferença é que as constelações são mais que doze, e os signos apenas doze. A Astrologia foi delineada segundo esse caminhar dos astros celestes. Por sua vez, os planetas, o Sol e a Lua estavam associados a arquétipos mitológicos e, assim, da observação do caminhar dos astros e seus significados simbólicos os conceitos astrológicos foram formados. Era assim, funcionava assim e continua funcionando até hoje.

Há a Astrologia Védica, sideral, e para ela existem também doze signos, porém leva em consideração a precessão dos equinócios e, portanto, os luminares (Sol e Lua) e os planetas estão posicionados, em sua maioria, em um signo anterior quando comparando essa astrologia com a mais conhecida. Exemplo: quase todos os nativos do signo de Áries são, na Astrologia Védica, nativos de Peixes, e assim ocorre com todos os demais signos.

Uma vez que a Astrologia trabalha com símbolos, é importante esclarecer que naquele dia em que você fraturou o dedo não foi porque Saturno, de mau humor, resolveu descarregar a raiva dele em você ocasionando a quebra. Provavelmente a posição de Saturno, nessa faixa zodiacal virtual, espelhava um aspecto tenso entre ele e o ponto de seu Ascendente, em seu Mapa Natal, por exemplo. Então nem Saturno, nem qualquer outro planeta, estrela ou satélite é capaz de influenciar a vida das pessoas. O astrólogo, que entende a linguagem simbólica planetária-zodiacal, é capaz de prever, por similaridade, a ocorrência de eventos pessoais e particulares.

Retornando ao Serpentário, ou Ophiucus, a realidade é que essa constelação foi pinçada da constelação de Escorpião. Sua representação é a de um homem segurando uma enorme serpente pelo meio, ficando a cabeça em seu lado esquerdo e a cauda no direito. Está associada com a Medicina e seu símbolo – as duas serpentes enroladas no caduceu. A notícia não é recente e cheira a comida requentada. Como a Astrologia não trabalha com constelações, então em nada altera, pois não existe a criação de um 13º signo.

Astrólogos que não entendem de Astronomia fazem tanta confusão e falam tantas bobagens quanto astrônomos que não entendem de Astrologia. Definitivamente, signos zodiacais são apenas doze, enquanto constelações são muitas!

Elizabeth Nakata
www.elizabethnakata.webs.com
[email protected]
(11) 9181-1388