"Entrevista" com Kepler

27 de janeiro de 2011 Artigos, Entrevistas Comentários desativados em "Entrevista" com Kepler

“Entrevista” com Kepler

No congresso comemorativo de 60 anos da fundação da Associação Alemã de Astrólogos (Deutscher Astrologenverband – DAV) em 2007, Ernst Ott incorporou a figura de Johannes Kepler (inclusive os trajes da época) para divulgar as idéias desse grande astrólogo. Nosso representante para países de língua alemã, Markus J. Weininger encontrou esta curiosa “entrevista” com Kepler, publicada no site do DAV e que gentilmente nos autorizou a tradução e reprodução.

por Ernst Ott, tradução do alemão: Markus J. Weininger

Sr. Kepler, o Sr. não participou de nenhum congresso astrológico desde 1630. Qual é o motivo para isso?

É que morri naquele ano. Porém, por isso mesmo é uma grande alegria poder falar aos seus leitores agora – e será uma imensa satisfação festejar o meu retorno justamente no congresso comemorativo da DAV.

Como foi que o Sr. chegou à Astrologia?

Não entendi a sua pergunta. Tive o privilégio de poder frequentar uma escola já a partir de 1584, e quem aprende a ler e escrever, naturalmente também aprende Astrologia! Nos meus estudos na Universidade de Tübingen, então, eu lia os mapas astrais dos meus colegas de aula, – percebi que eu tinha mais facilidade que outros – e recebi um retorno muito positivo. Para meu Sol em Capricórnio foi um encorajamento importante para eu continuar os estudos; aliás, estou estudando até hoje, pois a aprendizagem na Astrologia nunca acaba.

O que é o mais importante para o Sr. na Astrologia?

A comprovação de que o ser humano, assim como a natureza e o Cosmo são um todo em si, estruturado e bem organizado. Além disso, o fato de que a alma humana está repleta de harmonia, que ela canta, soa, e é capaz de produzir obras maravilhosas, porém, apenas se nós permitirmos. Infelizmente, a experiência prática mostra que sempre existem pessoas que não estão dispostas a realmente traduzir esta harmonia interna para as suas vidas concretas.

Dentro de nós, as harmonias celestiais estão ressonando. O horóscopo é uma maravilhosa ferramenta para ouvirmos, para tornarmos a harmonia interior pré-estabelecida novamente perceptível na prática. Porém, isso não significa que tenhamos que flutuar pelo mundo com um eterno sorriso harmonioso. Pelo contrário, da harmonia fazem parte contradições internas; da mesma forma como na música, onde apenas pode existir harmonia entre duas notas diferentes, assim ocorre também no horóscopo. Combinar dois talentos de planetas em contradição, esta é a verdadeira arte! Por isso, os aspectos estão no centro da minha análise de um mapa.

Que parte da Astrologia o Sr. considera a mais dispensável?

As pessoas que querem que eu decida seus problemas cotidianos no lugar delas. Como as pessoas devem gastar seu dinheiro, como devem se comportar, se devem se casar e com quem, se terão sucesso na vida ou se fracassarão – tudo isso não diz respeito aos planetas. Mesmo assim, tive que aconselhar alguns políticos e militares, que cismavam que sua sorte na batalha era de importância quase cósmica… Ao contrário deles, porém, a sabedoria astrológica ainda terá milhares de anos de vida. Para mostrar a estes senhores que eles mesmos têm a responsabilidade pelos seus planos de batalha e não podem pedir a bênção das estrelas de mim, recuso-me, desde então, a ler mapas para eles. Tomei a decisão de apenas comunicar as minhas interpretações àqueles que me perguntarem por interesse filosófico, ou seja, aos que almejam puro conhecimento e auto-conhecimento.

O Sr. vai falar no congresso do DAV intitulado “Astrologia – Pontes entres os Mundos”. O seu tema é: “Harmonia dos Mundos – Em prol de uma Astrologia adequada para o nosso tempo”. Que papel este tema exerce nas suas próprias consultas? Como foi que o Sr. chegou a esta abordagem? Qual é a importância desta abordagem para o Sr.?

Quando o presidente do DAV me convidou para o Congresso em Karlsruhe, ele me comunicou que desde meu falecimento têm ocorrido esforços científicos gigantescos para se investigar o reino do visível. Teria se estabelecido a fundamentação do reino material apenas a partir de teorias materialistas; a Astronomia e a Astrofísica até teriam se separado por inteiro da Astrologia. Isso me parece um claro retrocesso.

Pessoalmente continuo achando que o único valor das ciências exatas é o de serem uma ferramenta para se chegar ao conhecimento do Divino. A ciência da Harmonia dos Mundos já foi divulgada no séc. VI a.C. pelo grande Pitágoras. Portanto, já está na hora em que também nossa época moderna reconheça de novo o que mantém a união do mundo visível no seu âmago: é o invisível. Estou me referindo às vibrações da harmonia cósmica, ao fato de que os astros produzem música. Os ritmos dos planetas reproduzem esta música de maneira perfeita. Cada mapa natal mostra uma nova combinação dos sons primordiais. Ele é, de certa forma, a estrutura harmônica que podemos tomar como base para compormos as nossas próprias melodias de vida.

Então, o que seria uma Astrologia adequada para o nosso tempo? Justamente em épocas materialistas só pode ser uma astrologia do espírito, uma Astrologia das causas essenciais; nunca uma Astrologia que se empenha em prenunciar acontecimentos trágicos ou êxito financeiro.

O Sr. poderia descrever com mais detalhes esta abordagem?

É isso que farei na minha palestra no Congresso. Consegui comprovar com novos métodos científicos que as velocidades angulares dos planetas estão numa relação harmoniosa de números inteiros entre si. Assim, a harmonia dos céus postulada por Pitágoras pôde ser comprovada pela primeira vez e até reproduzida de maneira audível. No meu livro “Harmonia dos Mundos” também consegui provar que nas mais diversas áreas prevalecem as mesmas leis cósmicas. Assim, na geometria, nos aspectos astrológicos, nos ritmos da natureza, naturalmente na música e no universo maravilhoso do mapa natal. Desta forma, podemos perceber que a alma humana em si é um tipo de Zodíaco. Mais exatamente, ela é o centro de um Zodíaco e a partir deste ponto, ela realiza e percebe as relações e transições planetárias.

Para poder transmitir isso da maneira mais clara e inteligível possível resolvi recorrer a algo inaudito, para a minha palestra no evento em Karlsruhe: esta vez, excepcionalmente, não falarei no idioma científico universal, ou seja, em latim, mas no vernáculo teutônico.

Sr. Kepler, muito obrigado pela entrevista, estamos curiosos para ouvir sua palestra.

Sobre o Autor

CNA (Central Nacional de Astrologia)