Corra Lola, corra — ou algumas reflexões:

3 de fevereiro de 2011 Artigos, Diversos: a partir de janeiro/2010 Comentários desativados em Corra Lola, corra — ou algumas reflexões:
 Valdenir Benedetti

Tivemos nesse sábado a Assembléia Extraordinária da CNA, a associação que estamos todos nós criando.
Foi votado um novo Estatuto, corrigindo algumas deficiências do primeiro, aprimorando algumas regras importantes, criando condições melhores para que a CNA possa encontrar uma vocação e um propósito que sirvam a todos nós em perfeita harmonia com uma estrutura de realidade que desejamos nos sirva de apoio e jamais de fonte de conflito.

Percebi nessa reunião que está começando a aflorar uma vontade, uma força maior que sai do padrão do medo que é a base da formação das associações de classe, normalmente.

 Assembleia Extraoridnária para votação do Estatuto – 25/04/09

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Os argumentos mais comuns que justificam que um grupo se dê ao trabalho de fundar uma associação são, por exemplo, nos proteger do inimigo imaginário, da má qualidade do trabalho de alguns, da possibilidade de outros grupos profissionais se apropriarem da Astrologia e obterem domínio sobre nosso trabalho, dos que querem destruir a Astrologia e provar que ela não funciona… Enfim… As pessoas se agrupam sob um guarda-chuva legal para se proteger de algo, e eventualmente, quando se pergunta o que é, além do medo, motiva as pessoas, as respostas vão de aprimoramento profissional, união de classe, respeito pela sociedade, etc.

Alguns formam associações como essa para obter algum tipo de poder, que apenas através de seu trabalho não conseguiriam.

Outros querem somente manter seu nome em evidência, não ficar “por fora”, aparecendo às vezes como responsáveis por uma função ou cargo, tendo o status de pertencer ao grupo, mas na verdade, nem sabem o que está acontecendo, porque não estão interessados, não participam…

Na hora da foto eles SEMPRE aparecem.

Mas, noves-fora tudo isso ai, tive o privilégio de perceber uma luminosidade especial dessa vez.

Tenho participado e me envolvido nesse tipo de “reunião”, de proposta, de tentativa, por muitos anos. Havia desistido e, inclusive, pela frustração de todas as tentativas por motivos muito surreais, enfim, por conta disso eu assumi uma posição contrária a qualquer associação de Astrólogos.

Agora estou revendo minha posição. Estou na CNA e percebi, por ser um observador atento do mundo em que vivo, — e por estar sentindo, também em mim, aflorar essa vontade de fazer algo maior que eu mesmo, — sentindo essa urgência que alguns acham que é ansiedade por conta de crises externas, mas que eu identifico como um estado de consciência se instalando naqueles de nós que têm se conectado ao universo dos símbolos e das possibilidades que estão além da aparência banal, então, essa percepção se transforma nesse sentimento de urgência, de que algo está para acontecer, e que nós somos os únicos responsáveis por tudo que está por acontecer…

Nessa revisão de minha postura, tenho percebido que o individualismo preservador e reacionário que nos sustenta tantas vezes, está pedindo socorro, ou melhor, concordata.

A tendência é identificar essa ansiedade, essa vontade de participar de algo maior, como necessidade de relacionamento, alguém que nos complete e bla bla bla.

A necessidade real é de algo maior.

E é urgente.

E o fato principal é que essa vez, quem estiver sozinho, não vai dar conta, e também não vai poder ajudar ninguém

O motivo é muito simples: a gradativa abertura da consciência, que tem visivelmente ocorrido durante as últimas décadas — para quem estuda Astrologia, para quem estuda ou pratica qualquer forma de atividade simbolista — está mostrando aquilo que os místicos cantam há milênios, que é o fato de que Somos Todos UM. Não há separatividade.

O exercício da participação, do trabalho comum, do projeto comum, dissolve as fronteiras mentais, os programas culturais que nos mantinham no estado de separatividade, que é uma redução do ser a partículas de si mesmo.

A CNA está aqui para nos dar a oportunidade de não estamos mais separados, de começarmos a agir como uma unidade, sem que ninguém perca sua particularidade, sua especialização, seus talentos e dons. A diferença é que existe agora onde expressar isso, um mesmo fluxo, um mesmo rio nos levando para o alto mar.

A consciência de que podemos fazer a diferença em um mundo (me refiro ao mundo astrológico, mas podemos estender a outros espaços culturais), fazer algo que permita a esse mundo ir além de mediocridades vigentes, que prevalecem sobre raros lapsos de criatividade e genialidade.

A diferença não mais poderá ser feita por um indivíduo: o sentido da regência de Urano em vez de Saturno para o signo de Aquário é esse. Básico.

A diferença que podemos fazer no planeta Terra, na história, na evolução, somente podemos fazer juntos.

Cada um tem que se salvar, é uma obrigação, mas salvar-se só é válido se servir para algo maior. Se for pra se esconder e temer, para que se salvar?

Ah, antes que alguém pergunte, só podemos nos salvar de nós mesmos. De quem mais seria?

E nos salvar de nós mesmos é o único caminho possível para ainda podermos salvar este planeta. Temos que ser rápidos, muito rápidos.

Voltando à Assembléia do sábado….

Observando o posicionamento maduro das pessoas presentes, pude sentir no grupo essa expansão da consciência, que talvez nem todos tenham já percebido, mas que não pode escapar ao olhar atento. Algo está de verdade mudando, e quem não ficar esperto e junto, vai perder o bonde da historia…

Há muito o que fazer, e ninguém vai ganhar nada especial com isso, nenhum brinquedo, nenhum doce, nenhuma promoção extra, mas apenas o prazer de estar fluindo junto com o rio da historia, fazendo sua parte.

Também o prazer de encontrar amigos.

É suficiente.

Pena, os que ainda querem apenas coisas pequenas, quando está em suas mãos a possibilidade da grandeza.

Quem quer viver e perenizar o modelo do velho mundo, onde a única coisa que interessa é segurança, controle e conservação, além de guerra contra os inimigos, tem opção, podem ficar tranqüilos, temos vários sindicatos ativos no Brasil, inclusive na cidade de São Paulo.

Honestos, bem intencionados e se esforçando também para cumprir seu papel.

Para aqueles que não estão sustentando seu pensamento no medo e querem algo a mais para si, a CNA pode ser a fonte para uma prática legítima da Astrologia.

E a consciência exige coragem.

É bom poder escolher!

Valdenir Benedetti

PS: O Estatuto foi redigido com muita dedicação por GENTE que deixou de fazer coisas particulares e investiu tempo e energia nisso. A Assembléia foi organizada, paga, administrada por GENTE, e tudo que aconteceu, os itens e parágrafos examinados e votados um a um, aconteceu apenas porque tinha GENTE.

Em síntese, só pode participar da CNA, GENTE, e creio que ninguém mais interessa.

Quem for GENTE, então, pode vir.
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AGUARDE! EM BREVE, ATUALIZAÇÕES NO SITE COM OS PRINCIPAIS TÓPICOS DISCUTIDOS NA ASSEMBLEIA.

Jornalista e um dos mais ativos promotores de congressos e seminários no meio astrológico, Val é organizador de várias coletâneas e também o autor de Textos Planetários (1997). Mantém o blog Astrologia Transpessoal.

Sobre o Autor

CNA (Central Nacional de Astrologia)