Sincronicidade e a linha de Plutão

27 de janeiro de 2011 Artigos, Diversos: a partir de janeiro/2010 Comentários desativados em Sincronicidade e a linha de Plutão

ATENÇÃO: Todos os mapas astrocartográficos aqui expostos podem ser calculados através do site www.astro.com, em Astro Click Travel. A técnica de astrocartografia é muito recente, os cálculos são muito complexos e só se tornaram possíveis com o advento dos computadores, pois envolvem a contínua rotação da Terra. Para visualizar a página, por favor siga o link.

Kennedy e a linha de Plutão:

Para ver o mapa astrocartográfico de JFK, clique aqui.

É um fato conhecido que John F. Kennedy, a despeito de ter sido avisado por uma astróloga para não ir a Dallas, foi exatamente para onde passa sua linha de Plutão no MC – e aconteceu o que todos sabem. Parece existir, para alguns, algo de insondável, misterioso e trágico sob essa linha. Para mim, são constatações de eventos sincronísticos ou da sincronicidade.

A linha de Plutão retrógrado no ascendente do vôo AF 447

Segundo notícias, o vôo AF447, Rio-Paris, decolou às 19h03 do dia 31 maio do Galeão (veja o mapa). Plutão pousava sobre a linha do ascendente.

O avião levantou vôo na mesma direção dessa linha relacionada com Plutão no ascendente, atravessando o oceano Atlântico, sob o campo de significados desse planeta. Ainda não se sabe a que destino chegou. Poderíamos até suspeitar de sequestro, raios, explosão por qualquer motivo que seja – para as imaginações mais férteis, de abdução por extraterrestres -, mas o que é certo é que a sorte de toda aquela população estava na esfera do tema preferido de Plutão: os mais profundos mistérios.

Veja o quão impressionante é, pela Astrocartografia, a coincidência da rota do vôo com a linha de Plutão! Poderíamos nos perguntar: sincronicidade?

Tangenciando o intangível

Plutão é o limite do invisível. Até muito pouco tempo, quando ainda considerado planeta, era o mais longínquo astro no sistema solar. Simbolicamente, é a dimensão da experiência associada às mais profundas transformações pelas quais todos passamos. “É o processo que toda semente passa para que a vida se refaça.”

Principais linhas de interpretações associadas à linha de Plutão no ascendente

Temas ligados a perdas, mortes, profundas transformações a partir de perdas e mortes. Desafios e perigos. Contato com o inexorável, com o mistério e o lado oculto das coisas e das pessoas. Confronto com o poder, figuras de autoridade e pessoas ligadas ao poder. Contato com suas necessidades mais profundas, inclusive sexuais. Desejo de viver tudo intensamente para transmutar o que for possível. Catalisador de mudanças na vida de outras pessoas. Risco de ocorrência de situações que fogem totalmente ao controle com a presença do caos. Revelação de coisas que precisam ser transformadas. Contato com as dimensões mais desconhecidas e ocultas do Eu. Podem vir à tona medos, desejo e motivações que há muito ficaram reprimidas.

Manifestações de forças arquetípicas do inconsciente coletivo e correntes psíquicas de grande intensidade que desafiam a estabilidade emocional, experiências de picos, fobias. Possessividade, domínio, situações-limite que levam a decisões radicais, rupturas, separações, implosões, explosões internas de processos que não se podem controlar, seqüestros, violação de fronteiras, violência a todo aquele que coloque resistências à mudança.

Sincronicidade e a linha de Plutão

Talvez porque saibamos inconscientemente que a morte encontra-se no futuro, tenhamos medo de olhar sem reservas, e com a devida precisão, a direção que seguimos. É essa sem dúvida a principal dificuldade ou limitação da mente quando intui, ou intenciona algo do porvir: há, no futuro, a existência prévia de todas as possibilidades.

Não sei se viveríamos mais felizes sabendo de nosso destino ou se nos ausentaríamos de vez da consciência de nossas responsabilidades para nos entregarmos à melancolia e à tristeza, mesmo que o futuro nos reserve certezas de alegrias. Nada podemos fazer diante desse fato consumado: a certeza de que partiremos um dia e de que este dia encontra-se no futuro. Ler o futuro nos permitiria saber qual é esse dia, então desviamos o olhar dessa direção em função da outra certeza: de que ao menos AGORA ainda estamos vivos. E assim é até o último segundo. É como se a vida fosse um grande baile. Alguns entram para tocar e dançar a noite inteira. Outros dançam algumas músicas com seus pares e logo se vão. E ainda há aqueles que apenas olham pela fresta da porta e se despedem mesmo quase sem entrar, e seguem seu outro destino.

Como astrólogo, procuro mais do que ferramentas para previsão de fatos, mas principalmente seus significados, pois estes sim podem ser transformadores da consciência do presente, enquanto o inevitável apenas atesta a nossa impotência diante das fatalidades.

Através das lentes astrológicas de que dispomos hoje, é relativamente fácil “pós-ver” (ver após) um incidente, alguns fatores astrológicos que encontram correspondências simbólicas com as situações. Mas, e se pudéssemos ver antes, o que poderia comprovar cientificamente nossa capacidade de mudar o destino?

