Entrevista com Oscar Quiroga

27 de janeiro de 2011 Artigos, Entrevistas Comentários desativados em Entrevista com Oscar Quiroga
 Oscar Quiroga

CNA – Eventos como esse contribuem para diminuir o preconceito em relação à Astrologia?
Quiroga: É imprevisível o resultado disso, porque preconceito é algo que a pessoa só tira quando ela quer. Os preconceitos são arraigados, então, quando ocorre um evento como esse, alguns se agarram mais. Acho que não devemos nos preocupar com esse ou qualquer outro preconceito.

CNA – Desde o início, houve a preocupação de que esse evento não fosse um debate, mas um diálogo.
Quiroga: Claro que pessoas interessadas em estudar e dedicadas ao conhecimento viessem aqui expor seus pontos de vista, transmitir um pouco do que sabem.

CNA- Em seus textos você não faz uso de determinadas expressões tais como “maléfico, benéfico, influências planetárias”. Isso se dá em função de um estilo próprio ou por não concordar com essa terminologia?

 Apresentação de Walmir Cardoso

Quiroga: Tive e tenho, vários cuidados no processo de aprimoramento de texto. Afinal são dois trabalhos em um só, o do astrólogo e o do literato. Há um ponto de encontro que é a transmissão de uma linguagem astrológica que seja palatável para o leitor. Parto da premissa que o leitor não deva conhecer a terminologia astrológica, que fica reduzida a duas linhas iniciais. Daí até o final não há menção à Lua, a Marte ou a qualquer coisa particular ao universo astrológico. Optei por traduzir a linguagem astrológica de um jeito que a linha mestra não fosse a alternância do que é passageiro, ou o estado de ânimo, mas sim o que está no pano de fundo e se mantém, apesar de todas as mutações. É uma linguagem abstrata sim, mas que fala de algo que é real. Portanto o leitor descobre suas nuances pessoais, encaixando-as particularmente.

CNA – Houve, no passado, a cisão entre Astrologia e Astronomia. Você acha possível que as duas voltem a se reunir?
Quiroga: A partir do momento em que nós, como espécie, acabemos convencidos de que o universo é aqui também, qualquer cisão será superada. Não apenas a cisão de Astronomia e Astrologia, como também a de Oriente e Ocidente, muçulmanos e cristãos. Todas essas cisões existem porque partimos do convencimento de que somos exilados do universo. Estamos lutando e competindo para ver quem tem mais razão, como se houvesse alguém que não fizesse parte do universo. As cisões se alimentam dessa mesma fonte. A partir do momento em que encaixemos o software cósmico na mente e esse sistema operacional passe a ser funcional, as cisões deixarão de ter sentido.

CNA – Como é fazer horóscopo diário, algo que é difícil por exigir um exercício de criatividade, de reinvenção e ainda conseguir sucesso?
Quiroga: Gostando. Eu gosto muito de fazer esse trabalho, portanto me dedico com muita garra. Não é uma coisa pesada. É um desafio grande encontrar palavras diferentes para falar da mesma coisa.

CNA – Nos cursos de Astrologia há pouca, ou nenhuma, referência astronômica. Isso é uma lacuna a ser preenchida?
Quiroga: É importante, mas não fundamental. Considero que nós, astrólogos, somos uma importante interface entre o físico e o abstrato. Mas a relação entre o abstrato e o físico é que o físico ocupa 1% de nossa realidade, enquanto que o abstrato ocupa 99%. Isso cria reflexos no conhecimento astrológico, enquanto o astronômico, que se ocupa do físico, deve corresponder a 1% de nossa formação. Os restantes 99% têm de ser a busca de significado e de conhecimentos que provejam esse significado.

Oscar Quiroga, psicólogo e astrólogo. ocupante da cadeira 41 de letras astrológicas, na academia de letras do Distrito Federal. responsável pela coluna diária “astral” do caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo, desde 1986.

Sobre o Autor

CNA (Central Nacional de Astrologia)