Equinócio de Áries

20 de março de 2012 Artigos Comentários desativados em Equinócio de Áries

Tempo de equinócio, instante de equinócio. Qual a relevância deste fato? Dia e noite iguais; Sol cruzando o plano equatorial.

Equinócio de março tem para a astrologia importância total, inicia o ano novo zodiacal.

Indo o Sol para Norte tem Primavera, se para o Sul Primavera também; seis meses além.

Temos uma pista. Primavera será a primeira verdade? Ou será o primeiro verão? A “vera” de primavera vem de “vers”,verão em latim. Primavera seria o primeiro verão, o que o antecede. Mas a palavra “vers” também está vinculada a “ver”, enxergar, da mesma forma que verdade. Verdade é aquilo que se vê, e só podemos ver às claras, no escuro não. Verdade (“aletheia”, em grego) é o que se manifesta aos olhos do Corpo e do Espírito. Primavera, Verão, fazem com que o mundo fique luminoso, Outono (estio, decadência) e Inverno (restringir, hibernar), deixa o mundo escuro, lúgubre, insalubre.

È vero que Primavera se compara à manhã de cada dia. O Sol nasce, a verdade se anuncia, nada mais está escuro, ninguém fica indeciso. Tudo é feito às claras, a traição não se oculta, se declara. E no nascer do dia o solo se orvalha, fica fecundo. O amor do Sol à Terra-Lua se declara, a Terra fica molhada. O Yoni se transfigura (a Terra é um verdadeiro Templo da Sabedoria, o Templo de Jade). Como uma amante ela se prepara recebendo os raios fecundantes. É tempo de semeadura. O tremor da maré de água e terra se acentua; tsunami de alta envergadura. O Yin e o Yang se juntam, num êxtase sublime. E o Sol, sobranceiro, nada deixa no meio. O trabalho é executado nos mínimos detalhes, e à noite o Sol se recolhe, fatigado.

A Terra semeada, útero encantado, agora intocado.

Compare com o casal amante: se orvalha e se acasala. Ficam úmidos, se preparam, para no cálice se depositar o fruto do amor a acalentar.

Em Áries e Touro temos a semeadura. Época de fecundação, páscoa, alegria. O que é semeado na Primavera é recolhido no Outono, no estio, guardado para o Inverno, tempo de fastio.

Cuarta plancha

Os alquimistas sabiam disso, vejam do “Mutus Liber” a figura mostrada. No lusco-fusco, Sol e Lua presentes, o casal recolhe o orvalho cadente Esta água nutridora é o solvente da matéria a ser elaborada na divina Alquimia. Carneiro e Touro visíveis ao fundo indicam que a Primavera é propícia para essa colheita. Não tentem fazê-la em outra época, o Chumbo não será convertido, e para Ouro se tornar. Semente implantada sem a devida umidade, bom fruto não fará. Saturno, Sol não se tornará.

Os antigos sabiam de coisas há muito esquecidas, tinham respeito por esses ciclos queridos, abandonados por ritualistas novadios. Pobre Astrologia, pobre Alquimia, praticadas hoje por ignorantes que, autoproclamados sábios, principiantes são.

Quando o Sol varre os céus no dia-a-dia, vai da casa doze até a um, sem porfia. Meio dia está no zênite, seis horas no poente. O ponto de equinócio, num movimento similar, a precessionar, vai de Peixes, via Aquário, até Áries sem vacilar. Acautelem-se os egoístas. Aquário vem chegando, a humanidade se conscientizando, nossos irmãos clamam por um mundo melhor não desigual.

Ou teremos de esperar mais vinte e cinco mil anos para a redenção final?

Que fique a idéia de que quando o Sol cruza o equinócio o ano se fecunda. Tudo brota, renasce. O ano é um respirar. Na Primavera-Verão é tempo de inspirar, Outono-Inverno tempo de exalar. Assim bate o coração na sístole-diástole. Expansão-recolhimento é desdobrar do Ser, a essência da Vida, o Paraíso onde morte não existe.

Que os Astros nos protejam!

Rodrigo Araês

São Paulo, 10/02/2012 – 13h00m.

Sobre o Autor

Rodrigo Araês é engenheiro de formação e mestre em engenharia biomédica. Atualmente aposentado, depois de trabalhar por décadas no ensino de importantes universidades paulistanas, destacando-se na discussão e inclusão da transdisciplinaridade nos circuitos universitários de ensino e pesquisa. Deu seus primeiros passos na astrologia em 1968, tornando seu trabalho mais efetivo a partir de 1976 quando teve contato com Raul Varella. Em 1974 passou a estudar a obra de Alice Bailey, sendo hoje uma das principais referencias na Astrologia Esotérica do país. É um dos autores do livro Astrologia – Doze Portais Mágicos. Foi presidente da CNA no período 2011-2012.