Eu mesmo já experimentei muitas dúvidas acerca da assertividade oferecida pelas técnicas de previsão e de aconselhamento astrológicos, do tipo: não faça isso nessa ocasião ou passe seu aniversário em Paris! E, nesses casos, a única coisa que podemos fazer é atender ao chamado de nossa intuição. A impossibilidade de comprovar as asserções astrológicas pelo crivo dos métodos científicos se deve à irreversibilidade do tempo. É simples assim: não podemos repetir uma mesma experiência duas vezes no tempo. Um momento ocorre, é único, e jamais se repetirá. O tempo não pára, não espera, não anda para trás, apesar de podermos atrasar os relógios. Aquelas condições únicas de espaço e tempo jamais se repetirão. Não temos como comprovar cientificamente que a situação ocorreria de outro modo se não fizéssemos daquele jeito, naquele momento, ou se fôssemos passar o aniversário em outro lugar. Não podemos nascer de novo para ver como seria nossa vida com outro mapa.

Assim sendo, precisamos confiar em nossa intuição, ou aprender a desenvolvê-la mais, para ancorar decisões nessa função da mente que em muitos está atrofiada, devido ao excessivo racionalismo científico, de um lado, e aos dogmas religiosos, de outro. A intuição está disponível para todos, pois é da natureza humana intuir, e perceber, com a mesma naturalidade dos pombos que voltam aos seus ninhos mesmo quando largados a centenas de quilômetros de distância, que destino devemos seguir.

Algumas reflexões astrológicas sobre sincronicidade

É importante ressaltar que a linha AC de Plutão não é CAUSA do acidente do vôo AF447. Na verdade, nesta análise, não procurei os fatores astrológicos que criaram condições para o sinistro – seriam inúmeros e não se repetiriam -, portanto não poderiam constituir padrão. Apenas estabeleci algumas relações simbólicas entre o acidente e os atributos que estão associados a Plutão, em busca de significados. Não podemos afirmar que todos os aviões decolando na hora que Plutão se encontra na linha do horizonte, saindo pela rota astrocartográfica de Plutão Ascendente teriam o mesmo destino, pois aconteceria em outro momento, com outras qualidades de céu, também únicas. Outras condições astrológicas estão presentes nesse acidente, trazendo outros significados, como, por exemplo, no raio do presumível lugar onde o avião “desapareceu”. Lá pelo meio do Oceano Atlântico, encontra-se o Zênith de Mercúrio do mapa do vôo, e esse planeta está tradicionalmente relacionado com viagens curtas (no tempo), mesmo que longas em distâncias, na Mitologia Grega, com Hermes, o “mensageiro dos deuses”, aquele que encaminha as almas para o outro mundo. Poderíamos também fazer uma reflexão acerca da “aceleração do tempo de nossas vidas” e do mundo, sobre a aceleração da velocidade de propagação das informações e notícias. Há muito pouco tempo na história da humanidade, uma viagem para Europa levava muitos dias, não apenas 12 horas. O que isso tem a ver com “as dimensões da consciência”? Tudo. Percebemos a vida através do tempo no qual estamos inseridos. Além de sua natureza quantificável, há também sua natureza qualificativa, assunto este do qual trata a astrologia.

Ainda pelo mapa da possível hora do sinistro, a oposição da Lua em conjunção com Saturno (regente do ascendente do vôo) estreita a orbe da “pesada” oposição Saturno/Urano, que estará no céu presente ao longo do ano. Há quem atribua a “causa” do acidente à conjunção de Quiron, Netuno e Júpiter… Enfim, não se trata de buscar causa e efeito, pois esse critério ainda é reducionista, um pensamento cartesiano aplicado a uma esfera de conhecimento de outro nível, que transcende a comprovação científica, tal é o fenômeno da sincronicidade, que, por definição, se encontra no campo da acausalidade. Mas na certa essa seria uma boa pesquisa: fazer levantamentos de rotas de vôos, acidentes inusitados, etc. Porém, mesmo assim, o máximo que conseguiríamos fazer seria sugerir um atraso proposital de decolagem, um cuidado especial com as rotas escolhidas ou alertar um cliente para que não pegasse esse vôo. No entanto, as coisas não ocorrem desse modo, passam por outra esfera de percepção da nossa relação com a natureza da realidade. Veja o caso das pessoas que por “sorte” não embarcaram, são coisas do destino.

Em meu relato apenas verifiquei a “coincidência” que pra mim foi mais do que “significativa“, pois está em minha linha de pesquisas atuais acerca da sincronicidade, justamente na semana que precede a palestra sobre o assunto, dia 7 de junho, junto à Meditação da Lua Cheia de Gêmeos. Por isso coloquei algumas reflexões acerca do uso e da importância da confiança e da necessidade do desenvolvimento da intuição, e da percepção da sincronicidade em nossa vida, como ferramenta para tomada de decisões, o que, em alguns casos, pelo menos individualmente, pode ser decisivo.

Pelos que partiram, em respeito ao sentimento dos que ficaram:

Gostaria que todos que estivessem naquele vôo AF447 se desprendessem das dimensões materiais de seus corpos e de suas vidas e, nas alturas, como pássaros livres do sofrimento, continuassem voando para “um lugar onde os males não existem e que dá uma cana doce em fartura (Oremá)” – tal é o sentido de pertencimento de nossa espiritualidade. Também para que todos que aqui ficam, mesmo na falta do contato físico, do toque, do carinho, do cheiro, do abraço, possam perceber a presença da essência do que são, que se desprende em tudo que fizeram ou tocaram, pois a vida é assim, uma grande viagem de ida, sem volta. Há muitos que, mesmo vivos, se vão pra sempre de nossa vida. E aqueles que na estrada de ida, não voltam mais, mas ficam para sempre em nosso coração.

Um abraço fraterno

Jose Maria Gomes Neto
www.oficinadeastrologia.com

Sobre o Autor

CNA (Central Nacional de Astrologia)