Projetos de Pesquisa

atualizado em 11/01/11

por Alexey Dodsworth

Eis que finalmente chegamos a um dos pontos que, ao que parece, mais interessam aos associados da CNA: o incentivo à pesquisa.

Antes de tudo, faz-se necessário uma reflexão sobre o que vem a ser, efetivamente, pesquisa em Astrologia. Há um equívoco que associa a idéia de “pesquisa” necessariamente à idéia de “estatística”, mas em verdade existem muitos estilos possíveis de pesquisa, conforme veremos ao longo deste artigo.

Pesquisar é um procedimento metodológico sistemático, cujo objetivo é proporcionar respostas para problemas propostos. Esta metodologia engloba várias fases que devem ser planejadas. Pesquisar não se resume simplesmente a escrever sobre um assunto que se gosta, muito embora o gosto por um determinado assunto seja condição fundamental para aquele que se dispõe a tão importante trabalho.

O primeiro passo para a efetivação de uma pesquisa é a elaboração de um projeto. O projeto de pesquisa é um documento que explicita de forma clara quais os objetivos do pesquisador e quais as ações que serão executadas ao longo de um prazo previamente determinado. Muito embora algumas pessoas considerem que a elaboração de um projeto é algo que “limita” o fluxo criativo, este limite é assaz necessário, caso contrário a dissertação se torna prolixa, infinita e confusa. Um bom projeto de pesquisa precisa necessariamente ter um objeto bem delimitado que será abordado ao longo da dissertação. Sem a precisa delimitação deste objeto, não temos um projeto de pesquisa.

Estilos de Pesquisa

Conforme foi anteriormente citado, pesquisar em Astrologia não se resume a trabalhar com estatística. Isso é algo possível, mas não é o único estilo de pesquisa que existe. Vejamos alguns estilos possíveis:

Pesquisa Histórica: A pesquisa histórica tem por objetivo a concentração do pesquisador num determinado período e/ou personagem da história que tenha relação significativa com a Astrologia. Exemplo de possível pesquisa: “O caso dos gêmeos astrais na prática astrológica de Santo Agostinho”. Outro exemplo: “A Astrologia cristã de William Lilly: seus principais paradigmas”. Ou, ainda: “A presença da Astrologia na arte do século XVIII”; “Nietzsche e a Astrologia”, etc.

Pesquisa de Caso: Na pesquisa de caso, como o próprio nome diz, o astrólogo irá se concentrar num estudo particular de caso, com o fito de aplicar as regras astrológicas que domina com o intuito de demonstrar a relação entre tais regras e o caso estudado. Seguem alguns exemplos possíveis: “A sinastria de Sartre e Simone de Beauvoir”; “O mapa da cidade de Campinas”; “Esquizofrenia: estudo de caso”; “Análise astrológica do governo Lula”, etc.

Pesquisa Interdisciplinar: Na pesquisa interdisciplinar, o pesquisador estabelecerá relações entre a Astrologia e outras áreas do conhecimento humano. Para tanto, é recomendável que o pesquisador tenha conhecimento desta área cuja relação ele estabelecerá com a Astrologia, ou que pelo menos busque um orientador que o ajude nesta empreitada. Exemplos: “Astrologia e Homeopatia, um casamento profícuo”; “Astrologia e os conceitos de temperamento segundo a psicologia analítica de Carl Gustav Jung”; “Astrologia e Psicanálise: interseções e separações”; “A Astrologia como um instrumento de seleção em empresas”, etc.

Pesquisa Técnica: A pesquisa técnica tem por objetivo testar criteriosamente técnicas específicas utilizadas em Astrologia, sejam elas antigas ou modernas. Exemplos: “Aplicação de Eris nas cartas natais”; “A técnica do alcohoden”; “Diferenças substanciais entre quadratura e oposição”; “Utilização de aspectos menores”; “Aplicação de Sirius em mapas natais”, etc. Eventualmente, a pesquisa técnica poderá se confundir com pesquisa histórica, quando o tema abordado for uma técnica antiga.

Pesquisa Científico – Estatística: O mais ousado dos estilos de pesquisa é também o mais perigoso, pois tem a pretensão de provar, nos moldes da ciência oficial, a funcionalidade da Astrologia. Um exemplo muito conhecido deste tipo de pesquisa é aquele realizado por Michel de Gauquelin, que verificou a presença de planetas angulares em mapas de atletas, filósofos, etc. É recomendado a quem procurar realizar este tipo de pesquisa que já se tenha alguma experiência com procedimentos estatísticos e científicos oficiais.

Com o acima exposto, pretendi sugerir que cada associado da CNA que deseje efetivamente enveredar pelo caminho da pesquisa procure verificar o estilo com o qual mais se identifica. Muito em breve a CNA terá novidades muito boas no sentido do incentivo e viabilização destas pesquisas. Num próximo artigo, exporemos as normas técnicas necessárias para a elaboração dos projetos de pesquisa.

Alexey Dodsworth é Diretor Técnico da CNA