Saturno em escorpião – Parte II – O Encontro com a Sombra

25 de outubro de 2012 Artigos Comentários desativados em Saturno em escorpião – Parte II – O Encontro com a Sombra

Com a entrada de Saturno no signo de escorpião, vamos nos deparar com nosso lado oculto, ou seja, nossos conteúdos inconscientes, reprimidos ou simplesmente desconhecidos. Isso não ocorre facilmente, até porque o acesso ao mundo inconsciente não se dá de forma simples e direta, mas, vamos estar mais predispostos e motivados a explorar tais conteúdos. Poderá haver um interesse maior pelos mistérios que cercam a natureza humana.

A tendência é que tenhamos oportunidade de lidar com as questões que rejeitamos, negamos ou evitamos pois essa realidade vai se apresentar mais claramente.

Não há motivo para temer o que está por vir pois podemos ver isso como uma grande oportunidade para efetivamente trabalharmos nossas sombras, que serão apenas ameaçadoras enquanto não forem reconhecidas pela consciência. Nesse caso tendemos a projetar nossas qualidades indesejáveis nos outros ou nos deixamos dominar pela sombra sem mesmo percebermos.

Entretanto a sombra é parte integral de nossa natureza e nunca pode ser simplesmente eliminada. Cada porção reprimida da sombra é uma parte de nós mesmos que foi aprisionada e, só será recuperada com a luz da consciência.

É preciso considerar que a sombra abriga imensa energia vital, instintiva, e constitui nossa principal fonte de criatividade. Mas nunca conseguimos compreendê-la completamente pois sempre haverá algum material inconsciente implicado. É um processo para toda uma vida consistindo num olhar para dentro de nós mesmos refletindo honestamente sobre o que vemos.

Como o próprio Jung destaca, não há uma técnica que descreva a forma de lidar com a sombra, já que não se trata de um processo lógico, racional. Pode-se falar sim numa atitude. Em primeiro lugar é preciso aceitar e levar seriamente em conta a existência da sombra. Segundo, é necessário ser informado sobre suas qualidades e intenções. Terceiro, negociações longas e difíceis são inevitáveis.

Refere que temos que enfrentar os conflitos com um completo envolvimento, levando-os até o ponto de dissolverem-se e que isso é mais um tipo de alquimia do que uma decisão racional. Afirma ainda que o sofrimento é parte desse processo, pois precisamos vivenciar, sentir e reconhecer que essa sombra nos pertence. Quem conseguir realizar essa tarefa terá se tornado uma pessoa mais inteira e terá agregado grande significado à própria vida.

Saturno em Escorpião é materializar o oculto, confrontar a sombra, deparar-se realisticamente com conteúdos emocionais intensos e profundos.

A realidade que se apresenta mostrará os fenômenos de forma autêntica, em sua essência, sem retoques. A emoção e a intensidade das experiências serão a tônica desse tempo. Isso pressupõe um interesse aumentado pelas profundezas da mente a fim de explorar nossa verdadeira natureza e recuperar nosso próprio poder de criação, saúde integral e unidade psique-corpo.

Cabe então fazer uma referência aos conceitos de saúde e doença, considerando ser essa última uma das possibilidades de manifestação do nosso mundo interior, inconsciente, profundo.

Contradizendo a medicina ortodoxa, o psicólogo Thorwald Dethlefsen e o médico Rüdiger Dahlke na obra “A doença como caminho – uma visão nova da cura como ponto de mutação em que um mal se deixa transformar em bem” (sincronicamente escrito nos anos 1982-1983 quando Saturno esteve também em Escorpião), abordam o problema da doença e da cura sob um novo ponto de vista.

Muito além das numerosas críticas facilmente aplicadas às práticas convencionais, trazem uma outra visão da questão da saúde. Não se trata de uma nova ideia, considerando que Platão no século IV a.C. já declarava: “É esse o grande erro do nosso tempo…Os médicos mantêm separada a alma do corpo.” É também um dos postulados fundamentais do esoterismo o de que matéria e espírito formam uma unidade.

Afirmam que a doença é uma desarmonia na consciência e que essa perda de equilíbrio interior se manifesta no corpo como um sintoma, que por sua vez, nos transmite uma informação. O sintoma não deve ser visto como um inimigo pois é o que vai nos ajudar a descobrir o que nos falta a fim de vencer a doença. Apenas precisamos entender sua linguagem pois nossa recusa a ouvi-lo ou entendê-lo não fará com que desapareça. Essa compreensão é a diferença entre lutar contra a doença e transmutar a doença. A cura acontece exclusivamente pela transmutação da doença e nunca pela vitória sobre um sintoma pois pressupõe a compreensão de que o sujeito tornou-se mais sadio, inteiro.

Referem que doença e cura são conceitos que somente têm importância para a consciência e não ao corpo pois não é este que se classifica como doente ou saudável. Ele apenas reflete os estados correspondentes e as condições da própria consciência.

Declaram que a própria doença é o caminho pelo qual o ser humano pode seguir rumo à cura e que quanto maior a consciência com que enfrentamos o caminho, tanto melhor se cumprirão seus objetivos.

Os sintomas são considerados a forma física da expressão dos conflitos e através do seu simbolismo têm a capacidade de mostrar aos sujeitos em que consistem os seus problemas.

Existem também sintomas psíquicos que são gerados por conflitos inconscientes não expressos. E sua função é igualmente permitir a manifestação dos conteúdos reprimidos. O sujeito precisa ainda entender, reconhecer e então integrar o conteúdo à consciência. Um trabalho terapêutico profundo pode ajudar nesse resgate.

As doenças físicas ou psíquicas são, portanto, manifestações de conflitos inconscientes não resolvidos. Escondem uma mensagem que deve ser decifrada e essa é uma tarefa para Saturno em Escorpião.

Conforme Jung:

“ As pessoas, quando educadas para enxergarem claramente o lado sombrio de sua própria natureza, aprendem ao mesmo tempo a compreender e amar seus semelhantes; pelo menos, assim se espera. Uma diminuição da hipocrisia e um aumento do autoconhecimento só podem resultar numa maior consideração para com o próximo, pois somos facilmente levados a transferir para nossos semelhantes a falta de respeito e a violência que praticamos contra nossa própria natureza.”

Sobre o Autor

Iniciou seus estudos astrológicos em 1980 com a respeitada astróloga Emma Costet de Mascheville (D. Emi) e desde então segue nos estudos, pesquisas e atendimentos. Ministra cursos em nível básico e avançado. Psicóloga, Mestre Reiki e terapeuta floral. Desenvolve seu trabalho através de consultas, realizando a análise do mapa natal e prognósticos como instrumentos de autoconhecimento e crescimento. Foi Coordenadora da CNA Regional Sul em 2008 e promoveu a realização de vários Circuitos em Porto Alegre, eventos que ocorrem em diversos estados brasileiros simultaneamente uma ou duas vezes ao ano e contribuem para a divulgação da Astrologia como um saber de alto valor e ricas aplicações em diversas áreas.